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3.4. Enerji Homeostazis

3.4.1. Enerji Homeostazisinin Santral Düzenlenmes

3.4.1.4. Beslenmede Rol Alan Nöropeptitler

Tratando-se de competência legislativa concorrente, especificamente sobre matéria ambiental, a União somente deverá editar normas gerais, isto é, apenas as linhas gerais, os princípios ou os critérios básicos a serem observados pela legislação suplementar dos Estados.

A União, nessas matérias, pode legislar com maior ou menor amplitude, conforme queira impor a todo o País uma legislação mais ou menos uniforme. O que a União não pode é legislar sobre assuntos particulares da esfera de interesses ou de peculiaridades dos Estados. Assim, tais normas gerais contrapõem-se às normas particulares, ou seja, terão de ser normas uniformes, isonômicas, aplicáveis a todos os cidadãos e a todos os Estados da Federação, sem peculiaridades.

No entanto, a Constituição Federal não especificou exatamente os limites de tais normas gerais, deixando esta tarefa à doutrina e à jurisprudência. Diante da dificuldade em se precisar o significado de termo tão abrangente, será necessário auxílio dos estudiosos da teoria geral do direito.

De acordo com Tércio Sampaio Ferraz Junior48:

“(...) [quando o texto constitucional atribui] à União competência para legislar sobre “normas gerais”, a linguagem constitucional pode estar tratando de normas gerais pelo conteúdo, ou de normas universais, isto é,

48 FERRAZ Jr, Tércio Sampaio. Normas gerais e competência concorrente – uma exegese do art. 24 da Constituição Federal. São Paulo: Malheiros, Revista trimestral de direito público, nº 7, 1994, p. 18/19.

gerais pelo destinatário (...) quanto ao conteúdo, normas gerais prescrevem princípios, diretrizes sistemáticas, temas que se referem a uma espécie inteira e não a alguns aspectos, mas isto é insuficiente para reconhecer quando estamos diante de uma norma geral ou de uma particular. Sempre restarão dúvidas, no caso concreto, para aplicar o critério estritamente lógico-formal.”

Em minucioso estudo a respeito de qual seria o conceito de normas gerais, Denise Vasques compilou algumas das definições de renomados autores, haja vista que: “Não é novidade anunciar que a definição de um conceito apriorístico para normas gerais é tarefa árdua e praticamente desprovida de êxito. Muitas foram as tentativas doutrinárias, desde a introdução do conceito, pela primeira vez, na Constituição de 1934”49.

A partir de tal ressalva, a autora passa a mencionar diversos posicionamentos de doutrinadores a respeito do tema. Relembra que Fabio Fanicchi relaciona normas gerais àquilo que tenha um interesse geral ao País, isto é, aquilo que não se encaixasse nos interesses regionais ou locais50. Já citando a visão de Raul Machado Horta, a autora afirma que as “normas gerais são aquelas que não esgotam, por completo, determinado assunto”51. Finalmente, assevera a autora que Manoel Gonçalves Ferreira Filho, “ao conceituar sobre normas gerais, prefere empregar método negativo, de exclusão, com a indicação do que for particular ou específico” 52.

Diante dessas citações, a autora percebe que “muitas normas irão pertencer a uma esfera cinzenta ou zona de indeterminação, na qual o subjetivismo do intérprete poderia levar à caracterização do preceito como norma geral ou como norma específica” 53. Portanto, sempre haverá casos nos quais irá pairar dúvida a respeito de até onde uma norma estará tratando de algo geral e a partir de quando ela estaria já adentrando numa particularidade.

Assim, em que pese ser possível a divisão teórica entre normas gerais e normas específicas, o subjetivismo do intérprete sempre será decisivo quando da

49 VASQUES, Denise C. Competências legislativas concorrentes: prática legislativa da União e dos Estados-membros e jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Dissertação de Mestrado à Faculdade de

Direito da Universidade de São Paulo sob orientação do Prof. Elival da Silva Ramos, 2007, p.55. 50 VASQUES, Denise C. Op. Cit. p. 55.

51 VASQUES, Denise C. Op. Cit. p. 56. 52 VASQUES, Denise C. Op. Cit. p. 56. 53 VASQUES, Denise C. Op. Cit. p. 57.

análise de legislações que pertençam a esta zona cinzenta, indeterminada. Por isso, inevitáveis serão os conflitos de competência, notadamente nas leis ambientais.

Diante de cada caso concreto, deve-se buscar a verificação da existência ou não de prevalência das normas gerais em relação às locais/regionais que eventualmente dispuserem de modo diverso da norma federal.

Paulo de Bessa Antunes entende “que as competências privativas da União têm precedência sobre todas as outras formas de competência, quando os assuntos tiverem entre si interseções relevantes” 54. O autor faz parte da doutrina que defende que a normatização geral sempre prevalece, sob argumento de que os interesses nacionais seriam mais importantes que os demais. Por isso, não seria desarrazoado buscar uma homogeneização do tratamento das questões ambientais em conjunto para todo o País.

O autor ainda complementa:

“(...) competência exclusiva da União (...) muitos dos assuntos incluídos em tal competência estão profundamente inter-relacionados com outros que estão arrolados nas demais modalidades de competência. (...) os tribunais brasileiros (...) têm prestigiado a legislação central.” 55

De outro lado, não se poderá negligenciar que tal assunto não é pacífico, pois também é aceito por parte da doutrina o aumento das restrições ambientais pelos entes inferiores. Isto porque a União não poderia, a pretexto da uniformização das leis ambientais, prejudicar o direito dos munícipes de buscarem a tão almejada sadia qualidade de vida.

Nesse sentido, Paulo Affonso Leme Machado afirma que:

“Ao procurar a utilidade nacional, não poderá a União prejudicar concretamente o direito dos munícipes à sadia qualidade de vida e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Se tal ocorrer, a disposição federal merecerá ser declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário” 56. Por fim, havendo a instauração de conflitos reais entre normas e sua respectiva judicialização, aguarda-se que o Poder Judiciário esteja preparado para, entre outras finalidades, buscar assegurar o equilíbrio federativo e a necessária proteção do meio ambiente. A materialização deste conflito será mais bem analisada nos exemplos trazidos

54 ANTUNES, Paulo de Bessa. Op.cit. p.107. 55 ANTUNES, Paulo de Bessa. Op. cit. p. 180. 56 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Op. cit. p. 390.

nos capítulos seguintes, por meio dos casos nas quais houve a interposição de Ações Diretas de Inconstitucionalidades contra leis municipais e até estaduais que buscaram tutelar o meio ambiente de maneira mais protetiva. Conforme será visto, a principal alegação para a inconstitucionalidade seria a suposta invasão da competência da União para a edição das normas.

Benzer Belgeler