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İsa: Bağışlamakta – Eşsiz, benzersiz ve

Barton; Hamilton (2000, p. 8), ao proporem a Teoria Social do Letramento (TSL), afirmam que os letramentos são os usos da escrita em contextos situados. Desse modo, esses usos podem ser relacionados a práticas sociais e a questões ideológicas e disputas hegemônicas. Para esses autores, práticas, eventos e textos sustentam uma abordagem de letramento estruturada em seis proposições:

1. Letramento é mais bem compreendido como um conjunto de práticas sociais inferidas de eventos que são mediados por textos escritos.

2. Existem diferentes letramentos, associados a diferentes domínios da vida. 3. As práticas de letramentos são padronizadas pelas instituições sociais e relações

de poder, e alguns letramentos são mais dominantes, visíveis e influentes que outros.

4. As práticas de letramentos têm um propósito e estão firmadas em metas sociais mais amplas e nas práticas culturais.

5. O letramento é historicamente situado.

6. As práticas de letramentos mudam e novas práticas são frequentemente adquiridas por meio de processos de aprendizagem informal e de produção de sentido8 (BARTON; HAMILTON; IVANIC, 2000, p. 8. Tradução nossa). Considerando tais proposições, entendemos que a concepção de letramento(s) fundamenta-se como as próprias práticas de leitura, escrita e oralidade em eventos

relacionados ao uso e à função dos textos, por meio dos quais essas práticas se concretizam, sob diferentes formas. Assim, diferentes letramentos são exigidos, porque novas práticas surgem e novos contextos sócio-histórico-culturais são construídos.

Nesse sentido, destacamos a proposta de Kleiman (1998, p. 181), que aponta letramentos como “as práticas e eventos relacionados com uso, função e impacto social da escrita”. Com essa afirmação, a autora amplia a perspectiva cognitiva, tratando das práticas inseridas em contextos sociais e culturais. Isso implica dizer que a autora corrobora a posição

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1.Literacy is best understood as a set of social practices; these can be inferred from events which are mediated by written texts. 2. These are different literacies associated with different domains of life. 3. Literacy practices are patterned by social institutions and power relationships, and some literacies are more dominant, visible and influential than others. 4. Literacy practices are purposeful and embedded in broader social goals and cultural practices. 5. Literacy is historically situated. 6. Literacy practices change and new ones are frequently acquired through processes of informal learning and sense making.

de Barton; Hamilton (2000), com relação a uma das proposições, que afirma que “Letramento é mais bem compreendido como um conjunto de práticas sociais inferidas de eventos que são mediados por textos escritos”.

Para os autores mencionados, é relevante compreender que a sala de aula corresponde a um conjunto de eventos de letramentos que será articulado aos textos escritos e por eles acionado, embora seja na oralidade em que encontramos as manifestações mais frequentes.

A forma como os letramentos emergem dos eventos é bastante peculiar na sala de aula e no LEI, que se propõe a ser também um espaço de sala de aula, porque no primeiro espaço temos práticas de letramentos que se situam no texto impresso, enquanto, no espaço do laboratório, outros letramentos serão exigidos. Essa constatação apoia-se na segunda proposição de Barton; Hamilton (2000), citada acima.

Para compreender a padronização das práticas de letramentos, precisamos compreender as instituições e o que elas pretendem com as escolhas realizadas. Nessas escolhas podemos inferir quais as relações de poder que se encontram em manutenção e/ou reprodução. Encontraremos letramentos mais dominantes, visíveis e influentes que outros e isso revela muitos aspectos dos eventos e práticas que estão sendo avaliados.

Isolados de todas as interações, os humanos não aprendem a falar ou a escrever. Por mais que a ideologia do individualismo possa construir o estereótipo do escritor ou leitor solitário, o fato de os textos e signos serem socialmente significativos é o que confere a eles a sua utilidade e os torna possíveis (LEMKE, 2010, p. 457).

Para finalizar o enquadramento das proposições de Barton; Hamilton (2000), nesse momento, ressalta o caráter historicamente situado do estudo dos letramentos, uma vez que em nossa pesquisa o trabalho com as práticas de letramentos que favorecem os multiletramentos dos alunos e sua inclusão de forma crítica no mundo digital significa compreender não somente a questão da relevância do fenômeno no contexto histórico contemporâneo, mas principalmente reconhecer que a entrada das TICs na escola possibilitou expandir as práticas de letramentos que migram de outros espaços para a escola, porque são demandadas pelas exigências de contextos culturais, históricos e econômicos, transformando e ampliando o repertório das existentes.

Rojo (2009) apresenta uma nova visão que contribui para os estudos de letramentos no Brasil, quando ressalta a relação entre os letramentos múltiplos e a inclusão social, o que a aproxima da TSL. A autora relaciona os novos estudos do letramento como uma forma de conhecer as práticas discursivas realizadas, mas não valorizadas pela escola,

porque essa se centra em trabalhar com os letramentos dominantes sob a perspectiva de modelos autônomos e dissociados das demandas sociais.

Podemos dizer que, por efeito da globalização, o mundo mudou muito nas últimas décadas. Em termos de exigências dos novos letramentos, é especialmente importante destacar as mudanças relativas aos meios de comunicação e à circulação da informação (computadores pessoais, mas também celulares, tocadores de mp3, TVs digitais entre outros) implicaram pelo menos quatro mudanças que ganham importância na reflexão sobre os letramentos (ROJO, 2009, p. 105).

As mudanças mencionadas pela autora relacionam-se com a intensificação da circulação de informações, a diminuição das distâncias espaciais e temporais e as multissemioses proporcionadas pelo texto eletrônico. Além disso, reforçam a necessidade de engajamento da escola para fazer que os educandos apropriem-se dos recursos que levam aos letramentos, uma vez que o letramento é plural e adequado às práticas contemporâneas.

Letramentos são sempre sociais: nós os aprendemos pela participação em relações sociais; suas formas convencionais desenvolveram-se historicamente em sociedades particulares; os significados que construímos com eles sempre nos ligam a uma rede de significados elaborada por outros (LEMKE, 2010, p. 458).

Isso significa que a escola não deveria furtar-se a inserir criticamente as tecnologias e mídias para a construção de um modelo de educação que vise às tecnologias como ferramentas para a compreensão crítica e para a mudança social, porque a escola está presa ao modelo de letramento autônomo, não consegue fazer o movimento de interdisciplinaridade e contextualização de suas práticas de letramentos. Apesar de se sugerir o aumento do repertório de gêneros, isso não acontece de forma a contemplar a língua em uso, apresentando os aspectos históricos, sociais e culturais, em que eles estão envolvidos.

Os processos de leitura e escrita são práticas sociais, produtos humanos, marcados pela história e pela cultura, e as pesquisas que focalizam o letramento digital descrevem, geralmente, a maneira como o professor se relaciona com a cultura digital, caracterizando o seu acesso e seu domínio das ferramentas técnicas. Tais pesquisas também investigam o impacto e a influência da interatividade das Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC) no cotidiano e nas experiências dos alunos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem nesse contexto. Quanto à nossa pesquisa, há um interesse em compreender como essas práticas e eventos se articulam, utilizando-se de gêneros textuais para se constituírem em letramento digital.

Não deve ter sido surpreendente para mim que os movimentos da "mudança social" prontamente se prestam para as metas do novo capitalismo. É um dos princípios da NLS que qualquer parte da língua, qualquer ferramenta, tecnologia ou prática social pode assumir significados (e valores) completamente diferentes em diferentes

contextos, e que nenhuma parte da linguagem, nenhuma ferramenta ou tecnologia ou prática social tem um significado (ou valor) fora de todos os contextos (GEE, 2000, p. 188, grifos do autor. Tradução nossa).9

Uma teoria de letramento como prática social enfatiza as relações sociais e institucionais em que o letramento está envolvido. Por essa razão, precisamos entender conceitos de prática e eventos, conhecendo os elementos que constituem as práticas, se desejamos fazer descrição dessas práticas de forma mais situada. Há uma sinonímia equivocada entre eventos e práticas de letramentos que pretendemos, com base nos Novos Estudos do Letramento e na Teoria Social, elucidar no próximo tópico.