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O termo ‘Arquitetura da Informação’ (AI) foi utilizado pela primeira vez pelo arquiteto Richard Saul Wurman, em 1976, que o definiu como a “ciência e a arte de criar instruções para espaços organizados”. O autor encara o problema de busca, organização e apresentação da informação como análogo aos problemas da arquitetura de construções que irão servir às necessidades de seus moradores (MACEDO, 2005).

Não há uma definição precisa sobre o que é ou o que constitui uma Arquitetura da Informação. Observa-se, dentre os vários pesquisadores que escrevem sobre o assunto, uma grande quantidade e diversidade de definições.

Brancheau e Wetherbe (1986) afirmam que Arquitetura da Informação consiste em um plano para modelagem dos requisitos informacionais de uma organização, que provê um modo de mapear as informações necessárias à própria organização, relativas aos processos do negócio e à documentação de seus inter-relacionamentos.

Também estão disponíveis na bibliografia atual as seguintes definições:

• Davenport (1998): a Arquitetura da Informação simplesmente constitui-se de uma série de ferramentas que adaptam os recursos às necessidades da informação. Um projeto bem implementado estrutura os dados em formatos, categorias e relações específicas. A arquitetura faz a ponte entre comportamento, processos e pessoal especializado e outros aspectos da empresa, como métodos administrativos, estrutura organizacional e espaço físico.

• McGee e Prusak (1994): uma Arquitetura da Informação define qual a informação mais importante para a organização. Ela torna-se o componente de informação de uma visão estratégica ou de uma visão de informação. Um arquiteto da informação precisa combinar arte e tecnologia para definir o ambiente de informação de uma empresa. Deve, também, alcançar o equilíbrio entre as necessidades de informações da organização e as limitações da tecnologia.

• Morville (2002): a Arquitetura da Informação consiste no projeto estrutural para o compartilhamento de ambientes informacionais.

• Rosenfeld e Morville (2002): a Arquitetura da Informação consiste na combinação da organização, dicionarização e esquemas de navegação em sistemas de informação. • Bailey (2003): Arquitetura da Informação é a arte e a ciência de organizar os

sistemas de informação para auxiliar o usuário a alcançar seus objetivos. Os arquitetos da informação organizam o conteúdo e projetam sistemas de navegação para auxiliar os usuários a encontrar e gerenciar informação.

Em outros autores também é possível encontrar definições de Arquitetura da Informação fortemente relacionadas à apresentação da informação em sítios na web, confundindo o conceito de AI com o conceito de Usabilidade. Na verdade, usabilidade é apenas uma das disciplinas a serem abordadas em uma solução de AI (BELTON, 1996; WODTKE, 2002; GARRETT, 2003).

A tecnologia desempenha um papel importante em uma Arquitetura da Informação, mas o objetivo da AI é a organização e armazenagem dos objetos informacionais estruturados, semi-estruturados e não-estruturados em repositórios informacionais (bancos de dados, sistemas de arquivos, etc) providos de consistência, compartilhamento, documentação, privacidade e recuperação eficaz de seus conteúdos, sem se prender a técnicas específicas de modelagem de dados ou arquitetura de sistemas de informação.

Rosenfeld e Morville (2002) propõem o modelo representado na Figura 26 para representar a Arquitetura da Informação. Nesse modelo a AI é representada como a interseção de contexto, conteúdo e usuários. No espaço informacional de uma organização, para ser bem projetado, existe a necessidade de se conhecer os objetivos do negócio da organização (contexto), estar consciente da natureza e do volume de informações existentes e de sua taxa de crescimento (conteúdo), bem como é necessário, também, entender as necessidades e os processos de busca do público-alvo (usuários).

Figura 26 - Modelo de Arquitetura da Informação Fonte: Rosenfeld e Morville (2002)

O Instituto Asilomar para a Arquitetura de Informação (2009), que se dedica ao avanço do design de ambientes de informações compartilhadas, define AI como “O design estrutural de ambientes de informações compartilhadas” e preconiza 25 teses, dentre as quais, as mais relevantes para esta pesquisa são:

• as pessoas necessitam de informação;

• mais importante, as pessoas precisam da informação correta na hora certa; • sem a intervenção humana, a informação regride para entropia e caos;

• modelar informações para torná-las relevantes e oportunas requer trabalho humano especializado. Fazer isso para um ambiente compartilhado global, que é ele mesmo feito de informações, é um tipo de trabalho especializado relativamente novo;

• esse trabalho é um ato de arquitetura: a estruturação de informações cruas em ambientes compartilhados de informação, com forma útil e navegável, que resiste à entropia e reduz a confusão;

• esse é um novo tipo de arquitetura, que projeta estruturas de informação ao invés de tijolos, madeira, plástico e pedra;

• já existe informação de mais para compreendermos com facilidade. Cada dia haverá mais disso, não menos;

• uma das metas da arquitetura de informação é formatar a informação em um ambiente que permita aos usuários criarem, administrarem e compartilharem sua substância primordial, em uma estrutura que ofereça relevância semântica;

• outra meta da arquitetura de informação é dar forma ao ambiente para permitir que os usuários comuniquem-se, colaborem e convivam da melhor maneira;

• a arquitetura de informação trata primeiramente de pessoas e, depois, de tecnologia; • todas as pessoas têm o direito de saber onde estão, para onde vão e como chegar

onde pretendem. As pessoas buscam naturalmente por locais que supram essas necessidades essenciais, e qualquer ambiente que ignore essa lei natural atrairá e reterá menos pessoas;

• a interface é uma janela para a informação. Até mesmo a melhor interface só é tão boa quanto a informação por trás dela;

• a arquitetura de informação reconhece que sua prática é maior que qualquer metodologia única, ferramenta ou perspectiva.

Com isso, vê-se que o foco da Arquitetura da Informação está na representação semântica da informação, na organização de sua armazenagem e na otimização de sua recuperação. Em um ambiente de Arquitetura da Informação planejado, a organização da informação torna-se um elemento de vital importância para a garantia da qualidade na recuperação da informação.