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2.5. OPSİYON ALIM-SATIM STRATEJİLERİ

2.5.2. Aralık Stratejileri (Spreads)

Com a implantação do regime militar, a questão urbana estadual e municipal é subordinada à esfera federal, que também passou a centralizar as questões relacionadas às políticas sociais. Foram criados o Banco Nacional da Habitação, BNH e o Sistema Federal de Habitação – SFH, que tinham a dupla missão de construir para a recuperação da economia pela indução de investimentos maciços no setor da construção e oferecer alguns benefícios às massas urbanas. No sentido

de complementar o SFH, o Governo criou o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo – SERFHAU, para o tratamento dos emergentes problemas urbanos.

Nesse período, o Ato Institucional N° 5 suspendeu as garantias constitucionais do cidadão e dotou o Presidente da República de poderes para intervir em municípios e estados brasileiros. Assim, a escolha do ocupante do cargo de prefeito municipal ficava subordinado ao Poder Central, ao entender que os gestores municipais não deveriam ter experiência político-partidária, que fossem de preferência técnicos ou burocratas; assim, funcionavam como gestores neutros.

Em 1967, com o intuito de ordenar melhor o crescimento e desenvolvimento do País, em virtude das migrações, provenientes do êxodo rural e, conseqüentemente do rápido processo de urbanização brasileira, além das dificuldades de governar o País de forma centralizadora, são criadas, com a outorga da Constituição Brasileira de 1967, as regiões metropolitanas, as quais só iriam ser oficialmente instituídas em 1973.

Para a institucionalização destas regiões, o Governo Federal elaborou uma metodologia de planejamento, exposta nos Planos de Desenvolvimento Integrado – PDIs, que se iniciavam, definindo, em estudos elaborados, quais eram os municípios pertencentes à região metropolitana, e sua cidade-pólo, isto é sua metrópole. Assim, foram instituídas as regiões metropolitanas de Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Belém, Fortaleza e do Rio de Janeiro.

Os PDIs visavam também ao desenvolvimento socioeconômico dos municípios brasileiros, além de definir uma organização físico-territorial. Tais planos, entretanto, como foram elaborados somente por um viés tecnicista, não correspondendo à realidade vivenciada por tais municípios.

Santos Jr. (1995) noticia que

A constatação do evidente fracasso da política centralizada de planejamento praticada pelo regime autoritário, aliada as criticas de importantes setores técnicos e acadêmicos, fez com que, já a partir de meados da década de 70, o Governo Federal começasse a abandonar as tentativas globalizantes e integradas de planejamento, iniciando então, o que nos anos 80, seria chamado de planejamento participativo. (p.36).

Após o regime militar ditatorial, findado em 1985, e com a proposta de uma nova Constituição, as conseqüências das mudanças na urbanização da sociedade brasileira foram profundas, principalmente porque a elaboração da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 busca, como um dos protagonistas desse processo, a participação da sociedade.

O Movimento pela Reforma Urbana – MRU16 desenvolveu-se com maior força no período da discussão sobre a nova Constituição, trazendo para o debate constitucional as questões da gestão municipal, do planejamento, da política urbana e do meio ambiente. Responsável pela elaboração da emenda popular ao Projeto de Constituição, o MRU buscou construir princípios e instrumentos de planejamento e gestão das cidades. Esta emenda popular contou com cerca de 200.000 assinaturas e contribuiu para a incorporação do capítulo da política urbana no Texto Constitucional, porém, a Constituição Federal de 1988 incorporou somente alguns dos princípios do Movimento pela Reforma Urbana, explicitados nos artigos 182 e 183 da Carta Magna.

De acordo com a CF/88 (Brasil, 1988),

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.

§ 1º - O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.

§ 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.

§ 3º - As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.

§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: I - parcelamento ou edificação compulsórios;

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.

16 O Movimento pela Reforma Urbana – MRU foi um movimento de diversos setores sociais do Brasil,

iniciado no final de 1970, no sentido de promover uma reforma urbana no País, de forma a garantir uma cidade justa para todos.

Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1º - O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.

§ 2º - Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.

§ 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

Os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, componentes do capítulo que dispõe sobre a política urbana, seriam auto-aplicáveis, segundo o entendimento de alguns juristas mais progressistas, no entanto, não foi o entendimento tido pelo Supremo Tribunal Federal – STF17. Além disso, havia demanda de instrumentos para que se pudesse realizar uma gestão coerente com o conteúdo constitucional nas cidades brasileiras. Assim surgiu o Estatuto da Cidade18.

A aprovação do Estatuto da Cidade foi concebida pelos partidários do MRU, no Fórum Nacional pela Reforma Urbana – FNRU, como a conquista de um valioso instrumento de política urbana que, se apropriado pela população organizada e pelos municípios com o objetivo de realizar a função social da propriedade e da cidade nos municípios brasileiros, será de grande utilidade na mudança do quadro de desigualdade, exclusão e segregação, bem como será uma grande contribuição na luta por cidades justas, humanas, democráticas.

Em 10 de julho de 2001, a Lei N° 10.257, denominada também de Estatuto da Cidade, foi finalmente aprovada, vigorando desde o dia 10 de outubro do referido ano. O Estatuto da Cidade dispõe sobre as seguintes matérias:

• Diretrizes Gerais da Política Urbana, onde são definidas as diretrizes gerais que devem ser observadas pelo Governo Federal, governos estaduais e municipais, que possam garantir o pleno desenvolvimento das funções sociais da propriedade urbana e da cidade, como a garantia do direito às cidades sustentáveis, e ao desenvolvimento de gestões democráticas nas cidades.

17

O Supremo Tribunal Federal – STF o órgão maior do Poder Judiciário Brasileiro.

18 O Estatuto da Cidade é um projeto de lei federal que tem por objetivo instituir uma lei nacional que é a

Lei Federal de Desenvolvimento Urbano – LDU, visando, assim, a regulamentação do capítulo de política urbana da Constituição Brasileira de 1988.

• Instrumentos de Política Urbana, que definem quais são as ferramentas que o Poder Público, especialmente municipal, devem utilizar para enfrentar os problemas de desigualdade social e territorial nas cidades:

− instrumentos do parágrafo 4º do art. 182 da Constituição Brasileira – Parcelamento e edificação compulsória de áreas e imóveis urbanos, Imposto Territorial sobre a Propriedade Urbana – IPTU, desapropriação para fins de reforma urbana;

− instrumentos de regularização fundiária – usucapião especial de imóvel urbano; concessão de uso especial para fins de moradia; concessão do direito real de uso;

− instrumentos urbanísticos – direito de superfície; direito de preempção; outorga onerosa do direito de construir; transferência do direito de construir; operações urbanas consorciadas; estudo de impacto de vizinhança;

• Plano Diretor, que é considerado o instrumento básico da política urbana municipal.

• Gestão Democrática da Cidade, visando a atender o princípio constitucional da participação popular, o Estatuto da Cidade define os instrumentos que devem ser utilizados para garantir a gestão democrática da cidade.

O Estatuto da Cidade veio abarcar um conjunto de princípios – no qual está expressa uma concepção de cidade, de planejamento e gestão urbanos – e uma série de instrumentos que, como a própria denominação define, são meios para atingir as finalidades pretendidas. O Estatuto da Cidade, entretanto, apesar de ser o instrumento-mestre no que se refere à política urbana brasileira, apenas representa o início de uma nova visão do processo de renovação desta política.