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Bedel ve Mübdel Minh Arasında

Belgede Kur'ân belâgatında ara cümle (sayfa 100-104)

2. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ VE KAPSAMI

3.5. ARA CÜMLENİN KULLANILDIĞI YERLER

3.5.1. Bir Cümlede Kullanımı

3.5.1.9. Bedel ve Mübdel Minh Arasında

Quando começou a circular no Brasil, Grande Hotel era uma revista fina, ilustrada, que lembrava um jornal, pelas suas dimensões. É também assim que Grande

Hotel aparece na memória de uma de suas leitoras nos anos 1950. Segundo Madalena,

“[...] Você falou “Grande Hotel”, eu lembrava, a revista grande, né? Meio grande, fininha, mas grande. [...]” (Madalena, dona-de-casa, 09/12/11). Com, aproximadamente, 16 páginas, em 1947, a revista media 24 x 33 cm. Dimensões semelhantes a essas foram mantidas para Grande Hotel, mesmo mais tarde, quando a revista já era mais grossa.

Grande Hotel só se tornou um pouco menor, com dimensões próximas a 22 x 30 cm,

entre 1954 e 1961, mais especificamente em meados de 1959, momento em que a revista ganhava mais páginas dedicadas às fotonovelas e mais imagens, de acordo com o que podemos observar na tabela abaixo:

97

Tabela 5 – Dimensões da revista Grande Hotel entre 1947 e 1961, distribuídas em

função do número de páginas da revista e da quantidade de páginas ocupadas por fotonovelas Grandes tendências Ano do exemplar Dimensões da revista (cm) Número de páginas da revista Quantidade de páginas ocupadas por

fotonovelas Total de exemplares 1947 24 x 33 16 Não Consta 2 24,5 x 33 16 Não Consta 1 1948 24 x 33 16 Não Consta 3 20 Não Consta 2 23,5 x 32,7 20 Não Consta 1 1947 a 1951 1949 23,6 x 33 20 Não Consta 1 24 x 32,7 20 Não Consta 1 24 x 33 20 Não Consta 1 23,5 x 32,8 28 Não Consta 1 1950 24 x 32,5 28 Não Consta 1 24 x 33 20 Não Consta 1 24 Não Consta 1 1951 23,7 x 33 24 Não Consta 1 23,8 x 33 28 Não Consta 1 1951 23,8 x 32,8 28 4 1 1951 a 1952 24 x 33 52 6,5 1 1952 23,9 x 32,5 32 3 1 24 x 33 32 3 1 23,7 x 33 32 Não Consta 1 1952 23,9 x 33 32 Não Consta 1 1952 a 1954 24 x 33 36 Não Consta 1 23,5 x 32,5 36 Não Consta 1 1953 23,7 x 32,8 32 Não Consta 1 23,7 x 33 32 Não Consta 1 1954 23,8 x 32,8 32 Não Consta 1 23,5 x 32,6 36 6 1 1954 23,5 x 32,6 36 7 1 1954 a 1961 23,6 x 32,7 36 6 1 23,9 x 33 44 7 1 24 x 33 36 4 1 1955 23,5 x 32,8 36 5 1 23,6 x 32,8 36 6 1 23,7 x 32,7 36 6 1 1955 23,7 x 32,9 36 7 1 23,8 x 32,9 36 7 1 23,8 x 33 36 5 1 23,9 x 33 36 5 1 23,6 x 32,8 36 5 1 23,7 x 32,7 44 5 1 1956 23,8 x 32,7 44 6 1 23,8 x 32,8 36 5 1 23,8 x 32,8 44 5 1 23,8 x 32,9 36 5 1

98 Grandes tendências Ano do exemplar Dimensões da revista (cm) Número de páginas da revista Quantidade de páginas ocupadas por

fotonovelas Total de exemplares 23,8 x 33 44 6 1 23,7 x 32,7 44 6 2 1957 23,8 x 32,8 44 6 1 24 x 32,8 44 6 1 1954 a 1961 24 x 33 44 7 1 23,6 x 32,8 44 14 1 1958 23,7 x 32,7 44 14 1 23,8 x 32,8 44 6 2 23,8 x 33 44 7 1 21,7 x 30 52 13 1 21,8 x 30,1 52 18 1 1959 21,8 x 30,1 60 19 1 23,7 x 32,7 52 18 1 23,8 x 32,6 52 16 1 23,8 x 32,8 52 17 1 21,7 x 29,4 68 20,5 1 21,7 x 30 52 18,5 1 1960 21,7 x 30 60 18 1 21,8 x 29,5 52 17,5 1 21,8 x 29,9 60 22,7 1 21,7 x 29,3 52 13 1 1961 21,7 x 29,5 52 14 1 21,7 x 29,5 68 20,5 1 21,8 x 29 68 36 1 Total 73

Como podemos verificar na tabela anterior, quando as fotonovelas ganharam mais páginas em Grande Hotel, a revista se tornou menor. É provável que essa mudança na materialidade do impresso relacione-se com a publicação das narrativas desse gênero. Segundo Angeluccia Habert (1974, p.78), a base da diagramação das fotonovelas de Grande Hotel, Capricho e Sétimo Céu era um esquema de quatro tiras e três colunas, como podemos ver nos números de nosso corpus. Havia um formato padronizado para as três revistas, “aproximadamente com largura de 21,0 cm e altura 27,5 cm”. Com esse tamanho, o cruzamento entre tiras na horizontal e as colunas criava 12 espaços “ocupados pelas fotos e pelos textos”, que se ligariam por meio de “um jogo harmonioso”, em “branco, negro e cinza”. O diagramador, em parte, responsável “pela construção do movimento na fotonovela”, conseguia, assim, colocar fotos de 6x6 cm em cada página das revistas. Porém, dificilmente elas se apresentavam quadradas por causa de “diferenças da ordem de milímetros entre a largura e a altura” das revistas, tal como podemos observar na tabela que criamos com as dimensões de Grande Hotel.

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Grande Hotel, desde sua estreia no Brasil, sempre foi uma revista ilustrada. Mas

isso não era, de modo algum, uma novidade, seja no País, seja no exterior. O Cruzeiro, por exemplo, que já circulava no Brasil, desde 1928, era uma revista com “muitas fotos e ilustrações desenhadas”, de acordo com Dulcília Buitoni (1981, p.49). Na Itália e na França, foram também ilustradas, desde o início de suas histórias, Grand Hôtel (1946), “Settimanale di letture illustrate”, e Nous Deux (1947), “l’hebdo du Roman dessiné”. As imagens, a maior parte delas, desenhos, constituíam Grande Hotel, as revistas italiana e francesa, de suas capas às suas quarta capas.

100 Figura 7 – Capa de Grande Hotel, n.1, 30/07/1947.

101 Figura 8 – Capa de Grand Hôtel, n.1, 29/06/1946.

102 Figura 9 – Capa de Grande Hotel, n.5, 27/08/1947.

103 Figura 10 – Capa de Nous Deux, n.1, 14/05/1947.

104 Figura 11 – Quarta capa de Grande Hotel, n.37, 07/04/1948.

105 Figura 12 – Quarta capa de Grand Hôtel, n.140, 26/02/1949.

106 Figura 13 – Quarta capa de Nous Deux, n.225, 1951 [21/09/1951].

107 Os desenhos compunham os romances em quadros e ilustravam os folhetins das três revistas. Quanto às histórias vividas, segundo Sylvette Giet (1997b), em consonância com a estética mimética, enquanto em Grand Hôtel, pelo menos em seu primeiro número, a história vivida era ilustrada com uma fotografia, os desenhos aparecem em

Grande Hotel e em Nous Deux.

108 Figura 15 – Nous Deux, n.1, 14/05/1947, p.10-11.

Na revista francesa, o desenho que ilustra a história vivida, publicada em seu primeiro número, é uma retomada da ilustração da capa do primeiro número de Grand Hôtel. Para Sylvette Giet (1997b), esse seria um sinal de falta de material para produzir a revista, pois, muito rapidamente, as fotografias apareceriam em Nous Deux, para ilustrar os contos, como ocorreria também em Grande Hotel.

Em Grand Hôtel e na sua versão brasileira, os desenhos ocupavam a maior parte da seção “Aconteceu”. As seções de Astrologia de Grande Hotel e de Nous Deux, mesmo que em proporções diferentes, eram ilustradas com desenhos, os quais, no caso da revista brasileira, poderiam ajudar seus supostos leitores, com menor fluência na leitura de textos verbais, na construção do sentido das previsões para o futuro, como discutiremos no capítulo 3.

109 Figura 16 – Grande Hotel, n.127, 27/12/1949, p.6.

110 Figura 17 – Nous Deux, n.1, 14/05/1947, quarta capa.

111 Muitos dos anúncios de Grande Hotel tinham como um de seus elementos principais os desenhos,72 componentes fundamentais também dos passatempos publicados na revista.

Figura 18 – Grande Hotel, n.87, 22/03/1949, p.16.

72

112 As fotografias foram se tornando cada vez mais significativas em Grande Hotel. Essa tendência, entretanto, pode ser verificada em outras revistas, que nasceram nos anos 1950. Valendo-se das inovações gráficas que ocorriam no período, os impressos incorporavam, inclusive, mais cores, como foi o caso da revista Manchete. De acordo com Dulcília Buitoni (1981, p.87), sempre impressa “em papel de qualidade”, Manchete contava ainda “com um bom corpo de redação e de colaboradores, excelentes fotógrafos, ilustradores e diagramadores”. No caso de Grande Hotel, bem diferente de

Manchete, mas que integrava o conjunto de revistas que circulavam na época, com

grandes tiragens, a tendência era que a quantidade de fotos crescesse na revista na década de 1950, apesar das variações nos números referentes à presença dessas imagens nas suas páginas. As fotos, inicialmente, concentravam-se nas seções de Grande Hotel destinadas ao cinema.

113 Figura 19 – Quarta capa de Grande Hotel, n.6, 03/09/1947.

114 As fotos retocadas de artistas do cinema americano, tal como pudemos observar na figura anterior, eram o centro da seção “Os ídolos da tela”, e fotografias com cenas das produções cinematográficas, comentadas na revista, compunham as seções dedicadas aos filmes.

115 Conforme Angeluccia Habert (1974), nos anos 1950, inúmeras revistas publicariam resumos de filmes ao lado de fotos ilustrativas, como já se via em Grande Hotel, desde 1947, de acordo com o que pudemos verificar nos números da revista que analisamos. Com efeito, essa estratégia de recorrer aos elementos do cinema para compor a revista

Grande Hotel seria interessante para a Editora Vecchi. Possivelmente, produzido com

esses elementos, o impresso teria boas chances de alcançar leitores naquele período, pois se tratava de uma arte integrada, provavelmente, no cotidiano de muito sujeitos. Nas palavras de Guacira Lopes Louro (2000, p.423),

No Brasil dos anos 40 e 50, o cinema era um “evento social” que mobilizava e fascinava uma expressiva parcela da população urbana. O cinema era também, já naquela época, uma instância educativa potente. Poderosamente, sedutoramente, o cinema se constituía como uma nova pedagogia cultural.

Assim, a Editora Vecchi apostava em referências do cinema na fabricação da revista. Fotos de astros e estrelas do cinema eram utilizadas nas seções de testes publicadas em

Grande Hotel,73 em alguns de seus textos de curiosidades, nas notícias “Do mundo inteiro” ou naquelas em que se narravam os bastidores das produções da sétima arte. As estrelas hollywoodianas, especialmente elas, tinham suas imagens associadas a conselhos de beleza, saúde e comportamento direcionados às leitoras esperadas para esses textos. Embora tenhamos verificado a concentração de fotografias nas seções de cinema da revista, fotos de artistas, na sua maioria, brasileiros, foram localizadas nas seções de Grande Hotel dedicadas à música.74

73 Segundo o que é possível verificar nas tabelas 9 e 10, nos apêndices da tese. 74

116 Figura 21 – Grande Hotel, n.375, 28/09/1954, p.14.

117 A partir de 1951, as fotografias passaram a ser mais frequentes nos anúncios e como ilustrações de contos e histórias vividas publicadas em Grande Hotel. Na maioria das vezes, também nessas fotos estavam os artistas do cinema, sobretudo do cinema americano, que faziam sucesso nos anos 1940, 1950 e 1960.75 Ainda que os artistas fossem os privilegiados nas imagens que compunham a revista,76 as fotografias de leitores de Grande Hotel não tardaram a aparecer em suas páginas. Em 45% dos números da revista, analisados por nós, essas fotos foram publicadas nas seções de correspondência.

À medida que avançamos na década de 1950, as fotos, antes em menor quantidade, se comparadas aos desenhos que compunham a revista, conquistavam mais espaço em Grande Hotel.

Tabela 14 – Quantidade de imagens que constituíram Grande Hotel entre 1947 e 1961

Grandes tendências Quantidade de desenhos em preto e branco na revista Quantidade de desenhos coloridas na revista Quantidade de fotos em preto e branco na revista Quantidade de fotos coloridas na revista 2 1 10 1 4 1 13 1 21 1 9 1 22 1 13 1 25 1 11 1 27 1 12 1 30 1 7 1 10 1 35 1 13 1 37 1 16 1 53 1 13 1 Não Consta 1 12 1 2 5 Não Consta 7 Não Consta 8 Não Consta 9 Não Consta 11 Não Consta 1947 a 1951 14 Não Consta 21 1 30 1 29 1 36 1 36 1 9 1 1951 a 1952 44 1 37 1 21 1 16 1 28 1 13 1 1952 a 1954 14 1

75 Conforme o que podemos ver na tabela 12, nos apêndices da tese. 76

118 Grandes tendências Quantidade de desenhos em preto e branco na revista Quantidade de desenhos coloridas na revista Quantidade de fotos em preto e branco na revista Quantidade de fotos coloridas na revista 31 1 15 1 58 1 32 1 17 1 33 1 57 1 15 8 22 4 16 7 22 19 20 5 25 11 22 6 28 4 23 2 17 2 24 2 16 Não Consta 25 7 33 11 26 2 11 2 16 Não Consta 8 33 4 27 3 14 4 4 15 1 7 33 4 28 8 39 6 10 24 11 29 2 22 Não Consta 6 28 8 30 9 30 4 14 2 5 29 4 6 27 3 8 30 1 31 3 12 4 4 31 Não Consta 41 Não Consta 7 14 1 32 2 15 Não Consta 3 12 4 17 5 33 5 27 3 34 2 26 2 35 4 24 1 8 29 3 9 30 4 36 4 22 1 46 1 10 19 2 37 2 16 1 38 10 17 8 41 3 17 1 42 2 18 1 8 29 2 45 10 26 6 1954 a 1961 46 6 28 1

119 Como destacamos, as fotografias passaram a constituir alguns dos anúncios de Grande

Hotel e, nas seções de culinária e moda, elas preponderavam nos números da revista

publicados nessa época.77

Quanto à presença de cor no impresso, excetuando-se a capa e a quarta capa da revista Grande Hotel, praticamente todas as suas páginas foram impressas em preto e branco, de 1947 a 1961, do mesmo modo do que era feito na Itália e na França, para

Grand Hôtel e Nous Deux, e do que se fazia no Brasil para a revista Capricho, nos anos

1950 e 1960, de acordo com Raquel Miguel (2009). No caso das capas dos números de

Grande Hotel analisados na investigação, chama a atenção a quantidade de cores

utilizadas especialmente nos desenhos que a compõem. Todas as capas dos números consultados da revista brasileira, de Grand Hôtel e de Nous Deux traziam desenhos coloridos do mesmo tipo. Tal semelhança deve-se, muito provavelmente, ao fato de as ilustrações das capas das três revistas, a partir de 1946, terem sido produzidas possivelmente na Itália, por Giulio Bertoletti e Walter Molino.78 Eles aparecem como autores da maior parte das capas dos números de Grande Hotel que compõem o nosso

corpus, como é possível observar na tabela abaixo:

Tabela 15 – Autoria das capas de Grande Hotel entre 1947 e 1961

Grandes

tendências Autor da capa

Total de exemplares G Bertoletti 11 G Bertoletti 48 1 G Bertoletti 49 1 1947 a 1951 Não consta 5 G Bertoletti 2 G Bertoletti 51 1 1951 a 1952 W M 1 G Bertoletti 2 W Molino 4 1952 a 1954 Não consta 1

77 Segundo os dados da tabela 16, nos apêndices da tese.

78 Conforme Sylvette Giet (1997b, p.3), ilustrador “de imprensa” desde os anos 1930, afirma-se que

Walter Molino foi o caricaturista preferido de Mussolini. De acordo com a autora, ele criou histórias em quadrinhos e foi ilustrador, notadamente, na imprensa italiana dos irmãos Del Duca. Para Giet, o nome de Walter Molino não aparecia em Nous Deux, talvez por seu suposto compromisso com a “aventura” de Mussolini. Segundo Isabelle Antonutti (2012a), em entrevista ao jornal Unione Sardi, de 22/04/1995, Molino teria contado que estava ainda terminando seus estudos básicos – “au lycéé” – (p.75), quando Domenico Del Duca lhe propôs criar os desenhos para a revista Intrepido. Essa revista, de acordo com a autora, anunciaria o triunfo dos quadrinhos sentimentais – “des bandes dessinées sentimentales” – e da fotonovela, que seria a base do futuro sucesso dos irmãos Del Duca, conforme Antonutti. Giulio Bertoletti, como Walter Molino, foi o ilustrador, por muitos anos, das capas de Nous Deux, produzidas na Itália, frequentemente, retocadas na França (ANTONUTTI, 2012a, p.194).

120 Grandes

tendências Autor da capa

Total de exemplares G Bertoletti 17 Henri 1 W Molino 16 Walter Molino 1 1954 a 1961 Não consta 9 Total 73

No que se refere às quarta capas, todas elas, em Grande Hotel, eram coloridas, do mesmo modo do que ocorria na revista italiana e na revista francesa. Porém, Nous

Deux, conforme o que já destacamos, diferenciava-se de Grande Hotel e de Grand Hôtel pelo conteúdo veiculado em suas quarta capas. Entre o final dos anos 1940 e o

início dos anos 1950, enquanto a seção de Astrologia e, mais tarde, episódios de fotonovelas ocupavam as quarta capas de Nous Deux, correspondências de leitores e a seção “Aconteceu” compunham a última página de Grand Hôtel e de Grande Hotel. Essa semelhança entre a revista brasileira e a revista italiana apresenta-se a nós como mais um indício de que Grande Hotel, pelo menos até o início dos anos 1950, seria praticamente uma tradução literal de Grand Hôtel.

As imagens dos astros e das estrelas do cinema hollywoodiano,79 assim como dos artistas do mundo da música que compuseram a revista Grande Hotel entre 1947 e 1961 eram, na sua grande maioria, fotografias em preto e branco. A exceção a essa tendência mais geral em relação à materialidade da revista foi identificada na seção “Os ídolos da tela”. A foto do/a artista, centro da seção, como vimos, era sempre colorida e retocada enquanto “Os ídolos da tela” compuseram as quarta capas de Grande Hotel, o que não ocorria quando a seção passou a ser publicada no interior da revista, no período de 1954 a 1961. Essa peculiaridade pode ser explicada pelos procedimentos usados pela Editora Vecchi na produção das capas e quarta capas de Grande Hotel, assim como das páginas internas da revista. Raras foram as vezes em que encontramos fotografias com cores no interior de Grande Hotel. Quando elas apareciam, as fotos eram trabalhadas a partir de tonalidades de uma mesma cor, como o roxo, o verde, o vermelho, o marrom, o amarelo, mas nunca apareciam, entre 1947 e 1961, nos números da revista que analisamos, como aquelas localizadas nas fotos retocadas, publicadas nas quarta capas.

79

121 Figura 22 – Grande Hotel, n.596, 23/12/1958, p.2.

122 Em nenhum dos números de nosso corpus, localizamos fotografias coloridas de seus leitores. Quando suas fotos eram publicadas na revista, eram sempre fotografias em preto e branco. Em contrapartida, fotos em cores passaram a aparecer com mais frequência, entre 1954 e 1961, em algumas das seções da revista direcionadas às supostas leitoras de Grande Hotel, como é o caso das seções de moda, culinária e de receitas domésticas,80 mesmo que suas leitoras ‘reais’ fossem representadas no impresso apenas por meio de fotos em preto e branco. Investir na qualidade da impressão, com atrativos para as possíveis leitoras da revista, possivelmente tornava-se cada vez mais importante para os produtores de Grande Hotel, em um período no qual, além de revistas de fotonovelas, outros tipos de revistas ‘femininas’, como Querida e Cláudia, destinadas às mulheres, eram lançadas no mercado brasileiro.81

Em relação às cores, elas eram mais comuns nos desenhos que constituíam

Grande Hotel do que nas fotografias. Essa tendência pode ser observada nas imagens

das seções de notícias;82 nos anúncios de produtos de saúde, higiene, limpeza;83 nos anúncios de produtos de beleza, de perfumes, cosméticos e joias.84 A exceção, nesse caso, foi verificada nas ilustrações dos contos e das histórias vividas, nos quais, por uma pequena diferença, as fotos com cores eram mais frequentes, entre 1954 e 1961, do que os desenhos coloridos.85

Nos anúncios, apesar de a maior parte deles ser constituída por imagens em preto e branco, sejam elas desenhos, sejam elas fotografias – o que é esperado, já que estamos tratando de uma revista impressa, preponderantemente, em preto e branco, como vimos –, as cores chegaram a aparecer em parte das imagens desses textos.86 Fotos e desenhos coloridos compunham os anúncios especialmente quando eles eram veiculados nas quarta capas de Grande Hotel, de 1954 a 1961.

80 Conforme o que podemos ver na tabela 16, nos apêndices da tese.

81 Ver, nesse sentido, os estudos sobre revistas femininas de Carla Bassanezi (1993, 1996). 82

Consultar, nessa direção, a tabela 19, nos apêndices.

83 Ver a tabela 7, nos apêndices.

84 Segundo o que podemos verificar na tabela 8, nos apêndices. 85 Como podemos ver na tabela 20, nos apêndices.

86

123 Figura 23 – Quarta capa da revista Grande Hotel, n.614, de 24/04/1959.

124 Mais uma vez, o processo de impressão da revista explicaria essa tendência. A impressão simultânea de capas e quarta capas propiciaria a utilização de cores em ambas as partes, bem como o mesmo tipo de papel na sua confecção.

As imagens em preto e branco, entre elas, os desenhos, são a maioria quando analisamos as ilustrações das histórias vividas e dos contos.87 No caso dos folhetins, as fotos em preto e branco são mais numerosas que os desenhos em preto e branco; os desenhos coloridos nem chegam a aparecer nos episódios dos romances de amor publicados na revista, e as fotos em cores representam um pequeno percentual das ilustrações desse tipo de narrativa.88 A análise das imagens desses gêneros textuais, como também dos jogos, passatempos e textos de humor;89 dos fotodesenhos e das fotonovelas, no que se refere às suas cores, confirma a tendência geral das imagens que compõem Grande Hotel, majoritariamente impressas em preto e branco, conforme mostram os dados da tabela 14, apresentada anteriormente. Podemos afirmar ainda, de acordo com esses dados, que a tendência da revista era possuir mais desenhos do que fotografias entre 1947 e 1961. Sem dúvida, tratava-se de uma revista semanal ilustrada.

*

As primeiras linhas que dão forma ao desenho dos leitores esperados para a revista Grande Hotel no Brasil, em seus primeiros anos de história no País, são também aquelas que delinearam os leitores pensados para as revistas Grand Hôtel e Nous Deux. Uma das primeiras pistas que nos apontavam a peculiaridade de Grande Hotel foi localizada nas informações contidas no expediente da revista. Segundo essas informações, a revista era impressa e distribuída no Brasil pela Editora Vecchi e não,

produzida no País. A constatação de que a revista Grande Hotel seria, então, uma

publicação importada da “presse du cœur” franco-italiana foi sendo construída à medida que nós continuávamos no rastro dos sinais, às vezes, sutis, do próprio impresso. Ao analisar a materialidade de Grande Hotel, de acordo com o que apresentamos na sequência dos capítulos da tese, percebemos que quase todos os seus textos, os quais compõem a estrutura estável da revista, isto é, fotodesenhos, fotonovelas, folhetins, contos, eram traduções em português de textos italianos e franceses, mesmo que a

87 Tal como é possível perceber nas tabelas 21, 22, 23, 24, nos apêndices da tese. 88 De acordo com as tabelas 25, 26 e 27, nos apêndices da tese.

89 Para verificar a composição, em termos de imagens, dos jogos, passatempos e humorismos publicados

125 revista tivesse também contos com referências a cidades de São Paulo, do Rio de Janeiro e cartas de leitores brasileiros.

CAPÍTULOII

G

RANDE

H

OTEL

:

COMPONENTES DE EDIÇÃO E INDÍCIOS DE SEU

127

“Mais do que nunca, historiadores de obras literárias e historiadores das práticas e partilhas culturais têm consciência dos efeitos produzidos pelas formas materiais” Roger Chartier. A ordem dos livros.

Tendo apresentado uma visão panorâmica de Grande Hotel no que se refere a alguns aspectos de sua materialidade, de seu conteúdo e de seu público leitor, em um contexto mais geral, no qual outras revistas também eram produzidas e circulavam no Brasil e no exterior, voltamo-nos agora para a análise de outros dos seus componentes de edição. Assim, capas, quarta capas, contracapas; anúncios e número de páginas de

Grande Hotel são o foco de nosso capítulo 2. Uma vez que suas seções, colunas e textos

são muito significativos no que se refere ao desenho do leitor esperado para a revista, decidimos abordá-los ao longo da tese, como já começamos a fazer no capítulo 1, descrevendo-os em função dos leitores do impresso, supostos e ‘reais’. É importante salientar, mais uma vez, que o trabalho com Grande Hotel foi realizado, buscando-se, o

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