1.2. KİRA SÖZLEŞMESİNDE AYIP TÜRLERİ
1.2.1. Ayıp Tanımı
Focamo-nos em algumas garantias centrais do objetivo da política supracitada20, a partir das quais delineamos discussões sobre a i. Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; ii. Formação de professores para o atendimento educacional especializado21 e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; iii. Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas.
Nossos achados corroboram com pesquisas recentes, as quais apontaram para o cumprimento parcial dos termos destacados nas estratégias do Plano Municipal de Educação no decênio de 2015-2025 (ARAÚJO, 2018).
20
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais, garantindo: i. Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; ii. Atendimento educacional especializado; iii. Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; iv. Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; v. Participação da família e da comunidade; vi. Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e vii. Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas (BRASIL, 2008).
21
Dentre as trinta escolas, 23% (07 escolas) ofertam o atendimento educacional especializado (AEE) sem a presença de laudo médico como condição sine qua non para engajamento do aluno neste serviço, enquanto 77% (23 escolas) somente oferta o AEE a partir da emissão desse citado documento, o que aparentemente se contrapõe à postura do corpo docente das salas de aula regular, as quais tendem a considerar a emissão dos laudos médicos como ação antecessora dos projetos inclusivos junto ao aluno. Silva (2016) nos lembra que há ilegalidade na exigência de um laudo para a efetivação da matrícula nas escolas de ensino regular. Em contrapartida, é necessário de estratégias sejam pensadas para viabilizar os processos de aprendizagens dos alunos com quaisquer deficiência.
Exemplificamos com a meta 1, a qual diz respeito à universalização do acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais ou serviços especializados, públicos ou conveniados para os estudantes com deficiência, transtornos do espectro autista 53 e altas habilidades/superdotação (SME, 2015). Verificamos que, especialmente, há a necessidade de aumentar e fortalecer os convênios e parcerias com as instituições públicas para atendimento clínico-especializado das famílias e dos alunos da Educação Especial. Aqui já chamamos atenção para a urgência das ações profissionais em rede.
Seguimos com um trecho de um relatório escolar qualitativo que denuncia concepções arcaicas que se constituem como descabidas na contemporaneidade da Inclusão.
A mãe do aluno disse que os médicos sugeriram inclusão onde houvesse uma equipe de especialista, tais como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nossa escola não dispõe de tais profissionais, só conta com o serviço de Atendimento Educacional Especializado.
Como podemos ver, tais ideias se alinham com as primeiras tentativas nesse campo e se configuram como uma tentativa de ilusória resolutividade das questões pedagógicas pela via essencialmente do campo da Saúde. Na contemporaneidade não se concebe a transformação de escolas em clínicas. Os saberes devem se complementar em favorecimento dos projetos inclusivo. Destarte, é essencial que outras estratégias sejam pensadas e propostas. Ademais, o ―simples‖ fato de os alunos conviverem com outros diferentes de si, em situações diversas do cotidiano, já é terapêutico por si só.
A ênfase dada ao discurso-álibi de que a escola precisa estar equipada e com profissionais da área médica e psicológica vem assemelhar a instituição de educação mais a um espaço clínico do que escolar. Embora entendamos que esse tipo de apoio médico se apresente às vezes como importante, principalmente nos casos em que se encontram associados distúrbios da fala, comprometimento motor e/ou sensorial, etc., eles devem ser ofertados nos serviços de educação especializada, paralela e complementar à escola regular. Muitos professores parecem não se dar conta de que a escola regular é um espaço eminentemente pedagógico e é sobre essa dimensão que devem atuar. (LUSTOSA, 2018, p. 2).
Inferimos que ainda existem profissionais de saúde que parecem desconhecer o paradigma da Inclusão e todas as premissas fundantes desse campo. Não concebemos a proposição de ações retrógradas e já superadas. O desejo dos profissionais, tanto da escola como da medicina, em consonância com os trechos acima, parecem assemelhar-se à Lei do
eterno retorno22, descrita por Nietzsche, como uma repetição de ciclos à medida que são concluídos ou retomada a antigos padrões. No caso desse retrocesso na política de educação especial seria, de fato, o retorno ao ―caos primitivo‖ (VIEIRA, 2014).
No contexto da inclusão escolar, cumpre-nos enfatizar que ainda são necessários avanços na formação de professores para o atendimento educacional especializado e dos demais profissionais da educação. Contudo, é justo e lícito que valorizemos o AEE enquanto mola propulsora da inclusão nas escolas, na medida em que esse professor responsável se configura como articulador principal nesse contexto. A identificação e a superação de barreiras que dificultam a aprendizagem dos alunos, além da realização do atendimento especializado e personalizado são suas atribuições centrais, em parceria com outros atores.
Sobre a articulação intersetorial na implementação das políticas públicas, verificamos a insuficiência de diálogos para troca de saberes no contexto da comunidade escolar. Pareceu-nos o ponto mais nevrálgico na contextualização da Política em nosso estudo. A relação construída entre o campo da Educação e da Saúde tem sido evidenciada por meio da emissão de laudos médicos. Não houve, portanto, referência sobre planejamentos ou práticas intersetoriais consistentes em prol de processos inclusivos.
Não verificamos iniciativas que unissem esses dois campos. Ademais, não houve menção sobre articulações ou pactuações com outros setores como a Assistência Social, embora se saiba da existência de benefícios sociais (como o benefício de prestação continuada, por exemplo) e previdenciários pertinentes a esses sujeitos.
A inaceitável discrepância entre política de estado e politica de governo se constitui como mais um tipo a mais de barreira, além de todas as outras existentes (atitudinais, comunicacionais, etc.), presentes na sociedade em geral.
22
Na antiguidade arcaica o Eterno Retorno é algo recorrente no pensamento humano e visto como uma necessidade do homem em redimir-se do tempo por meio de ritos e mitos que os faz retornar ao ―tempo primordial‖ da criação ou fundação do mundo por um deus ou herói lendário [...] Modernamente o conhecemos através de Nietzsche, porém essa concepção acompanha a humanidade desde milênios (VIEIRA, 2014). O artigo ―O eterno retorno do mesmo: a concepção básica de Zaratustra‖ explica que é na ideia do eterno retorno do mesmo que Nietzsche insiste. Ela aparece com clareza na seção intitulada ―O convalescente‖. Nela, os animais de Zaratustra põem na sua boca as palavras que seguem: ―E se agora quisesses morrer, Zaratustra, nós sabemos também o que dirias a ti mesmo [...]. Retornarei com este sol, com esta terra, com esta águia, com esta serpente - não para uma vida nova, uma vida melhor ou semelhante. Retornarei eternamente para esta mesma e idêntica vida, nas coisas maiores e também nas menores, para ensinar outra vez o eterno retorno de todas as coisas [...] que o que se repete é o que ocorre de fato - e não o que eventualmente poderia ocorrer. São os acontecimentos reais que retornam - e não os eventos logicamente possíveis. Mais ainda: o que se repete é a série inteira de acontecimentos - e não um ou outro evento isolado. É "o grande ano do vir-a-ser" que retorna - e não um período histórico determinado. Não se trata, pois, da reincidência de padrões ou modelos nem da volta de acontecimentos similares ou simulacros das coisas. Contundente, o pensamento nietzschiano afirma o eterno retorno do mesmo; assevera que este momento que estamos vivendo já se deu e voltará a dar-se um número infinito de vezes exatamente da mesma maneira como se dá agora (MARTON, 2016, p. 41).