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3. KÜRT MESELESİNDE SON GELİŞMELER

1.1. BİRİKİM DERGİSİ VE TÜRK SOLU İÇERİSİNDEKİ YERİ

Autómato, 1927

não-lugares são na sua maioria espaços transitórios habitados de modo efémero: estações de serviço, quartos de hotel, aeroportos, supermercados ou centros comerciais.

Hopper criou um método de trabalho que seria adoptado na década de 60: fora do estúdio. O artista viajava de carro e todos os espaços transitórios, não-lugares, que representava eram espaços onde ele próprio era um utilizador efémero onde captava paisagens ignoradas, muitas vezes desprezadas100.

Em 1906, com vinte e quatro anos, Hopper foi a Paris e descobriu a poesia de Baudelaire, cuja obra não mais deixaria de ler e recitar durante a sua vida. Esta atracção nada tem de misterioso: Hopper tinha em comum com Baudelaire o mesmo interesse pela solidão, pela vida na cidade, pela existência moderna, pelo refúgio consolador da noite e pelos lugares de passagem. Em 1925, Hopper comprou o seu primeiro automóvel, um Dodge em segunda-mão, e viajou com ele de Nova Iorque onde vivia até ao Novo México, começando daí em diante a passar vários meses por ano na estrada, ao volante de um automóvel, parando para desenhar os seus estudos ou pintar em quartos de motel, no banco de trás do carro, ao ar livre e em mesas de restaurante ou de bar. Entre 1941 e 1955, atravessou cinco vezes a América.101

As travessias de carro que Edward Hopper fez pela América, eram na década de 40 o início do que para alguns seria um modo de viajar e para outros até um modo de viver, ao sabor das várias boleias.

A partir da década de 40 nos E.U.A., no pós-guerra, houve um enorme desenvolvimento nas indústrias e agricultura, sendo os seus produtos transportados por comboio e camiões. As redes de comboios e estradas eram necessárias e desenvolveram-se imensamente. As estradas102, algumas atravessando o país em linha recta como é o caso da route 66, começaram

100 BOTTON, Alain de – A Arte de Viajar (2002). Tradução: Miguel Serras Pereira. 3ª Edição. Lisboa: Publicações

Dom Quixote, 2004, p.56

101

Idem. p.55

102 As estradas americanas, talvez devido à escala enorme do território, apresentavam características dimensionais

a definir a forma do território e o modo como ele era visto103. Muitas pessoas atravessavam o país, em busca de melhores condições de vida ou para fazer trabalhos temporários e sazonais como colheitas, em vagões de comboios ou à boleia.

Jack Kerouac, na sua obra literária On the Road, potenciou um imaginário americano que ainda hoje sobrevive. A personagem principal, Sal Paradise104, ingressa na aventura de atravessar o vasto território americano à boleia. As descrições das paisagens que Sal vai fazendo, desde desertos a montanhas, à medida que passa pelos vários Estados do país (de NY a Denver e San Francisco), enriqueceram a história da dita “Paisagem Americana”. A obra de Kerouac apresenta-nos a vastidão e heterogeneidade do território105 americano, mapeando-o através das estradas.

On the road marcou as gerações seguintes, desde a sua publicação em 1957, influenciando artistas, fotógrafos, poetas, músicos e cineastas. Os relatos de Sal Paradise, sobre as suas experiências, as pessoas e locais que conhece, dão um sentido de como eram os E.U.A. no imediato pós-guerra.

Tal como Kerouac, Robert Frank, um fotógrafo suíço que viveu grande parte da sua vida nos E.U.A., quis relatar as diferenças existentes nos diversos Estados que coexistem em solo americano, nestes anos. Em 1955 parte numa viagem pelos E.U.A.106, de carro, que resultaria no álbum The Americans, obra que mais tarde se tornaria uma referência da fotografia americana do pós-guerra. Um álbum marcadamente documental, as fotografias apresentavam-se com um olhar distanciado sobre todas as classes da sociedade americana, criando um retrato da época. As fotografias foram tiradas em locais dispersos em todo o país, e alguns elementos repetem-se – como a bandeira americana, o automóvel, restaurantes e jukeboxes – tornando esses elementos, associados às imagens em que Frank as envolve, em símbolos de uma cultura Americana. Robert Frank conhece Jack Kerouac quando regressa a New York desta viagem, em 1957. Kerouac escreve a introdução do álbum The Americans na

103 The importance of the problem from a landscape point of view lies in the fact that roads are at the same time the most pervasive of all visible engineering structures, and viewpoints from which the country is most often seen.

in CROWE, Sylvia – The landscape of roads. London: The Architectural Press, 1960. p.12

104 Esta personagem, como todas as outras da obra, é baseada em pessoas reais e experiências autobiográficas. Sal

Paradise é Jack Kerouac.

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Os E.U.A. comportam uma rica diversidade a nível do território, desde as costas litorais Este e Oeste onde as maiores cidades americanas se concentram, até aos desertos de Nevada, Arizona e Utah, entre outros.

qual conta uma história baseada nas fotografias do álbum e remata com uma referência ao autor das imagens:

Robert Frank, Swiss, unobtrusive, nice, with that little camera that he raises and snaps with one hand he sucked a sad poem right out of America onto film, taking rank among the tragic poets of the world.

To Robert Frank I now give this message: You got eyes.107

As duas obras, On the road e The Americans, complementam-se: o que Kerouac descreve, Frank apresenta em imagens. Contemporâneas, estas duas obras geraram um enorme contributo para a cultura americana a partir das datas das suas publicações (1957/58). Ambas foram criadas a partir de um mapeamento territorial e social cujo veículo comum era a estrada. Ao produzirem obras onde a deambulação era um factor dominante, influenciaram o modo de criar, viajar e sobretudo de apresentar os E.U.A. – um território vasto em que as estradas, além de serem um meio de deslocação e unificação dos vários estados, passam a ser um símbolo do que é a cultura americana e um meio para a produção artística. Esta ideia influenciará músicos como Bob Dylan e produções cinematográficas como Easy Rider (Dennis Hopper, 1969), Zabriskie Point (Michelangelo Antonioni, 1970) ou mais tarde Paris, Texas (Wim Wenders, 1984), onde se explora o imaginário on the road, com a deambulação, percalços nos percursos e aventuras que este traz consigo.

Em 1981, Victor Landweber cria um álbum de fotografias com obras de vários autores – American Roads. O álbum é constituído por vinte imagens de vinte fotógrafos108, sobre auto- estradas americanas e elementos que remetem ou são constituintes destas. Na sua maioria da década de 1970, as fotografias apresentam a heterogeneidade que as estradas e auto-estradas potenciam: as vistas que se percepcionam a partir do interior do carro; os vários tipos de território em que estão assentes (deserto vs habitado); as suas vistas aéreas em que se mostram os labirintos que estas formam e que constituem os acessos às cidades; as infra-estruturas109 como bombas de gasolina, estações de serviço (cafés, casas de banho, motéis etc.); sinaléticas

107 Introdução de Jack Kerouac in FRANK, Robert; KEROUAC, Jack (introd.) – Robert Frank: the Americans.

New York: SCALO Publishers, 1993, p. 9.

108 Roger Minick, Mark Klett, Henry Wessel Jr., Harold Jones, Frank Gholke, Tod Papageorge, Jim Alinder,

Nathan Lyons, Robbert Flick, Elaine Mayes, Steve Fitch, Barbara Crane, Michael Becotte, Michael Bishop, Ken Brown, Robert W. Fitcher, Joel Sternfeld, Victor Landweber, Barbara Jo Revelle e Robert Widdicombe.

nelas presentes (sinais de trânsito, billboards); narrativas que nos contam (desde acidentes a viagens). Todas estas características mostram que não só o território em que as estradas estão presentes mas o próprio tema que elas criam são vastos.

E ao álbum American Roads é-lhe atríbuido importância neste estudo na medida em que resulta num resumo que encerra em si a pluralidade do universo que envolve as estradas como também as narrativas sobre este tema.

3.4. Ritmos de Passagem

As noções de movimento e passagem na Paisagem tinham de ser previamente explicadas para conseguir retirar a essência do nome a que este capítulo pede o título emprestado: Rasto. A noção de rasto pressupõe um prévio movimento, passagem e tal como as acções que o criaram, é efémero e transitório.

Este subcapítulo dedica-se à ideia de várias velocidades de passagem transcritas na paisagem, retomando a paisagem em movimento. O objectivo é entender como vários ritmos de velocidade foram utilizados em propostas artísticas.

Cada proposta artística abaixo referida é representativa de um tipo de velocidade e todas são efémeras. A sua efemeridade é dupla: as velocidades das acções que as provocam são de curta duração e fugazes e, já concretizadas, as obras são transitórias.