BÖLÜM 3: SERAMİK SANATINDA TEKRAR
3.2. Endüstriyel ve Artistik Seramik Sanatında Tekrar Olgusunun Kullanımı
3.2.2. Artistik Seramik Alanında Tekrar Olgusunun Kullanımı
“Os concursos ainda são interessantes pela peculiaridade do caráter retórico dos textos que acompanham os projetos, oferecendo uma oportunidade única de se estudar a relação entre o desenho e o texto para o entendimento do projeto, onde a retórica se torna peça de extrema importância, pois todos os níveis da apresentação envolvem proposições e persuasão e, o sucesso de um projeto depende em grande parte da força de seus argumentos”. (SANTOS, 2002)
Uma questão a ser discutida é a de como um trabalho de arquitetura pode reviver e discutir princípios fundamentais e ao mesmo tempo satisfazer as diferentes demandas da história. As entradas em concursos ilustram bem este dilema, colocando questões relativas ao campo das idéias e da resposta criativa.
A distinção entre a arte/profissão do arquiteto e outros artistas/profissionais que também têm a representação como atividade característica parte do pressuposto de que a atividade do arquiteto se diferencia pela manutenção da referência com a construção, seja ela real ou ideal, na qual todas as etapas especulativas de desenho têm origem na presença onipresente do edifício. A representação arquitetônica inclui as representações impressionistas em palavras e imagens da arquitetura e seus espaços e todas as outras maneiras de representação que satisfaçam os critérios normativos para identificar tal representação.
Uma questão recorrente na crítica arquitetônica é justamente o conflito e a dualidade entre o abstrato e o material, o conceito representado pelo desenho e sua realização. A natureza competitiva dos concursos e sua audiência particular explicam o caráter especial de seus argumentos retóricos, diferenciados daquele que se exerce nas publicações, escolas e no contato com os clientes. As atas e textos explicativos têm o papel não apenas de divulgar resultados, mas de comunicar e conquistar a opinião de um público específico, convencendo o promotor da certeza do resultado.
A retórica é essencial nos concursos porque todos os níveis de apresentação envolvem argumentos persuasivos, nos quais o autor do projeto tenta deliberadamente trazer outros para compartilharem sua maneira de pensar um determinado problema. Isto acontece no que diz respeito aos textos e ao material gráfico. O sucesso de um projeto depende do poder de sua
aparência e apresentação para causar a receptividade e curiosidade dos não convencidos ainda de seus valores. Nos concursos o exercício retórico acontece ainda dentro dos escritórios, quando das tomadas de decisões de projeto, pois como no concurso o arquiteto não encontra o cliente diretamente, ele é, ao mesmo tempo, o protagonista e seu crítico.
Neste contexto, a ilustração aparece como ferramenta importante na troca e produção de conhecimento, pela habilidade de ser acessível e universal, além de ter se tornado fundamental para o aprendizado da arquitetura, com a emergência de livros nos quais a ilustração predomina sobre o texto, desenvolvendo a subseqüente visualização do pensamento arquitetônico. Os concursos transformam as imagens figurativas apresentadas em publicações. Neles, várias ambigüidades e hierarquias da prática arquitetônica são codificadas, e como espetáculos rituais, representam as qualidades especiais da arquitetura como arte e profissão. Nos concursos, as palavras assumem o papel de discurso de legitimação.
A representação gráfica é muito mais direta que a palavra. Explicar um projeto apenas pela palavra é difícil e soa desconexo sem o apoio do desenho. A descrição verbal segue a lógica da representação visual, onde o texto se refere a uma idéia e a sua realização imaginária. Portanto, deve existir um diálogo entre imagens e linguagem. O arquiteto começa com uma idéia de forma, explorada através de movimentos – desenhos e modelos - considerando conseqüências e implicações, num constante diálogo entre percepção visual e verbal, até a afirmação conceitual. Não é suficiente dizer que uma janela grande é necessária e esperar uma solução que imergirá sem ambigüidade. Faz-se necessário experimentar no desenho.
Os objetivos do texto são fornecer um melhor entendimento do projeto e ser objeto complementar de referência e da preocupação com seu significado. O ato do discurso busca transformar o voluntário em obrigatório, o arbitrário em necessário, o ideológico em objetivo, o falso em verdadeiro e acreditável. O texto apresenta envolvimento com outras áreas de conhecimento como filosofia, política, literatura, comportamento, e nele as palavras assumem o papel de discurso de legitimação. Devemos considerar ainda a função retórica do exagero: a explicação nos faz entender, mas o exagero nos faz antever o que será. É comum encontrarmos nos memoriais de projeto a presença termos metafóricos e termos de característica artística, palavras comparativas, que buscam comover o júri incisivamente das qualidades do projeto apresentado.
A linguagem verbal possui uma imensa liberdade com respeito às condições concretas da arquitetura e é força ativa no processo de geração de idéias e possibilidades formais devendo agir como ligação dos esforços das pessoas para atingir suas experiências de mundo e transformá-las ao nível de reflexões intelectuais.
A retórica visual engloba os desenhos do projeto, maquetes e fotos, que são retóricos no sentido de impor uma seleção de valores, valorizados ou diminuídos na apresentação; e agem interados com o texto. A tríade retórica é composta pelos desenhos, pela apresentação gráfica e pelos textos. Os desenhos de um projeto podem ser entendidos sem presença de textos explicativos, porém estes textos trazem à tona peculiaridades e ajudam a explicar melhor as qualidades arquitetônicas.
Analisar desenhos e textos separadamente é muito difícil, pois os textos sem os desenhos são vagos e levam a imaginar uma multiplicidade de diferentes soluções, e mesmo analisando os desenhos separadamente estes são a referência para os textos.
O material de um concurso ilustra como cada profissional encarou o problema proposto e como formulou e deu forma ao desenho proposto. Uma análise da retórica deste material deve considerar não apenas os memoriais dos competidores, mas todo material apresentado, desde o edital e termo de referência até a ata de julgamento. Cada etapa tem características especiais, como o caráter técnico evocativo dos editais, os memoriais que espelham o processo de cada profissional e as atas que apresentam a preocupação de um discurso legitimador de resultados.
O programa apresenta os requerimentos da competição, desde as necessidades espaciais até as exigências normativas. Mesclado à linguagem técnica necessária aparece também o caráter evocativo do programa, de extrema importância. É um texto de prescrição, descritivo, que contém idéias e desejos, mas não apresenta referência arquitetônica concreta. Os memoriais estão encapsulados dentro do processo projetual de cada concorrente, e as atas/ pareceres do júri representam as conclusões obtidas, são a legitimação verbal final do concurso.
A arquitetura pertence ao mundo dos objetos e assim pertencem também suas idéias expressas nos concursos. A retórica da competição revela o problema da dicotomia entre as idéias e a realização concreta. Os concursos devem ser tratados não como a busca do genial, como obras de exceção, mas sim como retrato das diretrizes e das idéias, dos conceitos presentes no período de sua execução. São como um retrato da profissão, dos caminhos seguidos. Um canal contínuo de troca e evolução de idéias. A retórica adotada no geral é altruísta e otimista, enfrentando a relatividade e ambigüidade entre comunicação e interpretação. Cabe o questionamento sobre a validade e frutos da discussão destas idéias ou se apenas servem para dissimular a discussão do fundamental. Por outro lado, o papel da arquitetura e seu desenvolvimento levam à peculiaridade, cada caso é diferente e único em seus questionamentos e preocupações. Projetar algo é um ato uno.
Existe uma tensão entre estes dois pólos de visualização: a visão artística da idéia arquitetônica abstrata e a realização material da obra. O compromisso mútuo entre estes dois pólos ocorre na representação gráfica. Não é apenas o mundo abstrato da visualização que contém diferentes implicações para pessoas com diferentes repertórios, mas também os termos comuns da linguagem verbal podem ser trazidos com diferentes referências. É nesta ambígua esfera de comunicação que os concursos buscam seus resultados com convicção persuasiva para obter o máximo suporte por parte de um público dividido por várias e controversas expectativas.
A arquitetura é uma atividade social, de utilidade pública, que necessita do projeto concluído, considerando os aspectos econômicos, tecnológicos, políticos, além do respeito e relação com as outras artes. A tendência a levar o caráter da profissão para o que é mítico, poético, privado de cada arquiteto, mantém o caráter artístico, mas deixa o profissional pra trás no que diz respeito as interligações com as outras áreas. Cada projeto apresentado para a sociedade contribui para a incitação ao debate da profissão, do campo de conhecimento, da arquitetura. A retórica concerne a arte do argumento, fundamental para a propagação de idéias. Os arquitetos
vêm evoluindo e melhorando a retórica na apresentação dos projetos. Isto leva à discussão do papel da arquitetura e seu lugar no mundo, onde o debate deve estar presente para firmar o papel da arquitetura no futuro dos empreendimentos humanos.
Coletar os projetos ainda “por realizar”, como no caso dos concursos, remete ao debate da idéia antes da realização, ao contrário da análise crítica que usualmente se faz, da visão retrospectiva que parte do real e vai retornando até o campo das idéias, analisando resultados.
Questões gerais sobre o tratamento de fontes gráficas:
Fontes gráficas são todos os documentos que se expressam através de uma linguagem de formas, como fotografias, quadros, desenhos, mapas e planos e que só possuem, marginalmente, alguma complementação em linguagem escrita (títulos, carimbos, assinaturas). Estes documentos gráficos são abundantes, mas poucas vezes extraímos deles toda a informação que encerram, porém os documentos apresentam muita informação conotativa que aponta valores implícitos e que demandam procedimentos específicos.
O material gráfico, que é tão ou mais importante que o texto escrito, só pode aludir indiretamente ao objeto de estudo. Os projetos (realizados antes do edifício) e as fotos (depois do edifício concluído) são substitutos representacionais insuficientes para mostrar a realidade histórica de um edifício realizado em determinado lugar e momento específico, porém, com todas suas limitações, desenhos e fotos são indispensáveis para falar de arquitetura.
Atualmente, a indagação dos projetos originais começa a substituir uma prática até então corriqueira, a de se redesenhar os desenhos para obter um tipo de grafismo homogêneo e uma publicação visualmente coerente. Esta prática “presentizava” os projetos e apagava as marcas do tempo, fundamentais para uma avaliação de seu papel no desenvolvimento da arquitetura.
As fontes primárias e secundárias não devem se excluir e sim se complementarem, desde que encaradas com o devido cuidado e a partir de suas especificidades. As coleções de revistas, folhetos, livros publicados, também podem ser considerados fontes primárias, como também documentos muito distintos como recibos, listados, gravações e materiais gráficos. No caso dos concursos ainda temos todo o material relativo à divulgação e regulamentos dos eventos - editais, atas, termos de referência, projetos apresentados, entre outros.
A instância projetual é a manifestação mais direta do arquiteto e a que expressa melhor suas intenções criativas. Com freqüência os projetos não coincidem com a construção final, abrindo caminho para a comparação e interpretações dos processos. Os desenhos de um projeto são a evidência mais direta de um edifício que desapareceu ou nunca foi construído.
A qualidade e o tipo de desenho expressam a atitude do arquiteto frente ao desenho, sua habilidade profissional, seus interesses, referências e a solidez de sua formação. A quantidade e precisão dos desenhos técnicos indicam as características dos processos construtivos e a importância relativa de cada edificação. O estudo de arquivos originais pode dar luzes sobre as relações profissionais, os gostos imperantes, a existência de comunidades artísticas e intelectuais ou a posição de determinada arquitetura em relação às correntes internacionais.
"Retórica: Arte de persuadir com o uso de instrumentos lingüísticos. Arte de guiar a alma por meio de raciocínios, não somente nos tribunais e assembléias, mas também nas conversações particulares. Para Aristóteles: faculdade de considerar em qualquer caso, os meios de persuasão disponíveis. A técnica de persuasão, a capacidade de usar a linguagem para criar as expressões mais bem feitas e tecnicamente elaboradas. Deve, contudo, estar sempre unida ao exercício da filosofia (construção essencial de todos nos princípios cognitivos). Se na esfera do saber humano, a parte do incerto, do provável , é mais ou menos ampla, a persuasão pode ter alguma função e sua arte pode ser cultivada.
Representação: Vocábulo de origem medieval que indica imagem ou idéia, ou ambas as coisas. Processo de apresentação de algo por meio de signos. (ABBAGNANO, 1999.)"