4.2. Eylem Sürecine İlişkin Bulgular
4.2.5. Beşinci Eylem Döngüsü (Ulaşım)
4.2.5.3. Beşinci eylem döngüsü: Yansıtma ve yeniden planlama
Durante o estudo sobre as aranhas, as crianças vão descobrindo e aprendendo sobre os vários tipos de aranha.
A aranha-golias chamou muito a atenção das crianças.
As crianças leem junto com a professora todo o material que chega e, atentamente, impressionam-se com a variedade de aranhas.
O interesse, nesse momento, está na aranha-golias. As crianças acham impressionante saber que elas comem ratos, lagartos, cobras e passarinhos.
Criança: “Ela é grande para comer ratos?”
A criança entende a pesquisa e não fica apenas admirada pelas fotos da aranha, mas intrigada pela informação descrita, fazendo referência ao tamanho da aranha, para comer ratos. Letícia, ao partir do interesse das crianças, demonstrando sensibilidade em escutá-los,
anota a observação “grande para comer ratos”. Letícia faz uma observação e questiona: “Diz aqui que essa aranha pode chegar a até 25 centímetros. Vamos ver, na régua, se é grande?”. Ela faz um desafio às crianças, estimula-os a ver que tamanho pode chegar a aranha e lhes dá autonomia para medir. A mediação envolve várias outras situações, que deixam as crianças envolvidas em seu interesse de saber mais sobre o animal.
Posteriormente, Letícia acessa a internet com as crianças, para olharem vídeos que mostram a aranha-golias comendo ratos e outros pequenos animais. Acessando a internet, descobrem mais sobre o artrópode e ainda sobre a aranha tecedeira dourada, que faz a teia grande, onde fica a fêmea.
Discutiu-se como as pesquisas ajudaram as descobertas das crianças e as estimularam a procurar mais informações sobre a aranha, a partir das que trouxeram de casa. Letícia posiciona-se da seguinte forma: “A cada pesquisa, novas ideias surgem e encaminham nosso percurso, na descoberta de novas informações”. A mediação, que parecia ser um momento pontual com a família, tornou-se um processo contínuo, durante o ano letivo de 2010.
Entendeu-se essa forma de trabalhar na perspectiva de Dewey (1958), o qual relata que a experiência deve ser ampliada, envolvendo todos os que fazem parte do processo educativo. Esse não é um privilégio isolado do professor e da criança, mas faz parte do contexto. A ação da professora, em direção à família, possibilitou que esta se aproximasse do aprendizado da criança.
Dewey (1929, p. 56) afirma que essa forma de trabalho é algo que permite analisar que o conhecimento não é apenas produzido pelas horas dentro da sala e não é propriedade do professor, ainda cita que “a participação da família oferece oportunidade para obter conhecimento”. Nessa direção, a professora enviou para a família um portfólio das atividades das crianças, sobre o projeto da aranha, explicando as atividades e as descobertas que fizeram em parceria. Nesse mesmo livro, disponibilizou, no final, uma parte para que anotassem sua opinião, avaliando e dando sugestões sobre o projeto (ver Figura 13).
Figura 13 – Portfólio sobre o projeto na Teia da Aranha, direcionado à família
O portfólio ia para casa e voltava com as impressões das famílias. Cita-se alguns trechos:
Os relatos das famílias mostram a importância que elas atribuíram, ao trabalharem junto com a Letícia, bem como o reconhecimento de alguns que participaram pouco com os filhos. A mediação de Letícia possibilitou que a atividade em colaboração acontecesse, pois as crianças mostraram-se interessadas e os pais, envolvidos em participar das ações.
Oliveira-Formosinho e Costa (2011, p. 97) afirmam que
Quando as famílias são incluídas nos projetos e atividades das crianças valoriza-se o pertencimento à família e, simultaneamente, realiza-se a ligação ecológica entre as famílias e o centro de educação de infância. Promove-se o contato entre famílias e o respeito por todas as formas e ritmos de colaboração.
Entende-se que as famílias podem e devem fazer parte da rotina da criança na escola, participando do seu aprendizado. Em 2011, Letícia recebeu de uma mãe do grupo, um poema sobre as borboletas que estavam sendo estudadas. A professora leu o poema na roda de conversa e, a partir desse material, várias mediações de atividades foram possibilitadas. Uma mediação foi a de reproduzir o poema para todas as crianças e enviar para suas casas, na sacola do projeto “Livro que vai e volta”40. A Figura 14 mostra as crianças levando o poema.
Figura 14 – Crianças organizando o poema para levarem para casa
Como retorno, as crianças leram o poema em casa e fizeram, junto com os pais, os desenhos sobre as borboletas do poema (ver Figura 15).
40 Esse projeto constitui-se em levar o livro para casa e ler em família. Há mais detalhes dessa mediação neste
Figura 15 – Atividade das crianças realizada com a família
O interessante foi que a contribuição do poema, para as crianças, partiu da família e foi socializada com todo o agrupamento. A mediação em possibilitar a atividade e em declamar o poema não apenas envolveu as famílias, como também possibilitou que as crianças entrassem em contato com outras formas de textos literários. O poema atende a uma particularidade que estava relacionada aos estudos das borboletas, tema de discussão do grupo da qual a criança fazia parte. A mãe da criança sentiu-se sensível em colaborar com o poema, que fazia parte de seu repertório. Letícia relata o seguinte:
Professora: “O poema ‘As borboletas’, de Cid Campos e Vinicius de Morais, socializado para o grupo, foi uma contribuição da família de uma aluna e tornou-se objeto de estudo e de representação. Foi declamado com maestria pelas crianças” (Relatório de atividades – 2011).
O trabalho com o poema possibilitou práticas de letramento com as crianças. Para Kishimoto (2010b, p. 140),
[...] a aprendizagem da linguagem escrita pode ocorrer em casa ou na escola, por meio de escrita e leitura de cartas e cartões, internet, catálogos, receitas, guias de TV, lista de supermercado, jogos eletrônicos, de tabuleiro, livros, revistas, jornais. Dessa forma, o poema de interesse das crianças foi o pivô para que as linguagens escrita e falada estivessem ao alcance delas e possibilitassem atividades ampliando as experiências de letramento. A autora afirma que “a troca de informações entre a casa e a instituição infantil traz dados sobre o capital cultural, social e linguístico da criança, criando aberturas para a aprendizagem da literacia” (KISHIMOTO, 2010b, p. 142).
O envolvimento das crianças durante as atividades com o poema mostra a curiosidade pelo tema. O registro de suas vozes, na Tabela 9, demonstra o intenso interesse pelas borboletas.
Tabela 9 – Registro das vozes das crianças sobre o tema borboleta
Crianças-alvo Registro das vozes Nível de envolvimento
Sharpay “Do apartamento eu vejo borboletas voando lá fora. Tem
borboleta da cor amarela.” Nível 5
Daniela “Prô, também tem borboleta em outros lugares, fora do Brasil?”
Nível 5
Alice
“Sabe, nós estudamos sobre as borboletas que são de várias cores, tem branca, amarela, preta e tem cor que nem dá para saber direito. Sabe por quê? Elas voam alto.”
Nível 5
Florzinha “As borboletas gostam de ficar no jardim. Aqui eu vou
fazer a borboleta no jardim.” Nível 5
Dourada “Prô, o que a borboleta come? A borboleta gosta da flor?” Nível 5 Roberta “As borboletas cuidam da natureza. Coloquei aqui uma
borboleta, o jardim e o passarinho.”
Nível 5 Thomas “Eu quero saber mais sobre as borboletas da noite. Onde
fica a borboleta da noite durante o dia?” Nível 5 Neymar “A borboleta tem duas antenas na cabeça. Angela, sabe que
uma borboleta quando senta em você é felicidade?”
Nível 5 Pedro “Na natureza tem borboleta bem grande que voa bem alto.
Eu fiz uma borboleta bem grande e colorida.” Nível 5 João “De que vive a borboleta? Ela vem da lagartinha?” Nível 5
Ventura
“A teia da aranha serve para pegar inseto para ela comer, é uma armadilha para a borboleta no jardim, eu li com a minha mãe isso no livro.”
Nível 5
O registro das vozes das 11 crianças citadas representa o quanto o tema foi interessante. O nível de envolvimento foi 5, no qual as crianças estavam em atividades contínuas e intensas. Nota-se que, quanto mais as crianças são possibilitadas a viver as experiências a partir do tema de interesse, mais elas permanecem no fluxo maior de envolvimento em suas atividades (LAEVERS, 1994).
Professora: “A criança se interessa em saber mais sobre as borboletas de forma plena. Observa como faz a atividade e como gostam de declamar o poema da borboleta. Elas aprendem pela participação, que favorece a compreensão de outros contextos” (Registro – outubro de 2011).
Outra mediação feita por Letícia, envolvendo a família, atende ao interesse da criança que traz algo de casa. O Excerto 6 mostra a situação: