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2.4. FİRMA PERFORMANSI

2.4.3. Performans Ölçüm Modelleri

2.4.3.2. Çok Boyutlu Performans Ölçüm Modelleri

2.4.3.2.4. Balanced Scorecard (BSC)

acrescentados, num período mais ou menos regular, novos nomes, mantêm-se, enquanto gênero, estabilizadas. Quanto ao quinto grau, nas palavras de Maingueneau (2006, p. 151):

Eles não possuem um formato pré-estabelecido, mas zonas genéricas sub-determinadas nas quais uma única pessoa, um autor com uma experiência individual, auto-categoriza sua própria produção verbal. Esses são os tipos de gêneros cujos nomes são atribuídos por seus autores... (...) Rótulos genéricos, como “jornais”, “talk show”, “palestra”, etc. são atribuídos a atividades que existem independemente de tais rótulos (na verdade, muitas práticas discursivas não têm nomes...); ao contrário, se um autor religioso, um político ou um moralista chamar seu texto de “meditação”, de “utopia”, de “Relatório”, etc., esse rótulo contribui profundamente para a maneira como tal texto será interpretado.

O autor assinala para o fato de que quanto mais alto o grau de intensidade dos gêneros, maior deverá ser a capacidade desses em criar “cenografias estimulantes” com o objetivo de convencer (persuadir?) sua platéia. Os gêneros do quarto e quinto graus precisam, enfim, dar “sentido à sua própria atividade discursiva” (MAINGUENEAU: 2006, p. 151) e propor, por isso, “uma estrutura que deve estar em harmonia com o próprio conteúdo de seu enunciado”. (idem).

5.5.1.1. O Relatório: um gênero administrativo?

Quando nossas primeiras leituras do Relatório de Linderg Farias começaram a ganhar as roupas de uma pesquisa científica, começamos a nos questionar sobre a natureza de seu gênero. Aparentemente, víamos que seu objetivo era cumprir certas normas específicas a contextos

semelhantes aos da Comissão destinada a avaliar in loco a demarcação da Raposa/Serra do Sol. Ou seja, toda Comissão formada por parlamentares pressupõe, ao final, que um Relatório seja elaborado. Mais especificamente, uma Comissão Parlamentar (CP), para que tenha sua função legitimada, precisa seguir algumas normas, dentre elas: eleger um presidente e nomear um relator para que este produza um relatório. A função do relator seria, assim, assegurar a elaboração de um texto (o Relatório) em que conste uma síntese (um relato) dos fatos ocorridos durante a vigência da CP.

Os parlamentares, portanto, quando nomeados relatores de certas CPs, procuram cumprir suas funções a partir de certas regras que darão legitimidade ao texto que produzem. Dito de outro modo, os relatores parlamentares valem-se de um conjunto de estratégias de escrita que não só insere o Relatório (o produto) dentro de uma tradição, como também, ou sobretudo, faz com que o relator seja identificado à comunidade discursiva, como veremos adiante.

O relator, portanto, de uma CP não pode simplesmente produzir qualquer tipo de texto. Como objeto institucionalizado, o relatório tende a ser identificado ao contexto institucional ao qual pertence. Poderíamos dizer, parafraseando Maingueneau (2006, p. 153), que o relatório parlamentar trata-se de um gênero discursivo (parcialmente) estabilizado, uma vez que é decorrente de “uma atividade social, um gênero cujas regras, que são parte da competência comunicativa” (idem) dos relatores parlamentares, “são aprendidas por meio de sua prática” (idem). Assim, podemos afirmar que esses relatores produzem seus textos a partir não de um treinamento específico para produzir um relatório, mas de “regras tácitas de comunicação” (idem).

Se considerarmos a exposição feita em parágrafos anteriores sobre os graus dos gêneros, o Relatório seria um gênero instituído do terceiro grau, no entanto, mais por seu caráter de comunicação de um determinado grupo discursivo, do que por sua estrutura de texto administrativo. Se considerarmos sua estrutura física, então, teríamos um

gênero de quarto ou quinto grau.

Aparentemente, como objeto institucionalizado, uma vez que o próprio ato de criação de uma Comissão Parlamentar pressupõe a necessidade de um relator e, conseqüentemente, de um relatório, têm-se neste um tipo de texto concernente à prática administrativa da Câmara do Deputados. Daí seu caráter de gênero de terceiro grau. Porém, alguns relatórios, devido à natureza mais política do que técnica-administrativa, apresentam uma estrutura estabilizada (afinal, quando se fala em relatório, pensa-se em uma estrutura objetiva com conteúdo igualmente objetivo) para transparecer certa neutralidade. Em resumo: por ter sido escrito por um político e não por um técnico, o Relatório de Lindberg Farias apresentará flutuações que revelarão os conflitos discursivos próprios dos gêneros de quinto grau. Recorrendo novamente a Maingueneau (2006, p. 145), afirmamos que o Relatório de Farias serve de plano de orientação para um grupo reunido (os parlamentares) em torno de um projeto (a Comissão Externa) de ordem ideológica e que resultam de negociações difíceis entre diferentes posições (diferentes formações ideológicas e formações discursivas em torno da demarcação de terras indígenas).

Se resgatarmos a distinção feita por Beacco (apud Maingueneau: 2006, p. 154) a respeito das comunidades discursivas, diríamos que o Relatório varia entre o que esse autor chama de comunidades discursivas ideológicas, uma vez que é baseado “na produção de valores, crenças… (…) que produzem um grande número de textos militantes”, e comunidades discursivas baseadas em atividades técnicas e científicas, que produzem conhecimentos.

Poderemos, agora, tentar compreender o Relatório a partir da definição de gênero aberto e gênero fechado (MAINGUENEAU: 2006). Se considerarmos que o Relatório é uma atividade discursiva fundada numa relação comum entre produtores e receptores dessa atividade, não é difícil considerá-lo um gênero fechado, ou seja: em discursos fechados “produtores e receptores tendem a coincidir, tanto quantitativa quanto

qualitativamente” (ibidem, p. 154). De modo específico, o Relatório de Farias é produzido por um parlamentar (político) para ser lido por parlamentares (políticos).

Desse modo, como gênero fechado, o Relatório possui certa particularidade: ele se dirige a parlamentares (o público principal) que já participam da mesma Comissão Externa do relator, podendo-se dizer então que a força expressiva do Relatório não está necessariamente no texto em si, e sim nos debates ocorridos antes da elaboração do Relatório. Este é, assim, um pró-forme, um espaço institucional para se dizer sobre. Isso significa que o Relatório é meramente administrativo? Não necessariamente.

Se pensarmos o Relatório como uma “instituição discursiva”, conforme assinala Maingueneau (2006), então podemos corroborar com a seguinte afirmação:

O gênero é uma pequena “instituição” verbal, mas, ao mesmo tempo, a instituição (no sentido comum da palavra) da qual este participa mantém a si mesma por meio dos gêneros que ela possibilita e que, de alguma forma, tornam possível a própria instituição. (MAINGUENEAU: 2006, p. 155).

Para finalizar este item, trazemos novamente a Maingueneau (2006) para dizer que assim como todo gênero, o Relatório possui uma finalidade explícita e outras implícitas. Explicitamente, destina-se a concluir os trabalhos da Comissão Parlamentar Externa destinada a avaliar in loco os conflitos em Roraima em torno da demarcação da Raposa/Serra do Sol. Implicitamente, além de “contribuir para o gerenciamento do complexo sistema de relações entre os membros do mundo” (MAINGUENEAU: 2006, p. 156) parlamentar, ele serve como materialização de formações discursivas e ideológicas sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil.

PARTE III: GEOPOLÍTICA DA TERRA: SENTIDOS “TERRAS

Benzer Belgeler