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ANS Kampüsü Test Alanı

4. UYGULAMA

4.1 ANS Kampüsü Test Alanı

Observando as agruras encetadas na sociedade pelas duas Grandes Guerras e sob a influência da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 5 de maio de 1949, criou-se o Conselho da Europa,54 a partir do qual se principiou o sistema europeu de proteção aos direitos humanos. O Conselho da Europa visa promover a democracia, a proteção dos direitos humanos e as regras de direito na Europa. Atualmente, é composto por 47 Estados, englobando aproximadamente 820 milhões de cidadãos.55

Para proteger os direitos humanos e pautar o trabalho do Conselho da Europa, foi elaborada a Convenção Europeia dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais em 4 de novembro de 1950. Apesar de ter sido norteada pelos valores contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção Europeia diferencia-se do sistema global, uma vez que os países partes encontram-se vinculados a ela,56 isto é, esta Convenção possui obrigatoriedade de cumprimento pelos seus membros, enquanto que a Declaração da ONU de 1948 constituía-se de recomendação. Esse efeito vinculativo tornou-se relevante não somente no âmbito de punição dos Estados, mas principalmente serviu como base para alteração em

53 Texto completo em português: ORGANIZAÇÃO DA CONFERÊNCIA ISLÂMICA. Declaração Islâmica Universal dos Direitos Humanos. 1981. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/

declaracaoislamica.html>. Acesso em: 23 dez. 2013.

54 ANNONI, Danielle. O direito humano de acesso à justiça no Brasil. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris,

2008. p. 93-94.

55 COUNCIL OF EUROPE. The Council of Europe in brief: who we are. Disponível em:

<http://www.coe.int/aboutCoe/index.asp?page=nepasconfondre&l=en>. Acesso em: 26 dez. 2013.

56 Corroborando com o exposto, Antônio Ernani Pedroso Calhao afirma que: “Questão capitular nessa matéria é

a imperatividade da Convenção em sede de controle jurisdicional. Diferentemente de outros textos de direito internacional de cunho programático, seus preceitos relacionam-se à efetiva entrega da prestação jurisdicional com força obrigatória e aplicabilidade imediata, traduzindo-se em autêntico direito público subjetivo do cidadão, a cujo adimplemento os Estados se submetem ao firmarem a Convenção. Assim, as violações aos direitos nela consagrados, ou em seus Protocolos, rendem ensejo ao sancionamento pelo Tribunal Europeu.” CALHAO, Antônio Ernani Pedroso. Justiça célere e eficiente: uma questão de governança judicial. São Paulo: LTr, 2010. p. 148.

suas Constituições e legislações internas para se amoldar aos objetivos e direitos descritos na Convenção Europeia.57 A Convenção Europeia ganhou enorme notoriedade e desde sua criação serve de diretriz tanto para os países que a subscreveram como inspiração para a formação dos outros sistemas de proteção aos direitos humanos.

Esta Convenção assumiu papel primordial no reconhecimento da presteza jurisdicional como valor inerente ao homem e, nesse sentido, pertencente aos direitos humanos. Foi, assim, a Convenção Europeia para Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais que enunciou em seu artigo 6º o direito a um processo equitativo, inaugurando o princípio da duração razoável do processo no direito internacional como hoje é compreendido através da seguinte redação:

1. Qualquer pessoa tem direito a que a sua causa seja examinada, equitativa e publicamente, num prazo razoável por um tribunal independente e imparcial, estabelecido pela lei, o qual decidirá, quer sobre a determinação dos seus direitos e obrigações de carácter civil, quer sobre o fundamento de qualquer acusação em matéria penal dirigida contra ela. O julgamento deve ser público, mas o acesso à sala de audiências pode ser proibido à imprensa ou ao público durante a totalidade ou parte do processo, quando a bem da moralidade, da ordem pública ou da segurança nacional numa sociedade democrática, quando os interesses de menores ou a protecção da vida privada das partes no processo o exigirem, ou, na medida julgada estritamente necessária pelo tribunal, quando, em circunstâncias especiais, a publicidade pudesse ser prejudicial para os interesses da justiça.58

Diversamente da Constituição dos Estados Unidos da América e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção Europeia consignou de forma manifesta que o acesso a um tribunal independente e imparcial em um prazo razoável deve ser aplicado no âmbito civil e penal, expandindo a aplicação deste princípio. Sob outro aspecto, esta Convenção trouxe a expressão prazo razoável ao invés do julgamento rápido (speed trial), indicando a necessidade que o exame da causa ocorra dentro de um lapso temporal considerado adequado, mas que propicie ao acusado ou requerido igualmente um prazo apropriado para que tome ciência do processo e produza sua defesa, prescrevendo que o

57 ANNONI, Danielle. O direito humano de acesso à justiça no Brasil. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris,

2008. p. 95.

58 EUROPEAN COURT OF HUMAN RIGHTS. The European conventions. 1950. (Portuguese). Disponível

processo não pode ser moroso ao ponto que comprometa a própria efetividade do direito, mas também nem tão rápido que inviabilize a defesa do acusado.

É pertinente ainda informar que a Convenção Europeia dos Direitos do Homem e Liberdades Fundamentais previu o prazo breve em seu artigo 5, mormente nos seus itens 2, 3 e 4, transcritos a seguir em virtude de sua relevância:

[...] 2.

Qualquer pessoa presa deve ser informada, no mais breve prazo e em língua que compreenda, das razões da sua prisão e de qualquer acusação formulada contra ela.

3.

Qualquer pessoa presa ou detida nas condições previstas no parágrafo 1, alínea c), do presente artigo deve ser apresentada imediatamente a um juiz ou outro magistrado habilitado pela lei para exercer funções judiciais e tem direito a ser julgada num prazo razoável, ou posta em liberdade durante o processo. A colocação em liberdade pode estar condicionada a uma garantia que assegure a comparência do interessado em juízo.

4.

Qualquer pessoa privada da sua liberdade por prisão ou detenção tem direito a recorrer a um tribunal, a fim de que este se pronuncie, em curto prazo de tempo, sobre a legalidade da sua detenção e ordene a sua libertação, se a detenção for ilegal.

[...].59

Embora a duração razoável encontre-se presente nos artigos 5º e 6º da Convenção, o objeto tutelado em cada um é diferente. O artigo 5º preserva o direito à liberdade do ser humano, enquanto que o artigo 6º busca a tutela do processo equitativo.60

Nesse cenário, o direito a Convenção Europeia para Proteção dos Direitos do Homem consolidou o direito que qualquer pessoa possui de ter um julgamento em prazo razoável em qualquer esfera.

No mesmo instrumento foi determinada a criação da Corte Europeia de Direitos Humanos com o objetivo de assegurar o respeito à Convenção. Outrossim, o Protocolo 11 à

59 EUROPEAN COURT OF HUMAN RIGHTS. The European conventions. 1950. (Portuguese). Disponível

em: <http://www.echr.coe.int/Documents/Convention_POR.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2013.

60 ARRUDA, Samuel Miranda. O direito fundamental à razoável duração do processo. Brasília, DF: Brasília

Convenção Europeia estabeleceu a criação do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, o qual “herdou a jurisprudência da Corte Européia de Direitos Humanos e da extinta Comissão Européia de Direitos Humanos.”61

Ademais, o supracitado Protocolo contribuiu para a “máxima judicialização do sistema” na medida em que permitiu expressamente através de seu artigo 34º que, além de petições dos países signatários, o Tribunal analisasse petições de qualquer pessoa singular,62 organização não governamental e grupos particulares que se considerassem vítimas de atos dos países.63 Desta forma possibilitou que todos aqueles que supostamente tivessem seu direito à solução do processo em um prazo razoável violado recorressem à Corte, abrindo margem para que houvesse soluções amigáveis ou sentenças impositivas.

O objetivo central dos pleitos dos requerentes perante esta Corte Internacional assentados na regra insculpida no artigo 6º é a indenização material ou moral em razão da demora do Estado em realizar o seu julgamento em tempo razoável, uma vez que, obviamente, é impossível reestabelecer o tempo despendido com o excesso de prazo da demanda.

E foram propostas milhares de ações fundamentadas na postergação em demasia do prazo para julgamento, o que posicionou a infração à duração em tempo razoável como deflagrador do maior número de processos julgados no Tribunal Europeu.

61 ANNONI, Danielle. O direito humano de acesso à justiça no Brasil. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris,

2008. p. 228.

62 Cançado Trindade explica que: “Os mecanismos de proteção internacional dos direitos humanos consagram o

sistema de petições, que podem ser individuais ou interestatais. Para o exercício das petições de indivíduos sob os tratados e instrumentos sobre direitos humanos, o vínculo exigido, ao invés do da nacionalidade, é antes o da relação entre o reclamante e o dano ou violação dos direitos humanos que denuncia. As petições interestatais se fundamentam claramente em um direito de ação para a aplicação da garantia coletiva, subjacente aos tratados sobre direitos humanos. As petições individuais, ainda que motivadas por um dano e buscando a reparação individual, nem por isso deixam de igualmente contribuir para satisfazer o interesse geral em garantir respeito aos tratados e instrumentos de proteção internacional dos direitos humanos, baseando-se na natureza objetiva dos compromissos assumidos pelas Partes. O direito de petição individual, pelo qual um particular – distintamente da proteção diplomática – vê-se capacitado a interpor uma reclamação perante um órgão internacional mesmo contra o seu próprio Estado, juntamente com a noção de garantia coletiva (mais realçada nas petições interestatais) constituem dois dos traços mais marcantes do novo sistema de proteção internacional dos direitos humanos.” TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. A proteção internacional dos

direitos humanos: fundamentos jurídicos e instrumentos básicos. São Paulo: Saraiva, 1991. p. 7. (grifo do

autor).

63 PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e justiça internacional: um estudo comparativo dos sistemas regionais

europeu, interamericano e africano. In: ______.; IKAWA, Daniela (Coord.). Direitos humanos: fundamento, proteção e implementação. Curitiba: Juruá, 2009. v. 2. p. 310.

Segundo estatísticas do próprio Tribunal, de 1959 a 2012 foram 5.03764 processos correspondentes à violação do tempo razoável, sendo que somente o Estado italiano foi responsável por 1.17165 dessas ações, colocando-o na primeira posição com o maior número de processos de um país por uma infração de disposição da Convenção Europeia de Proteção aos Direitos do Homem.

O Tribunal, ao analisar o pedido,66 examina a razoabilidade do prazo considerando cada caso concreto.67 Para criar parâmetros de julgamento, este Tribunal Europeu definiu como critérios de aferição da morosidade processual: a complexidade da causa, a conduta das partes e atuação das autoridades competentes.68 Essas balizas posteriormente foram utilizadas no âmbito interno de alguns países para examinar a responsabilidade do Estado pela demora de julgamento.

A determinação de um prazo razoável para o encerramento de qualquer processo compreende diversos fatores. Não é por acaso que as normas internacionais e nacionais utilizam-se da expressão razoável, empreendendo o sentido de bom senso ou sensatez, ou seja, procura-se atingir o prazo mais adequado possível para a aferição da duração do processo.

Considerando que os processos variam quanto à dificuldade de seu exame, estabeleceu-se como um dos parâmetros a complexidade para a análise do processo.

Segundo o Tribunal Europeu a complexidade da causa pode decorrer de uma questão jurídica inédita ou em razão de uma ampla dedicação do órgão judiciário, quando,

64 COUNCIL OF EUROPE. European Court of Human Right: Violations by article and by respondent State 1959-2012. Disponível em: <http://www.echr.coe.int/Documents/Stats_violation_1959_2012_ENG.pdf>.

Acesso em: 2 ago. 2013.

65 Ibid.

66 De forma bem sintética, pode-se afirmar que, em sua decisão, a Corte inicia a redação do acórdão com um

relatório minucioso sobre os fatos que acarretam no processo perante a justiça do Estado que está sendo julgado, acrescido de descrição sobre os atos de todas as partes envolvidas neste processo. Toda essa exposição contém as datas de cada fato ou ato. Em seguida, é colacionada a legislação interna do país ligada ao caso em análise. Após, é indicado o motivo da submissão do pedido ao Tribunal Europeu, com ênfase nos artigos que supostamente teriam sido violados, além de argumentos trazidos pelas partes e, ao final, os juízes componentes da Corte examinam se o pedido é improcedente ou procedente e, neste último caso, determinam a condenação do Estado.

67 EUROPE COURT OF HUMAN RIGHTS. Affaire Pélissier et Sassi c. France (requête n. 25444/94).

Strasbourg, 25 mar. 1999. Disponível em: <http://hudoc.echr.coe.int/sites/eng/Pages/search.aspx#{"appno": ["25444/94"],"itemid":["001-58226"]}>. Acesso em: 6 ago. 2013.

68 CALHAO, Antônio Ernani Pedroso. Justiça célere e eficiente: uma questão de governança judicial. São

v.g., exista pluralidade de partes e/ou pedidos.69 Por óbvio que se uma questão ainda não foi enfrentada pelos tribunais, necessita de um maior prazo para ser analisada e formulada a decisão, bem como se há diversos autores ou réus, além de vários pedidos, o processo demorará mais para ser apreciado. Ademais, o Tribunal também verifica se o caso é complexo por razões econômicas ou políticas.

A complexidade da causa é examinada apreciando-se os fatos e a lei interna do país a ser aplicada no caso sub judice e, se aplicável, das leis internacionais.

Logo após a discussão sobre o critério anteriormente descrito, os juízes examinam o comportamento das partes, tendo em vista que o Estado não pode ser condenado quando não deu causa ao atraso. Seria injusto que a parte que protela um feito receba indenização por fato a que ela própria deu causa. Todavia, há outro aspecto a ser levado em consideração: uma ou até ambas as partes podem contribuir para a morosidade do processo através de atos procrastinatórios, porém o Estado, que é representado por seus juízes que conduzem o processo, deve aplicar medidas punitivas contra a parte que pratica esses atos e acarretam no atraso processual.70 Sob esse aspecto, pode-se entender que o Estado, ao não se manifestar tempestivamente, detém uma culpa subsidiária no caso das partes efetuarem ato procrastinatório, todavia, o Tribunal Europeu não considera esta circunstância e, assim, somente atribui culpa ao Estado por atos dilatórios dos agentes públicos.

Nesta senda, é importante frisar que o exame do último parâmetro, ou seja, das atividades das autoridades competentes, recai não somente sobre os atos do juiz, mas engloba todos os atos de responsabilidade do Estado, voltando-se para a análise de atos do escrivão, da polícia, entre outros. Mais ainda, há de se ter presente que:

[...] o Estado é responsável pelas faltas cometidas pelos tribunais, pelo legislador, pelo executivo ou por órgãos ou pessoas que fazem parte de sua estrutura, pelo conjunto de seus serviços – faculdades, institutos, hospitais – e não apenas pelos órgãos judiciários.71

69 Roberto Masoni apud BERALDO, Maria Carolina Silveira. O comportamento dos sujeitos processuais como obstáculo à razoável duração do processo. São Paulo: Saraiva, 2013. (Direito e processo: técnicas de

direito processual. Coordenação Cassio de Scarpinella Bueno). p. 56.

70 ANNONI, Danielle. O direito humano de acesso à justiça no Brasil. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris,

2008. p. 219.

71 CALHAO, Antônio Ernani Pedroso. Justiça célere e eficiente: uma questão de governança judicial. São

Diante da análise dos três parâmetros comentados, o Tribunal Europeu verifica se houve a violação da duração razoável do processo e se existiu contribuição por parte do Estado nas dilações indevidas. Comprovada as dilações decorrentes da morosidade de atividades das atividades competentes, o Estado é condenado no campo internacional.

Benzer Belgeler