ALTINCI KISIM
C) Mallar üzerinde tasarruflar I - Yapılamayacak işlemler
3. Başvurma hakkı
As iniciativas de mobilização sociocultural e educação popular deram origem a inúmeros projetos de expressão popular, tendo esta fase de desenvolvimento da educação e formação de adultos culminado, em 1975, com a elaboração do anteprojeto de Plano Nacional de Alfabetização, no seio da Direcção-‐Geral da Educação Permanente (DGEP), numa tentativa de coordenar as iniciativas de alfabetização desencadeadas pela mobilização popular.
Contudo, este projeto não foi aprovado e acabou por ser posto de parte pelo diretor da DGEP, Alberto Melo, que criticou a sua natureza centralizadora, assim como
a estratégia subjacente e que apontava para um conceito restritivo de alfabetização, isto é em que se separavam os adultos que não sabiam ler nem escrever dos restantes, sem ter em conta toda a sua cultura popular. Nesse sentido, em 1976, foi criado um plano de cooperação entre a DGEP e as organizações populares de base que se multiplicaram em Portugal, numa tentativa de promover uma política de educação de adultos adequada às necessidades dos vários tipos de populações, sendo encorajada a criação de associações de educação popular, através da concessão de apoios às suas atividades. O Decreto-‐Lei n.º 384/76 atribuiu o estatuto de personalidade jurídica e o acesso a subsídios por parte dessas associações de educação popular.
A partir de 1978, dá-‐se a “consolidação da democracia representativa com a formação do primeiro governo constitucional e a formalização dos processos democráticos, o que levou à estagnação das actividades da educação de adultos” (Barbosa, 2004, p. 163). Só em 1979, com a aprovação da Lei nº 3/79 se retomaram as atividades no âmbito da educação de adultos, com a criação do Conselho Nacional de Alfabetização e Educação Base de Adultos, responsável pela elaboração do Plano
Nacional de Alfabetização e Educação Base de Adultos (PNAEBA), em resposta,
também, às recomendações da UNESCO que na CONFINTEA de Tóquio, realizada em 1972, apelou à necessidade de apostar em modelos de educação de adultos mais flexíveis e diversificados. O PNAEBA visava intervir em três áreas -‐ a alfabetização, a educação/formação de adultos e a educação/formação popular -‐ e foi criado com os seguintes objetivos:
-‐ “O desenvolvimento cultural e educativo da população, tendo em vista a sua valorização pessoal e a sua progressiva participação na vida cultural, social e política;
-‐ Assegurar, de modo permanente, a satisfação das necessidades básicas de educação formal e informal de adultos, através da implementação gradual, em todo o país, de um sistema regionalizado que assegure a mobilização e a participação das populações, coordene a utilização de todos os recursos educativos e constitua o embrião de um sistema de educação permanente;
-‐ Assegurar as condições para que todos os adultos que o desejem tenham acesso à alfabetização e, progressivamente, aos graus de escolaridade obrigatória; -‐ Assegurar a melhoria da qualidade pedagógica das acções de alfabetização e de educação de base dos adultos” (Ministério da Educação, 1979, p. 84).
O PNAEBA, cuja execução se prolongava por dez anos, previa a criação de redes públicas de educação e formação de adultos, a concessão de apoios, assim como a criação de um Instituto Nacional de Educação de Adultos, metas que acabaram por não ser concretizadas, por falta de investimento e, consequentemente, muito por culpa da “vontade política, os recursos necessários e as próprias dinâmicas organizacionais da respectiva Direcção-‐Geral do Ministério da Educação” (Lima, 2008, p. 40).
De facto, o desafio político de responder às pressões exteriores para criar políticas educativas capazes de combater o elevado nível de analfabetos existentes no país e o significativo atraso de Portugal implicava a criação de condições para incrementar a educação de adultos, enquanto direito social, fundamental para a responsabilidade social e emancipação, mas exigia, sobretudo, vontade política, o que acabou por não acontecer (Melo, 2004).
A não continuidade da atribuição de apoios aos movimentos associativos que foram aparecendo contribuiu para a sua progressiva extinção, que culminou, no final dos anos 1980, com a escolarização da educação de adultos, através da publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86, de 14 de outubro). A educação de adultos surge aqui subordinada a lógicas de formação profissional e gestão de recursos humanos, em resposta às preocupações cada vez mais crescentes com a falta de qualificação dos portugueses, fortemente pressionada por fatores económicos, a que não foi alheia a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia. “Neste documento e na continuação da tradição, a educação de adultos tem um tratamento superficial, disperso e assistemático” (Barbosa, 2004, p. 168).
A Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) criou o ensino recorrente de adultos (artigo 20º) e a educação extraescolar (artigo 23º), não se verificando, contudo, uma
verdadeira articulação entre a educação formal e não formal, nem uma preocupação com as diferentes dimensões da educação de adultos, apesar de esta ser uma das recomendações internacionais emanadas da UNESCO, quer na sua 19ª Conferência Geral, que teve lugar em Nairobi (UNESCO, 1976), quer na IV Conferência Internacional de Educação de Adultos, que decorreu em Paris (UNESCO, 1986). A educação de adultos é, assim, vista como uma educação de segunda oportunidade, não sendo contemplada a intervenção socioeducativa destinada a grupos ou comunidades,
apesar de a LBSE referir que a educação extraescolar visava “favorecer atitudes de
solidariedade social e de participação na vida da comunidade” (artigo 23º), aproximando-‐se apenas conceptualmente dos objetivos subjacentes à educação de adultos.
Apesar da LBSE ter sido publicada em 1986, só em 1991, com a publicação do Decreto-‐Lei nº 74/91, de 9 de fevereiro, é que foi regulamentado o quadro geral de organização e desenvolvimento da educação de adultos, em duas vertentes, o ensino recorrente e a educação extraescolar. De acordo com este Decreto-‐Lei, enquanto o ensino recorrente é considerado “uma modalidade especial de educação escolar”, visando “a obtenção dos certificados e diplomas conferidos pelo ensino regular”, a educação extraescolar “é constituída pelo conjunto das atividades educativas que se processam fora do sistema regular de ensino, através de processos formais e não formais”, podendo vir a ser objeto de reconhecimento e de validação. Contudo, é pouca a importância dada à educação extraescolar, sendo a aposta feita no ensino recorrente, muito dependente do sistema escolar, situação que contribuiu para um afastamento cada vez maior em relação aos princípios e fundamentos que norteiam a educação de adultos. A política educativa portuguesa, com a LBSE, continuou a reproduzir um modelo centralizado, caracterizado pela dependência do sistema escolar, pelo que foi alvo de inúmeras críticas (Lima, 2001).
Com o Decreto-‐Lei n.º 133/93, que aprova a Lei orgânica do Ministério da Educação, a responsabilidade do ensino recorrente passa para o Departamento do Ensino Básico e para o Departamento do Ensino Secundário, de acordo com o nível de ensino, sendo clara a ausência de uma outra estrutura responsável pela educação de adultos. É, de facto, a marginalização da educação de adultos em Portugal (Lima 2008;
Silvestre, 2003), face à inexistência de uma política educativa global, situação que se manteve nas décadas de 1980 e 1990.
Entre 1985 e 1995, tal como previsto na LBSE, foram desenvolvidas inúmeras ações da educação extraescolar e do ensino recorrente de adultos, que acabou por ganhar centralidade. De facto, verificou-‐se a generalização do ensino recorrente a partir de 1988, face à reestruturação do ensino preparatório noturno e do curso geral noturno do ensino secundário, desenvolvidos a partir do Despacho Normativo n.º 73/86, de 25 de agosto. Apostou-‐se, também, na formação vocacional, destinada a contribuir para a qualificação da mão-‐de-‐obra portuguesa, sendo a educação de adultos subordinada ao paradigma escolar (Silva, 1990), o que contribuiu para a sua perda de identidade e consequente retrocesso (CNE, 1997). Estas práticas são, de facto, pouco compatíveis com a educação básica da população adulta e com a necessidade de criar as condições para o aprofundamento da democracia e da cidadania, numa lógica de intervenção comunitária e desenvolvimento local, pois, tal como reforça Lima, “o problema, historicamente persistente, da população adulta está longe de poder ser reduzido a uma questão de qualificação de recursos humanos, tal como a magnitude da questão educativa e da formação de base com que se debate” (Lima, 2008, p. 34).
Este problema foi analisado pela Comissão de Reforma do Sistema Educativo (CRSE), que lançou, em 1988, um relatório intitulado Documentos preparatórios III –
Reorganização do Subsistema de Educação de Adultos (Lima et al., 1988), onde foi
deixado um alerta para esse carácter escolarizante da educação de adultos. Este relatório valorizava o sector extraescolar, tendo em conta a sua abrangência a nível cívico, cultural e socioeducativo. A Comissão de Reforma propôs, por isso, a descentralização da educação de adultos, através do envolvimento das autarquias ou de associações, para além de sugerir a criação de um Instituto Nacional de Educação de Adultos, recomendações que estavam na linha do que era defendido pelo PNAEBA. Os autores deste relatório propuseram, por isso, a criação de um subsistema específico e autónomo, capaz de fomentar uma intervenção socioeducativa, sem pôr de parte todas as outras vertentes da educação de adultos, o que se inseria, tal como refere Barbosa (2004), numa linha humanista-‐comunitária. O Instituto Nacional de Educação
de Adultos foi considerado, neste relatório, uma peça fundamental, pois funcionaria como um centro de investigação e de formação de formadores, o que permitiria colmatar algumas das falhas nesta área, já apontadas pelo Relatório da OCDE, em 1984, nomeadamente no que diz respeito às deficiências ao nível do recrutamento e da formação de professores, bem como à pouca importância que era atribuída à investigação, em Portugal.
Contudo, as recomendações emanadas deste relatório não foram tidas em linha de conta pelos diferentes governos, sendo a educação de adultos posta à margem dos discursos políticos, de uma forma geral. De facto, a não existência de uma política de educação de adultos global e integrada é facilmente comprovada pela análise da legislação criada, até ao final da década de 1990, reveladora de uma grande descontinuidade das linhas políticas educativas, face à facilidade com que se abandonam certas políticas para se implementarem outras (Lima, 2008), o que pode ser visto como forma de controlo e de reprodução social (Melo, 2004).
I. 4.3. A UNIÃO EUROPEIA E O SEU IMPACTO NAS POLÍTICAS PORTUGUESAS