4. SONUÇ VE TARTIŞMALAR
4.4 Bileşiklerin Absorpsiyon Spektrumları Üzerine Sübstitüent
Os pressupostos de que se partiu, bem como as questões de pesquisa postas exigiam um campo empírico para a realização da investigação aqui proposta.
Selecionou-se, então, para realização desta pesquisa uma escola municipal de ensino fundamental, localizada na cidade de Ribeirão Preto, em um bairro periférico.
Segundo dados obtidos na escola, a maioria das famílias dos alunos pertence a segmentos desprivilegiados da população. Dos alunos pertencentes à instituição pesquisada, 50% são oriundos das favelas. Grande parte dos pais é migrante vindo do campo para a cidade em busca de emprego melhor. Através de questionário aplicado aos pais (APÊNDICE D) e consulta ao Projeto Político Pedagógico (PPP) da instituição, constata-se que em relação à escolarização, a grande maioria dos pais não concluiu o ensino fundamental, conforme podemos observar na tabela a seguir:
ESCOLARIZAÇÃO DOS PAIS PERCENTUAL (%)
Analfabetos 14
Ensino Fundamental Incompleto 50,8 Ensino Fundamental Completo 25,8
Ensino Médio Incompleto 3,1
Ensino Médio Completo 4,1
Ensino Superior Incompleto 1,7
Ensino Superior Completo 0,5
A maioria dos pais desenvolve trabalho braçal e as mães trabalham como empregadas domésticas. Há vários casos em que o sustento da casa está a encargo das mães. A sobrecarga de trabalho, dos que estão empregados, muitas vezes, dificulta a participação dos pais na escolarização dos filhos, como eles gostariam. Por outro lado, há um número considerável de pais, 48,3%, em situação de desemprego que sobrevive do recolhimento de materiais recicláveis, dos Projetos “Renda Mínima” e “Viva Leite”, das doações de cestas básicas, etc. Além disso, há a necessidade de que as crianças trabalhem para ajudar na renda familiar e também nas atividades domésticas, com prejuízo de seus encargos escolares. A renda familiar da maioria das famílias gira em torno de 13,4% do salário mínimo, ou seja, grande parte
dessas famílias vive abaixo da linha da pobreza, com menos de um salário mínimo. A merenda escolar, muitas vezes, é a única forma de alimentação das crianças.
A escola está situada em um bairro próximo ao Aeroporto da cidade, entre uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma Base de atendimento comunitário. Não existem outras escolas no bairro. Há uma Associação de Moradores de Bairro e como opção de lazer, um campo de futebol.
A escola tem apenas cinco anos e o espaço físico é dividido em quatro blocos. Recentemente, construíram seis salas de aula e um salão para reuniões que os funcionários chamam de barracão, talvez devido ao aspecto de galpão.
A escola possui uma biblioteca, na qual encontra-se organizado um pequeno acervo de livros didáticos e paradidáticos, uma sala de informática contendo nove computadores, um refeitório e duas quadras de esportes, sendo uma coberta e outra descoberta. Possui, ao todo, 18 salas de aula, um auditório, uma sala de professores, uma sala de direção, uma secretaria e um pátio, local geralmente utilizado pelos alunos nos horários de intervalos. Não há laboratórios. Quanto aos materiais escolares, o município oferece cadernos, lápis, borrachas, apontadores e réguas. A escola não oferece atendimento médico e odontológico a seus alunos.
A equipe escolar, durante o desenvolvimento da pesquisa, compreendeu:
PERÍODO EQUIPE ESCOLAR 2005 2006 2007 Diretora 01 01 01 Vice-diretora 01 01 - Coordenadora Pedagógica - - 01 Docentes efetivos 21 21 23 Docentes contratados 33 31 28 Alunos 1124 1174 1317 Secretária 01 01 01 Auxiliar de escritório 01 01 01 Inspetor de alunos 02 02 02 Cozinheira 02 02 02
Auxiliar de serviços gerais 01 04 05
Atualmente, dos 51 professores que compõem a equipe escolar, 49 possuem curso superior completo, dois possuem o curso de Magistério. Os alunos são distribuídos em três turnos. A média por sala, durante o ano de 2005, foi de 34 alunos; no ano de 2006, 36; durante o ano de 2007, a média de alunos por sala foi de 38.
Há na escola o Projeto Político Pedagógico (PPP) que, definido por Mennucci (2007, p. 8), seria um projeto “ligado ao sistema escolar mais amplo, ao Plano da Escola, aos Planos
de Ensino, ao Regimento Escolar e demais Planos e Projetos da unidade escolar, estando nele definido o tipo de ação educativa que se quer realizar e a leitura da realidade”.
Na instituição pesquisada, o PPP foi elaborado pela direção em 2006, com vigência até o ano de 2009. Através da coordenadora pedagógica foi possível constatar que a elaboração do projeto não contou com a participação dos professores de forma direta. A direção, através de um modelo recebido pela Secretaria de Educação e consultando Projetos Políticos Pedagógicos de outras instituições, elaborou o Projeto vigente.
O Projeto Político Pedagógico, “em uma escola democrática, é feito coletivamente, sendo o alicerce de todas as atividades de ensino e de aprendizagem planejadas pelos professores para serem desenvolvidas em sala de aula”. (MENNUCCI, 2007, p. 8). Além da participação do professor na construção do PPP, a escola democrática deve abrir espaço para a comunidade, a fim de garantir o compromisso de todos no desenvolvimento deste projeto. É necessário haver espaços de diálogos, cooperação e participação coletiva de todos os membros envolvidos no sistema educacional.
Gonsales Filho e Treno (2006, p. 8), sobre a real função de um Projeto Político Pedagógico, afirma que é preciso
[...] um projeto que venha implantar e implementar novas propostas político- pedagógicas de maneira interdisciplinar e coerente com as problemáticas vividas pelos que nela trabalham e estudam [...] entendemos que o PPP deva ter, como objetivo, a promoção do diálogo entre todos, possibilitando as várias interfaces de comunicação (entre as diversas áreas do conhecimento e a realidade vivida), bem como a integração da comunidade escolar e do seu entorno, articulando perspectivas e necessidades. Os autores citados anteriormente defendem que o real PPP deva ser elaborado, implantado e implementado com a participação ativa e efetiva de alunos, professores, todos os profissionais escolares, pais e a comunidade que faz parte desse entorno.
No caso da escola pesquisada, os professores participaram através de projetos elaborados por eles, que foram anexados ao PPP. Nestes constam projetos interdisciplinares a serem desenvolvidos na escola, nos quatro anos de vigência do PPP. A consulta feita à coordenadora pedagógica evidencia que nem todos os projetos foram colocados em prática.
Em relação à participação das famílias na educação das crianças, o PPP apresenta uma proposta de trabalho com os pais (ANEXO A), em alguns projetos a serem desenvolvidos juntamente com estes. A acolhida desta pesquisa-intervenção, pelo primeiro diretor da escola em questão, parece ter sido iniciativa cujo intuito seria a viabilização da proposta do PPP, referente à relação escola/família.
Nas considerações sobre o que seriam os projetos, percebe-se que os pais não participariam da elaboração destes, nem seriam ouvidos sobre o que desejam ou a que aspiram, ou seja, não seriam solicitados a colaborarem com a construção do projeto, na expectativa de que, durante a execução, se comportassem como receptores.
Portanto, nos objetivos do PPP, fica evidente a importância da parceria escola e família, mas esta parceria ainda encontra dificuldades para ser operacionalizada na prática. Podemos exemplificar com a Reunião de Pais e Mestres. Esta é colocada, no PPP, como um momento de reflexão sobre o convívio em família e conscientização sobre a importância da parceria escola-família (Consultar ANEXO A), mas na prática, conforme pudemos observar no espaço escolar e verificar nos relatos dos próprios professores e dos pais, o que ocorre é um momento em que os pais vão até a escola para receberem os boletins e ouvirem as queixas dos professores sobre seus filhos.
Em relação às salas de aula, na tabela a seguir, encontra-se o número de salas em funcionamento durante os três anos de desenvolvimento da pesquisa, nos períodos manhã e tarde. Apenas o EJA (Educação de Jovens e Adultos) funciona no período noturno.
NÚMERO DE SALAS DE AULA SÉRIES 2005 2006 2007 1ª 04 05 05 2ª 04 05 05 3ª 04 05 05 4ª 04 05 05 5ª 04 05 05 6ª 04 04 05 7ª 02 04 04 8ª 02 03 03 EJA 02 02 02
Quanto à grade curricular, a escola oferece a base comum – Língua Portuguesa, História, Geografia, Ciências, Matemática, Arte e Educação Física. A partir da 5ª série (hoje sexto ano) até a 8ª (hoje nono ano) a disciplina de Inglês é incluída na grade curricular.
No decorrer da pesquisa, três diretores se sucederam no cargo. No início, a pesquisa foi acolhida com grande entusiasmo pelo diretor que estava no cargo. No decorrer desta, o diretor foi substituído de maneira inesperada e sem qualquer explicação, causando grande revolta entre professores e principalmente entre pais. A segunda direção foi assumida por uma nova diretora, que até aquele momento atuava como vice-diretora. A vice-direção foi ocupada por uma professora que até o momento não atuava na referida escola. A conduta
administrativa da segunda diretora, desde o início, motivou a não acolhida pelos pais e professores, causando grande insatisfação em relação a seu trabalho. Sua gestão durou de agosto de 2005 a setembro de 2006 e coincidiu com os trabalhos psicodramáticos por mim iniciados na escola. Como se poderá depreender da análise desses trabalhos, os professores, que no início se postaram como vítimas de situações calamitosas que ali ocorriam, passaram a se posicionar como sujeitos, o que certamente funcionou como um dos fatores responsáveis pelo pedido de demissão da referida diretora.
A terceira direção foi assumida pela então, vice-diretora. Esta foi acolhida de maneira positiva, já que as relações negativas entre direção anterior e professores e direção anterior e pais permaneciam com grande força, como veremos na análise dos dados coletados para essa pesquisa. A terceira diretora permanece, até o momento atual, na instituição.
Interferências negativas para a realização do trabalho psicodramático ocorreram inúmeras vezes, principalmente durante a gestão da segunda diretora e sempre por atuação direta dela. Algumas dessas interferências foram: mudança das datas de reuniões psicodramáticas sem prévio aviso, esquecimento de convocação dos pais para a reunião do grupo, intervenção inesperada da diretora com recados e vídeos estranhos à sessão psicodramática durante os encontros, participação da diretora em algumas reuniões impondo sua posição hierárquica e inibindo os integrantes dos grupos, portões fechados no horário da reunião com os pais, impedindo a realização do encontro e agendamento de outra reunião com pais no mesmo horário em que ocorreria o encontro do grupo psicodramático.