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Segundo Legorburu (2004, p. 48), o modelo de programação da rádio generalista “oferece espaços variados e diferenciados ao longo da jornada, adaptados a todo o momento aos hábitos e as situações sociolaborais de sua audiência potencial”. Ela se caracteriza pela variedade de conteúdos, de gêneros, de programas – embora o magazine50 seja o principal – pela

distribuição dos programas de acordo com os níveis de audiência, definidos em segmentos horários que se estabelecem em função dos hábitos de escuta e pela audiência heterogênea e ampla, completa o autor. O eixo de condução da programação generalista é a informação de atualidade. Legorburu (2004) chama a atenção que a informação, constante e imediata, é reflexo de características radiofônicas clássicas como rapidez, imediatismo, instantaneidade e simultaneidade.

50 Utilizar-se-á a expressão magazine, do espanhol, sem a tradução para o português, porque acredita-se

que os gêneros radiofônicos, programa de variedades ou radiorrevista, seus correspondentes numa classificação geral na literatura brasileira não dão conta da conceituação que autores espanhóis como Cebrián Herreros (1995), Legorburu (2004) e Martínez-Costa e Herrera (2007) trazem.

123 Martí Martí (2004) observa que o grande aumento na oferta de emissoras nas últimas décadas resultou na evolução de sua estrutura clássica, surgindo três submodelos de rádio generalista, denominados: mosaico, blocos e continuidade. Cebrián Herreros (1995), também, divide a programação, segundo sua estrutura, nestas três modalidades. Já Ferraretto (2013) utiliza outra nomenclatura para identificar os três tipos básicos de programação radiofônica existentes no Brasil: em mosaico; linear; e em fluxo. O autor atualiza os conceitos anteriores (FERRARETTO, 2007), principalmente no que diz respeito a tipologia empregada, como exemplo, para os dias de hoje.

A programação em mosaico é a combinação de programas de curta duração que unidos a outros criam pequenos mosaicos, caracterizando a estrutura programática geral e, a única continuidade entre eles é a sequencialidade. Conforme Cebrián Herreros (1995, p. 427), “a informação, também, é programada como um mosaico, sobre horas determinadas e sem qualquer ligação com os narradores, nem com os conteúdos dos programas anteriores ou posteriores”. Martí Martí (2004, p. 30) ressalta que no submodelo mosaico as variantes vão dos tipos de programas às atribuições. “A grade, diária e semanal, é integrada por diferentes gêneros de programas, os quais cumprem, basicamente, funções informativas, de entretenimento e de participação”. A estrutura em mosaico é a que mais conserva os traços da programação generalista clássica. A programação em mosaico, adaptada à realidade do país, segundo Ferraretto (2013, p. 64) é mais “usual em pequenas estações de formato eclético e localizadas em cidades de menor porte, englobando um conjunto de conteúdos extremamente variados e diferenciados, na prática, segmentados por horários”.

A programação de blocos é aquela em que os períodos de programação se ampliam para além dos pequenos espaços particulares. Segundo Cebrián Herreros (1995), um coordenador é responsável por fornecer certa unidade e coerência à diversidade de conteúdos e temas a serem discutidos dentro do bloco. A informação de atualidade imediata se integra como um microespaço a mais, ou mesmo, de forma permanente para ser tratada em profundidade. A estrutura da programação do submodelo de blocos leva em consideração os hábitos de escuta da audiência como item fundamental para dar forma a grade,

124 salienta Martí Martí (2004). Assim, determinados os segmentos de programação, eles se cumprem com alguns poucos programas de longa duração. Na modalidade de blocos o gênero predominante é o magazine, com uma estrutura flexível e versátil, admite a existência de programas de longa duração. Ferraretto (2013, p. 64) chama de linear essa programação “com conteúdos mais homogêneos, que seguem um formato claro e definido, no qual as partes podem se diferenciar um pouco entre si, havendo, no entanto, uma harmonia entre elas”. Conforme o autor é o tipo mais frequente nas grandes emissoras brasileiras.

“A informação, imediata e permanente, procedente do exterior ou provocada pela própria estação constitui o elemento condutor da programação” em continuidade, explica Cebrián Herreros (1995, p. 427). A estrutura da programação é aberta a qualquer informação de interesse que chegue à emissora e, ainda, permite o acompanhamento dela à medida que novos dados se tornam conhecidos. De acordo com Martí Martí (2004, p. 32) o submodelo de continuidade tem sua estrutura de programação dirigida a alguns programas de grande aceitação que se realizam nos horários de maior audiência. Nos horários nobres da manhã e da tarde se oferecem os programas importantes, que constituem o eixo central da proposta radiofônica “[...] e o resto da jornada se cobre com espaços de baixo custo, normalmente, de música e palavra, ou seja, sem muitas complicações”. Para Ferraretto (2013) a programação em fluxo é aquela adotada ou pelas emissoras de formato all-news, a exemplo dos Estados Unidos, ou nas de segmento musical, pois a característica é a emissão constante de um conteúdo, seja informação ou música.

A elaboração da grade, na emissora generalista, deve unir variedade com equilíbrio, distribuindo os conteúdos de acordo com seus públicos e, ainda, definidos por segmentos horários, aponta Legorburu (2004, p. 49), resultando assim, de um lado “os espaços da audiência massiva e, de outro, os pequenos programas especializados, com um número limitado de ouvintes, ainda que importantes do ponto de vista da atenção e serviço à audiência e da captação de determinados recursos publicitários”. O autor conceitua grade de programação como o adequado planejamento dos vários elementos que

125 condicionam a organização dos programas como: a linha editorial e a identidade da emissora; os recursos técnicos e humanos de que dispõe; e o tempo dedicado a participação do ouvinte.

A grade é o esquema ou estrutura onde aparecem os programas e suas horas de emissão ao longo de uma semana, se constituem em função dos hábitos da audiência majoritária que, por si mesma, é ampla e heterogênea. Os diferentes espaços se adaptam ao ritmo horário da audiência, com durações que oscilam entre frações de uma hora, sessenta minutos completos ou várias horas (LEGORBURU, 2004, p. 49).

A grade de emissão de uma rádio generalista é dividida em cinco grandes blocos de horários, segundo os hábitos sociolaborais da população, mas, também, para evitar a fragmentação excessiva dos espaços, gerando continuidade e acumulando audiência. São eles: manhã; meio-dia; tarde; noite; e madrugada, conforme Legorburu (2004). Na divisão do autor a manhã é o bloco de horário das 6h às 12h/13h; o meio-dia se estende das 12h/13h até 16h; o bloco horário da tarde é formado a partir das 16h até 20h/21h; a noite começa entre 20h/21h e se estende até 24h; e o segmento da madrugada começa em torno de 1h:30 e se prolonga até 6h. Já Cebrián Herreros (1995), preocupa-se em organizar a programação radiofônica em três grandes blocos, segundo seus conteúdos, que são as macrounidades, as unidades e as microunidades. As macrounidades abrangem conteúdos muito amplos, englobando vários programas com uma cadência determinada. Caracteriza-se pela organização dos conteúdos de maneira continua. O autor apresenta essa continuidade de três modos: as macrounidades cíclicas; as seriadas e as intermitentes.

As macrounidades cíclicas são a organização da estrutura do conteúdo de modo que se repita a cada certo tempo, geralmente a cada semana, mantendo o planejamento, os apresentadores e abordagens, modificando apenas o conteúdo específico. Portanto, toda programação é projetada conforme esta macrounidade cíclica, aponta Cebrián Herreros (1995, p. 424). Desta forma, o público sabe de antemão o que vai ao ar toda segunda-feira, em determinada hora, e, nos outros dias da semana. “A programação se consolidada pela sua reiteração e, também, busca a renovação e a

126 recuperação de seu atrativo pela variação dos conteúdos específicos”. As macrounidades seriadas são os conteúdos com uma forma estruturada, homogênea e coerente, que são apresentados com uma continuidade de um dia para o outro ou de uma semana para outra, por exemplo, uma série de reportagens ou programa de ficção veiculado por capítulos, segundo Cebrián Herreros (1995). As macrounidades intermitentes se referem, especificamente, à notícia. Os conteúdos surgem de forma descontínua durante a programação do dia e são incorporados aos noticiários, boletins informativos e, inclusive, a outros programas. É o acompanhamento de notícias ou eventos de grande interesse que pode interromper a programação prevista sempre que o acontecimento exigir, assinala o autor.

A programação de uma estação generalista é composta de programas. “O programa radiofônico é um conjunto de conteúdos, diferenciados do discurso radiofônico, dotado de uma estrutura própria e diferenciada, assim como de uma duração concreta” (LEGORBURU, 2004, p. 61). Ele se distingue, ainda, por ter temporalidade, limitação de tempo, periodicidade e nome ou título. O autor agrupa os programas em magazines, programas informativos, programas esportivos e outros programas como musicais, formativos, dramáticos, de entretenimento e especializados. O magazine é o programa mais usado nos dias atuais na programação generalista, de acordo com Legorburu (2004). “O magazine constitui uma modalidade de programa em que se combina informação e opinião com entretenimento e espetáculo. [...] não é um programa exclusivamente informativo, embora haja um enorme predomínio de referencias à atualidade [...]” define Legorburu (2004, p. 61). O grande desafio para todo o magazine é oferecer sob a cobertura de uma unidade coerente a maior variedade possível de temas, vozes e situações. Bem por isso, alerta Cebrián Herreros (1995), existe o risco da variedade de conteúdos se misturarem, confusamente, se não tiver um eixo de condução ou um âncora que saiba dar coerência ao programa.

O magazine se apresenta, também, como um exemplo claro de um novo enfoque do rádio informativo, quer dizer, passa-se da tradicional programação de notícias para a programação de informação, ou da rádio de notícias à rádio de informação. O objetivo é aprofundar os fatos. A rádio de notícias apenas fornece alguns dados dos fatos em

127 poucos minutos, todos, obviamente, insuficiente. [...] Ela não pode ser a rádio que dá a notícia, mas que não informa. A informação requer uma maior contextualização, análise e comentário. O rádio tem se orientado neste sentido especialmente com o programa magazine (CEBRIÁN HERREROS, 1995, p. 482).

É possível observar, pelas palavras do autor, a ideia de que o magazine representava já naquele momento uma expansão do formato jornalístico –

Todo Noticias (que havia iniciado há apenas três anos na Espanha), ainda que

dentro do rádio generalista. O conceito de magazine é importante por se tratar de um tipo de programa de longa duração, onde os temas podem ser abordados em profundidade e, por reunir informação, opinião e entretenimento têm grande potencial de audiência. É a soma destes fatores que fazem Legorburu (2004) e Cebrián Herreros (1995) ressaltarem que este tipo de programa tem um papel central em uma emissora generalista.

Neste contexto, acrescentam-se, aqui, as outras duas formas de organizar os conteúdos, dentro da programação, formuladas por Cebrián Herreros (1995) que vai ao encontro das concepções sobre programa apresentadas por Legorburu (2004). As unidades de programas e as microunidades programáticas formam estruturas de conteúdos mais reduzidas, salienta Cebrián Herreros (1995). A primeira são os programas propriamente ditos considerados como unidades fechadas e consistentes. “Têm uma duração e uma concepção global unitária e, portanto, sujeitas a um ritmo. Cada unidade considerada isoladamente pode ter uma duração diferente”, explica o autor (1995, p. 425). Existem programas de cinco minutos como os boletins informativos de hora em hora, os programas de meia hora, em geral, os radiojornais e outros de três horas como os programas informativos da manhã.

Já as microunidades programáticas podem ser consideradas como se fossem pequenos programas dentro de um maior. Em alguns programas, é possível incorporar outros conteúdos, com certa autonomia e suficientemente diferenciados na forma, para reconhecê-los como uma unidade. Eles geralmente aparecem nos magazines ou nos noticiários. Para um maior reconhecimento de sua identidade unitária, muitas vezes têm um apresentador próprio, mas não tem autonomia suficiente para ser considerado um programa,

128 assinala Cebrián Herreros (1995). Quadros fixos dentro dos programas como comentário econômico, opinião do ouvinte sobre o assunto do dia (gravado) e, também, a ascensão do gênero utilitário, conforme Lucht (2010), como as condições do trânsito, previsão do tempo e a cotação das bolsas de valores e das principais moedas estrangeiras, podem ser exemplos de microunidades programáticas.

Benzer Belgeler