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Depois de aposentado, Plínio Doyle continuou trabalhando pela cultura. Em 1971, o romancista Adonias Filho convidou-o para organizar a Associação Profissional dos Escritores do Estado da Guanabara,52 que funcionou na mesma sala do recém-criado Sindicato dos Escritores do Estado da Guanabara. O jornalista Joaquim Inojosa foi seu secretário durante a presidência por ele exercida simultaneamente nos dois órgãos. Os escritores Homero Homem, José Louzeiro, Horácio Almeida e Raul Floriano foram co- responsáveis pela criação da associação e do sindicato.
A década de 1970 foi muito rica na área cultural, com a revitalização e a criação de várias instituições públicas e privadas que tinham por meta promover, debater, desenvolver e proteger a cultura de um modo geral. A geração que assumiu a direção das instituições da área promoveu uma mudança na gestão dos órgãos de governo, diferenciada da primeira instituição voltada para esse fim, ou seja, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN), criado na década de 1930. Naquela época o enfoque adotado foi o da preservação dos patrimônios materiais, centralizado na recuperação e preservação das igrejas barrocas e das fortificações. Anos mais tarde, essa fase da gestão do patrimônio cultural brasileiro ficou conhecida dentro do SPHAN pelo cognome de “pedra e cal”.
A criação da Fundação Nacional Pró-Memória e da Fundação Nacional de Arte – Funarte – na área governamental representou um olhar do governo para a preservação do
50 José Galante de Sousa (1913 – 1986) – Co-autor da Enciclopédia de literatura brasileira, junto com Afrânio Coutinho (1911 – 2000). Foi chefe da seção da Enciclopédia e Dicionário do Instituto Nacional do Livro, sob a direção de Augusto Meyer.
51 Augusto Meyer Júnior – RS 24/1/1902 a RJ 10/7/1970. Em 1938 assume a direção do Instituto Nacional do Livro, permanecendo no cargo por 30 anos. Junto com Raul Bopp e Mário Quintana compõe a trindade de poetas modernistas do Rio Grande do Sul.
patrimônio imaterial, que até então não havia sido contemplado. Na iniciativa privada, a criação do Centro de Pesquisa e Documentação – CPDOC – da Fundação Getúlio Vargas, representou um novo caminho a ser seguido por outras instituições.
Conforme mencionado anteriormente, em 1979, o Ministro da Educação do governo do general Figueiredo, Eduardo Portela, convidou Plínio Doyle para dirigir a Biblioteca Nacional, em substituição ao romancista Adonias Filho, que fora indicado para o Conselho Federal de Cultura. Doyle recebeu a direção da Biblioteca Nacional das mãos da bibliotecária Janice de Melo Monte-Mór, no dia 25 de abril de 1979. Para o cargo de diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN, o indicado foi Aloísio Magalhães.
Logo no início da sua gestão, Doyle encaminhou ao Ministro da Educação uma exposição de motivos chamada “Plano de Salvação da Biblioteca Nacional”. Nela, contemplava áreas que considerava estratégicas para a instituição atingir seus objetivos, tais como: novo prédio, pessoal, restauração e encadernação.
Plínio permaneceu na direção da Biblioteca Nacional até janeiro de 1982. Durante sua administração atualizou as publicações da casa, colocando em dia o Boletim Bibliográfico e os Anais da Biblioteca Nacional, cujo número cem apresenta o índice dos noventa e nove números anteriores. Realizou exposições comemorativas dos grandes vultos da nossa literatura, assim como ciclo de palestras.
Grandes mudanças ocorreram na área da cultura a partir de 1980. Com a troca de ministros e a escolha de Aloísio Magalhães para o cargo de Secretário de Cultura do MEC,53 deu-se a implantação de uma nova mentalidade nos diferentes órgãos do ministério. Em 1982, Aloísio Magalhães convidou a bibliotecária Célia Ribeiro Zaher para substituir Plínio Doyle na direção da Biblioteca Nacional. Zaher, que chefiava a Divisão do Livro na UNESCO, chegou com a missão de colocar a Biblioteca no centro de sistema nacional de informação bibliográfica, encerrando o período da administração de Doyle na referida instituição.
53 Criada em 10 de abril de 1981, dentro da estrutura do Ministério da Educação e Cultura, a Secretaria de Cultura, formada pela fusão das antigas secretarias de Assuntos Culturais e do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Essa nova secretaria recebeu a incumbência do ministro para fazer redistribuição dos vários órgãos da cultura.
Meses antes de sua saída, em 1981, Doyle fora convidado pelo Ministro da Educação, General Rubem Ludwig, para fazer parte do Conselho Federal de Cultura. No Conselho, teve como colegas os escritores Josué Montelo, Gilberto Freire, Afonso Arinos de Melo Franco, Abgar Renault, Rachel de Queiroz, Adonias Filho, Andrade Murici, Viana Moog, Eduardo Portela entre outros. Muitos deles foram freqüentadores das reuniões do sabadoyle. Sua participação no Conselho resumiu-se a um mandato de seis anos, de 1981 até 1987, que ele acumulou com a direção do AMLB.
Plínio Doyle foi membro de várias instituições de cultura, tendo sido sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro; sócio correspondente do Instituto Histórico Y Geográfico del Uruguay; da Academia Nacional de la Historia da República da Argentina, e da Real Academia de la Historia de Madrid. Recebeu diversas homenagens, representadas por medalhas, diplomas e condecorações, por sua atuação profissional e cultural. Esses documentos e objetos fazem parte do seu arquivo pessoal doado à Fundação Casa de Rui Barbosa.