ÜCRET DÜZENSİZLİĞİNİN ÖRGÜTSEL BAĞLILIK VE İŞTEN AYRILMA NİYETİNE
THE EFFECT OF WAGE IRREGULARITY ON
5. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
Todo o percurso comum entre humanidade e pombos no ambiente construído pelo homem foi marcado por uma relação ambígua. Enquanto os pombos eram singelos, indefesos e belos também representavam alimento (para o corpo). Em algumas culturas passou a ser associado a deuses, tamanha sua semelhança física ou virtual, enquanto ainda era brinquedo para crianças e alimento, o que tornou a confirmar a ambigüidade. Na religião católica, ocidentalmente preponderante, esta ambigüidade é reafirmada na manutenção das projeções religiosas, mantendo-o como reflexo do sustento (da alma), embora seja ainda apreciado na culinária.
No campo comum das representações sociais, observou-se que os transeuntes partilham três concepções do pombo: o emblema, o adorno natural e o animal. Enquanto é o portador da carga mítica de liberdade e símbolo da paz, também reintegra a natureza nos locais urbanizados e é o causador de sujeira, sendo estes os elementos mais relevantes da representação. Na concepção religiosa, virtuosa e projetiva, o pombo significa a possibilidade de superação e almejo de qualidades divinas, dificilmente alcançadas. Mas sempre se mantém à mão na presença do pombo, como se ele estivesse a lembrar constantemente que é possível chegar a tal proeza. O estímulo é a proximidade física, que o torna palpável tanto quanto o direito às nobres virtudes. Ainda há o simbolismo da paz, que está intimamente ligado à imagem de crianças tanto quanto da pomba da paz, imagem sempre usada oportunamente pela mídia. As imagens que se fazem de crianças é que são imaculadas, ingênuas e puras, adjetivos que, não apenas coincidentemente, formam uma interseção com a imagem do pombo. Ambos são como semelhantes, equiparados em suas qualidades, e presenciar a brincadeira de crianças se deliciando com pombos soltos é um espetáculo à parte para muitos dos sujeitos.
A concepção do ornamento natural existe pela sensação de liberdade, sempre atribuída ao ambiente intocado pelo homem. O pombo urbano não ser domesticado e viver tão próximo às pessoas, se alimentando na mão delas, bebendo próximo aos seus pés e vindo em sua direção por livre e espontânea vontade possui efeito embevecedor. A natureza intocada e tão perto da
humanidade por vontade própria é sedutor, e remete ao quadro imutável da natureza intocada como a natureza perfeita. Mocovici (2003) considera o estudo do ser humano enquanto ele faz perguntas e procura respostas ou pensa, e não enquanto ele processa qualquer informação ou se comporta. “Mais precisamente, enquanto seu objetivo não é comportar-se, mas
compreender” (p.43). E esta concepção é exclusivamente uma busca de respostas para uma
configuração que foge ao padrão de relação que a humanidade mantém com a natureza, ora degradando, ora submetendo, ora preservando, e sempre dominando para tê-la por perto.
A terceira concepção demonstra traços de realismo na representação social. Isto quer dizer que a representação não é composta apenas por figuras imaginárias e simbólicas, sendo ancorada também em descobertas científicas recentes, mas que já fazem parte do cotidiano dos que convivem com pombos nas cidades. Informações resultantes de estudos ecológicos e ambientais já foram aceitas e se tornaram senso comum, passando a ser estruturadas em conhecimento pela sociedade, o que significa um processo de transformação representacional. Esse conhecimento tem orientado a percepção do pombo nas áreas públicas. A transmissão de doenças, o ato de alimentá-los e a sujeira são marcantes nesta imagem do pombo, muito embora a distração e as crianças também o sejam. Os transeuntes, de uma forma geral, não transitam pela Praça da Bandeira com pouca freqüência, o que determina um posicionamento definido. É raro observar uma pessoa indiferente aos pombos: ou adoram ou suportam sua presença. Alguns não se importam com as fezes dos pombos ou sua mira, permanecendo entretidos com sua doçura e sutileza por todo tempo. Por outro lado, este aspecto é incisivo, principalmente, pela preocupação de outros de não se tornarem alvo da mira dos pombos. Existe certa preocupação com a transmissão de doenças, mas é insignificante a crença de que se pode adoecer quando exposto à poeira das fezes dos pombos.
A representação social hegemônica do pombo para estes sujeitos é conflitante, pois um se apresenta sublime e altivo, sempre defensável por sua fragilidade; e o outro é sujo e feio, sendo culpado pelo constrangimento das defecadas na roupa, corpo e cabelo. Esta ligação
relacional vai sendo definida pela origem cultural e pela sociedade, delimitando o que é cultura e o que é natureza, construindo e reconstruindo as representações sociais do pombo e da população. O enfoque destas diferenças se apresenta nos grupos masculino e feminino. Embora os resultados apresentem inicialmente as mesmas concepções, quando da comparação entre eles, surgem diferentes posicionamentos, de acordo com as diferenças de idade e escolaridade.
O grupo masculino destaca a concepção religiosa, simbólica (liberdade) e biológica, voltada basicamente para ao conforto espiritual, a sensação de poder diante do mundo e o incômodo da presença dos pombos na rotina da praça, respectivamente. O grupo feminino não difere na essência da concepção do pombo, retratando a segurança trazida pela paz, a relação afetivo-religiosa e o aspecto biológico que traduz a realidade do ambiente social.
A interferência da faixa etária na percepção do pombo é significativa à medida que os jovens e adultos apresentam uma concepção dúbia, associando-o ao imaginário e ao real. Este posicionamento parece ser influenciado pela escolaridade, que até a faixa adulta o maior percentual situa-se no Ensino Médio. Os idosos tendem a apresentar uma concepção única, romântica e pouco preocupada com os aspectos ambientais, sendo a escolaridade basicamente do Ensino Fundamental. Um movimento crítico ecológico que estimulou a participação democrática no Brasil só se iniciou, segundo Crespo (2003), na década de 80. Nestes 25 anos, a geração que investiu na mudança de atitude foi a que hoje é adulta, pois cresceram com um vasto leque de informações que os mais antigos não foram cobrados de absorver. A cobrança de uma nova postura cidadã foi investida nos mais jovens, pois eles farão parte do futuro próximo, tanto gerindo quando fiscalizando. Os jovens de hoje nasceram sob a transformação sócio-ambiental e a sensação é que em nada se apresenta novidade, sendo a ampla gama de informações transformadas em conhecimento com grande facilidade. Os idosos, se absorvem as novas descobertas e configurações científicas e sociais, é com dificuldade ou resistência,
pois ao contrário dos jovens, parece que o mundo se apresenta de outra forma, difícil inclusive de assimilar.