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Neste tópico apresentaremos as opiniões dos defensores públicos a respeito do atual modelo de gestão da Defensoria Pública e se ele garante que o atendimento a crianças e adolescentes vise a sua proteção integral, bem como para que eles especifiquem as principais dificuldades que enfrenta ou enfrentou para resolução de problemas dentro da estrutura de gestão da Defensoria Pública, relacionada a área da infância e juventude.

Quadro 20 - Modelo de gestão que garanta a proteção integral

Fonte: Pesquisa de campo (2013)

No discurso dos defensores públicos de Belém 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 9, o atual modelo de gestão passou a proporcionar um atendimento a crianças e adolescentes

Defensores

do NAECA Depoimentos

Defensor 1

Penso que sim, [...] o atual modelo sempre tá tentando se aperfeiçoar, [...] essa reunião com planejamento estratégico, [...] com todos os colegas da infância e juventude da capital, realmente havia essa preocupação de que fosse dar eficácia, há essa preocupação [...].

Defensor 2

Sim, [...] já possuir um núcleo especializado, [...] que garante muito mais qualidade de atendimento; [...] nós estamos caminhado pra um modelo realmente que vise a proteção integral, ainda temos muitas dificuldades também com o número de defensores; o problema da articulação com os defensores do interior.

Defensor 3

É o que a gente tá fazendo, o que a gente quer é garantir essa proteção integral, [...] a Defensoria sempre buscou por isso, sempre com a prioridade absoluta da criança e do adolescente.

Defensor 4

O atual modelo com a própria criação do núcleo de atendimento, ela garantiu essa proteção. [...] a gente tem que avançar mais, [...] nesta área da prevenção, falando com as famílias, e até trabalhando junto com as entidades, os CRAS, CREAS, pra que realmente essas famílias recebam realmente a proteção integral.

Defensor 5

Garante, ele proporciona justamente isso através da informatização, [...] quando qualquer um outro defensor quiser alguma informação referente aquele processo a gente alimenta o sistema e sempre tem essa informação.

Defensor 6

Eu acredito que sim, [...], a partir do momento [...] começou a oferecer meios para que o Naeca prestasse melhor esse atendimento, [...], ainda há muito a melhorar, muito a avançar, [...] mas com a questão ao aumento do número de defensores, com a questão da inauguração de um prédio, [...] melhorou bastante o atendimento da criança e do adolescente.

Defensor 7

A Defensoria Pública vem buscando se organizar para atender da melhor forma possível suas atribuições. Quanto à área da infância e juventude, os passos vêm sendo dados de forma responsável e paulatina, a exemplo da interiorização da atuação do NAECA, cujo núcleo alcançou destaque nacional. [...] organizando suas ações através de um planejamento estratégico, agora com participação de todos os membros e servidores, [...]. Defensor 8 Eu acho que sim, [...] eu acho que tá reconhecendo a importância da infância e juventude [...] então eu acho que a Defensoria através do

Defensor Geral, a gestão atual ela tá dando essa relevância.

Defensor 9

[....] esse modelo de gestão da Defensoria caminha pra isso, [...] ainda que não exista nenhuma resolução do Conselho, dizendo que todas as ações da Defensoria vão pautar prioritariamente nas ações, voltadas à criança e ao adolescente, a gente realmente vê a gestão voltada sempre tentando melhorar, [...].

Defensor 10

Eu acho que ainda tá muito deficiente. Esse modelo de gestão tem que melhorar muito pra que vise a proteção integral. Não só da preparação dos defensores públicos que atuam nessa área, mas também de dá ao defensor público condições de não só viver pra trabalhar em processo, sim de fazer uma atuação junto ao público alvo, fazendo o seu papel social também, não só jurídico e processual.

visando sua proteção integral a partir do momento em que a Defensoria percebeu a importância desse atendimento e promoveu a instalação do NAECA para prestar um atendimento mais especializado, bem como em decorrência da preocupação dos gestores com os investimentos e feitos na área da infância e juventude.

O defensor 1 coloca que o atual modelo de gestão vem tentado se aperfeiçoar, principalmente através do planejamento estratégico, onde há a participação de todos os defensores da infância e juventude da capital, buscando um modelo que garanta a proteção integral com eficácia. O defensor 4 aduz que além da criação do NAECA garantir a proteção integral, a Defensoria deve se avançar no trabalho preventivo com as famílias dessas crianças e adolescentes, desenvolvendo trabalhos junto com os Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) para efetivação dessa proteção integral.

Já o defensor 5 entende que o modelo de gestão garante a proteção integral através da informatização, visto que os defensores passam a compartilhar informações alimentadas no sistema. O defensor 9 ressalta que apesar de ainda não existir nenhuma resolução do Conselho Superior da Defensoria Pública definindo prioridade absoluta nos feitos da área da infância e juventude, a gestão está sempre tentando melhorar.

Em linhas gerais os defensores do NAECA da capital elencaram que o modelo de gestão que está em vigor nas últimas duas gestões vem adotando medidas para a garantia dessa proteção integral a partir da criação de um núcleo especializado para realizar um atendimento mais específico na área da infância e juventude; da promoção da interação entre os defensores da capital, do interior e de outras entidades, na tentativa de manter um diálogo que possa colaborar nesse atendimento; atuando na área da prevenção; proporcionando investimentos em infraestrutura dos NAECA‟s com novo prédio e novas instalações, além de proporcionar uma maior participação dos defensores e servidores que estão na área fim nas discussões sobre as necessidades estruturais e de atendimento da instituição, através do planejamento estratégico. A partir dessas medidas o defensor 7 apontou para o destaque que o NAECA vem tendo no cenário nacional.

Apesar dos investimentos já realizados no NAECA para garantir uma proteção integral, os defensores 2, 3, 4, 6, 7 e 9 concordam que o atual modelo de gestão precisa avançar mais neste processo de proteção, seja na designação de

mais defensores para atender a esse público, seja em investimentos em infraestrutura, trabalhando melhor a articulação com os defensores do interior.

É interessante frisar o posicionamento do defensor 10 que afirmou que o modelo de gestão é deficiente e que tem muito a melhorar para garantir a proteção integral. Tais melhorias não se referem apenas em relação a capacitação dos defensores que atuam na área infanto juvenil, mas especialmente, a instituição deve dar condições aos defensores de atuarem de forma extrajudicial junto ao público alvo e não apenas na seara jurídico processual, trabalhando em processos.

De um modo geral as entrevistas apresentam a opinião de que o atual modelo de gestão proporciona um atendimento a crianças e adolescentes visando sua proteção integral a partir do momento em que a Defensoria percebeu sua importância e instalou o NAECA para prestar atendimento especializado, bem como em decorrência da preocupação dos gestores com os investimentos e feitos na área da infância e juventude, mas tal modelo de gestão precisa avançar neste processo de proteção, seja na designação de mais defensores para atender a esse público, seja em investimentos em infraestrutura, trabalhando melhor a articulação com os defensores do interior.

Quadro 21 - Dificuldades de resolução de problemas dentro da gestão. Defensores

do NAECA Depoimentos

Defensor 1

[...] em relação ao local que a gente trabalhava [...] a gente não tinha privacidade [...] as pessoas vinham contar um caso de uma violência sexual, todo mundo ouvia, [...], inclusive carro também, só tem um carro [...] da pessoa mandar alguém pra cá um encaminhamento por escrito, sem nada e não é aqui, [...] é importante que a gente tenha esse entendimento entre os colegas nessa estrutura pra que a rede funcione.

Defensor 2

Eu nunca tive muitos problemas pra enfrentar em relação a essa estrutura, [...], falta, talvez, um Centro de Apoio Operacional ao defensor público da infância, [...] não apenas pro defensor da capital, mas também pra aquele defensor que está no interior, que precisa, muitas vezes, de uma jurisprudência; numa decisão; [...].

Defensor 3 Aqui em Belém foi mais a acessibilidade do prédio, pelo menos no que depende da instituição.

Defensor 4 [...] a gente teve uma certa dificuldade estrutural, enfrentamos realmente essas dificuldades. A gente começou num espaço muito pequeno, [...], era um ambiente que não tinha como desenvolver o nosso trabalho.

Defensor 5

[...] aqui no Naeca o principal ponto [...] é [...] a falta de técnicos, hoje a gente tem apenas uma equipe técnica e quando alguém dessa equipe técnica entra de férias desfalca, fica sempre desfalcado [...] no sentido de deixar de prestar aquele atendimento como deveria.

Defensor 6 [...] foi a questão do número de defensores, [...] sempre trabalhamos com um número de defensores no limite [...] o prédio que não era condizente

com a nossa atuação e [...] e de corpo técnico que nós tínhamos, [...] algo que diz respeito à gestão [...] há a necessidade de uma coordenação geral de Naeca‟s [...] porque os Naeca‟s do interior, eles ficam sem ter com quem se reportar, ou vai pra DM ou DI, enfim, e sendo que as informações acabam ficando concentradas no Naeca de Belém que atua na capital.

Defensor 7

Poder-se-ia colocar como dificuldade a falta de um canal mais eficaz de comunicação entre os NAECA‟s, voltado à solução mais célere de questões com os colegas do interior.

Defensor 8

[...] eu sinto essa morosidade, do poder judiciário, [...], de você querer/faz, dá entrada numa ação que repare os direitos dessa criança conforme está no estatuto, mas você não recebe uma resposta imediata do poder judicial, da urgência daquilo que você tá pedindo.

Defensor 9

A dificuldade que eu enfrentei foi realmente de [...] uma coordenação de referência para as ações da infância e juventude, se a gente tivesse uma coordenação estadual, uma coordenação especializada para essa área, pra nortear essas ações, a gente teria resultados ainda bem maiores, [...]

Defensor 10

[...] o principal problema é tentar convencer e trazer simpatizantes pra essa área. O que acontece na gestão da Defensoria Pública, dessa estrutura organizacional, é que [...] a área da infância e juventude é prioritária e tem que ser tratada com mais atenção e mais cuidado. E fazer sensibilizar os colegas pra causa, [...].

Fonte: Pesquisa de campo (2013).

As principais dificuldades enfrentadas pelos defensores para a resolução de problemas dentro da estrutura de gestão da defensoria pública na área da infância e juventude apontam para problemas de infraestrutura física e de pessoal que comprometem o bom andamento dos atendimentos na instituição e as resoluções dos casos apresentados no NAECA de Belém.

Segundo o defensor 1 em relação as questões de infraestrutura os principais problemas enfrentados foram a falta de condições no espaço de trabalho no antigo prédio do NAECA, constatação compartilhada pelo defensor 4, onde faltava um espaço adequado para atendimento que pudesse garantir a privacidade no dos assistidos, comprometendo assim o atendimento, causando constrangimento em casos mais graves como de violência sexual; a falta de veículos para atender aos profissionais nos deslocamentos a outras instituições; os encaminhamentos equivocados dentro da própria instituição e conforme a opinião do defensor 3 a estrutura do prédio antigo comprometia a acessibilidade dos assistidos com problemas de deslocamento.

O número insuficiente de defensores e de equipe técnica também foram apontados pelos defensores 5 e 6 como principais problemas que o NAECA tem

enfrentado, pois pode comprometer o atendimento em ocasiões em que há necessidade de cobrir um profissional na ausência de um defensor ou outro profissional que esteja de licença ou de férias.

Outro fator apontado pelos defensores 6, 7 e 9 é a falta de uma coordenação estadual do NAECA que pudesse servir como um canal direto de comunicação entre dos NAECA‟s da capital e do interior e de seus profissionais sem que tivesse uma interferência de outras diretorias neste intercâmbio. O defensor 8 apontou como dificuldades a morosidade do poder judiciário em dar respostas para a entrada de ações que busque reparar o direito dos assistidos.

Já o defensor 2 aduz que não teve muitos problemas em relação a estrutura de gestão da defensoria, mas opinou que talvez falte na instituição um centro de apoio operacional da infância que atendesse tanto o defensor da capital como o do interior, fornecendo jurisprudência, decisões que venham colaborar com as questões do dia a dia do defensor.

É interessante destacar o posicionamento do defensor 10 que diz que o principal problema é trazer simpatizantes para área da infância e juventude, que tem que ser tratada com prioridade absoluta, conforme determina a constituição federal, mas que necessita da sensibilização das pessoas para a importância da causa.

As principais dificuldades enfrentadas pelos defensores para a resolução de problemas dentro da estrutura de gestão da defensoria pública na área da infância e juventude apontam para problemas de infraestrutura física, de pessoal e para a falta de uma coordenação estadual dos NAECA‟s, questões que comprometem o bom andamento dos atendimentos na instituição e as resoluções dos casos apresentados no NAECA de Belém.