4. UYGULAMA
4.3 Bergama Test Alanı
4.3.1 Bergama Test Alanı LiDAR Nokta Bulutu
O exercício dos direitos humanos esteve por um longo tempo adormecido em razão dos regimes totalitários que sufocavam com mãos de ferro qualquer possibilidade de superá-los. Foi somente após a queda das ditaduras que os direitos humanos puderam se
93 ORGANIZAÇÃO DA UNIDADE AFRICANA. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos: Carta
de Banjul. 1981. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/africa/banjul.htm>. Acesso em: 31 dez. 2013.
expandir no interior das Constituições e ser utilizados nos pleitos judiciais norteados pelo compromisso internacional assumido pelos Estados.
A Constituição de Portugal de 1974, nascida com a derrubada do regime salazarista, implementou a previsão extensiva de direitos humanos, embora o catálogo de direitos já tenha estado presente nas Constituições portuguesas anteriores. Por considerar a pessoa como centro das ações do Estado, a Constituição de Portugal elenca em seu artigo 9º as “Tarefas fundamentais do Estado”, dentre as quais está listado o dever de garantir os direitos e liberdades fundamentais.
Nessa senda, o Estado português pós-regime ditatorial, gravou em seu artigo 20 “O acesso ao direito e a tutela jurisdicional efetiva”. Esta previsão constitucional tem em mira que os cidadãos possam exercer a defesa de seus direitos e interesses por meio de um ato de jurisdição.95
Claramente, os constituintes preocuparam-se em dispor na Constituição de Portugal o direito à duração razoável do processo ao mencionar no item 4 do artigo 20 o direito que todos têm que sua causa seja analisada em um prazo razoável.96
A previsão do prazo razoável do julgamento no bojo do artigo que versa sobre a tutela jurisdicional efetiva já revela que um dos elementos para que se obtenha uma tutela realmente efetiva é a duração razoável do julgamento. Corrobora com o exposto especialmente o item 5 do mesmo artigo 20 da Constituição Portuguesa, o qual dispõe que os procedimentos judiciais sejam caracterizados pela celeridade e prioridade,97 de modo que garantam a tutela efetiva e em tempo útil.98
Das previsões aludidas resulta a lição que o constituinte português compreende que o procedimento e julgamento em tempo razoável possuem influência direta na efetivação dos direitos, uma vez que para se obter a concretização de um direito por meio da via
95 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 7. ed. Coimbra:
Almedina, 2003. p. 433.
96 “Artigo 20º. [...] 4. Todos têm direito a que uma causa em que intervenham seja objecto de decisão em prazo
razoável e mediante processo equitativo.”
97 Canotilho acentua que “Uma das mais importantes inovações traduzidas pela LC 1/97 (4ª Revisão) consistiu
na criação de procedimentos judiciais céleres e prioritários (CRP, art. 20º/4) de modo a obter tutela efectiva e em tempo útil contra ameaças ou violações de direitos, liberdades e garantias.” CANOTILHO, op. cit., p. 506. (grifo do autor).
98 “Artigo 20º. [...] 5. Para defesa dos direitos, liberdades e garantias pessoais, a lei assegura aos cidadãos
procedimentos judiciais caracterizados pela celeridade e prioridade, de modo a obter tutela efectiva e em tempo útil contra ameaças ou violações desses direitos.”
judiciária, mister se faz que o Estado preste uma tutela em tempo útil, compondo, portanto, o direito à duração razoável do processo como um direito fundamental do povo português.
De forma semelhante à ocorrida em Portugal, com o fim da ditadura imposta por Franco, a Espanha buscou restaurar a democracia, aprovando uma nova Constituição em 1978.
Iluminados pelos instrumentos internacionais com suas amplas proteções aos direitos humanos, os constituintes espanhois optaram por descrever em seu Título I um catálogo composto pelos direitos e deveres fundamentais. Dentre os direitos constitucionalizados, o Estado Espanhol reconheceu o direito a um julgamento sem dilações indevidas em seu artigo 24.2.99 Verifica-se que no item 1 deste artigo, o constituinte afirma que é direito de todas as pessoas obter uma tutela efetiva dos juízes e tribunais e, na sequência, há a garantia de um processo público sem dilações indevidas. Nessa linha, torna-se fácil constatar a relação, sob esta óptica, que para o processo ser efetivo, os juízes e tribunais devem prestar uma tutela em tempo razoável ou, como descrito em sua Constituição, um processo sem dilações indevidas.
Apesar do direito a um processo em tempo razoável já ser previsto nos instrumentos internacionais e em algumas constituições nacionais, a exemplo de Portugal e Espanha, foi a Itália que apresentou o caso mais emblemático sobre o direito em estudo. O Estado Italiano incorporou importantes modificações em seu Código de Processo Civil, todavia, ainda possuía um longo espaço de tempo entre a propositura da ação e o seu deslinde, gerando séria insatisfação com a administração da justiça naquele país. Como a Itália deve assegurar que as causas sejam examinadas em prazo razoável, consoante o disposto no art. 6.1 da Convenção Europeia para Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, da qual é signatária, seus cidadãos começaram a denunciá-la na Corte Europeia de Direitos Humanos.
99 Artículo 24. [...] “2. Asimismo, todos tienen derecho al Juez ordinario predeterminado por la ley, a la defensa y a la asistencia de letrado, a ser informados de la acusación formulada contra ellos, a un proceso público sin dilaciones indebidas y con todas las garantías, a utilizar los medios de prueba pertinentes para su defensa, a no declarar contra si mismos, a no confesarse culpables y a la presunción de inocencia.
La ley regulará los casos em que, por razón de parentesco o de secreto profesional, no se estará obligado a declarar sobre hechos presuntamente delictivos”. ESPANHA. Constitución Española, de 27 de dezembro de
1978. Boletín Oficial do Estado, Madrid, n. 311, 29 dez. 1978. p. 29313-29424. Disponível em: <http://www.congreso.es/docu/constituciones/1978/1978_cd.pdf>. Acesso em: 26 jun. 2013.
Foram propostos muitos processos contra o Estado Italiano na esfera internacional, notadamente porque, como se salientou anteriormente, as pessoas singulares possuem acesso direto ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Sendo assim, a Itália foi condenada diversas vezes em razão da violação à duração do processo em tempo razoável.
Essa situação causou grave transtorno político à Itália como membro da Comunidade Européia, além de natural abalo em sua soberania, principalmente em razão da forte pressão exercida pelos demais países, uma vez que tantos foram os processos de cidadãos italianos perante a Corte Européia que se causou uma morosidade da própria Corte, a qual se viu às voltas com uma carga excessiva de processos em razão da exagerada duração do processo italiano, que não conseguia mais julgar seus próprios casos em tempo adequado. Diante desse quadro, a Itália viu-se obrigada a, inicialmente, introduzir o justo processo em sua Constituição e, às pressas, aprovar uma lei que prevê a possibilidade de os cidadãos italianos requererem indenização perante as próprias Cortes italianas, porquanto a Convenção Européia somente admite recursos à Corte Européia quando esgotada a jurisdição no país-membro ou na hipótese de inexistência de lei que preveja a possibilidade de o jurisdicionado exigir determinado direito perante seu próprio país de origem.100
De fato, como não existia regramento interno sobre a duração razoável do processo, os cidadãos italianos podiam pleitear seus direitos diretamente no Tribunal Europeu, agravando o quadro de punições na ordem internacional contra este Estado. Somente uma alteração constitucional com a previsão e regramento interno da duração razoável do processo poderiam diminuir os casos italianos no Tribunal Europeu. Como lançado a pouco, é curioso notar que os próprios processos sobre morosidade judiciária estavam ocasionando uma lentidão exagerada na própria Corte Europeia, fato que provocava um descontentamento dos demais países com a situação da Itália.
100 HOFFMAN, Paulo. XLV – O direito à razoável duração do processo e a experiência italiana. In: WAMBIER,
Teresa Arruda Alvim et al. (Coord.). Reforma do judiciário: primeiras reflexões sobre a emenda constitucional n. 45/2004. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2005. p. 574.
Não verificando outra saída, foi previsto no art. 111 da Constituição Italiana,101 em 23 de novembro de 1999, o princípio da duração razoável do processo. Contudo, somente a inserção constitucional não conseguiria conter os processos na Corte internacional. Era necessário que houvesse um regramento infralegal, criando todo um processo interno para que a medida de diminuição das condenações internacionais se tornasse efetiva. Logo, foi aprovada a Lei de n. 89, em 24 de março de 2001,102 chamada de Legge Pinto, que regulamentou os pedidos de indenização em razão de danos materiais e morais provocados pela morosidade judicial que infringe o art. 6.1 da Convenção Europeia para Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais. Desta forma, o cidadão italiano antes de propor ação contra o Estado no Tribunal Europeu deveria esgotar os recursos internos, ou seja, trilhar o caminho arquitetado por esta lei para, se o caso, posteriormente, recorrer ao sistema regional europeu de direitos humanos.
Nessa trajetória, o artigo 2º da lei supramencionada determinou que para a aferição do excesso a um prazo razoável seriam examinados: a complexidade da causa, o comportamento das partes, do juiz do processo e das demais pessoas chamadas a contribuir com a definição do processo. Nota-se claramente que o legislador italiano incorporou os mesmos critérios utilizados pela Corte Europeia de Direitos Humanos, preferindo, à época da aprovação da lei, não fixar prazos, mas analisar o caso em concreto com suas peculiaridades. É imperativo destacar, outrossim, que os demais artigos da Lei n. 89/2001 versam detalhadamente sobre o procedimento para pleitear a indenização.
Deste cenário, comporta repisar que o objetivo central da Legge Pinto foi de nacionalizar os pedidos de indenização por violação da duração razoável do processo, evitando que demandas contra a Itália fossem propostas na Corte de Estrasburgo, uma vez que as questões somente poderiam ser submetidas a Corte Supranacional se esgotadas todas as tentativas dentro do país (art. 35.1) ou se o Estado não possuísse legislação pertinente ao caso.
101 Na língua original: “Art. 111. La giurisdizione si attua mediante il giusto processo regolato dalla legge.
Ogni processo si svolge nel contraddittorio tra le parti, in condizioni di parità, davanti a giudice terzo e imparziale. La legge ne assicura la ragionevole durata.” ITÁLIA. L.cost. 23 novembre 1999, n. 2. Inserimento dei principi del
giusto processo nell'articolo 111 della Costituzione. Gazzetta Ufficiale della Republica Italiana, Roma, n. 300, 23 dez. 1999. Disponível em: <http://www.governo.it/Governo/Costituzione/CostituzioneRepubblicaItaliana.pdf>. Acesso em: 25 jul. 2013.
Em português por tradução nossa: Art. 111. A jurisdição atua mediante o justo processo regulado pela lei. O
processo se desenvolverá com as partes em contraditório, em condições de paridade, diante de um juízo independente e imparcial. A lei assegura a duração razoável.
102 Id. Legge 24 marzo 2001, n. 89. Previsione di equa riparazione in caso di violazione del termine ragionevole
del processo e modifica dell'articolo 375 del codice di procedura civile. Gazzetta Ufficiale della Repubblica
Italiana, Roma, n. 78, 3 abr. 2001. Disponível em: <http://www.parlamento.it/ parlam/leggi/01089l.htm>.
Ainda no esteio de criar mecanismos para reduzir o estoque processual e empreender maior agilidade no julgamento dos processos, implementou-se em 2009 uma ampla modificação no Código de Processo Civil Italiano, cujas principais alterações para promoção da duração razoável do processo podem ser sintetizadas da seguinte forma:
[...] 1) a alteração das normas subjacentes de regulamentação de despesas da lide e aumento dos poderes sancionatórios do juiz; 2) a introdução de uma medida de coerção indireta, as conhecidas astreintes francesas, prevendo um reforço na condenação judicial nas obrigações de fazer infungíveis ou de não fazer; 3) a introdução da mediação civil, visando uma conciliação extrajudicial entre as partes; 4) a criação do procedimento sumário de conhecimento, mais simples e alternativo ao rito ordinário; 5) a simplificação dos ritos através da redução de todos os procedimentos em três modelos processuais previstos no Código de Processo Civil (rito ordinário de conhecimento, rito do trabalho e rito sumário de conhecimento); 6) a revogação do rito societário e a aplicação do rito ordinário para as causas relativas a acidentes de trânsito; 7) a inserção de sanções processuais à parte que retarda, com o seu comportamento, a conclusão do processo; 8) a modificação do regime de distribuição de competência e de sua decisão; 9) a ampliação da competência do juiz de paz em razão do valor da causa; 10) a redução dos prazos de suspensão do processo, bem como a modificação dos prazos processuais; 11) a introdução da prova de “testemunha escrita”, com prévio acordo entre as partes; 12) o estabelecimento do efeito retroativo da correção de vícios de representação ou assistência; 13) a aceleração da realização de perícia técnica; 14) o estabelecimento de novos critérios de redação e publicação das sentenças; e 15) a introdução de um “filtro”, como novo requisito de admissibilidade para o recurso de cassação, com a finalidade de desafogar a Corte de Cassação e reduzir o número de recursos que chegam à apreciação, que é um dos pontos mais polêmicos dessa reforma.103
Com tais medidas parece certo compreender que o Estado Italiano havia realizado muitos esforços para diminuir as dilações indevidas do processo, tornando efetivo o princípio da duração razoável do processo. Todavia, decorrente da grave crise econômica que assola a Europa, o governo italiano aprovou o Decreto-Lei n. 83/2012,104 que dispõe sobre “Medidas urgentes para o crescimento do país”, o qual foi convertido na Lei n. 134/2012, de 7 de agosto
103 ZAGANELLI, Margareth Vetis; RABELLO, Gizellyn Gussye Amaral. O projeto do novo Código de
Processo Civil e o direito fundamental à celeridade processual. Pensar, Fortaleza, v. 18, n. 1, p. 178-179, jan./abr. 2013.
104 ITÁLIA. Decreto-Legge 22 giugno 2012, n. 83. Misure urgenti per la crescitá del Paise. Gazzetta Ufficiale della Repubblica Italiana, Roma, 26 jun. 2012. Disponível em: <http://www.governo.it/
de 2012.105 O Decreto-Lei reuniu disposições de diversas áreas que vão desde medidas para atrair capitais privados, normatização de infraestrutura, além de providências em campos como esporte, turismo, pesquisas científicas e tecnológicas e a inserção de jovens em empregos ligados a economia verde. Dentre as medidas, elaborou também algumas providências para a justiça civil. Promoveu, assim, uma profunda alteração na Legge 89/2001, através de seu art. 55.
A principal mudança ocorrida deu-se com a delimitação do prazo que não é considerado excessivo à duração razoável do processo. A Legge Pinto não definia marcos temporais para a duração razoável do processo, deixando para os Tribunais a tarefa de aferir se houve infração ao princípio em comento. Agora na alteração promovida pelo Decreto-Lei, foram fixados os seguintes prazos de trâmite dos processos que são considerados aceitos como prazo razoável e não ensejadores de pedido de indenização:106
a) Até três anos de duração do processo na primeira instância; b) Máximo de dois anos na segunda instância;
c) Um ano para juízo de legitimidade; d) Três anos para a execução forçada; e e) Seis anos para a finalização da falência.
O Decreto-Lei fixou que o juiz deverá estabelecer um valor entre 500 euros e 1.500 euros a ser concedido por cada ano ou fração superior a seis meses que exceda a duração razoável do processo. Acrescentou que, não obstante aos valores anteriormente estipulados, não será permitida a fixação de compensação acima do valor da própria causa, na qual foi violado o prazo razoável.
Como marco inicial para a contagem dos prazos foi estabelecida a apresentação do pedido de julgamento ou ainda a notificação do mandado de citação. A seguir, o Decreto- Lei dispôs sobre o procedimento a ser seguido para pleitear a indenização decorrente do excesso de prazo do processo.
105 ITÁLIA. Legge 7 agosto 2012, n. 134. Conversione in legge com modificazione, Del decreto-legge 22 giugno
2012, n. 83, recante misure urgenti per la crescitá del Paise. Gazzetta Ufficiale della Repubblica Italiana, Roma, n. 187, 11 ago. 2012. Disponível em: <http://www.normattiva.it/uri-res/N2Ls?urn:nir:stato: legge:2012; 134>. Acesso em: 12 jul. 2013.
106 Apresenta-se nesta dissertação os prazos atinentes ao processo civil dada a circunscrição do estudo a este
processo, entretanto, é cabível indicar que o Decreto-Lei 83/2012 estabeleceu prazos também para a conclusão de processos penais.
No processo italiano o princípio da duração razoável do processo, inicialmente delimitado pela prática forense lastreada no princípio da razoabilidade, transformou-se com o Decreto-Lei 83/2012 em compartimentos estantes de tempo, no qual a natureza da causa assume uma posição secundária diante da fixação de lapsos temporais, apesar de ainda permanecerem constantes os critérios para aferição da morosidade.
Se por um lado ao indicar prazos para o encerramento dos processos a nova legislação italiana trouxe uma maior segurança jurídica, haja vista que a lei será balizadora para as análises de responsabilidade do Estado por excesso do prazo razoável, o que inibe as decisões variáveis quanto ao que seria um prazo razoável, por outro lado, é patente que ao prescrever os prazos não se levou em conta que as ações de conhecimento são das mais diferentes espécies e, enquanto, o prazo de três anos pode ser ideal para determinado caso, em outro processo, possivelmente seis meses são mais do que suficientes para se entregar a tutela jurisdicional. Deve-se reconhecer que estabelecer um prazo máximo para cada espécie de ação, principalmente na esfera cível, é trabalho árduo.
Ademais, imperioso destacar que a alteração da Legge Pinto é proveniente das dificuldades econômicas que a Itália, assim como Portugal, Espanha e Grécia estão inseridas. Com efeito, é facilmente perceptível que a alteração da Lei que criou a responsabilidade do Estado pela demora da prestação jurisdicional ocorreu no Decreto-Lei que expressamente dispõe sobre “Medidas urgentes para o crescimento do país”. Como uma das medidas elencadas há a delimitação dos prazos para que se configure a morosidade processual e, assim para que o requerente esteja apto a receber indenização do Estado. Ao estabelecer esses prazos inibe-se que os Tribunais considerem desarrazoado o processo que perdurar dentro dos limites legais fixados, fazendo com que diminuam as indenizações a serem pagas pelo Estado. Além disso, o Decreto-lei também determinou o mínimo e o máximo dos valores das indenizações, provavelmente com o mesmo objetivo de evitar gastos astronômicos com o pagamento das indenizações.
Depreende-se, nessa linha de raciocínio, que as alterações na Legge n. 89/2001 estão muito mais relacionadas a fatores econômicos ou políticos que exclusivamente objetivando a melhoria da administração da justiça. Não há como destacar a concretização da efetividade da justiça com consequências que reverberam na seara política e econômica do país, transcendendo muitas vezes até um nível internacional.
Independente dos verdadeiros motivos ensejadores da reforma da lei em comento, o fato é que foram estabelecidos marcos para que a toda máquina judiciária preste a tutela jurisdicional e, se cumpridos os prazos, haverá benefício para o jurisdicionado e todos os setores que dependem das decisões judiciais. Contudo, até a presente data, embora diante de enormes esforços empreendidos, tem-se notícia que a justiça italiana está cada vez mais lenta. Segundo informado por Aline Pinheiro, em 28 de janeiro de 2014, o tempo médio de tramitação das ações subiu de cinco anos e meio para sete anos e meio, perfazendo um acervo de nove milhões de processos ativos no judiciário italiano.107
Assim como na Europa, na América do Sul, a famosa Constituição de 1917 do México teve seu artigo 17 alterado em 1987108 para acrescentar que todas as pessoas têm direito a administração da justiça por tribunais que devem emitir suas resoluções de maneira pronta, completa e imparcial. Apesar do artigo citado já ter sido alterado mais duas vezes, em 2008 e 2010, mantêm a disposição sobre a prestação de justiça de forma “pronta”, vislumbrando como laço indissociável a justiça prestada em tempo adequado com a realização dos direitos.
Atualmente, Constituições de outros países latino-americanos também preveem que a justiça seja administrada de forma célere, embora haja variações nas expressões empregadas para descrever o que no Brasil se denomina princípio da duração razoável do
processo. Pode-se fazer referência a outros países que garantem já em sua Carta Política o
direito a uma pronta decisão judiciária, tais como a Argentina (art. 43)109 e a Venezuela (art. 49).110
107 PINHEIRO, Aline. Reforma processual falha e justiça da Itália fica mais lenta. Consultor Jurídico, São