IV. BÖLÜM
5. SONUÇ TARTIġMA VE ÖNERĠLER
5.3. ÖNERĠLER
5.3.3. Üçüncü alt probleme yönelik öneriler
A emissora especializada de formato fechado Todo Noticias, como descreve Moreno Moreno (2004), ou all-news e talk-news, conforme Ferraretto (2013), vai ao encontro do que Meditsch (1999) designa de rádio informativo. A transposição da atividade jornalística para o suporte radiofônico gerou modificações de tal ordem que o termo radiojornalismo não é capaz de traduzir, explica Meditsch (1999). “A rádio informativa não é apenas um novo canal para a mesma mensagem do jornalismo, é também um jornalismo novo, qualitativamente diferente, e a designação diversa procura dar conta desta transformação” (MEDITSCH, 1999, p. 20). O autor faz referencia a Faus Belau para dizer que o rádio informativo alarga o conceito de radiojornalismo, pois traz uma maior profundidade se comparada à programação tradicional de notícias. Meditsch ressalta que o rádio como meio de informação é capaz de alcançar áreas que são impensáveis para o jornalismo impresso, por isso o termo radiojornalismo não é adequado, pois ele está adaptado para uma base material que não é a sua.
A rádio informativa fala de coisas que anteriormente não eram notícia (a hora certa, por exemplo), e revoluciona a ideia da reportagem com as transmissões ao vivo. Aprofunda e contrapõe idéias e opiniões com facilidade e orienta as massas urbanas como o cão de um cego. Põe em contato os mais remotos sítios do interior e concede espaço para o receptor se manifestar como nenhum outro meio (MEDITSCH, 1999, p. 21).
Sendo assim, a definição de rádio informativo amplia a noção de radiojornalismo no sentido que abrange toda a atividade jornalística de rádio
142 mais as especificidades que foram desenvolvidas com o amadurecimento do meio. Meditsch (1999) aponta que a noção de rádio informativo é uma evolução da própria história do rádio. Na década de 1950 com o fim da programação do veículo como espetáculo, que passa a ser da televisão, o rádio começa a se dedicar à informação e à utilidade pública. Vários autores se preocuparam em descrever as mudanças ocorridas no radiojornalismo a partir deste período54,
de onde se pode observar que a informação não só ganha espaço, quantitativamente, como há um aprofundamento da sua abordagem.
Em seu artigo, Zuculoto (2011) expõe as transformações no modelo de notícia ao longo do tempo. No começo a notícia era apenas cópia dos jornais impressos, até que o Repórter Esso a formata para o rádio. Conforme a autora, atualmente, as notícias são cada vez mais veiculadas em tempo real, de improviso e de qualquer lugar onde estiver ocorrendo o fato noticioso. Este aumento no tempo de transmissão ao vivo colabora para que as informações divulgadas não sejam todas notícias propriamente ditas. Por fim, Zuculoto (2011) corrobora com a ideia de Meditsch (1999) que houve uma ampliação da concepção do que seja o fato jornalístico radiofônico, do ponto de vista qualitativo, incluindo-se, por exemplo, a hora certa, a operação dos aeroportos, a previsão do tempo à agenda cultural e, ainda, o aumento do volume de fonte e das formas de captação.
Já Del Bianco (2011) descreve as transformações técnicas e tecnológicas no radiojornalismo, avaliando seus impactos sobre a produção radiofônica. A autora analisa como o gravador cassete portátil introduziu a reportagem ilustrada com sonora, que trouxe força documental e verossimilhança ao rádio; como o transistor popularizou os aparelhos portáteis, tornando o veículo mais próximo da audiência; ou como o uso do Sound
Forge55 deu mais velocidade ao processo de produção e ao próprio trabalho do
repórter. Mesmo não fazendo citação direta a ideia de Meditsch (1999), Del Bianco (2011) expõe que as tecnologias (em especial a internet) beneficiaram
54 A obra 70 Anos de Radiojornalismo no Brasil 1941 - 2011, organizada por Sonia Virgínia Moreira,
traz artigos que mostram o processo de amadurecimento do meio.
143 muito o formato jornalístico no rádio. O acesso dos jornalistas a fontes de informação livre de limitação temporal permite a manutenção do fluxo contínuo informativo, porque, explica a autora:
[...] oferece uma orientação sobre o que é atual, ajudando a redação a se posicionar no ciclo produtivo da noticia; [...] é um modo de conseguir, receber e trocar informação de forma rápida e ágil. [...] a internet é uma forma de acesso às fontes de notícia de alta produtividade e renovação constante. [...] há a vantagem de ser ter a memória acumulada e armazenada dos acontecimentos, recuperável a qualquer tempo [...] (DEL BIANCO, 2011, p. 119 -120). Outra evolução do rádio diz respeito a sua forma de utilização. Como visto anteriormente, o formato de programação informativo é resultado de um processo de especialização decorrente do aumento da oferta de emissoras, da competição entre elas e da segmentação da audiência. Deste modo, uma emissora informativa irá construir sua identidade de acordo com a capacidade de fornecer notícias, informações de serviço e de atualidade segundo os interesses de seus ouvintes. Já a programação será estabelecida por uma periodicidade rotineira, organizada a partir dos recursos humanos e técnicos disponíveis para a produção das informações.
A própria palavra informação, principalmente em relação aos meios eletrônicos, ganha uma conotação que pode representar “outros tipos de mensagem que não as eminentemente jornalísticas”, pondera Ortriwano (1985, p. 86). A informação como mensagem radiofônica visa deixar o ouvinte a par de tudo o que está acontecendo de interesse e atualidade, salienta. A autora cita Faus Belau para definir o papel da informação na programação radiofônica.
[...] pertencem à informação todos os programas regulares de notícias, os ocasionais originados pela aparição de uma notícia de excepcional relevo e aqueles outros que têm como finalidade levar ao público um conjunto de conteúdos que estão presentes na atualidade sem serem atuais ao máximo. Desse modo, a informação radiofônica aparece como algo fluido e flexível, um todo dentro da sucessão de mensagens radiofônicas diárias, não como algo isolado dentro da programação, com horário mais ou menos fixo e duração determinada (FAUS BELAU, 1973 apud ORTRIWANO, 1985, p. 86). Neste sentido, observa-se, a partir da citação, que Faus Belau considera informação como toda a mensagem radiofônica que constitui a programação da
144 emissora. Ela abrange, portanto, os programas restritos de notícias, os propriamente jornalísticos e, também, outros programas já que é um elemento totalizante, capaz de estar, de maneira fluida e flexível, em toda a programação radiofônica. Assim, o rádio informativo é integrado por conteúdos de atualidade e, ainda, níveis de informação relacionados “com outros assuntos não propriamente jornalísticos, que servem de pretexto para manter o interesse do programa” (ORTRIWANO, 1985, p. 95).
A programação informativa de uma emissora é o único conteúdo programado, reiteradamente, ao longo de cada dia que concede a ela um aspecto de continuidade, conforme Cebrián Herreros (1995). A reiteração, nos programas, não significa repetição de conteúdos, mas acumulação e acompanhamento. As notícias produzidas nas primeiras horas da manhã avançam e, a cada novo programa informativo, ganham novos dados, reiteram- se fatos e dados conhecidos com expressões diferentes. “O acompanhamento dos eventos e a continuidade narrativa destes, dão com frequência, a programação informativa de rádio, um certo tom de suspense, de relato de intriga, de obsessões informativas que não ocorrem em outros meios”, analisa Cebrián Herreros (1995, p. 432). Esta característica de continuidade que a informação imprime ao veículo “dá a programação radiofônica um grande dinamismo e uma revitalização para fugir da rotina e apresentar uma rádio ao vivo, ligada ao desenvolvimento da sociedade minuto a minuto”, aponta Cebrián Herreros (1995, p. 434).
Desde modo, a transmissão de informações é um aspecto importante, já que fornece à estação uma ideia de fluxo contínuo. Assim, a sequência dos programas pode ser modificada de acordo com a importância dos acontecimentos de atualidade. No rádio informativo a programação não é apresentada como algo rígido e inflexível, mas, adequada a uma realidade em movimento, onde as informações são um elemento prioritário que as emissoras incorporam a cada momento. “O rádio é antes de tudo um meio de comunicação informativo. Ele nasceu para difundir à distância o que estava acontecendo em um lugar no momento em que se sucedia. Esta é a essência do rádio e também da informação”, avalia Cebrián Herreros (1995, p. 434).
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