BÖLÜM 2: NEOKLASİK VE POSTKEYNESYEN İKTİSATTA
2.1. Belirsizliğe Farklı Bakış Açıları: Adam Smith, David Ricardo, J.M. Keynes ve
(...) a história da luta dos trabalhadores por suas conquistas confunde-se com a história da domesticação do proletariado.
(FERREIRA, 1997, p. 36)
4.1 A Construção do Estado Pós – Trinta e a Redefinição das Forças
Político - Sociais.
O republicanismo oligárquico construído a partir de 1889 findava os anos vinte sob o impacto de uma grande crise que assumia pelo menos três importantes dimensões. Na dimensão econômica, a decadência da agro - exportação cafeeira, caracterizada pela superprodução e agravada pela depressão do capitalismo mundial em 1929, colocava em xeque o centro dinâmico do sistema econômico. Isto aceleraria o aspecto político da crise, acirrando as dissidências ao pacto oligárquico - que havia, até então, garantido o domínio do grupo cafeeiro – e também promovendo a ruptura intra-oligarquia. Tal ruptura abriu espaço político para a proposta de um novo arranjo institucional sob bases políticas ampliadas. Socialmente a crise se fazia sentir pelo movimento tenentista e seus desdobramentos bem como pela organização sindical e política do proletariado. Assim, ao final da década de 1920 o quadro que se compõe é de obsolência da ordem prevalecente. O movimento que conduziu à Revolução de 1930 foi o resultado da falência desse modelo político-econômico.
Contudo, a Revolução de 30, enquanto culminância de um movimento político de recomposição da estrutura de poder, não significou a completa superação da organização político-social precedente, embora tivesse sido capaz de romper o pacto oligárquico que assegurava a hegemonia do setor cafeeiro34.
Com a revolução,
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Sobre o sentido da revolução de 1930 ver IANNI, Octávio. O ciclo da revolução burguesa. Rio de Janeiro: Vozes, 1984.
(...) contestava-se o poder político dominante em nível nacional de uma fração da classe burguesa, a burguesia cafeicultora paulista, mas não a base econômica de sua dominação (como seria o caso da propriedade da terra). A palavra de ordem não foi eliminá-la, mas inclusive, se possível incluí-la em novo pacto de poder; tratava-se de acabar com a preponderância de sua dominação política e a ideologia que a justificava: em uma palavra, com sua hegemonia. (FONSECA, 1989, p. 30).
Os grupos que chegaram ao poder com o movimento revolucionário romperam, assim, o domínio do setor cafeeiro sobre o centro de decisão da política nacional, mas foram incapazes de preencher de forma hegemônica esse espaço. A heterogeneidade de projetos e os conflitos de interesses os impediam de oferecer uma base política homogênea ao Estado revolucionário. Nenhuma das forças participantes da revolução era forte o suficiente para submeter as demais e nem tampouco demasiado fraca para aceitar uma situação de submissão (VIANNA, 1989, p.111). Além disso, pressionados economicamente pela crise no principal setor produtivo do país, tais grupos precisavam compor entre si e com os interesses dos representantes da oligarquia cafeeira, mantendo-os como uma das pilastras da estrutura de poder.
Essa composição de forças no interior do Estado engendrou, segundo Weffort (1980, p. 50-53), uma “solução de compromisso”, um equilíbrio político entre os diversos grupos capazes de pressionar o Estado sem, contudo, subordiná-lo exclusivamente a seus interesses específicos.
Para Weffort (1980, p. 50);
Encontramos, com efeito, (depois de 1930) uma situação em que nenhum dos grupos - classes médias, setor cafeeiro, setores agrários menos vinculados à exportação - detém com exclusividade o poder político. Esta circunstância de compromisso abre a possibilidade de um Estado entendido como órgão político que tende a afastar-se dos interesses imediatos e a sobrepor-se ao conjunto da sociedade como soberano.
O novo governo movia-se, portanto, dentro de uma complexa composição de forças, formando um equilíbrio instável de poder; prova disso seria a revolução de 1932. Essa composição permitia ao Estado uma relativa autonomia política, fruto da incapacidade dos grupos dominantes em subordinar o aparato político a seus interesses específicos. A agência de poder, diante dessa autonomia, apresentava-se como representante dos interesses gerais da nação, como árbitro dos interesses e dos conflitos sociais em favor dos interesses gerais de sociedade. Essa representação política autônoma se efetivava, segundo Werneck Vianna, fora dos postulados liberais35. Seu suporte ideológico era resgatado da experiência castilhista – positivista dos novos representantes do poder. Para estes, o Estado não deveria confundir-se com este ou aquele setor particular da economia. A ação pública tinha por objetivo alcançar um equilíbrio supraclassista. O estado, como queria Comte, era o cérebro da nação, e graças a esta posição central no corpo da sociedade, cabia-lhe regular os movimentos de cada órgão de modo que nenhum se sobrepusesse aos demais. O poder público não radicalizava o confronto entre as partes, devendo agir como sábio ordenador social.
Na concepção castilhista-positivista o Estado assumia o papel de agente social. De sua ação dependia o direcionamento do conjunto da sociedade em favor do progresso. O Governo, mantenedor e coordenador da sociedade, promoveria e, no limite, controlaria politicamente os rumos do desenvolvimento econômico. O poder de regeneração moral dependia também da ação do Estado, determinante para estabelecer a harmonia social.
Essas diretrizes ideológicas que compunham o ideário positivista - castilhista estariam presentes na construção do Estado pós-revolução de 1930 através dos representantes da “Geração de 1907” do PRR que participaram do processo revolucionário e assumiram a liderança do governo. As especificidades do
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Para uma discussão mais aprofundada sobre a ruptura com os postulados liberais ver; VIANNA, Luiz Werneck. Liberalismo e Sindicato no Brasil. 3a. ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, cap. 3.
contexto político-econômico pós-revolucionário e o ideário castilhista-positivista encontrariam uma zona de intersecção definidora dos moldes da ação do Estado.
Modelado politicamente pelo contexto sócio-econômico e pelas formulações castilhistas, o Estado teve, a partir de 1930, um papel fundamental no encaminhamento econômico do país e nas transformações na estrutura produtiva. A tentativa do governo de superação da crise econômica pela intervenção do Estado e de reestruturação da organização política com o abandono do federalismo implicava em uma política de centralização das decisões em nível federal e enfraquecimento das oligarquias estaduais.
A centralização do poder e o fortalecimento do Estado dependiam do enfraquecimento do poder local e da inviabilidade política e econômica da retomada do antigo pacto oligárquico. Para implementação desta política de enfraquecimento, Vargas apoiava-se (principalmente no Nordeste e em São Paulo) nos quadros tenentistas que, sob a forma de interventores, tentavam articular, com facções das classes dominantes locais, o apoio ao governo. A limitação da autonomia dos estados-membros passava também pela questão tributária e pela proibição de empréstimos externos por estes. Vargas argumentava que a crise financeira que envolvia o país deitava raízes no direito dos estados de contraírem empréstimos externos superiores à sua capacidade orçamentária e no uso desordenado e sem fiscalização dos impostos arrecadados, entre os quais se incluía o imposto de exportação, que impedia a integração do país. A solução apresentada era a centralização da arrecadação tributária pelo governo federal, o fim do direito dos estados buscarem empréstimos sem sua prévia autorização e também a abolição do imposto de exportação. Em compensação, as dívidas estaduais seriam incorporadas pela União.
Implementando tais medidas, Vargas esvaziava o poder dos dirigentes locais e fortalecia o poder federal. Politicamente, por meio dos interventores, cindia as oligarquias regionais dando acesso, no que diz respeito ao poder estadual, às facções que se comprometiam com o governo. No campo econômico, diante da