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Denizde Mesaj Türleri

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UYGULAMA 1.5.2 İZOBARİK SIRT KAMASI (WEDGE)

2. HAVA TAHMİN YÖNTEMLERİ

2.1.11. Denizde Mesaj Türleri

o imaginário interfere nas práticas dos indivíduos ou instituições: forja sentidos, identidades; define comportamentos; inculca valores; atribui méritos; corrobora ou condena atitudes, dele derivando uma poderosa força de instauração ou de legitimação social. Além disso, o imaginário propõe estereótipos e paradigmas que são apresentados como verdades, definindo-se alguns papéis como naturais e desqualificando-se outros considerados como inconcebíveis.78

Sabemos que os jornais católicos são portadores de um discurso que visa à transformação da fé católica e a implementação das propostas ultramontanas no espaço da Diocese de Mariana no período do governo episcopal de D. Viçoso. Mas, para melhor entendermos o real sentido, a força e as formas de atuação dessa ferramenta de exercício de ultramontanismo que corresponde aos jornais O Romano e O Bom Ladrão, necessitamos, de fato, olhar com atenção para o tipo, ou modalidade discursiva por eles veiculada. Caracterizar este discurso é, para nós, compreender melhor os jornais enquanto fontes privilegiadas para o estudo da romanização enquanto objeto de pesquisa.

Primeiramente, podemos dizer que o discurso79 é um espaço representacional construído de forma social, e não individualmente. Ele só pode ser analisado considerando seu contexto histórico-social e suas condições de produção. O discurso reflete uma visão de mundo determinada, necessariamente, pela posição social, ou lugar de fala80 ou de poder de seu, ou de seus, autor(es).

Para a Análise do Discurso81 – enquanto campo do conhecimento que busca identificar as condições de produção de um discurso, observando também a inserção do

78 ZANOTTO, Gizele. É o caos!!! A luta anti agro-reformista de Plínio Corrêa de Oliveira. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, 2003, p. 87.

79 No discurso de caráter religioso, existem diferentes tipos de manifestação da escrita, por exemplo: Doutrinário-religioso (o que se apresenta em maior parte dos jornais), estético-religioso (que trabalha com formas de tratamento e convencimento) e econômico-religioso (envolvimento dos “bens de salvação”). 80 Como tão bem falou Michel de Certeau em mais de um de seus escritos.

81 A Análise do Discurso desenvolve seus estudos sobre as visões de mundo inscritas no discurso. A formação de um discurso está baseada nesse princípio constitutivo – o dialogismo. Os discursos vêm ao mundo povoado por outros discursos, com os quais dialogam.

sujeito na história e que visa analisar as construções ideológicas presentes em um texto –, o discurso é uma prática, uma ação do sujeito sobre o mundo, pois funda uma interpretação e constrói uma vontade de verdade. Quando pronunciamos um discurso agimos sobre o mundo de determinada maneira, marcamos uma posição ora selecionando sentidos, ora excluindo-os no processo interlocutório.

Michel Foucault diz que

chamaremos discurso um conjunto de enunciados na medida em que este se apóia na mesma formação discursiva [...] ele é constituído de um número limitado de enunciados para os quais podemos definir um conjunto de condições de existência.82

De acordo com Eni Orlandi:

Ao produzir seu discurso, o indivíduo não expressa a sua consciência livre de interferências. Ao contrário, aquilo que ele discursiviza é resultado de conjuntos discursivos que lhe são anteriores, que foram por ele interiorizados em função da exposição sócio-histórica a que estamos todos submetidos, a partir da qual são constituídas nossas representações discursivas sobre o mundo.83

Todo discurso é inicialmente produzido por um sujeito. O que define de fato o sujeito é o lugar de onde ele fala, de onde é pronunciado seu discurso. Novamente nos remetendo a Foucault, este diz que “não importa quem fala, mas o que ele diz não é dito de qualquer lugar”.84 Esse lugar é um espaço de representação social, que, em nosso caso, corresponde principalmente ao cargo ocupado por D. Viçoso, maior produtor de artigos nas folhas por ele mantidas.

É o discurso que determina o que o sujeito deve falar, é ele que estipula as modalidades enunciativas. No discurso religioso (institucional), os jornais ganham a função de atuar como uma dimensão pragmática da ação da Igreja, para adaptar sua linguagem a seu séquito, e para não se perder na obscuridade da linguagem institucional esotérica. As várias instituições fazem uso de discursos esotéricos a fim de atender suas funções principais. Considerando toda e qualquer instituição, podemos afirmar que se

82 FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 46.

83 ORLANDI, Eni Pucinelli. Análise do Discurso: princípios e fundamentos. 3ª. ed., Campinas, SP: Pontes, 2001.

84 FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 47.

destacam quatro funções nos discursos por ela proferidos: a pedagógica, a simbólica, a mobilizadora e a reparadora, e todas podem ser observadas atuando, em conjunto ou em momentos distintos, nos textos que compõem um jornal católico.

A respeito da função pedagógica, temos que é através do discurso que as instituições, entre elas a Igreja, garantem a aprendizagem de suas crenças e a transmissão da sua legitimidade para prescrever os preceitos destinados a regular os comportamentos e para interferir quando necessário. N’O Bom Ladrão de 1874, temos o exemplo claro dessa modelação normatizada exercida pelos escritos ultramontanos

Mulher typo

Educada no temor de Deos, ouve missa todos os dias, recatada ao cuidado do lar, discreta nas aparições em sociedade, comungar de 4 a 5 vezes por semana, cuidadosa com os pobres, rezar a noite inteira sem se sentar ou recostar, não ri descompassadamente.85

Como disse Foucault, “educar é moldar um indivíduo”,86 ou seja, é produzir um corpo dócil. A função simbólica estará baseada principalmente no discurso esotérico. O problema dessa função é que, em muitas vezes, a opacidade da linguagem proferida constrói um discurso somente entendido pela membrezia. Ele servirá de suporte para as funções mobilizadora e reparadora. Por função mobilizadora entende-se que o discurso que dá conta dessa função tem a ver com os valores defendidos pela instituição, como, por exemplo, acontece n’O Romano de 1854

Nesta quadra de tamanha intolerância clerical, cumpre não guardar

silêncio sobre os actos dignos daquelles illustrados sacerdotes, que fazendo-se amados de suas ovelhas, sabem aliar as sublimes doutrinas do Crucificado com as exigências do tempo adiantado, em que vivemos.87

Muitas vezes pressionados por D. Viçoso e ameaçados de serem expulsos da paróquia em que estavam lotados por motivo de algum desvio às normas ultramontanas, certos religiosos, como é o caso do padre Felicíssimo Mendes, escreviam suas explicações em sentido de retratação ao bispo, que eram, em parte, publicadas nos jornais, como temos em

85 AEAM. O Bom Ladrão. Mariana, 10 de fevereiro de 1874. 86 AEAM. O Bom Ladrão. Mariana, 10 de fevereiro de 1874.

Sou Catholico Apostólico Romano. Não sou Maçon, nem o serei enquanto estiver persuadido, como estou, de que não se pode ser Maçon e Catholico ao mesmo tempo.

Quem pretende reunir estas qualidades, como diz o nobre e illustre Senador do Império o Exmo. Sr. Candido Mendes d’Almeida, ou é idiota, ou homem de má fé.88

Observamos que as funções dos discursos institucionais muitas vezes não dão conta de todos os objetivos a que se propõe inicialmente, por isso, se faz necessária a adaptação do discurso esotérico, a fim de que se torne exotérico – logo mais passível de ser compreendido por elementos não interiores à Igreja – em muitos contextos.

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