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3. YÖNTEM

3.9. Araştırmanın Sınırlılıkları

De acordo com o “relógio” do Fundo de População das Nações Unidas, em

matéria veiculada por diversos meios de comunicação, aos 31 de outubro de 2011, o

Planeta Terra teria alcançado o surpreendente número de 7 (sete) bilhões de

habitantes!

89

Uma parcela dessa estrondosa população mundial é brasileira. Os resultados

definitivos do XII Recenseamento Geral do Brasil, disponibilizado pelo Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que se acham reunidos na Sinopse do

Censo Demográfico realizado em 2010, dão conta de que o Brasil tem, oficialmente,

190.755.799 habitantes e uma superfície de 8.515.767,049 km

2

. (De acordo com a

ONU, Organização das Nações Unidas, o Brasil ocupa a quinta posição no Planeta em

termos de extensão territorial e de número de habitantes)

90

.

Muito embora a proporção de crianças e jovens na população total brasileira

esteja diminuindo desde a década de 80

91

, o fato é que, paradoxalmente, esta fatia

populacional tem revelado um “apetite consumista” maior que o da média da população

brasileira. Aproximadamente 37% dos jovens brasileiros revelam grande interesse em

fazer compras, índice superior aos jovens franceses (32%), japoneses (31%), argentinos

(28%) e americanos (12%)

92

.

89Matéria veiculada em 31/10/2011 pelo site do Jornal “Bom Dia Brasil” editado pelo núcleo de

jornalismo das Organizações Globo (http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/10/planeta-ja- possui-mais-de-7-bilhoes-de-habitantes-quais-os-desafios.html). Site visitado em 05/11/2011, às 09:58h. Esse surpreendente número já se encontra superado. Em 2013, o planeta contava com 7,2 bilhões de habitantes. O número foi extraído do site http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,onu- populacao-mundial-e-de-7-2-bilhoes-de-pessoas,1042156 em 05/11/2015, às 16:54h.

90Os dados sobre o último Censo Demográfico encontram-se disponíveis no site oficial do Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (http://www.ibge.gov.br). Site visitado em 05/11/2011, às 11:18h e revisitado em 04/07/2013, às 11:04h, bem assim em 02/11/2015, às 17:40h. Tais números foram atualizados, sem que tenha sido realizado novo Censo Demográfico. Nessa esteira, estima-se que a população brasileira atual seja de, aproximadamente, 205.027.190 habitantes.

91As informações sobre o decréscimo da população brasileira juvenil a partir da década de 80 foram

obtidos pelo link “IBGEteen” do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatíscia (http://www.ibge.gov.br). Site visitado em 08/11/2011, às 09:55h.

92Matéria veiculada pela “Revista Veja”, Edição Especial de julho de 2003, ao discorrer sobre “Jovens”.

Informação extraída do site da Editora Abril (http://veja.abril.com.br/epeciais/jovens_2003/p_080.html). Site visitado em 08/11/2011, às 10:05h.

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Ao se analisar dados mais recentes e voltar-se a atenção para o espaço

cibernético, esse número é ainda mais surpreendente. Estima-se que o jovem brasileiro

consuma, em média, R$ 90,00 em cada compra virtual. “Esta é uma geração que só não

compra mais pela Internet porque não possui independência financeira e ainda depende

de uma série de fatores para poder concretizar as transações”, explica o CEO

93

da e-bit,

André Sapoznik

94

.

As crianças brasileiras, por sua vez, também estão cada vez mais próximas do

consumo e, muito embora sejam elas consideradas, em certas situações, consumidoras

por equiparação, nos mais diversos e diferentes setores (no de alimentos, vestuário,

brinquedos, entretenimento, etc.), seu apetite voraz e ainda pouco seletivo, em razão de

sua natural inexperiência e imaturidade, pode vir a causar-lhes danos, alguns dos quais

irreversíveis.

De fato, tendo em vista que as crianças vivenciam uma fase de peculiar

desenvolvimento, são, inegavelmente, mais vulneráveis que os adultos e sofrem cada

vez mais cedo as graves consequências relacionadas aos excessos do consumismo:

obesidade infantil, erotização precoce, consumo incipiente de tabaco e álcool, estresse

familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o

consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.

O site “Criança e Consumo”

95

, muito esclarecedor, revela que as crianças

brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família

(TNS/InterScience

96

, outubro de 2003). Carros, roupas, alimentos, eletrodomésticos, são

produtos cujas aquisições levam em consideração a opinião de uma criança, salvo

93Sigla utilizada para a expressão americana Chief Executive Officer, cargo assemelhado ao de um Diretor

Geral.

94Pesquisa encomendada pela e-bit em julho de 2011 e publicada no site http://www.ebit.com.br. Site

visitado em 08/11/11, às 10:14h.

95http://criancaeconsumo.org.br/consumismo-infantil/. Site visitado em 09/11/15, às 12:25h.

96http://www.tnsglobal.com/who-we-are. Site visitado em 09/11/15, às 12:35h. “As one of the largest

research agencies worldwide TNS provide actionable insights that help you make impactful decisions that drive growth. We are part of Kantar, one of the world's largest insight, information and consultancy groups”. A TNS é uma das maiores agências de pesquisa mundial que divulga informações processáveis auxiliando as empresas a tomar decisões impactantes para o seu crescimento. Faz parte da Kantar, um dos maiores grupos de pesquisa, informação e consulta de Mercado (tradução livre).

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decisões relacionadas a planos de seguro, combustível e produtos de limpeza que têm

pouca influência dos pequenos.

No Brasil, a publicidade nos meios de comunicação, especialmente na televisão,

é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez

mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às

complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente preparado para

isso.

As crianças são um alvo importante, não apenas porque escolhem o que seus

pais compram e são tratadas como consumidores mirins, mas também porque

impactadas desde muito jovens tendem a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito

consumista que lhes é praticamente imposto.

Igor Rodrigues Brito

97

, ao comentar a exploração da publicidade dirigida às

crianças, lembra que alguns pesquisadores estadunidenses revelam a importância do

“fator amolação” como método eficaz de venda para o público infantil. O “fator

amolação” corresponde a uma estratégia importante na medida em que provoca que as

crianças peçam aos pais insistentemente bens de consumo aos quais tiveram acesso por

meio da publicidade.

Realmente, nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado.

Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de produtos infantis

foram de R$ 209 milhões (Ibope Monitor, 2005x2006, categorias infantis). No entanto,

a publicidade não se dirige às crianças apenas para vender produtos infantis. Elas são

assediadas pelo mercado como eficientes promotoras de vendas de produtos

direcionados também aos adultos.

O Ibope Mídia, que anualmente divulga os dados de investimento publicitário no

Brasil, constatou que foram movimentados cerca de R$ 112 bilhões em 2013 com

publicidade. A televisão permanece a principal mídia utilizada pela publicidade,

representando 70% do investimento. Ao cruzar essa informação com o fato de a criança

brasileira passar em média cinco horas 22 minutos e 11 segundos por dia assistindo à

programação televisiva (Painel Nacional de Televisores, Ibope 2012) é possível

imaginar o impacto da publicidade na infância.

97BRITO, Igor Rodrigues, “O controle público da publicidade infantil e a tutela das famílias no Brasil”, in

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Apesar de toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos

fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de pesquisa que

atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro de 2007 que evidenciaram

outros fatores que influenciam as crianças brasileiras nas práticas de consumo. Elas

sentem-se mais atraídas por produtos e serviços que sejam associados a personagens

famosos, brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também foi

identificada como uma forte influência.

No âmbito da alimentação, a publicidade é um fator que estimula a disseminação

da maior epidemia infantil da história: a obesidade. A pesquisa Targeting Children With

Treats (Alvejando crianças com guloseimas, em livre tradução do inglês) de 2013

aponta que as crianças que já têm sobrepeso aumentam em 134% o consumo de

alimentos com altos teores de sódio, gorduras trans e saturadas e açúcar, quando

expostas à publicidade destes produtos.

É curial, assim, indagar: quais os impactos que o crescente avanço da população

mundial e da brasileira causará aos diversos setores da sociedade? Estarão as normas

estatutárias e consumeristas abertas a garantir prioridade e efetividade aos direitos

fundamentais desse núcleo de consumidores, especialmente aos daqueles ainda mais

vulneráveis, como são as crianças? De que forma se viabilizará dignidade e qualidade

de vida às crianças consumidoras, especialmente no ambiente da cultura, do lazer e do

entretenimento?

Tais indagações levam à reflexão especialmente direcionada a contribuir com a

harmonia das relações humanas, o que pode ser alcançado pela coerente e responsável

atuação de setores públicos e particulares, a começar pela família.

A existência de normas de conduta de que se revestem os diversos sistemas

mundiais, porém, nem sempre garantem o alcance satisfatório de proteção aos direitos

individuais e coletivos e a repressão às condutas transgressoras dessas mesmas normas.

Eis a problematização que se propõe enfrentar: de que modo disponibilizar

proteção individual e coletiva ao setor consumerista infantil, principalmente no

ambiente do entretenimento.

A classificação indicativa desponta, assim, como instrumento de prevenção

contra as agressões a que se expõe o público infantil nesse ambiente, devendo ser não só

defendida como ampliada também para o universo publicitário.

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Criteriosa e meticulosa informação, assim como educação e cuidado, proteção à

saúde e segurança, prevenção geral e especial, além da moral e da ética são os nortes

que fundamentarão a presente pesquisa no anseio de reforçar a tese de que a

classificação indicativa é uma alternativa eficiente para tutelar os princípios, direitos e

garantias da criança consumidora.