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Após a revisão teórica e análise dos dados coletados na fase qualitativa, deu-se início à fase

quantitativa, quando se optou por trabalhar com a coleta e utilização de dados primários, de

modo a se obter maior consistência empírica/teórica para o modelo. A figura 06 mostra a

sequência de eventos da fase quantitativa desta pesquisa. Tratou-se de um estudo com corte

transversal, pois envolveu a coleta de informações da amostra apenas uma vez. As etapas da

4.5.1 Concepção do questionário

Para o desenvolvimento da fase quantitativa desta pesquisa foi utilizado como instrumento de

coleta de dados um questionário estruturado, autoadministrável e não disfarçado, o qual

contemplou os itens necessários para se mensurar cada um dos construtos propostos pelo

modelo. Foi, ainda, incluído um bloco adicional de perguntas para traçar o perfil demográfico,

a frequência de compra e o comprometimento da renda com a aquisição de peças de vestuário

por parte das respondentes.

Figura 06 – Fase quantitativa – Concepção do questionário

Fonte – Elaborada pela autora da tese.

Como a pesquisa deste estudo prevê o uso de várias técnicas estatísticas uni e multivariadas, a

escala Likert mostrou-se a mais apropriada para captar as diferentes gradações de respostas.

As vantagens mais importantes da escala escolhida são apresentar boas qualidades

psicométricas, ou seja, confiabilidade e validade, ser relativamente fácil de desenvolver e ser

usualmente rápida e fácil de ser respondida (MALHOTRA, 2004). Dentre as possibilidades

existentes em termos de quantidade de pontos em uma escala Likert, optou-se pela escala com

totalmente; 2 = discordo; 3 = nem concordo, nem discordo; 4 = concordo; 5 = concordo

totalmente.

Na construção de uma escala é importante ter cuidado ao estabelecer a quantidade de opções

ou pontos. Não há, segundo Mattar (1994), um número prédeterminado de pontos, mas esse

autor é enfático ao estabelecer que se deve utilizar, no mínimo, três e, no máximo, sete opções

de respostas, argumentando que o uso de mais de sete categorias confunde os respondentes

sem incrementar precisão na medida e, por outro lado, menos de três opções de resposta

inviabiliza qualquer medição. Um outro autor (BABBIE, 2005), também declara sua

preferência pela escala Likert, classificando-a como mais sistemática e refinada e, sequer, cita

a possibilidade de trabalhar com configurações de escalas com mais de sete opções de

resposta.

Segundo Malhotra (2004), duas considerações conflitantes aparecem quando se está decidindo

o número de categorias ou pontos a serem inseridos em uma escala. Se, por um lado, um

número maior de pontos confere maior poder discriminatório ao julgamento a respeito do

objeto avaliado, por outro, a maioria dos respondentes só tem condições de lidar com poucas

categorias, e o autor menciona ainda que o número de pontos recomendável na construção de

uma escala deve situar-se entre cinco e nove.

Um cuidado fundamental a ser tomado na construção de uma escala é que as opções de

resposta tenham o mesmo peso semântico, porém, em direções opostas, ou seja, os adjetivos

utilizados em cada ponto da escala (excetuado o ponto médio) precisam ter a mesma

importância, mas com sentido oposto, no uso comum do idiomados respondentes.

O ponto médio da escala não pode ser negligenciado e, muito menos, omitido. O uso de

profissionais de pesquisa. Importante também é se evitar no ponto médio a utilização de

adjetivos que possam ter interpretação dúbia, como é o caso do termo razoável na língua

portuguesa. Para algumas pessoas, razoável está um pouco acima da média e, para outras, tem

uma conotação próxima a medíocre.

O questionário, composto por um total de 125 quesitos foi dividido em nove seções e se

encontra disponível no APÊNDICE C. Vejam-se as definições adotadas para os construtos

constitutivos de cada seção no quadro 04.

1. Valor funcional/instrumental a. Roupas (dez questões) b. PDV (12 questões) 2. Valor experiencial/hedônico

a. PDV (nove questões) b. Roupas (três questões) c. Atendentes (11 questões)

3. Valor simbólico/expressivo (38 questões) 4. Valor custo/sacrifício (26 questões)

5. Orientação à marca e/ou à moda/nem à marca, nem à moda (11 questões)

6. Dados de classificação das respondentes, ou seja, seus perfis demográficos, frequência de compra e percentual da renda média gasta com vestuário por período (cinco questões).

4.5.2 Realização do pré-teste no questionário quantitativo

O questionário, em sua primeira versão anterior ao pré-teste quantitativo, foi submetido a

quatro especialistas em pesquisas mercadológicas, que avaliaram e identificaram a pertinência

respondida por cinco mulheres de idades e níveis de instrução variados, com o objetivo de

verificar a compreensão dos quesitos e o tempo total de preenchimento do formulário. O

instrumento de coleta de dados demonstrou ser claro para as respondentes no tocante aos seus

propósitos, porém apresentou variações no tempo de preenchimento, de dez a trinta minutos.

Os quatro especialistas e as cinco respondentes foram selecionados utilizando-se o processo

de amostragem por conveniência, conforme é usual. O resultado final dessa etapa de

elaboração do questionário pode ser observado no APÊNDICE C.

4.5.3 Realização de pesquisa-piloto utilizando versão impressa do questionário quantitativo

A realização de uma pesquisa-piloto se mostrou necessária para se verificar a receptividade

das respondentes e a compreensão dos termos empregados no questionário em uma situação

real de coleta de dados (MATTAR, 1996). A pesquisa-piloto foi realizada em novembro de

2011, em uma instituição de ensino superior, com alunas de diferentes cursos de

especialização em gestão de empresas, totalizando 118 indivíduos. O critério de seleção

destes foi o não-probabilístico, prevalecendo a conveniência a partir da facilidade de acesso

da pesquisadora aos respondentes.

A aplicação da pesquisa-piloto foi feita utilizando-se a mesma forma de preenchimento

pretendida na pesquisa, ou seja, por meio de um questionário autoadministrável. Nessa etapa,

os questionários foram entregues impressos, em formato de livreto, sendo que o tempo de

resposta variou entre dez e vinte minutos.

4.5.4 Validação estatística dos quesitos e adaptação do questionário quantitativo

Chegou-se à versão final do questionário após a validação estatística efetuada nas escalas

múltiplas relacionadas aos construtos componentes deste estudo. Essa versão, a mesma que

vestuário e encontra-se disponível no APÊNDICE D, e os resultados das análises efetuadas

nessa etapa serão descritas no capítulo 5.

De acordo com Hair et al. (2009), uma escala múltipla apresenta dois benefícios específicos:

Em uma primeira instância, fornece um meio de minimizar consideravelmente o erro de

medida inerente a todas as variáveis mensuradas. O erro de medida é o grau em que os valores

observados não são representativos dos valores reais devido a diversas razões que variam de

erros reais à falta de habilidade dos indivíduos em fornecerem informações precisas.

Um segundo benefício do uso de uma escala múltipla é sua habilidade em representar os

variados aspectos de um conceito com uma única medida. Muitas vezes, emprega-se maior

quantidade de variáveis nos modelos multivariados como uma tentativa de representar as

muitas facetas de um conceito. Entretanto, ao se fazer isso, torna-se mais complexa a

interpretação dos resultados por causa da redundância existente nos itens associados ao

conceito. Logo, o ideal é, não apenas acomodar as descrições mais ricas de conceitos usando

múltiplas variáveis, mas também se manter a parcimônia no número de variáveis nos

modelos multivariados. A escala múltipla, quando corretamente construída, combina os

diversos indicadores em uma só medida que representa o que realmente aconteceu em

comum naquele conjunto de medidas. Nas análises estatísticas efetuadas a posteriori, foram

utilizados os escores fatoriais para reduzir os itens da escala múltipla a uma única medida.

4.5.5 Construtos: definição conceitual, confiabilidade, validade e unidimensionalidade

De acordo com Hair et al. (2009), existem quatro questões básicas para a construção e a

validação de qualquer escala múltipla: definição conceitual, dimensionalidade, confiabilidade

e validade. Portanto, para efeito de adquirir um melhor entendimento sobre os termos

Definição conceitual – Especifica a base teórica para a escala múltipla, descrevendo o

conceito a ser representado em termos aplicáveis ao contexto da pesquisa.

Confiabilidade – É a avaliação sobre o grau de consistência entre as diversas medidas

envolvidas em uma escala múltipla. De acordo com Hair et al. (2009), a confiabilidade é o

grau em que uma variável, ou conjunto de variáveis, é consistente com aquilo que se pretende

medir. Caso múltiplas rodadas de medições forem levadas a efeito, as medidas confiáveis

serão muito consistentes entre si em seus valores. É, portanto, diferente da noção de validade

no sentido de que esta não se relaciona com o que está sendo medido, mas ao modo como o

foi. Por consequência...

Validade – É a extensão em que uma medida, ou conjunto de medidas, representa

corretamente o conceito estudado, ou seja, o grau em que se está livre do erro sistemático ou

não-aleatório. A validade refere-se a quão o conceito é bem definido pela(s) medida(s)

adotadas, enquanto que a confiabilidade se refere à consistência dessa(s) medida(s) (HAIR et

al., 2009).

Unidimensionalidade – Uma suposição inerente e exigência essencial para a criação de uma

escala múltipla é que os itens sejam unidimensionais, significando que eles estejam

fortemente associados uns aos outros e representem o mesmo conceito, ou seja, que exibam

características de um conjunto de indicadores que tenham apenas um traço inerente ou

conceito em comum. Da combinação entre os indicadores escolhidos e a definição teórica do

construto unidimensional, o pesquisador deve estabelecer, conceitual e empiricamente, que os

indicadores sejam medidas confiáveis e válidas, somente para o construto especificado, antes

de estabelecer a unidimensionalidade. É semelhante ao conceito de confiabilidade (HAIR et

O software utilizado, não só nessa análise, como em todos os procedimentos estatístico e, em

especial, nos testes de hipóteses, foi o “R” versão 2.11.1, cujos detalhes de funcionamento

encontram-se em < http://www.R-project.org >.

Ao final das análises, uma série de itens foi retirada do instrumento original. Maiores detalhes

podem ser vistos no capítulo 5, tópico 5.2 Resultados da pesquisa-piloto quantitativa.

4.5.6 Realização da survey

A coleta de dados foi efetuada por meio do autopreenchimento de um questionário, por parte

das respondentes, construído em forma de um formulário eletrônico especialmente criado para

esta pesquisa. Essa opção fundamenta-se na eliminação do custo de remuneração de

entrevistadores, na expressiva redução no prazo de coleta de dados e na comodidade para as

respondentes, que puderam escolher o melhor momento para preencherem o questionário.

O modelo de questionário da survey foi disponibilizado por meio da criação de um link na

web (imagens de todas as páginas do link estão disponíveis no APÊNDICE D), enviado às

potenciais respondentes por e-mail, em dezembro de 2011 (modelo do convite à participação

na pesquisa encontra-se disponível no APÊNDICE E).

Tabela 01

Quantidade de questionários preenchidos Questionários Total

Completos 836

Incompletos 173

Total 1009

Fonte – Elaborada pela autora da tese.

O cadastro inicial nessa etapa foi composto por um mailing com 435 potenciais respondentes,

exclusivamente do sexo feminino, domiciliadas em Belo Horizonte, as quais foram

convidadas a participar da pesquisa e também a reenviarem o link para outras mulheres de

todos os questionários foram preenchidos integralmente, resultando, então, em eliminação dos

incompletos, restando 836 questionários válidos (tabela 01). O processo amostral, portanto,

pode ser descrito como não-probabilístico, por conveniência e também autogerado, na medida

em que elementos amostrais poderiam indicar outros para também preencherem o instrumento

de coleta.

Com o objetivo de minimizar o baixo retorno habitualmente envolvido nesse procedimento de

remessa de questionários via e-mail ou pelo correio, foram enviados, também por e-mail,

lembretes ao convite inicial, os quais foram remetidos nas duas semanas consecutivas ao

primeiro envio. O texto da mensagem de follow up ao preenchimento do formulário eletrônico

encontra-se no APÊNDICE F. Foi oferecido, como forma de incentivo a respostas, o envio de

um sumário com os principais resultados da pesquisa. Para tal, as interessadas deveriam

cadastrar seus e-mails em um campo específico disponível ao final do questionário. 368

respondentes solicitaram o sumário, o que se constitui num indicador do interesse despertado

pelos resultados da pesquisa.

Benzer Belgeler