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Belgede T. B. M. M. TUTANAK DERGİSİ (sayfa 103-107)

A vontade de buscar oportunidade de estudo fora se mistura em relação ao desconhecimento acerca da Unilab, especialmente vindo de países com limitações de propagação da tecnologia, incluindo a velocidade das informações. Interpreto suas vindas como demonstração de atitude de aposta num futuro incerto e em local não tão conhecido. O modo com que as notícias sobre a Unilab chegam aos países parceiros é extremamente limitado, e a divulgação se dá prioritariamente com base nos que os atuais estudantes comentam com familiares e amigos de lá.

O estudante Josué, dimensiona uma espécie de propaganda enganosa do Brasil divulgada através de imagens que não retrataram a realidade que os estrangeiros encontram ao chegar ao Ceará:

“Mas a Unilab a gente não conheceu, não. Teve um CD que foi

elaborado da Unilab e que foi ministrado[apresentado] pela professora Socorro, e a gente estava lá[ no Timor Leste] assistindo como era a Unilab...daí que a gente conheceu um pouco a Unilab e a cidade de Redenção. E depois disso a gente fez a viagem para cá. Depois que eu cheguei aqui, o que me mostraram da Unilab não é muito parecido não. Porque assim... o que foi apresentado lá pelo CD só pegaram aquelas belezas que tinham aqui, por exemplo, os apartamentos mais legais, as coisas mais maravilhosas, aquilo que não estava bom eles não mostraram. A gente conheceu essas belezas lá e

ficamos ‘ah, que legal! Temos que ir para o Brasil, lá é uma cidade

maravilhosa[Redenção], temos que ir para lá para estudar!’. Para mim

não é muito ruim não, a diferença é apenas as situações que não mostram a realidade, porque quando no início de nossa chegada aqui em Redenção, o hospital ainda estava construindo...mas se tivessem dito que as coisas não estavam boas, que as condições da cidade não

A situação com que se depararam aqui, ainda que sem infraestrutura, não difere em muito da que vivenciam em seus países de origem, ou até mesmo representem suas realidades de lá, o que até facilitaria o costume ao novo local de moradia:

“Mas assim, a minha chegada ao Brasil, a minha adaptação,

especificamente aqui em Redenção não foi muito difícil, digo, porque a realidade em que eu moro com a de Redenção nã o é tão diferente dos

bairros de Angola, de algumas cidades de lá.” (Ricardo-Angolano).

Há também a demonstração de que meios tradicionais de comunicação e divulgação, embora restritos, são eficazes em países que dispõem de acesso à internet limitado e que é dessa maneira que muitos estrangeiros conhecem ou tem o primeiro contato com a Unilab:

“Então, eu tive o conhecimento do programa da Unilab através da

embaixada do Brasil mais concretamente por meio do Centro Cultural Brasil e África em São Tomé e Príncipe. Ai quando, tipo, eles abrem o edital, eles fazem propaganda, publicidade aí então eu me interessei,

né, para vir cá estudar.” (Vicente- São Tomé e Principe).

Por meio de políticas de cooperação internacional com Portugal e Brasil, relacionadas à formação e qualificação de professores, Madalena fez cursos que lhe possibilitaram conhecer professores brasileiros das formações, e que por meio destes, tomou conhecimento da existência da Unilab:

“Então em 2002 eu fiz o curso de formação de professores com o

pessoal de Portugal sobre a língua portuguesa tendo somente estudado até a quarta série. Em 2012, depois de dez anos ensinando, seguindo[fiz] a formação da língua portuguesa com os professores de Portugal, e a formação de um programa do Timor de 2008 a 2010. Essa formação da língua portuguesa com professores de Portugal... eles deram isso aí[ promoveram a formação] para bacharelado também. Depois na Educação[ no Ministério de Educação do Timor] eles fizeram um teste para todos os professores que não tinham diploma...para poder obter um diploma. Ai a gente fez um texto[ o teste ] também para receber o diploma. Aí depois, com os professores brasileiros[ com a formação ofertada pelos brasileiros] durante dois anos, eu recebi um diploma de magistério também. Eu conheci a Unilab no final de 2010, no final da formação.(Madalena- Timor Leste) A decisão de vir cursar o ensino superior no Brasil requer renúncias e coragem. Coragem para deixar a família, o casamento, os filhos, a moradia, a cultura, os costumes e vir

desbravar o desconhecido, pois as informações acerca da universidade eram extremamente escassas. Em meio a isso, Madalena experimentou de questões preconceituosas relacionadas à sua idade e a insegurança na decisão de ir estudar fora:

“Sou casada desde 1980, meus filhos ficaram todos lá. Essa decisão de

vir é muito complicada...porque a gente não sabia nada né...enviamos os documentos e em fevereiro de 2011 saiu o resultado que tínhamos sido aprovados. Fomos aprovadas...mas ninguém tinha certeza, porque com a nossa idade, lá no Timor, dizem que não servíamos mais para dar aulas. Na época tinha 46 anos, e hoje eu tenho 53. Estou aqui desde 2011.1, cheguei com 47 anos. Era uma idade complicada...porque dizem que já é velha, que não devemos mais ir para aulas, que era coisa só para os novos. A gente ficou sem saber para onde ir...e quando fomos na embaixada[ do Brasil no Timor] e na Educação[ no Ministério de Educação], nos disseram que achavam que nós não íamos, porque a bolsa seria pa ra os meninos mais jovens e não pa ra nós. Dissera m que nós não servíamos mais para estudar. Mas o embaixador do Brasil de lá[ do Timor Leste] sempre foi muito educado e dizia que nós podíamos contar com ele. E eu disse para o embaixador que o nosso próprio Ministro[ de Educação] dizia que nós não tínhamos mais idade nem sangue para estudar. (Madalena- Timor Leste)

A crítica à idade não foi absorvida, nem motivo de descontinuidade do que almejava pra si. Com o espírito esperançoso, Madalena trilhou seu caminho de vontade até chegar à Unilab, embora tivesse inúmeros motivos para desistir.

Belgede T. B. M. M. TUTANAK DERGİSİ (sayfa 103-107)