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4. SONUÇ VE TARTIŞMALAR

4.1 Bileşiklerin Yapılarının Aydınlatılması

Jacob Levy Moreno, criador do método psicodramático, realizou a primeira dramatização pública no dia primeiro de abril de 1921, na cidade de Viena. Esta data foi considerada por ele próprio, como marco da fundação do teatro da espontaneidade e da criação do psicodrama.

O psicodrama nasceu de práticas grupais em ruas, hospitais, prisões, etc. e mais tarde concretizou-se em concepção teórica. Além da incontestável importância do Psicodrama em clínicas, também foi utilizado com grande êxito na área da pesquisa e da educação, levando Moreno à criação do Psicodrama Pedagógico.

Em relação à educação, o método psicodramático pode ser utilizado no ensino e na pesquisa com alunos, professores, funcionários, pais, etc. A utilização do psicodrama na educação é muito importante, pois propicia o desenvolvimento da espontaneidade e da criatividade, facilitando o crescimento pessoal e a qualificação de desempenho dos papéis sociais.

Segundo Moreno (1992), a nossa civilização é repleta de conservas. “A conserva cultural propõe-se ser o produto acabado e, como tal, adquiriu uma qualidade quase sagrada”. (MORENO, 1987, p. 158). A sociedade atribui mais atenção ao resultado final do que aos processos criativos, ao produto do que à inspiração momentânea, por isso a espontaneidade é muito pouco desenvolvida e prejudica o preparo para surpresas e reações rápidas e organizadas. O ser humano tem uma capacidade ilimitada para a ação criativa e espontânea, porém esta vem sendo bloqueada pelas conservas culturais.

É através do psicodrama que Moreno tenta resgatar as relações télicas, ou seja, “a capacidade de se perceber de forma objetiva o que ocorre nas situações e o que se passa entre as pessoas” (GONÇALVES; WOLFF; ALMEIDA, 1988, p. 49). Cria assim condições para a recuperação da criatividade e da espontaneidade, proporcionando o Encontro. O Encontro se dá quando há reciprocidade total, momento em que os indivíduos adquirem tal grau de identidade que podem escutar o outro mesmo mediante o silêncio, sem que, com isso, haja perda ou dano da identidade própria. No Encontro, o indivíduo é capaz de enxergar com os olhos do outro e vice-versa. No texto intitulado “Convite ao Encontro”, Moreno (1987) poetizou esse momento:

(...)

Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face. E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus;

E arrancarei meus olhos

Para colocá-los no lugar dos teus; Então ver-te-ei com os teus olhos E tu ver-me-ás com os meus. (...)

No psicodrama, o mais importante é o momento da criação e seu valor está no processo e não no produto final. O indivíduo cria no aqui e agora do espaço psicodramático, na vivência do drama, durante o processo. Segundo Fonseca Filho (1980, p. 7):

No cenário psicodramático, tudo é atual. O passado é presente. O futuro também o é. O cenário psicodramático é sempre a perspectiva de um mundo novo, de um momento novo não vivido na vida do passado. Não importa somente a revelação da vivência passada. Importa mais o presente. A vivência do momento atual é um convite a uma comunicação humana transformadora; é a tentativa de “desintelectualizar” o ser humano para um contato mais verdadeiro, mais emocional, mais pessoal – o encontro.

A teoria psicodramática reúne conhecimentos procedentes da sociologia, da psicologia e do teatro. Surgiu do contato com a realidade social, concentrando-se no indivíduo e sua capacidade para a espontaneidade criadora na ação. Seu objetivo é proporcionar ao sujeito a possibilidade de interagir criativamente e de se afastar, ainda que temporariamente, das conservas culturais e sociais.

Na formação de professores, a tarefa desta abordagem é incentivar a espontaneidade, pois sendo espontâneo, o educador é capaz de criar. O professorado adquire maiores condições de buscar respostas novas para as situações de ensino, utilizando-as em lugar das respostas prontas e estereotipadas. O psicodrama sugere que a espontaneidade não deve permanecer adormecida ou intacta e para isso é preciso que haja oportunidade para a sua manifestação. A escola não deveria incentivar a criança à repetição do já feito, à formação de atitudes iguais, não espontâneas e não criativas. Moreno (1987, p. 198 e 199) a respeito dessas idéias afirma que

... se os instintos humanos forem abandonados à sua espontaneidade “crua”, o resultado dos processos não será a espontaneidade [...] uma pedagogia adequada aos nossos ideais tem que basear-se completamente e sem compromissos de qualquer sorte no ato criativo. Uma técnica do ato criativo, uma arte da espontaneidade, tem que ser desenvolvida de modo a habilitar o homem a criar continuamente.

Nos cursos de formação docente, como ao longo do exercício da profissão, o ato psicodramático pode colaborar de maneira significativa, favorecendo as relações grupais, intergrupais, a liberação da espontaneidade e da criatividade. Sobre o processo de formação docente, Penteado (1996, p. 166) afirma que

recorrer às propriedades formativas do jogo, tanto nos cursos de formação de professores quanto na formação continuada (ou formação em serviço), é uma maneira de “vivificar” esta relação [relações grupais entre docentes] de tal forma a liberá-la para encontros educacionais formadores.

Os cursos de formação de professores necessitam, sem qualquer tipo de restrição e resistência, incentivar e promover o ato criativo, pois desenvolvendo a espontaneidade do professorado, o habilita para a criação. O método psicodramático visa ao encontro, à integração, à criatividade, ao trabalho grupal e ao desenvolvimento do pensamento crítico. Nenhum conhecimento pode ser efetivamente incorporado na escola se não há espaço propício e disponibilidade para isso. Nota-se que o ensino tradicional aproveita minimamente a participação que o aluno pode oferecer.

Por intermédio da metodologia psicodramática, contribuímos para que o aluno coloque para fora o conhecimento que “sabe” e o compreenda como algo próprio, como algo seu. E isso acontece porque ele descobre as conotações que dão sentido ao conhecimento e que têm valor para si e para os outros, dentro de um mesmo contexto cultural. (ROMAÑA, 1996, p. 48)

A dramatização ocupa-se da realidade e da experiência, portanto utiliza o máximo da experiência que o grupo pode oferecer, e com isso, cria-se o tom afetivo, pois o grupo sente-se valorizado, sente-se “ouvido”.

A dramatização também favorece o autoconhecimento, o resgate da espontaneidade e cria condições para a inter-relação. Durante o ato psicodramático, protagonista, atores, ego auxiliares7 são convidados, pelo diretor psicodramático, a utilizarem seus corpos (em alguns casos juntamente com falas; em outros, somente a expressão corporal) na representação de papéis. Esta linguagem corporal explorada pelo psicodrama pode ser utilizada na etapa do

7 O Ego-Auxiliar pode colaborar com o diretor psicodramático ou com o protagonista. No primeiro caso, pode ser enviado ao palco para representar um papel ou contrapapel, contribuindo com o desenvolvimento da ação psicodramática, e em alguns casos atuando como provocador, de acordo com as instruções do diretor. No segundo caso, pode ser indicado pelo Protagonista, para representar o papel de determinada pessoa que surge na cena a ser dramatizada.

aquecimento e também durante a dramatização. O andar, a postura, a expressão facial, os gestos utilizados durante a etapa do aquecimento inespecífico são respostas ao comando do diretor psicodramático aos participantes, como também expressões utilizadas pelo protagonista e/ou atores nas representações de papéis durante a dramatização.

No caso da educação, durante a dramatização, o aluno participa ativamente, sentindo, fazendo, imaginando e refletindo, o que propicia que os conteúdos adquiridos através da dramatização não caiam no esquecimento. O método psicodramático articula a aquisição do conhecimento intelectual com emoções, auto-avaliação, respeito, sensibilidade, relação com o outro, espontaneidade e criatividade. Além de ser um incentivo à espontaneidade e à criatividade, pode ser utilizado como aprofundamento de aprendizado de conteúdos já vistos, na aquisição de um conteúdo novo, na melhoria das relações entre educandos, entre educandos e profissionais da educação, entre professores e pais. Na realidade, o que se encontra com freqüência indesejada, ainda hoje, nas escolas, é o não incentivo e a privação da espontaneidade, divulgando conceitos prontos, promovendo assim a preservação das conservas culturais.

Segundo Romaña (1996), o papel provavelmente desejável pelo educador é o de ser articulador entre os conhecimentos formais e as experiências do aluno vividas em sua realidade imediata e concreta, o de aproximar o mundo dos conhecimentos da realidade vivida, desenvolvendo assim, um ensino significativo para o aluno, oportunizando-lhe a compreensão crítico/reflexivo favorecedora da ação transformadora.

... o método educacional psicodramático propõe-se a ajudar o educador a alcançar nos seus alunos, em alguma medida, a integração entre conhecimento adquirido e experiência vivida, integração esta que, imaginamos, o educador procura atingir. (ROMAÑA, 1996, p. 23)

O alcance de tal proposta implica no “encontro” de sujeitos significativos para os processos focalizados. No caso da educação escolar, o processo de ensino/aprendizagem abrange além dos professores e alunos, os pais.

O psicodrama pedagógico, focalizado nos papéis profissionais, baseia-se nas experiências cotidianas e tem como objetivo a melhor compreensão e estruturação desses papéis. Ao ser realizado na escola, permite melhor concepção de papéis e contrapapéis (professor/ aluno; pais/ filhos). Daí a importância da metodologia psicodramática na formação inicial e continuada de professores.

Benzer Belgeler