2.5. Halk Müziğinde Tavır
2.5.1. Bağlamada Tavır
De outro lado, existe a rádio especializada que como o próprio nome sugere, caracteriza-se pela setorização dos conteúdos e pela segmentação da audiência. Esse tipo de emissora nasce, nos Estados Unidos, num contexto de diversificação técnica, de mercado e de público. Segundo Martí Martí (2004), as causas de seu surgimento são: a implantação do FM como suporte de difusão; a crise do modelo de programação generalista clássico; o aumento exponencial do número de emissoras e, a consequente fragmentação do mercado publicitário; e, a vinculação direta com o fenômeno global do consumo (produzido a partir dos anos de 1950), segundo o qual os hábitos se segmentam entre a população e, a partir disso se reconhece uma série de grupos diferenciados por um conjunto de características psicossociais e de hábitos.
Neste contexto, Ferraretto (2013), aponta para a necessidade de uma delimitação clara entre segmento e formato, no intuído de compreender a identidade de uma emissora e, assim, poder construir um planejamento estratégico para o negócio. O autor (2013, p. 53) afirma, entretanto, que é, somente a partir da metade da década de 1980 que a segmentação é uma realidade pensada em termos de competitividade no mercado publicitário. Segmentar “significa oferecer um serviço com destinatário definido, buscando também anunciantes adequados a esses ouvintes específicos”. Para definir este público-alvo vários fatores devem ser levados em consideração, desde os aspectos mais genéricos como geográficos, demográficos e socioeconômicos até os mais específicos como padrões de consumo, benefícios procurados,
129 estilos de vida e tipos de personalidade, indica Ferraretto (2013). Deste modo, a segmentação é o processo de conciliar os anseios e as necessidades do emissor e do receptor, resultando em uma programação dirigida a uma audiência determinada. O autor lista quatro segmentos que acredita ser de fácil identificação no mercado brasileiro: 1) jornalístico; 2) popular; 3) musical; e 4) religioso.
Para Pedrero Esteban (2004, p. 72), também, é importante uma rádio especializada, seja temática ou de formato fechado, considerar o segmento ao qual se dirige.
[...] um modelo de programação com um desenho claro, coerente e bem identificado segmenta audiências compactas e reconhecíveis segundo determinadas propriedades sociais (idade, sexo, classe social, nível cultural, hábitos de consumo e entretenimento...), e supõe um eficaz veículo publicitário capaz de competir com meios de comunicação dirigidos a públicos menos definidos.
Desde modo, é a segmentação que determina como será a especialização de uma emissora. Esta irá atender aos interesses, preferências e necessidades do público-alvo – um grupo humano que se comporta social e culturalmente de modo parecido, e que se pode medir de acordo com traços comuns de ocupação, religião, idioma, estilo de vida, etc. Assim, os conteúdos são estabelecidos segundo os propósitos da segmentação, em duas categorias, ressalta Pedrero Esteban (2004). Os centros de interesse que são todos aqueles conteúdos não musicais, baseados na palavra, não importando quais sejam os gêneros, a estrutura ou a duração dos programas. Sob esta categoria estão as especializações informativas e de difusão. E as preferências musicais que foram instituídas desde a criação do rádio. Existem praticamente ilimitadas opções de segmentação de acordo com os repertórios musicais.
Portanto, o conteúdo é a principal categoria distintiva de uma emissora especializada, que pode ser temática ou de formato fechado. Esta subdivisão resulta numa programação tão mais ampla ou concreta, conforme sejam estabelecidos os propósitos de segmentação, explica Pedrero Esteban (2004). As rádios temáticas possuem um conteúdo único ou target de audiência bem
130 definido. Os principais tipos temáticos, segundo o autor, são o musical, econômico, cultural educativo, religioso e étnico. Contudo, o que diferencia, realmente, uma rádio temática de uma de formato fechado não é apenas o conteúdo, mas também sua estrutura de programação. A emissora temática tem uma estrutura semelhante à generalista, “em ambas se recorre à divisão da grade em programas independentes, embora na rádio especializada todos os conteúdos mantenham relação temática ou em virtude do público ao qual se dirigem” (PEDRERO ESTEBAN, 2004, p. 99).
Já a rádio especializada de formato fechado é o submodelo mais utilizado no sistema de radiodifusão comercial, principalmente em mercados muito competitivos e com abundância de oferta, destaca Martí Martí (2004). Caracteriza-se por segmentar os ouvintes em função de gostos bem específicos e oferecer-lhes uma satisfação imediata de suas demandas. “[...] é o modelo de programação em que a grade é substituída por um relógio, quer dizer, em uma espécie de sequência estrutural de programação que vai se repedindo continuamente a cada hora, a cada dia e nos 365 dias do ano”, define Martí Martí (2004, p. 35). Entra-se, assim, no conceito de formato que é aquele modelo de programação radiofônica especializado na emissão, constante e reiterada, de um ou vários conteúdos prioritários, como por exemplo, música, informação, esporte, saúde, explica Moreno Moreno (2004).
O formato Todo Noticias tem como conteúdo fundamental a atualidade informativa mais imediata, as informações de serviço e interesse público, os temas de interesse da atualidade social e cultural e, ainda, informações sobre esporte, conforme Moreno Moreno (2004). Em relação à organização deste conteúdo, no formato, a autora descreve que a maioria inclui boletins informativos nas horas cheias e a cada meia hora ou 15 minutos emissões noticiosas mais curtas e repetidas. O objetivo do formato informativo é oferecer a atualidade jornalística do momento de maneira constante e permanente no tempo para criar um relato noticioso reiterativo.
Ferraretto (2013), explica que o formato está relacionado ao segmento de audiência que a estação deseja atingir. O formato diz respeito ao modo de
131 organizar os programas e/ou conteúdos específicos que irão constituir a programação destinada a um público-alvo.
[...] em uma emissora de rádio, o processo de formatação engloba simultaneamente: (1) a demarcação da sua linha de programação, uma ideia geral dos padrões de conteúdo e de forma em relação ao conjunto de mensagens que se prevê que sejam transmitidas aos ouvintes; (2) a modelagem interna de cada programa; e (3) a adequação destes à grade horária, tanto do dia em si quanto da semana (FERRARETTO, 2013, p. 57).
O autor ressalta, ainda, a importância do formato num período de enorme e variada oferta de conteúdos. “Atingir um segmento com um programa ou com uma programação representa, desse modo, a orientação do produto final por um formato determinado” (2013, p. 57). Assim, em última análise, acertar na escolha e planejamento do formato deverá render à emissora maior audiência e, por consequência, mais lucratividade. Betti e Meditsch (2008, p. 02) acrescentam que a programação jornalística “se consolidou como um importante formato dentro do mercado radiofônico brasileiro e, apesar dos seus altos custos, também se tornou um dos mais lucrativos”. Neste sentido, a concorrência entre as emissoras informativas, nos grandes centros, levou à procura de modelos aperfeiçoados de programação, ressaltam. Betti e Meditsch (2008, p. 03), também apontam para a importante relação entre formato e segmento.
Ao adotar um formato informativo, a emissora convenciona com um determinado público, interessado no gênero, que é uma freqüência especializada em fornecer informações. E, em conseqüência disso, independente das variações que incorpore estrategicamente na programação [...], assume os valores profissionais do jornalismo como critério predominante na programação: o público será por ela informado de qualquer acontecimento cuja relevância o justifique, a qualquer momento da emissão.
Assim, o formato é considerado, por Betti e Meditsch (2008, p.03), como o primeiro nível do enunciado, ou seja, a expressão sonora de caráter geral manifestada por um conjunto de ações, organizadas de forma intencional que serão identificados por uma audiência. A partir do formato irá se estruturar o segundo nível do enunciado, expresso na grade de programas ou programação. A grade determina a estratégia da emissora, “o próprio que lhe
132 permite dominar os acontecimentos exteriores e submetê-los a uma rotina de produção”. A grade de programas é única em cada emissora, ela é montada em função de um tempo social e, de seu impacto sobre a organização da vida dos vários grupos humanos, portanto, por esta lógica os programas têm gêneros, horários e durações específicos e pré-determinados.
Todavia, a lógica da grade de programação baseada no mútuo compromisso entre emissora e ouvinte vai sendo deixada de lado pela grande competitividade e pelas mudanças de comportamento do público. Desde modo, segundo Betti e Meditsch (2008, p.04) as emissoras mantêm apenas as unidades com maior sucesso que passam a ser estendidas, tanto no tempo quanto na abrangência, de modo a prolongar ao máximo a duração do compromisso e adiar o seu termino. “Estes programas, antes contados em minutos, passaram a ter várias horas ou, em outros casos, foram desdobrados em inúmeras edições diárias”, apontam os autores. Apresenta-se, assim, uma nova lógica de dispor o programa e sua temporalidade, de forma continua e redundante.
A transformação representa uma mudança na estratégia discursiva que pode ser captada por duas tendências paralelas: "a perda de coesão da unidade temporal isolada da programação (o programa) e a redução progressiva dos intervalos e das marcas de separação entre uma e outra unidade temporal". A estratégia sofre "um deslocamento significativo de um conceito de sequência como programação para um conceito de sequência como fluxo" (SEMPRINI, 1994:30) (apudBETTI; MEDITSCH, 2008, p.04).
Da grade generalista de programação ao fluxo contínuo de informação, portanto, existe uma série de mudanças de estratégia discursiva que não implicam na desorganização das unidades temporais, mas num rearranjo da situação comunicativa. A nova estratégia reconhece que não é possível acompanhar as disponibilidades temporais de consumo do público e, portanto, fragmenta o tempo de consumo. Essas novas possibilidades de ofertas radiofônicas impõem uma nova concorrência entre as emissoras resultando, desta forma, numa divisão cada vez maior do formato informativo. Para Betti e Meditsch (2008, p.05-06) “a seleção de conteúdos tende então para uma homogeneização temática, com ênfase na redundância e na continuidade, tomando o caminho de um jornalismo cada vez mais especializado”.
133 Neste contexto, Ferraretto (2013), problematiza a ideia de formatação da programação, ressaltando que existe uma imensa diversidade de possíveis combinações e, adapta a tipologia dos formatos norte-americanos para o mercado brasileiro. O autor classifica 10 formatos de programação51 de
emissoras no país. Dentro do segmento jornalístico existem vários formatos, que foram agrupados.
(1) “All-news, all-talk, talk-news e news plus”: tais formatos, baseados de modo exclusivo em notícias — all-news —, preponderantemente na conversa — all-talk — ou derivados destes — talk-news e news plus –, possuem correspondentes no Brasil nos segmentos jornalístico e popular. Cabe observar que, em sua origem, o all-news apresentava uma sequência contínua de irradiação de notícias na forma de textos e reportagens, repetidas e atualizadas em períodos de tempo variando de 7 a 30 minutos. Já o all-talk, também conhecido como talk radio, envolvia programas com participação do ouvinte, que era instado a opinar a respeito de assuntos de atualidade.
Aqui, as emissoras dedicadas 24 horas por dia à notícia, mesmo que se assumindo como all-news ou apenas news, em realidade, desenvolveram um formato intermediário mais próximo do talk-news (FERRARETTO, 2013, p.59).
Além do formato (1) que define as rádios Gaúcha de Porto Alegre e, CBN de São Paulo, cabe destacar aqui, o formato (8) já que a rádio Gazeta de Santa Cruz do Sul, a outra das emissoras analisadas neste estudo pode ser qualificada como eclética.
(8) “Eclético”: típico das emissoras brasileiras de centros urbanos de menor porte que optam por segmentar suas programações por horário. [...] Constitui-se em um conjunto de programas buscando agradar a vários tipos de ouvinte. Por exemplo, entre as 6h e as 8h, ocorrem emissões para um público bem genérico, com informações para quem está acordando, entremeadas, não raro, por músicas. Na sequência, entram programas jornalísticos abordando os principais fatos do município e da região, voltados aos formadores locais de opinião. É o espaço em que [...] personalidades do município concedem entrevistas ou participam de mesas-redondas. Parte da manhã ou da tarde, no entanto, é preenchida por comunicadores populares, com a emissora procurando atingir, desse modo, as classes C e D. Além disso, a programação pode incluir música, transmissões esportivas locais e, mesmo, espaços terceirizados [...] (FERRARETTO, 2013, p.62).
51 Além dos dois citados, o autor divide os formatos em: (2) Adulto contemporâneo, (3) Country, jazz,
pop, rock e outros formatos por gênero musical, (4) Beautiful music, easy music ou golden music, (5) Contemporary hit radio ou Top 40, (6) Clássico, (7) Flashback, (9) Religioso e (10) Serviço.
134 A rádio Gazeta apresenta uma programação de formato eclético, do que se pode compreender de acordo com a classificação do autor. A emissora está localizada numa cidade pequena, seus programas estão divididos por faixas horárias e visa atingir a população local e, ainda, os municípios vizinhos. No bloco da manhã transmite, predominantemente, informações de atualidade através de noticiários, entrevistas e comentários; à tarde a programação tem um pouco de informação, mesclada com música, embalada por comunicadores populares e, também, realiza uma cobertura esportiva bastante intensa.
Moreno Moreno (2004, p. 103), reitera a ideia de complementaridade entre formato e segmento. O formato fechado apresenta “uma programação especializada que satisfaz, de maneira constante e pontual, as preferências de conteúdos radiofônicos de um público alvo, caracterizado por um estilo de vida particular, previamente identificado pela emissora”. Os tipos de formato, propostos pela autora são apenas três, o musical, o Todo Noticias e o música e notícias. Destes três, o modelo de programação radiofônica Todo Noticias, ou informativo, ou, ainda, all-news e talk-news, conforme Ferraretto (2013), tem maior relevância para a presente pesquisa, pois duas das rádios estudadas, classificam-se desta maneira. A rádio Gaúcha de Porto Alegre assume o formato híbrido de sua programação talk-news, com noticiários, entrevistas, reportagens, debates, programas especializados, quadros de serviço e jornadas esportivas. Já a CBN de São Paulo se denomina all-news, embora tenha muito de conteúdo talk, segundo o autor, pois, além dos noticiários, apresenta entrevistas, comentários, programas especializados, serviço e reportagens.
O formato jornalístico, de modo geral, possui programações informativas que são constituídas de diferentes tipos de programas e, no interior destes, se identifica vários gêneros radiofônicos. Cebrián Herreros (1995, p. 443) define “programa radiofônico como um conjunto de conteúdos sistematizados em torno de um título, dentro de uma duração determinada, conforme uma unidade e coerência de tratamento, estrutura e tempo para ser difundidos numa programação”. Conforme o autor, o programa radiofônico: adquire um perfil próprio de acordo com o tratamento que lhe é dado a partir de alguns ou vários
135 gêneros informativos; é a demonstração de uma parte da programação, mas aparece integrado a ela; e visa combinar a informação, com a formação e, o entretenimento. “O programa informativo é um híbrido entre o atrativo, ou diversional e a seriedade do importante” (p. 445). Também, neste sentido, Ferraretto (2013, p. 64) indica que o programa é o conteúdo em si da programação de uma emissora. Transmitido ao vivo, gravado ou utilizando as duas formas, “ele se constitui em um todo coeso e independente dentro do conjunto das emissões”. Barbosa Filho (2003) sugere que o programa é a unidade básica de informação radiofônica, ela obedece a um planejamento e as regras de utilização dos elementos sonoros.
Os programas radiofônicos podem ser classificados, segundo Ferraretto (2013) em 10 tipos, e entre estes, algumas subdivisões: (1) “Noticiários”, subdividido em síntese noticiosa, radiojornal e informativo especializado; (2) “Programa de entrevista”; (3) “Programa de opinião”; (4) “Programa de participação do ouvinte”; (5) “Mesa-redonda”, pode ser de dois tipos: (a) painel e (b) debate; (6) “Jornada esportiva”; (7) “Documentário”; (8) “Radiorrevista ou programa de variedades”; (9) “Programa humorístico”; e (10) “Programa musical”. Os programas (na maioria) informativos são, portanto, módulos planejados e coerentes, que em sequência configuram a programação. Contudo, cada programa é formado por um ou vários gêneros radiofônicos.