4. SONUÇLAR VE TARTIġMA
4.1 Benchmark Veri Kümeleri Üzerinde VIBES ve Diğer Makine Öğrenmes
Falar hoje em representações sociais implica vê-las de pontos de vista distintos, podendo ser focalizada tanto sob à ótica da reprodução mental do objeto, como da construção coletiva.
O conceito de representação social tem sua origem na Psicologia Social. Foi, inicialmente, chamada de ‘representação coletiva’ por Durkheim (1912), que faz uma dupla separação entre representações individuais e representações coletivas. As representações individuais são de natureza do próprio indivíduo, e as representações coletivas, da sociedade como um todo. Para Durkheim (apud Moscovici, 2001), a função da representação coletiva é preservar o vínculo entre indivíduos e sociedade, preparando-os para pensar e atuar de maneira uniforme. Essas representações são compartilhadas por todos os membros de um grupo que têm em comum a mesma língua e a mesma cultura. Durkheim (1912) procurava ainda dar conta de fenômenos como a religião, os mitos, a ciência, as lendas populares, as concepções morais, em termos de conhecimentos inerentes à sociedade.
De forma mais clara, podemos constatar essa dicotomia entre representações coletivas e representações individuais em Durkheim (apud Moscovici, 2001, p. 47- 48):
Se é comum a todos é porque é obra da comunidade. Já que não traz nenhuma inteligência particular, é porque é elaborado por uma inteligência única, onde todas as outras se reúnem e vêm, de certa forma, alimentar-se. Se ele tem mais estabilidade que as sensações ou as imagens é porque as representações coletivas são mais estáveis que as individuais, pois, enquanto o indivíduo é sensível até mesmo a pequenas mudanças que se produzem em seu meio interno ou externo, só eventos suficientemente graves conseguem afetar o equilíbrio mental da sociedade.
O autor afirma que é impossível explicar esses conjuntos de crenças e de idéias a partir do pensamento individual, pois, para ele, “o indivíduo sofre pressões das representações dominantes na sociedade” por todos os lados e é através da sociedade que ele pensa ou exprime seus sentimentos. Portanto, as representações de cada indivíduo não podem ser explicadas apenas por um único ângulo, já que existem diferentes tipos de sociedade, diferentes tipos de culturas que se representam diferentemente no mundo em que vive.
Ainda de acordo com o autor supracitado, quem melhor explica o antagonismo entre individual e coletivo, bem como as relações entre uma sociedade e suas representações, é Lévy-Bruhl. Este esclarece que o pensamento se orienta pela busca lógica das informações relativas a um fenômeno e às causas que servem para explicá-lo.
É preciso deixar de reduzir, de antemão, as operações mentais a um único tipo, não importando que a sociedade esteja sendo considerada, e de explicar todas as representações coletivas pelo mesmo mecanismo psicológico e lógico. Se é verdade que todas as sociedades humanas diferem entre si por sua estrutura, como os animais sem vértebras diferem dos vertebrados, o estudo comparado dos diversos tipos de mentalidade coletiva não é menos indispensável à ciência do homem que a Anatomia e a Fisiologia Comparada o são para a Biologia (Lévy-Bruhl apud Moscovici, 2001, p. 49-50).
Essa visão também é retomada por Durkheim (1912), mas em razão de este ver no fenômeno das representações coletivas apenas o caráter puramente lógico e invariante e não explicar a realidade em suas dimensões histórico-crítica, Moscovici (1978), na obra Representação Social da Psicanálise, retoma o debate sobre representação social, reconfigurando-a. Para ele, as Representações Sociais são fenômenos complexos que extrapolam categorias lógicas e invariantes, isto é, considera as representações sociais enquanto espaço de síntese do individual e do social, do momento e da história, visto que assumem um caráter mediador nas relações sociais e na constituição do sujeito e do objeto.
[...] refletimos sobre mecanismos psíquicos e de comunicação que produzem um fenômeno específico destes milhares de atos: contar, reproduzir e recontar, efetuados por tantos indivíduos. Representando-se uma coisa ou uma noção, não produzimos unicamente nossas próprias idéias e imagens: criamos e transmitimos um produto progressivamente elaborado de inúmeros lugares, segundo regras variadas. Dentro destes limites, o fenômeno pode ser denominado representação social.
O autor russo esclarece ainda que o fenômeno da representação social substitui mitos, lendas e formas mentais correntes no seio da sociedade, bem como adquire certos traços e poderes próprios dessa mesma sociedade.
Na sua visão, o sujeito não absorve os conteúdos tais como são repassados, mas os reformula quando está diante deles. Isso se dá devido ao fato de o homem não ser totalmente passivo diante do mundo. Em alguns casos, os conteúdos são reproduzidos tal como são recebidos, em outros, essa apropriação ocorre através da reorganização dos significados que lhe foram fornecidos, ou seja, via representação social desenvolvida no próprio processo de interação social, reforçando a identidade dos grupos, bem como influindo em suas práticas e na forma como estas reconstituem seu pensamento.
Para a Psicologia Social, o homem é visto como um ser social que se constitui mediante um processo de interação social e, através da linguagem, seja ela verbal ou não-verbal, ele internaliza normas, regras, concepções da sociedade. Portanto, quando sentimos a necessidade de estarmos informados sobre o que acontece no mundo à nossa volta, precisamos cada vez mais dominá-lo, para que possamos resolver os problemas, os desafios que se apresentam no nosso cotidiano. Por isso, criamos as representações.
De acordo com Jodelet (2001, p. 17),
Frente a esse mundo de objetos, pessoas, acontecimentos, idéias, não somos (apenas) automatismos, nem estamos isolados num vazio social: partilhamos esse mundo como os outros, que servem de apoio, às vezes de forma convergente, outras pelo conflito, para compreendê-lo, administrá-lo ou enfrentá-lo. Eis por que as representações sociais são tão importantes na vida cotidiana. Elas nos guiam no modo de nomear e definir conjuntamente os diferentes aspectos da realidade diária, no modo de interpretar esses aspectos, tomar decisões e, eventualmente, posicionar-se frente a eles de forma defensiva.
Como podemos constatar, as representações sociais são fenômenos muito complexos que sustentam as práticas sociais. Em razão disso, não podemos enfocar os fenômenos do ponto de vista apenas individual – como o sujeito processa a informação – ou do social, considerando mitos, crenças, ideologias de uma determinada sociedade, precisamos entender que o pensamento individual remete ao social e às condições de produção que se modificam constantemente.
Jodelet (2001, p. 22), tendo detectado uma importante convergência quanto à natureza dos fenômenos representacionais, conceitua representação social como sendo
uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada com um objetivo prático, e que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social. Igualmente designada como saber do senso comum ou ainda um saber ingênuo, natural, esta forma de conhecimento é diferenciada entre outras, do saber científico. Entretanto, é tida como um objeto de estudo tão legítimo quanto este, devido a sua importância na vida social e à elucidação possibilitadora dos processos cognitivos e das interações sociais.
Nesse sentido, as estruturas sociais não se estruturam sozinhas, elas se organizam enquanto sistemas de interpretação que regem nossa relação com o mundo e com os outros, assim como orientam e organizam as condutas e as comunicações sociais. Por estarem regendo nossa relação com o mundo e com os indivíduos, as representações sociais intervêm na assimilação dos conhecimentos, no desenvolvimento individual e coletivo, nas identidades pessoais e sociais, na expressão dos grupos, nas transformações sociais.
[...] o homem relaciona e integra informações e experiências; assim estruturam-se e associam-se conceitos, imagens, valores, normas, símbolos e crenças, numa explicação do real e de suas partes. Nesse sentido, o real torna-se concreto para o homem, que, desta forma, se insere e se (re)produz ao produzi-lo e ao ser por ele produzido (Madeira, 1991, p. 130).
A representação social não pode ser desvinculada da ideologia, dependendo do objeto e dos grupos, do tempo e do espaço, elementos provenientes dela estarão presentes em grau maior ou menor. É por isso que a representação social é uma
forma de conhecimento socialmente elaborado e partilhado, tendo um objetivo prático e concorrendo à construção de uma realidade comum a um conjunto social (Jodelet apud Madeira,1991 p. 37).
As ideologias são produzidas num determinado tempo histórico, elas naturalizam os interesses dos grupos dominantes ao atualizar os valores, símbolos, normas e outras convenções através da linguagem. Esses grupos procuram mascarar a realidade e ocultar a dominação que exercem através de mecanismos e estratégias nos mais diferentes contextos históricos, legitimando assim um falso interesse comum da sociedade.
Portanto, de acordo com Nicolau (2005, p. 42-43),
é preciso considerar que embora seja produzida pelas classes dominantes, a ideologia amplia sua significação na medida em que se expressa, no nível da superestrutura, as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, através das quais os indivíduos tomam consciência de si e dos outros, apropriando-se da história e da cultura. Ou seja, essas formas expressam conteúdos através dos quais as relações sociais, os indivíduos simbolicamente circunscrevem-se e a seus espaços, estabelecendo proximidades, distanciamentos, limites e oposições.
Posto isso, consideramos que as ideologias estão cristalizadas nas representações sociais, estruturadas nas significações atribuídas a objetos desse real, nas relações com ele estabelecidas pelo homem,. Estas, por sua vez, são apreendidas, conhecidas, apropriadas no processo prático por esse mesmo homem, que transforma a própria representação.
Os conceitos relacionados a linguagem, letramento, discurso, representações, discutidos de forma sucinta, em conjunto com a noção de discurso de Bakhtin, Análise do Discurso Crítica, Teoria Social do Discurso e Representações Sociais apresentam-se como referenciais teóricos que servem de apoio para a análise dos dados do capítulo seguinte.
Por acreditarmos que o discurso se caracteriza como um objeto privilegiado na observação das representações dos professores, constitui-se um aspecto de grande relevância, uma vez que, através dele, as representações são materializadas.
3 ANÁLISE
Nesta análise, a leitura dos dados foi feita a partir de cinco categorias: cartas (texto, prática discursiva e prática social), representações sobre escolarização e letramento; memórias de escrita e leitura; a prática da leitura e da escrita no cotidiano e a importância de ser alfabetizado.
Para tanto, utilizaremos as contribuições da Análise do Discurso Crítica e da Teoria Social do Discurso (Fairclough, 2001) e o enfoque oferecido por Moscovici (1984) sobre as Representações Sociais