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2. VERĠ VE YÖNTEM

2.2 Öznitelik Oluşturma ve Öznitelik Seçimi

2.2.2 Öznitelik seçimi

A Teoria Social do Discurso apresenta três dimensões de análise (fig. 01): texto – descrição – a investigação dos aspectos lingüísticos dos textos; prática discursiva – a interpretação – a investigação dos textos como interações e a prática social – a explicação – a investigação da relação entre interação e contexto sócio- histórico.

FIG. 01 – REPRESENTAÇÃO DO MODELO TRIDIMENSIONAL DO DISCURSO

A primeira dimensão é textual – responsável pela análise dos aspectos TEXTO Vocabulário Gramática Coesão Estrutura Textual Produção Distribuição Consumo de Textos PRÁTICA DISCURSIVA PRÁTICA SOCIAL Ideologia Hegemonia

formais do texto, ou seja, o discurso é visto como modo de ação sobre o mundo e sobre os outros (discurso como texto), bem como responsável pela construção das identidades sociais dos sujeitos sociais. Para a análise textual, Fairclough (2001, p. 103), privilegia quatro itens: vocabulário, gramática, coesão e a estrutura textual. O vocabulário é composto de palavras isoladas: substantivos, adjetivos, pronomes, verbos e advérbios. A gramática é composta de combinações entre as orações e as frases, além da combinação de funções, a saber: função ideacional (transitividade), função interpessoal (modalidade) e função textual (tema). A coesão trata da ligação entre orações e frases e a estrutura textual trata das propriedades organizacionais dos textos.

A segunda dimensão diz respeito à prática discursiva. Ela caracteriza-se pelos processos sociais de produção, distribuição e consumo de textos, sendo que os processos podem variar de acordo com os tipos de discurso, ou seja, o discurso é moldado pela estrutura social, pelas relações de classe social, gênero e etnia, bem como por fatores sociais: normas e convenções discursivas e não discursivas, que variam de acordo com a instituição: a escola, a mídia ou qualquer outro domínio específico. Já a produção textual vai depender do contexto social particular e o consumo dos textos depende também do contexto social específico, que pode ser individual ou coletivo. É importante lembrar ainda que esses processos têm uma natureza sociocognitiva específica de produção e interpretação textual, que podem ser interiorizados e compartilhados pelos sujeitos sociais, ou seja, pelos 'recursos dos membros'. Nas palavras de Fairclough (2001, p. 109)

Os processos de produção e interpretação são socialmente restringidos num sentido duplo. Primeiro, pelos recursos disponíveis dos membros, que são estruturas sociais efetivamente interiorizadas, normas, convenções, com também ordens de discurso e convenções para a produção, a distribuição e o consumo de textos do tipo já referido e que foram constituídos mediante a prática e a luta social passada. Segundo, pela natureza específica da prática social da qual fazem parte, que determina os elementos dos recursos dos membros a que se recorre e como (de maneira normativa, criativa, aquiescente ou opositiva) a eles se recorre.

Os aspectos sociocognitvos que estão presentes na produção e interpretação dos textos possuem ainda ‘força’, coerência e intertextualidade.

A ‘força’ de um texto seria um componente acional, ou seja, parte de um significado interpessoal e ação social que se realiza, através dos ‘atos de fala’ (dar uma ordem, fazer um pedido ou solicitar etc.).

A coerência geralmente é considerada como uma propriedade dos textos. Esta porém, não está nos textos, mas na propriedade das interpretações, ou seja, nos seus intérpretes e leitores. Um texto é considerado coerente quando seus episódios e frases estão relacionados com um sentido, ou seja, de forma que ‘faça sentido’. Portanto, um texto só faz sentido para quem nele produz um sentido, o que está associado às posições de sujeito que se estabelecem, mediante a 'interpelação', podendo ser considerado de natureza ideológica.

A intertextualidade é a propriedade que apresentam os textos de serem constituídos de fragmentos de outros textos, que são referidos explicitamente ou incorporados de forma implícita. Esses outros textos podem ainda ser assimilados, refutados ou ecoados. A intertextualidade ressalta a historicidade dos textos, ou seja, esses se acrescentam às "cadeias de comunicação verbal" (Bakhtin, apud Faiclough, 2001, p. 114) já constituídas de textos prévios.

A terceira dimensão, a prática social, envolve a ação social e lingüística em um contexto sócio-histórico particular, realizada por sujeitos situados nesse contexto, bem como a análise do contexto imediato dos eventos discursivos e do contexto institucional e social, como forma de construir sistemas de conhecimentos e crenças. Na prática social, destacam-se ainda três aspectos principais: o econômico, o político – ligado às noções de poder e ideologia; e o cultural – ligado a valores e identidades culturais.

Na perspectiva, da Análise do Discurso Crítica, Fairclough (2001) situa o discurso em termos de ideologia. Para ele, todo discurso é, por excelência, ideológico, estando ligado à posição do sujeito na sociedade, daí ser socialmente constituído pela prática discursiva e pela prática social. Através da ideologia, o discurso busca romper com as relações de poder.

Para Faiclough (2001, p. 117)

As ideologias são significações/construções da realidade (o mundo físico, as relações sociais, as identidades sociais) que são constituídas em várias dimensões das formas/sentidos das práticas discursivas e que contribuem para a produção e reprodução ou transformação das relações de dominação. [...] As ideologias

embutidas nas práticas discursivas são muito eficazes quando se tornam naturalizadas e atingem o status de ‘senso comum’.

Entretanto, os sujeitos são capazes de agir criativamente, no sentido de realizar suas próprias conexões entre as diversas práticas e ideologias a que são expostos, e de reestruturar as práticas ou a transformar as relações de dominação.

Para Fairclough (2001), falar de ideologia pressupõe a proposta de um discurso (naturalizado) que busque romper com as relações de poder, também naturalizado, por normas e convenções. Nesse sentido, é preciso desnaturalizar o discurso, uma vez que este representa os significados gerados nas relações de poder, com dimensão do exercício de poder, o que resultaria nas lutas de classes.

Pois como lembra Fairclough (2001, p. 121):

As ideologias surgem nas sociedades caracterizadas por relações de dominação como base na classe, no gênero textual, no grupo cultura, e assim por diante, e, a medida que os seres humanos são capazes de transcender tais sociedades, são capazes de transcender a ideologia.

É importante que tudo isso esteja associado à consciência crítica dos processos ideológicos no discurso, para que as pessoas possam tornar-se mais conscientes de suas próprias práticas e mais críticas em relação aos discursos investidos ideologicamente a que são submetidas, buscando também, romper com as relações de poder, bem como despertando a consciência dos sujeitos sobre as relações de poder na linguagem para o seu próprio fortalecimento.

Destacamos, ainda, que a linguagem está efetivamente envolvida na produção e reprodução de práticas sociais, pois ela mesma é produzida e reproduzida por práticas lingüísticas, bem como por outras práticas e categorias sociais.

O conceito de 'hegemonia' utilizado por Fairclough (2001) deriva do trabalho do filósofo Antonio Gramsci. A hegemonia permite compreender os movimentos sociais em um Estado. Trata-se de um objetivo a ser atingido pelas classes sociais mediante a direção e a dominação. Essas últimas se efetivam pela coerção ou pelo

consenso, mas é o consenso que representa a forma mais efetiva de obtenção do poder e da dominação.

Para Fairclough (2001, p. 122), hegemonia é:

x a liderança nos domínios econômico, político, cultural e ideológico de uma sociedade;

x o poder sobre a sociedade como um todo de uma das classes economicamente superior;

x a construção de alianças de uma determinada classe;

x um foco de luta constante entre classes, a fim de manter relações de dominação/subordinação, que assume formas econômicas, políticas e ideológicas.

No que diz respeito à luta hegemônica, Fairclough (2001, p. 123-124) considera a prática discursiva, a produção, a distribuição e o consumo dos textos, facetas da luta hegemônica que contribui diferentemente para a reprodução da maneira como os textos e as convenções são articulados na produção textual, bem como nas relações sociais assimétricas existentes, embora, a maior parte da prática discursiva, como lembra ele, se sustente na luta hegemônica em instituições particulares como: família, escolas, associações, igrejas etc., e não em nível de política nacional.

Finalmente, de acordo como Fairclough (2001, p. 126), o conceito de hegemonia possui a tarefa de fornecer para o discurso uma matriz, ou seja,

uma forma de analisar a prática social à qual pertence o discurso em remos de relação de poder, isto é, se essas relações de poder reproduzem, reestruturam ou desafiam as hegemonias existentes – como um modelo – luma forma de analisar a própria prática discursiva como um modo de luta hegemônica, que reproduz, reestrutura ou desafia as ordens de discursos existentes. Isso fortalece o conceito de investimento político das práticas discursivas e, já que as hegemonias têm dimensões ideológicas, é uma forma de avaliar o investimento ideológico das práticas discursivas.

deveriam concentrar-se cada vez mais em temas sociais como o intuito de desnaturalizar os preconceitos e as desigualdades sociais já cristalizadas na nossa sociedade, pois o sujeito, sujeitado às próprias ideologias, encontra-se no centro de todo esse processo. É através do sujeito que o discurso se materializa.