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A avaliação somativa dos professores é aquela que tem como principal função

“a determinação da competência dos professores – não a melhoria dessa competência”

(Popham, 1988, p. 269)xxv. A partir dessa determinação, as avaliações podem ter fortes consequências, em especial associadas à tomada de decisões sobre a contratação, promoção, premiação e/ ou demissão de professores. Segundo Mccolskey e Egelson (1993):

Avaliações desse tipo, projetadas para resumir todo o valor da performance dos professores, são chamadas de avaliações somativas. Avaliações somativas servem ao propósito organizacional de tomada de decisões. Decisões sobre a estabilidade no emprego e sobre o pagamento por mérito podem se basear nessas avaliações. Avaliações somativas de professores em início de carreira servem como um maneira de assegurar que eles tenham habilidades docentes essenciais. Avaliações somativas podem ainda servir para garantir aos formuladores de políticas que a qualidade do trabalho docente está mantida. Outros propósitos pouco utilizados, mas potencialmente importantes para as avaliações somativas são a atribuição de professores e a distribuição de recursos para a formação continuada. (p.1)xxvi.

Esse modelo de avaliação de professores possui forte relação com o debate sobre a responsabilização (accountability) em educação, em que “se tornam públicas as informações sobre o trabalho das escolas e consideram-se os gestores e outros membros da equipe escolar como corresponsáveis pelo nível de desempenho alcançado pela instituição.” (Brooke, p.378). Nesse contexto, cobra-se que os professores prestem contas do trabalho desenvolvido em sala e sejam premiados e punidos de acordo com as performances por eles apresentadas, sendo a avaliação somativa uma importante fonte de documentação das ações do professor, conforme expressa Isoré (2009, p. 6):

A avaliação somativa de professores fornece informações cruciais sobre as práticas e performances correntes do professor que está sendo avaliado de acordo com o que é considerado padrão de uma ‘boa’ docência. Assim, avaliações somativas são uma fonte de documentação indispensável para tornar os professores responsáveis pelos seu profissionalismo.xxvii

Dentre os principais propósitos das avaliações somativas de professores, Bauer (2013, p.39) elenca os seguintes: seleção de docentes/contratação; concessão de licenças; certificação; aprimoramento de indicadores de gestão; distinção e premiação dos melhores profissionais; decisões sobre penalidades (redução salarial, afastamentos, demissão, rebaixamento de cargo etc.); seleção para formação continuada; decisões sobre benefícios (aumento salarial, promoção, pagamento por mérito etc.); classificação de docentes para fins de accountability.

Bacharach, Conley e Shedd (1990), dividem a avaliação somativa de professores em duas vertentes. A primeira busca a garantia de padrões mínimos de qualidade entre os professores e, nesse caso, é utilizada como base para decisões sobre a contratação e demissão. A segunda busca estimular a qualidade dos professores por meio da competição e, assim, são definidos prêmios (que podem ser tanto permanentes – por exemplo com a promoção na carreira – quanto eventuais – por exemplo com bônus em dinheiro) para aqueles que demonstrarem performances excepcionais, lembrando que, se o objetivo é estimular a competição, o número de prêmios deve ser limitado. Neste último caso, cabe a crítica que a competição vai contra a natureza colaborativa do trabalho docente.

A colocação dos profissionais de educação em processos de competição entre si e entre escolas levará à diminuição da possibilidade de colaboração entre estes. A educação, entretanto, tem que ser uma atividade colaborativa altamente dependente das relações interpessoais e profissionais que se estabelecem no interior da escolar (Freitas, 2012, p. 390)

Outra crítica direcionada à avaliação somativa de professores refere-se à possibilidade de corrupção dos seus propósitos como resultado das fortes consequências a ela associadas. Nesse sentido, existe o entendimento de que a busca pelas premiações e o medo das punições estimularia os professores a conseguirem melhores resultados nas avaliações, o que não estaria necessariamente associado à melhoria do seu desempenho profissional e, em último caso, poderia implicar em comportamentos censuráveis do ponto de vista ético e/ou pedagógico.

Tal crítica tem como base a lei formulada por Campbell (1979): “Quanto mais

qualquer indicador social quantitativo é utilizado para tomada de decisões, mais sujeito estará à pressão de corrupção e mais apto estará a distorcer e corromper os

processos sociais que se pretende monitorar” (p.85)xxviii .

Vale dizer que a corrupção pode se apresentar de diversas maneiras, inclusive pela não diferenciação entre os profissionais. Nesse caso, todos os professores são

bem avaliados e, assim, não existe “risco” para nenhum deles. Weisberg, exton,

Mulhern e Keeling (2009), encontraram sistemas de avaliação em que 99% dos professores eram bem avaliados, podendo indicar uma situação de não diferenciação intencional dos professores. A avaliação também pode ser corrompida de outras maneiras, sendo as fraudes a sua manifestação mais extrema.

No caso das avaliações que podem levar à demissão dos professores, existem alguns passos que precisam ser respeitados pelos sistemas de ensino, dentre os quais Bridges (1990, p.152) destaca: 1) garantir que os professores com desempenho abaixo do esperado tenham oportunidades de melhorar; 2) garantir provas que assegurem que a decisão pela demissão seja mantida, mesmo se contestada judicialmente; 3) garantir que estudantes de todas as classes sociais tenham oportunidades educacionais equivalentes. Segundo o autor, também é preciso considerar que:

As origens da ineficiência são muitas vezes complexas [...] o fraco desempenho tem causas múltiplas [...] Porque os

problemas dos professores comumente resultam de vários fatores, as iniciativas para remedia-los só serão eficientes se forem direcionadas para todas as suas causas, não apenas para a suposta falta de habilidades. Avaliações devem necessariamente procurar identificar as causas desse fraco desempenho e prescreverem medidas que reflitam esse diagnóstico (Idem, p. 153 e 154)xxix.

Alguns autores defendem que a superação das limitações tanto das avaliações somativas quanto das avaliações formativas estaria na sua combinação em uma única proposta, entretanto, existe um grande debate sobre o assunto com questionamentos que ressaltam a dificuldade e até mesmo impossibilidades de tal combinação. Esse assunto será analisado na parte seguinte deste trabalho.