K- Ortalama Yöntemine Göre Kat•l•mc•lar•n Finansal Okuryazarl•k Düzeyleri
3.3.5 Ara•t•rma Hipotezlerinin Test Edilmesi ve Ki Kare Analizi
Para entender o grau de competição entre produtos diferenciados, é adequado valer-se de um instrumento econômico bastante útil – as elasticidades, em especial, a elasticidade-preço do produto e a elasticidade-preço cruzada da demanda entre dois ou mais produtos.
A elasticidade-preço específica de um dado produto mede a variação na quantidade de vendas desse produto quando há um aumento de 1% (um por cento) no seu preço. A elasticidade-preço cruzada da demanda, por sua vez, refere-se à variação percentual da quantidade demandada de uma mercadoria que resultará no aumento de um ponto percentual no preço de outra (PINDYCK; RUBINFELD, 2010).
Ao medir as elasticidades no caso de produtos diferenciados, encontra-se um contínuo de substituição, isto é, produtos mais ou menos substituíveis entre si. Dessa maneira, percebe-se que a definição de mercado não é automática.
A depender dos atributos dos produtos, o aumento de preço de um produto A pode fazer com que consumidores migrem para outro produto B e C, mas se houver um aumento no produto B, a migração pode ocorrer para os produtos A e D.
David Evans, em seu artigo “Lightening Up on Market Definition” (2010), traz uma figura muito elucidativa para demonstrar que não existe “a” definição de mercado, mas sim várias possibilidades.
Para tanto, considera um conjunto de produtos com dois atributos (ex. duração da bateria e resolução da tela) que são medidos pelos eixos horizontal e vertical da Figura 3.1 abaixo. O preço, por sua vez, é medido pelo tamanho da bolha. Os produtos têm preços maiores ou menores, mas oferecem diferentes combinações dos atributos. No exemplo, os consumidores não têm preferências uniformes sobre o valor dos atributos de maneira que não faz sentido delimitar o mercado de forma rigorosa.
Figura 3.1 – Definição de mercado para um grupo de produtos diferenciados (EVANS, 2010).
Fazer um recorte de mercado, portanto, é um exercício que pode trazer resultados perigosos. Pode-se definir um mercado de forma demasiadamente ampla, sem prestar atenção às peculiaridades e pressões competitivas entre categorias específicas de produtos, ou, ainda, pode-se definir um mercado de forma restrita demais, bloqueando uma operação ou impondo-se restrições estruturais ou comportamentais desnecessárias.
Ademais, o tradicional teste do monopolista hipotético76 não ilumina a definição de mercado em produtos diferenciados, uma vez que um “pequeno porém significativo e não transitório” aumento de preços, geralmente calculado com base em supostos aumentos de 5-10% nos preços do produto, tendem a não ser adequados, tendo em vista que, no contexto de um mercado diferenciado, produtos podem ser substitutos próximos ainda que o aumento de 10% no preço de um produto A não gere migração para um produto B, apenas acréscimos percentuais superiores de preço. Isso porque a racionalidade em mercados diferenciados é criar uma lealdade tal no consumidor que a firma possa cobrar preços monopolísticos.
Nesse sentido, o uso das elasticidades é mais apropriado quando se pensa em verificar o grau de competição entre um conjunto de produtos. Segundo Lemley e Mckenna (2012, p. 2083-2084):
76 Segundo o teste do monopolista hipotético, o mercado relevante é definido como o menor grupo de
produtos e a menor área geográfica necessários para que um suposto monopolista esteja em condições de impor um “pequeno porém significativo e não transitório” aumento de preços (BRASIL, 2001).
“It might seem odd to say that two functionally identical products are in separate markets. But that is because markets aren’t always about function; consumers’ beliefs about products can drive purchasing behavior even if those beliefs are not based in reality. (…) IP rights can create their own antitrust market in any product in which consumer loyalty to the brand is strong enough, or in which IP rights make the products different enough”.
O problema da identificação de mercados, portanto, não é trivial. Ferramentas econômicas podem ser utilizadas para elucidar hipóteses e melhor informar o órgão decisório. Porém, nem sempre dados de preços estarão disponíveis para cálculo de elasticidades; ainda que estejam, a definição do mercado vai exigir um corte que não deixa de ter certo grau de discricionariedade;77 e as informações fornecidas nunca são (totalmente) neutras. Ademais, o processo administrativo antitruste ou judicial tem um prazo, de maneira que o tempo para colher informações é escasso e o julgador deve decidir com aquelas informações limitadas constantes no processo.
Trata-se do problema denominado por Baker e Bresnahan (2006, p. 4) de “informação local”. Para os autores, a informação é local pela óbvia razão que o processo em qualquer investigação ou caso é necessariamente limitado em escopo. Os litigantes não têm nem tempo nem recursos infinitos para colher informações. Ademais, a informação também é local por uma razão mais sutil: porque inferências sobre conceitos econômicos como poder de mercado ou eficiências quantitativas ou qualitativas nunca são feitas dentro de um vácuo.
Tendo em vista essas dificuldades de obtenção de informações precisas, é importante utilizar-se de todos os dados disponíveis, sejam eles qualitativos sejam quantitativos (BAKER; BRESNAHAM, 2006).78 Nesse sentido, vale não só dados de preço para cálculo de elasticidade, mas também outras informações sobre
77 Conforme ensina Maisel (1983, p. 49), “While the correct approach to defining the relevant product
market is easy to state, focusing as it does solely on cross-elasticity of demand, it is often very difficult to apply in practice. Courts are usually confronted with a continuum, running from close and obvious substitutes, to less good substitutes, to distant ones. They are required to draw a line somewhere on that continuum separating those substitutes that effectively limit the pricing freedom of the target companies from those that do not. The ultimate choice will often be somewhat arbitrary, and there may be little useful information available to guide the court in making its decision”.
78 Ainda segundo os autores, “ (…) courts must decide antitrust cases reasonably expeditiously, for good
public policy reasons, which sometimes constrains the amount of information and especially data available for analysis. This makes the use of multiple sources of evidence particularly valuable” (BAKER; BRESNAHAM, 2006, p. 15).
comportamento do consumidor. Importante notar, todavia, que dependendo do tipo de indústria de que se trate, um tipo de dado pode ser mais adequado que outro.
Diante dessas questões, importante analisar como tem sido enfrentada a questão de definição de mercados diferenciados.