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4. SONUÇ VE TARTIŞMALAR

4.2 Bileşiklerin Absorpsiyon Spektrumları Üzerine

O indivíduo, durante sua trajetória de vida, ocupa posições sociais (status), cujos padrões de comportamento são definidos socioculturalmente. Ao vivenciar os papéis sociais correspondentes é possível estabelecer uma relação dinâmico-criativa e não meramente reprodutiva de tais padrões. A reprodutividade mecânica dos padrões é responsável por condutas estereotipadas e por desconforto e conflitos na vivência do papel social. A fixação a condutas conservadoras, embota a espontaneidade e a criatividade próprias do ser humano.

O psicodrama proposto por Moreno (1987) aborda esse fato afirmando que para ocorrer a liberação destas estereotipias, a dramatização teria que ir além dos teatros tradicionais, que muitas vezes, apenas reproduziam o que ocorria na sociedade, reafirmando as conservas culturais.

Moreno (1987) propôs que o teatro espontâneo fosse um local de liberação, de transformação, de improvisações, incentivando o desenvolvimento da criatividade e da espontaneidade. Um espaço em que os atores criassem seus próprios personagens e não desenvolvessem papéis criados por um outro autor, pois sendo assim, por mais originais que fossem as representações, não passariam de esforços para repetições.

A primeira tentativa deste mesmo autor em alcançar este objetivo foi a transformação do teatro comum em teatro espontâneo. A proposta é transformar de dentro para fora, liberar os papéis através da dramatização espontânea. Instaura-se o conflito entre o papel dramático e a pessoa privada do ator. Ao representar, um ator omite sua pessoa privada, porém tal omissão é sempre incompleta, atrás do papel do personagem está presente a personalidade privada do ator. Jacob Levy Moreno coloca que

o grau em que um dado papel pode substituir ou preencher o espaço da pessoa privada do ator é cronicamente incompleto. Por detrás da máscara de Hamlet espreita a personalidade privada do ator. Chamei freqüentemente a isso de conflito primário papel-pessoa. (MORENO, 1987, p. 206)

O teatro espontâneo busca pôr fim a este dilema entre o drama espontâneo (improviso) e a rígida conserva dramática (papel a desempenhar). Moreno busca a superação das conservas, permitindo e incentivando a criação e a espontaneidade, promovendo o desenvolvimento de papéis "in status nascendi", ou seja, criados na situação do momento, durante o processo.

Dessas considerações sobre o teatro, Moreno avança para os papéis na vida. “O desempenho de papéis é anterior ao surgimento do ego. Os papéis não decorrem do eu, mas o eu pode emergir dos papéis”. (MORENO, 1987, p. 210)

Segundo este autor, os papéis estão presentes na vida de cada sujeito de forma tão intensa, que acabam englobando a pessoa privada em grau tão elevado que esta passa a ser uma parte do papel. Para Moreno (1987), os papéis são classificados em três tipos: papéis psicossomáticos, papéis sociais e papéis psicodramáticos.

Os papéis psicossomáticos, apesar de serem chamados de papéis, não permitem relacionamento de pessoa a pessoa, ou seja, não há um relacionamento entre sujeitos que corresponda a ações bem delimitadas. Não há ainda inter-relação, a criança, de pouca idade, pode apenas interagir com seu corpo e sua fisiologia, daí a designação papéis

psicossomáticos. Incluem papéis denominados ingeridor, defecador, urinador, etc. A

característica básica destes papéis é anteceder à separação entre fantasia e realidade.

Os papéis sociais envolvem a realidade, surgem quando a criança se encontra em situação de assimilação das imposições das instituições sociais, através das pessoas que constituem seu meio. Enquanto conservas culturais, os papéis são impostos a todo sujeito pelas instituições sociais e respondem pela continuidade da vida social. Os papéis sociais constituem o fundamento da interação social.

Os papéis psicodramáticos, que também surgem quando se alcança a separação entre produções imaginárias e realidade, caracterizam-se pela oposição à realidade e aos papéis sociais, naquilo que eles têm de mais intolerável para o sujeito, seus aspectos repressivos e inibidores da espontaneidade. Daí, a predominância da fantasia. Os papéis psicodramáticos correspondem à dimensão mais subjetiva da vida psíquica.

Naffah Neto (1979) faz revisão dos conceitos de Moreno e realiza o desenvolvimento da teoria dos papéis ao criticar seus aspectos funcionalistas e propor sua explicação a partir do desenvolvimento de uma perspectiva materialista-histórica. Com fundamento nessa perspectiva, recorre ao conceito de "clivagem do sujeito".

A sociedade capitalista, com sua divisão do trabalho, acaba desenvolvendo um processo de divisão do sujeito, chamado por Naffah Neto (1979) de "clivagem". Este é separado, dividido entre papel social e pessoa privada. Há uma clivagem entre interesses coletivos e interesses privados. De um lado, fica o mundo imaginário e ilusório; de outro, o mundo social, do trabalho. Por estranhar seu mundo social, o sujeito acaba criando um mundo imaginário, cheio de ilusões e fantasias, mas que possui a função de aliviar a insatisfação presente nas realidades sociais. Isso constitui para a sua alienação e construção de um mundo

ideal, imaginário. Pode-se supor então que a pessoa privada não constitui a essência do sujeito, como crêem certas concepções humanistas, não representa a sua realidade como um todo, mas apenas parte dela.

Numa perspectiva marxista, Naffah Neto aponta a questão da alienação do sujeito através do papel social como um produto da divisão do trabalho, típica da sociedade capitalista e conseqüência dos conflitos entre as classes sociais. A própria ação do homem domina-o em lugar de ser por ele dominada, terminando por fazer surgir uma estereotipia dos papéis e a diferenciação em uma pessoa privada. “É a alienação do drama coletivo e a consolidação dos papéis sociais, onde os atores desempenham, como marionetes, uma peça que não foi por eles escrita”. (Naffah Neto, 1979, p. 187)

A clivagem do sujeito, ou seja, a sua divisão em papel social e pessoa privada, não deve ser generalizada para todos os tipos de sociedade, pois é, segundo o autor, uma característica da sociedade capitalista, na qual isso se evidencia de forma fundamental ao considerar o trabalhador como mão de obra na divisão social do trabalho, fragmentando-o enquanto pessoa. Portanto, a divisão do sujeito é conseqüência de um processo histórico, típico da sociedade capitalista. Não existe a possibilidade de participação social do sujeito enquanto totalidade. Naffah Neto (1979, p. 184) enfatiza que ao se

procurar a pessoa privada que existiria camuflada pelo papel, sejamos levados novamente à máscara, portanto ao próprio papel [...] a pessoa privada não tem existência real, é uma abstração, um conceito vazio; entretanto ela possui uma representação ideológica e como tal uma existência imaginária ...

A pessoa privada cria um mundo ilusório, uma falsa liberdade e acaba se isolando, não participando das situações que envolvem o mundo. Com isso, aliena-se em seu mundo imaginário, deixando de exercer sua espontaneidade e capacidade criadora.

Somente quando o sujeito rompe essa privacidade, colocando em risco essa liberdade ilusória é que passa a ser capaz de questionar os papéis que desempenha, deixando emergir o sujeito espontâneo-criador, capaz de chegar a uma reflexão dramatizada. “É a pessoa privada que se vai dissolvendo em conseqüência da dissolução de suas próprias máscaras; o sujeito que, por fim, se faz presente para reencontrar o seu verdadeiro sentido no mundo”. (NAFFAH NETO, 1979, p. 184). Portanto, o marxismo pode fundamentar a teoria moreniana e vice- versa. Para Naffah

os papéis sociais, sua estrutura e dinâmica próprias, nada mais fazem que repetir e concretizar, num âmbito micro-sociológico, a estrutura de contradição e oposição básicas que se realiza num âmbito maior entre papéis históricos, constituída pela relação dominador-dominado. (NAFFAH NETO, 1979, p. 193)

São as características até aqui consideradas que tornam o método psicodramático um adequado recurso de pesquisa e de ensino, possibilitando o aflorar da espontaneidade, a superação da “clivagem” e a liberação da criatividade.

Benzer Belgeler