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Arapça Cümle Kurgusunda Cerharflerinin Önemi

Em Persépolis, verifica-se um estilo visual que remete ao Expressionismo alemão: “De forma geral, a arte expressionista traduzia, simbolicamente, pelas linhas, formas e volumes, o estado de alma dos personagens; a decoração tornava-se a expressão plástica de seu drama” (NAZARIO, 1999, p. 162). E se, como afirma Luiz Nazario (Ibidem, p. 149), o termo

Expressionismo “passou a definir toda a arte na qual a forma não nasce diretamente da realidade observada, mas de reações subjetivas à realidade”, Marjane se utiliza dessa forma

para concretizar sua própria subjetividade, com base em sua vivência.

Em um estudo de caso sobre a história em quadrinhos Persépolis, Mendonça (2006) chama a

atenção para o uso da luz para destacar “a expressão de medo nos rostos dos personagens em meio ao conflito”.

Um elemento visual importante no trabalho de Satrapi é a luz. A artista optou pelos contrastes entre claro e escuro numa história em quadrinhos em preto e branco, o que só contribui para a carga dramática envolta em sua história pessoal e nos acontecimentos narrados por ela (Ibidem, p. 56).

Essa característica, típica do Expressionismo alemão, foi mantida conscientemente no filme homônimo, como se pode constatar na composição de enquadramentos, a seguir (FIG. 23).

Quando falávamos com os animadores ou as pessoas que faziam os cenários, dávamos como referência, por exemplo, o Expressionismo alemão... Como Murnau, Fritz Lang, o Neorrealismo italiano... O que queríamos nunca havia sido animado. Nós queríamos algo real, próximo à realidade. A animação em si, toda em preto e branco (DVD 2 - Menu “Os bastidores de Persépolis”, aos 4min30s).

Esse depoimento pode ser ilustrado pelas cenas a seguir (FIG. 24):

FIGURA 24 - Fotogramas do filme Persépolis, aos 8min17s e 8min18s, respectivamente

Em determinadas cenas, como essas (FIG. 24), as sombras - “metáfora do inconsciente, do

lado obscuro da mente, do material reprimido” (NAZARIO, 1999, p. 165) - têm “vida própria”, assim como nas propostas cinematográficas do movimento artístico da década de

1920. Ouve-se a respiração dos soldados, abafada em máscaras, e a voz da multidão, sob o

background de música característica do Expressionismo e seus sons desarmônicos, que

traduzem sentimentos intensos e desesperados. Esse estilo musical é constante no filme, em momentos de conflito interior e exterior.

A temática expressionista do medo, da morte e da agonia, as “visões” e “alucinações”, com

suas cidades labirínticas, cenários irrealistas e criaturas estranhas, bem como a composição de imagens entre sombras e luz (VANOYE; GOLIOT-LÉTÉ, 2002, p. 33) representam a história de vida de Marjane Satrapi: uma criança que cresce testemunhando os horrores de duas guerras, perde parentes e amigos, e presencia a destruição de sua cidade pelos incessantes bombardeios, em um constante clima de pesadelo.

Mesmo quando o personagem se encontra na Europa, “longe” dos horrores da guerra, os

traços expressionistas não desaparecem (FIG. 25). Enquanto Marjane conta sua dificuldade em encontrar abrigo, as portas, janelas e paredes dos prédios têm linhas tortas, desproporcionais e sem perspectiva, auxiliando a externar suas emoções e sua subjetividade diante dos acontecimentos sofridos. Como afirma Nazario: “Contra a reprodução mecânica do

que se vê, a criação do próprio testemunho. ‘No filme expressionista’, escreveu Rudolf Kurtz,

em Expréssionisme et Cinéma, ‘a ação mais profunda se passa no escuro da alma’” (NAZARIO, 1999, p. 163).

FIGURA 25 - Fotogramas do filme Persépolis

Outra característica do movimento expressionista, a deformação da natureza, é também constante no filme, por meio de árvores retorcidas (FIG. 26), refletindo-se, mais uma vez, sobre o que pontua Nazario: “A natureza real é [...] suprimida e remodelada: a lua, as nuvens, os arco-íris e os raios de sol, pintados no cenário, participam dos fluxos anímicos dos

personagens” (Ibidem, p. 163).

FIGURA 26 - Fotogramas do filme Persépolis

Assim como na pintura expressionista, também no filme a natureza é negada enquanto tal, e deformada para expressar as convulsões da alma: a paisagem natural é cenografada para simbolizar - na vegetação ressecada [...]; ou na árvore chorona e retorcida, localizada no alto de um morro -, a claustrofobia existencial (Ibidem, p. 163).

Verifica-se, assim, a influência desse movimento artístico como estética propícia à narrativa proposta por Marjane, capaz de transmitir sua subjetividade para o espectador. Essa influência se evidencia, ainda, como citação intertextual, ao fazer referência ao quadro O Grito, de Edward Munch (FIG. 27 e 28).

FIGURA 27 - O Grito, Edward Munch

FIGURA 28 - Fotograma do filme Persépolis

Vanoye e Goliot-Lété (2002) contam que essa influência do Expressionismo alemão da década de 1920 se estende até o cinema contemporâneo:

Todos esses movimentos - é o destino dos movimentos estéticos - apagaram-se em seu tempo por motivos diversos (ideológicos e políticos, econômicos). Contudo, por um ou outro de seus aspectos, infiltraram-se no cinema clássico e não cessaram de influenciar todo o cinema ulterior (Ibidem, 2002, p. 33).

Ainda que reconheça essa referência, Marjane rejeita dar ao filme um tom depressivo e, por

causa do ritmo e da narrativa, ela conta que cortou “cenas maravilhosas”, segundo ela, do

ponto de vista artístico:

Isso deixaria o filme sombrio demais. Neste filme, nós tentamos, o tempo todo, mostrar coisas tristes contrastadas com coisas não tão tristes. […] Jamais fazemos nada por ser certo, fizemos para ter um filme bom. E, se for necessário cortar cenas maravilhosas para manter o foco do filme, nós o faremos (DVD 2 - Menu

“Comparando as animações”, aos 2min14s).

A deformação de personagens ocorre de forma mais significativa principalmente em situações em que Marjane deseja exprimir sentimentos intensos, tais como a descoberta da traição de Markus, o que o transforma em um monstro asqueroso (FIG. 29).

FIGURA 29 - Fotogramas do filme Persépolis

O próprio personagem de Marjane também se transforma em outros momentos marcantes de

intensa emoção (FIG. 30), exacerbando seu “estado de alma”.

FIGURA 30 - Fotogramas do filme Persépolis

Entendendo o Expressionismo alemão no cinema como um movimento artístico, carregado de ideologia indissociável da situação histórica e política da Alemanha nos anos 20, toda manifestação fora desse contexto local e temporal é descaracterizado como tal, podendo ser considerado um estilema, ou seja, não há a filosofia do expressionismo. Permanecem apenas alguns estilos, tais como as sombras, contrastes e deformações (RESENDE, 2014, p. 6).

Dentro do que coloca Resende (2014), a presença desses elementos não basta para classificar uma obra como expressionista. Para tanto, seria preciso analisar o texto e o contexto do filme, a fim de diferenciar um estilo de um estilema. Isso porque o Expressionismo alemão surgiu dentro de um contexto histórico que se perdeu. Assim, pode-se até imitar a forma, mas o contexto histórico se perde. Entretanto é notável o uso de características formais que aludem ao Expressionismo como estratégia narrativa eficaz ao que a cineasta propõe.

Benzer Belgeler