1.4 Öğretim Tasarımı
1.4.2 ARCS öğretim tasarımı modeli (John Keller)
É chegada a hora de fazer um balanço a respeito da pesquisa realizada. O levantamento bibliográfico permitiu uma avaliação crítica das teorias que visam problematizar as situações de exclusão social que predominam em nossas sociedades.
Nesse sentido, foi importante resgatar o debate sobre a “inclusão perversa”. Esse conceito pareceu feliz à hora de construir o marco interpretativo a respeito das situações de marginalização social, política e cultural que cercam a vida e o cotidiano das populações assentadas nas regiões periféricas da cidade.
Foi de extrema importância à possibilidade de problematizar os fatores da referida exclusão social, ou da inclusão perversa, na população infanto-juvenil que freqüenta a escola. As indicações sobre o peso e a influência das dinâmicas institucionais e sociais contidas na escola, permitiram situar melhor a combinação dos referidos mecanismos de exclusão social com os que atravessam o sistema escolar. Foi importante verificar que exclusão social e exclusão escolar estão intimamente relacionadas nos tempos de hoje. Principalmente à hora de se efetivar as promessas (frustradas) da universalização dos direitos e das liberdades ao acesso e à permanência no sistema de ensino.
Mas esse debate, sempre vivo e intenso dada a centralidade da instituição escolar na reprodução das relações sociais, ficou ainda mais desafiador ao servir de base para o entendimento das condições reais de existência das formas de trabalho infantil na cidade de São Paulo.
Por se tratar de uma cidade mundial, espaço articulador dos principais fluxos gerenciais e econômicos do capitalismo, a opção pela discussão do trabalho infantil se tornou um desafio de análise muito grande.
Configurou o desafio de descortinar uma realidade invisível, não por irreal mas por não ser facilmente aparente. Com todas as contradições próprias de uma cidade global, São Paulo se apresenta como uma cidade rica, pelo menos pela lógica das médias e pelo olhar homogeneizador do recurso fácil à observação apenas positiva. A possibilidade de enxergar realidades diferenciadas no tecido social paulistano depende de uma sintonia fina que convida ao exercício da interdisciplinariedade.
Por esse motivo, foi muito importante o esforço que a autora espera que tenha sido bem sucedido para garantir esse diálogo com as contribuições oriundas da geografia, da psicologia social, da filosofia, da ciência política, da antropologia e, principalmente, da sociologia. Foi desafiador tentar montar esse caleidoscópio de visões e sensibilidades para tentar dar conta de um objeto de estudo marcado pela “aparente intransparência”.
Significou exercitar, em todos os momentos, o difícil equilíbrio da investigadora e da cidadã. Em muitos momentos, interrogando uma a outra sobre o sentido mais profundo da empreitada que estava sendo realizada. Foi uma atividade que colocou em xeque muitos “lugares-comuns” naturalizados e congelados sob o manto do senso comum. Pondo em evidência a necessidade, ou talvez a urgência, de uma revisão profunda das concepções que cercam o conhecimento e a prática sociais.
Sem temor às dúvidas e incertezas, a realização envolveu o desafio de refletir sobre realidades muito tocantes: a própria questão da infância, a noção de periferia em uma cidade “global”, o problema do significado do sujeito da ação social e política uma vez que se lida com realidades marcadas pela referida invisibilidade ou intransparência.
A questão da infância, um termo que evoca, segundo César Muñoz, o ocultamento ou o silenciamento de toda uma parcela da sociedade, é desde o começo um desafio de análise importante. Como entender seus sinais? Como
conseguir ir além das formulações ocas de uma perspectiva normatizadora e puramente funcional sem atender aos desafios de uma presença que, pelas condições sociais, políticas e culturais de interdição que padece, não consegue senão se manifestar de modo indireto, demandando sempre a interferência do outro, seja esse o Estado, as instituições ou as figuras do mundo adulto.
Nesse percurso, foi importante a certeza da aposta e da validade das hipóteses que haviam sido formuladas. Em se tratando do debate sobre o trabalho infantil, essas questões se tornam ainda mais cruciais. Como conciliar uma perspectiva crítica a respeito das formas de exploração do trabalho infantil que a boa consciência cidadã e democrática ajuda a rejeitar, com o igualmente duro questionamento à idéia de proteção e tutela de uma parte da sociedade sobre a outra. Ou seja, dos adultos sobre as crianças e adolescentes. Em que medida, os direitos da participação e da cidadania plenas tem que ser nuançados pelas salvaguardas construídas para preservar o potencial e as possibilidades do desenvolvimento humano. Tentou-se encontrar em todos os momentos o difícil equilíbrio buscando sempre o reforço dos princípios de autonomia e de liberdade que animam todos os seres humanos, independentemente de sexo, etnia, idade e outras determinações históricas, sociais e culturais.
A problemática da periferia da cidade global, de outro lado, salta aos olhos diante do desafio de apanhar a singularidade da experiência de vida dos grandes contingentes humanos que se assentam de modo precário nesse grande complexo urbano que a cidade sintetiza. Para essa discussão, tão importante quanto as realidades da vida e do cotidiano em uma região desprovida dos principais atributos para o exercício livre dos direitos humanos elementares, é importante apanhar as formas de exercício da sociabilidade primária que se configuram como a base de sustentação de homens, mulheres e crianças submetidos à dura luta pela sobrevivência. A família, espaço institucional propício ao exercício milenar das
desigualdades, configura-se também como espaço social essencial para a constituição das condições sociais da reprodução da sociedade.
Há uma dialética essencial entre as estruturas sociais que sustentam a vida social e a presença, muitas vezes, contraditória dos atores sociais. A verdade é que, as famílias, têm funcionado como peças essenciais para a continuidade dos grupos humanos nessas regiões de periferia. Os arranjos e rearranjos econônomicos envolvendo as relações hierárquicas e de gênero ao interior do universo, tem explicado muito sobre essas realidades envolvendo a população pobre e trabalhadora da cidade.
Finalmente, a pesquisa se debruçou sobre os fatores que possibilitam o surgimento de movimentos sociais e comportamentos coletivos, envolvendo o objeto de estudo. Nesse terreno, foram importantes as indicações teóricas e da própria experiência envolvendo o surgimento de ações coletivas com base no protagonismo infanto-juvenil. Para o desvendamento das possibilidades dessa ação coletiva foram importantes as indicações da pedagogia da vida cotidiana. Com essa pedagogia foi possível redesenhar as possibilidades do reconhecimento de adultos e de crianças para o estabelecimento de uma relação de cumplicidade intergeracional capaz de forjar acordos entre diferentes e plurais.
O reconhecimento dessas possibilidades de cooperação recíproca, entre crianças e adultos, são inovações e invenções que descortinam um leque de possibilidades mais promissor de reconstrução dos direitos e da cidadania.
É verdade, também, que o surgimento de movimentos e ações coletivas envolvendo pessoas desses grupos etários demanda o enfrentamento de contradições e situações de conflito. Traqüiliza saber que essas contradições e esses conflitos estão há muito tempo instaurados nas relações sociais.
A pesquisa realizada nos fez entender melhor sobre os temas que foram objeto de análise mas ela ficou devendo em um aspecto que ultrapassa seus limites
enquanto exercício intelectual de conhecimento e reconhecimento. Ficou aquém na consecussão de uma teoria explicativa sobre as questões relacionadas no trabalho infantil envolvendo estudantes da grande cidade.
Há uma convicção forte de que a descoberta mais abrangente pode ser preparada pelo trabalho de pesquisas monográficas como as que se apresenta aqui. A realidade é mais desafiadora do que nossa vontade individual de mudança.
A trajetória do presente trabalho tinha como objetivo inicial o combate ao trabalho infanto-juvenil. Mas a realidade se impôs obrigando a relativizar e problematizar essa questão.
A despeito das realidades e das promessas da pesquisa, desenha-se a convicção forte de que novas realidades estão prestes a ganhar transparência e luminosidade próprias. Esse é o desafio que alimenta nossa reflexão, nossa prática e a de muitos que estão juntos nessa caminhada.
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