A- MALİ BİLGİLER
1. BÜTÇE UYGULAMA SONUÇLARI
TABELA 21 - Resultado Empírico do Modelo para 133 municípios
Variáveis Coeficientes Desvio Padrão Probabilidade Intercepto 3,8819 0,1258 0,0000 Água -0,0496 0,0048 0,0000 Esgoto -0,0062 0,0027 0,0244 Urbanização -0,0061 0,0215 0,7746 IDH-R -0,1077 0,0956 0,2601 R2 R2 Ajustado F Estatístico Prob (F Estatístico) 0,9631 0,9629 4.311.815 0,000000 Fonte: Clóris Ferreira
Considerando o nível de significância (probabilidade < 0,01), para os 133 municípios, o modelo demonstra, através dos coeficientes negativos para água e esgoto que, dado o aumento de uma unidade na Água, a TMI reduz 4,95 %, com um nível de significância aceitável, menor que 0,01 (ver Tabela 21).
Para o aumento marginal do Esgoto, a TMI sofre uma redução de 0,62 %, com um bom nível de aceitação dos parâmetros, porém com probalidade (p = 0,024) acima da aceitável no modelo. O intercepto (α=3,88) indica que, independente das variáveis explicativas em questão, a TMI já apresenta um certo nível de manifestação.
As variáveis IDH – R e Urbanização contribuem para reduzir a TMI, mas apresentam altas probabilidades de não aceitação dos parâmetros.
Através do coeficiente de determinação R2, podemos nos certificar que 96,31 % das variações na TMI são explicadas pelo modelo. Pela estatística F, dado que o valor do F calculado é maior que o valor do F crítico3, com probabilidade zero, podemos rejeitar a hipótese nula de que todos os coeficientes são iguais a zero e aceitar que a TMI pode ser explicada pelas variáveis Água, Esgoto, Urbanização e IDH-R. Porém, em virtude das altas probabilidades das duas últimas variáveis, será
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F crítico para 133 municípios, de acordo com a tabela da estatística F é igual a 6,64, menor que e o F calculado encontrado pelo modelo, que é igual a 4.311.815.
verificado o comportamento do modelo para os municípios com IDH - Renda médio e baixo, separadamente.
Na Tabela 22 abaixo está demonstrado o resultado do modelo do comportamento da TMI para os 63 municípios com renda baixa, considerando as variáveis explicativas Água, Esgoto, IDH – R e Urbanização.
TABELA 22 - Resultados do Modelo para os Municípios com IDH-R baixo
Variáveis Coeficientes Desvio Padrão Probabilidade
Intercepto 2,9111 0,3913 0,0000 Água -0,0631 0,0054 0,0000 Esgoto -0,0256 0,0091 0,0055 Urbanização 0,1626 0,0580 0,0053 IDH-R 0,4642 0,4322 0,2836 R2 R2 Ajustado F Estatístico Prob (F Estatístico) 0,9485 0,9478 1.427,484 0,000000 Fonte: Clóris Ferreira
Considerando os municípios com renda baixa, o modelo revela que, dado o aumento de uma unidade na variável água, a TMI cai 6,31 %, com probabilidade zero de aceitar a hipótese nula dos coeficientes, (significância menor que 0,01).
O efeito do Esgoto na TMI também é inverso, porém com efeito um pouco menor, pois cada unidade de acréscimo no número de ligações de esgoto provoca uma redução de 2,67% na TMI, com alta probabilidade de aceitação do parâmetro.
A Urbanização, (p<0,01) e o IDH-R dos municípios mais pobres apresentam coeficientes com sinais positivos, implicando que não são favoráveis à saúde, dado que causa um aumento na TMI. A Urbanização aumentando a TMI em 16,26 %, com probabilidade 0,005, e o IDH-R aumentando a TMI em 46,42 %, com probabilidade 0,283.
O valor do R2 igual a 94,85 % é favorável ao modelo, indicando um nível alto de aceitação dos coeficientes e aceitação das variáveis.
Pela tabela F, a um nível de significância de 0,01 %, o valor do F crítico é de aproximadamente 7,10, para o modelo acima. Desta maneira, o F calculado 1.427,484
é maior que o F crítico, com probabilidade igual a 0,000000, indicando que deve-se rejeitar a hipótese de que todos os coeficientes são iguais a zero, ou seja, o modelo é globalmente significante. O intercepto 2,911 indica que, independente das variáveis explicativas, a TMI já apresenta um certo número de manifestações.
A explicação lógica e plausível para estes resultados é que, como nos municípios de baixa renda os recursos são escassos, as ações públicas em prol do saneamento (Água e Esgoto) são fundamentais no combate à TMI, pois constitui-se em aliada da saúde pública, diminuindo a ocorrência de doenças de veiculação hídrica, uma das causas da Mortalidade Infantil.
O sinal positivo do coeficiente da Urbanização, com probabilidade 0,0001 denota um efeito negativo à saúde, pois os aglomerados urbanos nas cidades com escassez de recursos, só diminuem as condições de vida da população, contribuindo para prejudicar a saúde infantil, aumentando a TMI.
O IDH-R, por sua vez, está contribuindo para aumentar a TMI nas áreas mais pobres, pois onde não há uma distribuição de renda adequada, quanto maior o IDH-R (baseado no PIB per capta), menores são os recursos disponibilizados pelo governo para saúde, educação e saneamento, embora existam muitos pobres na região.
Conforme o Relatório do Banco Mundial (2001), com relação à Urbanização e Nível de Renda em áreas pobres do Nordeste, tanto a pobreza relativa quanto a absoluta é pior nas áreas rurais; e dentro das áreas urbanas, a pobreza é mais grave em áreas pequenas e médias. Mantidas controladas a taxa de pobreza, a educação e as fontes seguras de água, ainda assim as Taxas de Mortalidade Infantil aumentam, significativamente, com o aumento no tamanho da cidade (Urbanização), provavelmente por causa de condições de superlotação das moradias e poluição local das camadas mais pobres (Relatório do Banco Mundial, 2001).
No Quadro 9 abaixo estão apresentados os 63 municípios com IDH-R baixos.
QUADRO 9 - MUNICÍPIOS COM IDH-R BAIXO
Abaiara BelaCruz FariasBrito Mombaça Saboeiro
Alcântaras Capistrano Frecheirinha Monsenhor Tabosa Santana do Cariri Altaneira Caridade General Sampaio Moraujo Senador Sá Antonina do Norte Carire Granjeiro Morrinhos Tamboril
Apuiares Carius Guaiuba Pacuja Trairi Aracoiaba Carnaubal Hidrolandia Palhano Tururu Araripe Catarina Ibicuitinga Palmacia Umari Aratuba Catunda Iraucuba Parambu Umirim Arneiroz Chaval Itapiuna Paramoti Uruburetama Assare Choro Itarema Pereiro Uruoca Aurora Coreau Lavras da Mangabeira Potiretama Viçosa
Baixio Cruz Martinópole Quiterianópolis Barreira Ererê Massape Reriutaba FONTE: IPEA
Para os 624 municípios mais desenvolvidos em termos de renda, a análise do impacto da TMI tem conotação diferente da anterior, dadas as características intrínsecas destes municípios.
TABELA 23 - Resultados do Modelo para os Municípios com IDH–R Médio
Variáveis Coeficientes Desvio Padrão Probabilidade Intercepto 5,4087 0,4380 0,0000 Água -0,0428 0,0191 0,0264 Esgoto -0,0658 0,009 0,0000 Urbanização -0,2612 0,077 0,0007 IDH-R -1,0066 0,2685 0,0002 R2 R2 Ajustado F Estatístico Prob (F Estatístico) 0,9601 0,9596 1.837,753 0,000000 Fonte: Clóris Ferreira
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Dos 72 municípios foram retirados 10 que apresentaram maiores níveis de desenvolvimento, devido às distorções no resultado.
Para os municípios mais ricos, (com IDH-R médio), o modelo nos diz que, dado um aumento de uma unidade no número de ligações de água, a TMI sofre uma redução de 4,28 %, com probabilidade de 0,0264 de não aceitação do coeficiente.
O esgoto, também com coeficiente negativo, provoca uma redução de 6,58 % na TMI, dado um incremento de uma unidade, com alta probabilidade de aceitação, ou seja, com probabilidade zero de aceitar a hipótese nula. O intercepto com sinal positivo indica que, independente das variáveis explicativas em questão, a TMI já apresenta um certo nível de manifestação.
A urbanização exerce um efeito inverso na TMI, reduzindo-a com em um percentual de 26,12 %, dada uma unidade adicional, com probabilidade próxima a zero (0,0007) de aceitar a hipótese nula, ou seja, seu valor é altamente significativo para o modelo. Diferentemente do que ocorre nos municípios mais pobres, o efeito da Urbanização nos municípios mais ricos pode ser explicado com base no fato de que, primeiro, todos os municípios possuem alta taxa de Urbanização, e são mais desenvolvidos, não dependendo apenas das ações das políticas públicas voltadas para a saúde e saneamento, incidindo nos indicadores de saúde. Uma vez que os investimentos em saneamento produziram altos índices de atendimento de água para os municípios mais ricos, esta torna-se inexpressiva, (p = 0,0264) dados outros investimentos, públicos e privados em outras áreas, principalmente na saúde. O que vai dar um diferencial para estes municípios é a quantidade das ligações de esgoto.
Como todos são bem desenvolvidos em termos de renda, presume-se que o IDH-R exerça efeito positivo nestes municípios, indicando melhorias em todos os setores, entre eles a saúde. No modelo, o IDH R médio (baseado no PIB per capta), produz uma redução de 100 % na TMI, com alto nível de significância do coeficiente (p=0,0002), pois apresenta alta probabilidade de não aceitar a hipótese nula.
Analisando o R2, as variáveis explicam o modelo em 96,02 % e a estatística F diz que, a um nível de significância 0,01, o F calculado 1.837,753 é maior que o F crítico, 7,08, indicando que rejeita-se a hipótese nula e aceita-se as variáveis Água, Esgoto, IDH-R e Urbanização como variáveis explicativas da TMI.
No Quadro 10, abaixo estão apresentados os municípios com IDH- R médios.
QUADRO 10 - MUNICÍPIOS COM IDH-R MÉDIO
Acarape Dep. Irapuan Pinheiro Jaguaruana Orós Santana do Acaraú Acaraúu Forquilha Jati Pacajus São Benedito Acopiara Fortaleza Jijoca de Jericoacoara Pacatuba São G. do Amarante AltoSanto Fortim Juazeiro do Norte Pacoti São Luis do Curu Aquiraz Groaíras Maracanaú Paracuru Senador Pompeu Aracati Guaraciaba do Norte Maranguape Paraipaba Sobral Barbalha Guaramiranga Marco Penaforte Tabuleiro do Norte Barro Horizonte Mauriti Pentecoste Tauá
Baturité Ibiapina Milagres Porteiras Tianguá Beberibe Independência MissaoVelha Potengi Ubajara CamposSales Ipaumirim Mucambo Quixadá Varjota
Cascavel Iracema Mulungu Quixeré Várzea Alegre Caucaia Itaicaba Nova Jaguaribara Redenção
Chorozinho Itaitinga Nova Olinda Russas Crateús Jaguaretama Novo Oriente Sta Quitéria FONTE: IPEA
O que se pode concluir dos modelos apresentados acima é que, apesar do saneamento não ser o único fator causador da redução na Taxa de Mortalidade Infantil no Ceará, os seus efeitos são perceptíveis, tanto nos municípios ricos, quanto nos mais pobres, sendo que, para este último, constata-se que a variável explicativa água produz maior efeito que nos municípios mais ricos. Em ambos os grupos de municípios a água produz maior efeito que o esgoto. Este fato pode estar associado ao número de ligações de água ser bem maior que o número de ligações de esgoto para todos os municípios.
Percebe-se, ainda, que o efeito da Urbanização sobre a TMI é mais favorável nos municípios com IDH-R médio, justamente porque nestes grandes centros urbanos, há maior concentração das ligações de Água e Esgoto, bem como de outros fatores exógenos ao modelo, como investimento em saúde e educação, com recursos públicos e privados.
O efeito do IDH-R segue o mesmo raciocínio, e indica que nos municípios mais ricos, há maior redução da TMI, pois são áreas urbanas com maiores infra- estruturas de habitação e saneamento básico, bem como maior conscientização e
orientação educacional da população, com ações voltadas à promoção da saúde, tanto do setor público quanto privado.
Enfim, tornou-se perceptível a eficiência dos serviços de Água e Esgoto para todos os municípios do Ceará, na redução da Taxa de Mortalidade Infantil, com forte efeito da água tratada nos municípios de renda per capta menores, (IDH-R baixo), evidenciando-se o efeito das ações públicas na saúde por meio do saneamento, e consequentemente por meio da CAGECE, para todos os municípios.
CONCLUSÃO
A saúde da população está diretamente relacionada às condições de higiene do ambiente em que vive, pois a falta de saneamento básico leva ao surgimento de uma série de doenças que afetam os seres humanos por meio da água contaminada e da falta de esgotamento sanitário.
No Ceará os investimentos, que se intensificaram a partir de 1995 são decorrentes da visão de futuro dos últimos governos estaduais com metas focadas na melhoria das condições de vida da população, buscando o desenvolvimento sustentável do Estado do Ceará com fortes investimentos nas áreas de saúde, educação, habitação e geração de emprego e renda, o que incentivou a busca por financiamentos de grandes obras de infra-estrutura, entre elas o saneamento básico.
No decorrer dos capítulos, este trabalho mostrou um grande avanço nos números do saneamento do Brasil e do Ceará, em decorrência de uma série de fatores que contribuíram para o desenvolvimento desta área social, iniciando com o advento do PLANASA, passando por mudanças estruturais ocorridas no início da década de 90 no Brasil, e mais recentemente no Ceará, com a elaboração e execução dos Planos de Desenvolvimento Sustentáveis e os Programas de Governo na área de Saneamento, tendo a CAGECE como agente executor das obras, levando o benefício dos serviços de água e esgoto à população do Estado, e o Governo (estadual e federal), juntamente com as instituições financeiras, como agentes fomentadores do desenvolvimento.
O principal objetivo deste trabalho foi demonstrar a correlação entre os investimentos em saneamento e a melhoria da saúde da população cearense, através de uma análise de regressão entre as variáveis Água, Esgoto, IDH-R e Taxa de Urbanização, e a Taxa de Mortalidade Infantil, para os anos de 1997 a 2001.
A análise se deu a partir da divisão dos municípios em dois grupos, os com IDH- Renda baixo e os com IDH-R médio, onde, a partir de um modelo de regressão múltipla, e com o uso do E-Views (pacote econométrico), foi possível chegar a algumas conclusões, tais como:
Nos municípios de renda mais baixa, onde os demais setores econômicos e sociais não são desenvolvidos, percebe-se um maior efeito do saneamento do que nos grandes centros
urbanos, dado o efeito que a água tem nos municípios menos desenvolvidos. A questão é que, onde a situação da saúde, habitação, educação , enfim das condições de vida são mais precárias, o saneamento vai agir quase que exclusivamente como agente preventivo de doenças. E este fator saneamento é intensivo em ligações de água, uma vez que o esgotamento sanitário é precários na grande maioria dos municípios, em particular nos menos desenvolvidos. Por isso é que, no modelo de regressão para os municípios mais pobres, a variável de maior peso foi a Água.
Nos municípios de renda média, onde há maior desenvolvimento em todos os setores econômico e sociais, inclusive no saneamento, as outras variáveis também vão ter seus impactos negativos na Taxa de Mortalidade Infantil. Os fatores urbanização e renda, somados ao desenvolvimento sustentável, estão presentes em todos eles, dados que são centros urbanos, com grandes possibilidades de recursos nas áreas de saúde, educação, habitação, e, por terem maiores acessos à saúde. Em decorrência do nível de renda mais elevado e a atuação do setor privado em conjunto com as ações do setor púbico nesses municípios, a população não depende apenas do saneamento para ter saúde, outros fatores incidirão na queda da Mortalidade Infantil, inclusive o próprio setor de saúde.
O fato do Esgoto ser mais significativo que a Água nos municípios de renda Média, agindo de maneira inversamente proporcional à TMI, com probabilidade alta de aceitação, pode ser explicado pelo fato de, como a água já está presente intensamente em todos os municípios, onde tiver acréscimos de ligações de esgoto vai ser mais um fator atenuante da Mortalidade Infantil, pois onde há esgoto não há contaminação do solo e das águas, consequentemente não vai haver tanta doença transmissível por água contaminada, acarretando uma diminuição na TMI.
Outro fato observado durante esta pesquisa foi que o saneamento constitui-se em um fator gerador de Saúde , Urbanização e Geração de Renda, ou numa segunda hipótese, está diretamente influenciado por estes fatores, visto que o serviço de esgoto não se faz presente com intensidade nos municípios mais pobres. Este fato já está ligado a questões políticas, econômicas e jurídicas, pois o serviço de esgoto esbarra em uma imposição municipal, para alguns municípios, que são amparados por lei de não obrigatoriedade de pagamento de esgoto, fato este que torna inviável a atuação da CAGECE em determinadas localidades.
Algumas considerações que gostaria de ressaltar acerca do modelo e da pesquisa como um todo, é que talvez ele ficasse mais completo, ou mais bem elaborado, se outras variáveis fossem inseridas, ou se a variável dependente fosse substituída por gastos com doenças de veiculação hídrica, por exemplo, para dar uma idéia de quanto se economizaria em saúde por unidade adicional de investimento em saneamento; mas a falta de bancos de dados em determinadas repartições públicas dificultou a pesquisa. Por exemplo, faltou informações acerca dos gastos com Soro de Rehidratação Oral, utilizados em crianças com diarréia, cujo controle ainda não está disponível em um banco de dados para pesquisas e estudos.
Enfim, conclui-se que, embora existam outras variáveis, o saneamento apresenta-se como um fator redutor da Taxa de Mortalidade Infantil nos municípios cearenses, com efeito mais expressivo da Água para os menos desenvolvidos, e com efeito mais expressivo do Esgoto para os demais.
De maneira geral, o impacto dos investimentos em saneamento na saúde são positivos para o Estado do Ceará, uma vez que contribui para a redução da Taxa de Mortalidade Infantil, consolidando a importância do papel da CAGECE para a sociedade, como empresa promotora da saúde.
Espera-se que futuramente esta dissertação possa servir como subsídio ou fonte de pesquisa para outros trabalhos similares.
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