1. GİRİŞ
1.2. Araştırmanın Amacı
Os recursos incorporados ou pessoais são aqueles que são ou devem ser de propriedade e mobilizados pelas pessoas. De acordo com Le Boterf (2003), esses recursos são: 1) os saberes: saberes teóricos, saberes do meio e saberes
9 a instrumentalização de recursos pessoais é incorporada: é constituída por saberes, saber-fazer, aptidões ou qualidades e por experiências
acumuladas. A instrumentalização de recursos do meio é objetivada: é constituída por máquinas, instalações materiais, informações e redes relacionais. [...] a competência baseia-se nesta dupla instrumentalização, mas não deve ser confundida com ela, uma vez que a competência se traduz na faculdade, na capacidade de usar essa instrumentalização de um modo adequado. [...] o profissional deve saber mobilizar de um modo pertinente saberes, saber-fazer, aptidões, qualidades pessoais e experiências. Todos esses recursos incorporados são inseparáveis da sua personalidade e são heterogêneos e irregulares. O essencial é o profissional ser capaz de escolher os recursos, combinando-os em relação aos objetivos a alcançar.
procedimentais, e, 2) o saber-fazer: o saber fazer formalizado, o saber-fazer empírico, o saber-fazer relacional, o saber-fazer cognitivo, as aptidões ou qualidades, os recursos fisiológicos, os recursos emocionais:
1) Os saberes
· Os saberes teóricos
Os saberes ou conhecimentos teóricos são mais um “saber – que” do que um “saber – como”. São saberes de inteligibilidade. “Pede-se ao profissional não apenas fazê-lo bem, mas entender aquilo que faz. O saber teórico é necessário para explicar as anomalias e orientar as decisões de intervenção, as iniciativas a serem tomadas” (LE BOTERF, 2003, p. 95). Eles permitem entender um fenômeno, um objeto, uma situação, uma organização, um processo.
· Os saberes do meio ou do ambiente
Estes saberes dizem respeito ao contexto no qual o profissional intervém. Os saberes do ambiente dão ao profissional a possibilidade de interferir em uma situação particular, de adotar condutas pertinentes em relação a um contexto, e não apenas em relação a uma profissão, de aumentar a funcionalidade das representações que servem para guiá-lo. “Eles dão a faculdade de conhecer não só métodos e técnicas, mas o âmbito no qual se inserem” (LE BOTERF, 2003, p. 98).
· Os saberes procedimentais
Estes saberes procuram descrever como deve ser feito, como proceder para. Possibilitam à pessoa dispor de regras para agir. Estes saberes ao contrário dos saberes teóricos, que são expressos independentemente das ações que poderiam utilizá-los, são descritos com vistas a uma ação a ser realizada. Sua formulação é inseparável do seu modo de emprego. É a distinção entre o saber “como funciona” e o saber “como fazer funcionar”.
2) Saber-fazer ou Capacidades Operacionais
· O Saber - fazer Formalizado
Estes saberes integram condutas, métodos e instrumentos cuja aplicação pratica é dominada pelo profissional. Aqui o essencial é dominar a aplicação de um procedimento.
· Os saberes empíricos
O saber empírico é oriundo da ação da experiência prática. Esse saber-fazer empírico, inseparável do fazer, é validado mais por sua eficácia pragmática e imediata do que por sua carência interna. A experiência é que permite fazer o que não aprendemos a fazer. O “saber-local” presente na experiência se constitui em complemento ou em confirmação com o saber daqueles que o concebem. Este saber resulta da formação no local de trabalho.
O saber-fazer experiencial é adquirido ao longo do tempo. Esse saber empírico, às vezes caracterizado como endógeno, é operatório e precário. “Proveniente de resolução de problemas profissionais singulares, ele está limitado a situações particulares, e, portanto, é pouco generalizável. É ligado a pessoas, e não universal” (LE BOTERF, 2003, p. 108-109). Os “saber-fazer” rotineiros adquiridos pela experiência e aplicados de modo autônomo integram os conhecimentos empíricos.
· Os “saber-fazer” cognitivo
Os “saber-fazer” cognitivo correspondem a operações intelectuais necessárias à formulação, à análise e à resolução de problemas, à concepção e à realização de projetos, à tomada de decisão, à criação ou à intervenção. Os “saber-fazer” cognitivo contribuem para a resolução de problemas (LE BOTERF, 2003).
No tocante aos Recursos Pessoais, Le Boterf (2008) ainda se refere aos recursos pessoais variados incorporados ao indivíduo e que podem ser úteis para um fim ou uso específicos. Tais recursos pessoais variados possuem efeitos extremamente diversificados e são usados para agir, reagir e interagir. Le Boterf (2008) propõe a seguinte tipologia que distingue os recursos pessoais variados. São eles: a) os Recursos para Entender; b) os Recursos a serem Adaptados, c) os Recursos para Operar e
Preservar, d) os Recursos para Cooperar, e) os Recursos para Avançar e f) o Guia de Recursos.
a) Recursos para Entender
Estes recursos são usados para diagnosticar uma situação-problema, um fenômeno, um evento entre outros. Analisar, identificar vários aspectos, para entender a dinâmica e perceber as limitações e o potencial de antecipação e prevenção de mudanças. Sendo úteis para saber o que fazer e para se comunicar com especialistas em um dado campo. Tais recursos contêm, de acordo com Le Boterf (2008), essencialmente:
· o conhecimento científico e teórico;
· os processos intelectuais e cognitivos (formas de pensar, operações lógicas, modelos explicativos, a abstração, a intuição ...)
· a sensibilidade emocional
Nestes recursos para entender, Le Boterf (2008) diz que as operações intelectuais se dão na realização de ações internalizadas relativamente simples e em operações mais complexas:
• são exemplos de realização de ações internalizadas relativamente simples: enumerar, classificar, distinguir, comparar, descrever, definir, explicar, identificar contradições, identificar problemas, pontos de vista etc. Na educabilidade cognitiva, diz ele, tais métodos de desenvolvimento mental são projetados com base na articulação desses recursos;
• em operações mais complexas, destaca-se: a generalização indutiva ("alguns" para "todos", "data" para "sempre”...), a generalização construtiva (produção de novas formas, novos conteúdo) e o raciocínio analógico (a metáfora, a exploração, o pensamento hipotético, a indução matemática, o raciocínio por transitividade...).
Essas habilidades e processos cognitivos, de acordo com Le Boterf (2008) estão produzindo inferências, ou seja, novas informações criadas a partir da informação inicial. Algumas inferências podem levar a informações mais gerais do que as contidas na informação local inicial: elas implementam o raciocínio indutivo.
Outras inferências podem ser mais específicas do que aquelas originalmente dadas pelas informações: elas mobilizam o raciocínio dedutivo. Ao contrário da
indução que passa de um para vários, a dedução leva ao geral quando os resultados particulares são mais específicos do que as premissas. Um raciocínio por exclusão (provar a verdade de uma proposição, mostrando a falsidade de todas as alternativas) ou silogismo pode ser um bom exemplo de dedução.
Le Boterf (2008) registra que suas observações o leva a prestar uma atenção especial a uma operação intelectual, segundo ele ainda pouco conhecida do grande público: a abdução. Esta consiste em identificar, em diferentes áreas, que podem ser comuns, suposições e conjecturas frente a estranhos eventos complexos, aparentemente inexplicáveis. O raciocínio abdutivo, segundo ele, se dá nos moldes de uma ação implementada por um detetive
que sabe reconstruir uma história a partir de pistas ou fragmentos. Encontrando o fio condutor que poderia ligar visualizações setoriais, ou fragmentadas, o que dá sentido a várias práticas que oferecem linhas de convergência entre experimentos muito dispersos (LE BOTERF, 2008, P. 21).
De acordo com o contexto das situações de trabalho encontradas, algumas informações devem ser mobilizadas de forma automática e rápida: elas são muitas vezes referidas como inferência "imediata". Elas recuperam esquemas de ação direta armazenadas. Outras só podem ser produzidas por meio de raciocínio explícito: são processos controlados para a produção de inferências. Neste caso, será necessário fazer um desvio através da construção de uma representação adequada. Sendo essenciais para uma boa compreensão das situações.
b) Recursos a serem Adaptados
São recursos que podem ser adaptados para as práticas específicas de um contexto profissional e de um ambiente de aprendizagem. Estes recursos também permitem saber quando intervir, quando parar e estabelecer limites. Estes recursos contêm essencialmente:
· Conhecimento sobre a organização do trabalho, regulamentos, procedimentos; · Cultura e história do local de trabalho com os seus elementos marcantes; · Equipamentos, máquinas;
· As características específicas dos funcionários, clientes, pacientes ou usuários; · Conhecimento e experiência que possibilitam extrapolar regras, indicando
quando agir e em que circunstâncias.
Para Le Boterf (2008) esses recursos podem ser adquiridos, mas a sua mobilização está longe de ser óbvia. Travado no calor da ação, posto sob a pressão de seu ambiente ou do seu grupo, diz este autor, o profissional também não pode pensar ou ter o reflexo de recorrer a tais recursos no tempo hábil.
c) Recursos para Operar e Preservar
Estes são aqueles recursos que permitem que se executem ações, intervenções. São os recursos da ação, aprendidas, adquiridas ao longo do tempo. Um know-how da prática, um conhecimento tácito, muitas vezes essencial para o uso adequado do conhecimento processual. Estes recursos contêm:
· know-how metodológico, instrumentais, técnicas que são formalizadas; · know-it-how ou conhecimento tácito (truques, dicas, atalhos,...); · as lições aprendidas;
· capacidade de gestão do stress físico e recursos fisiológicos. d) Recursos para Cooperar
Estes são os recursos para estabelecer e operar a relação de cooperação necessária para atingir não só os objetivos coletivos, mas os objetivos individuais. Eles são necessários para manter e desenvolver relações de solidariedade. Cooperar, mas também ajudar os outros a alcançar seus próprios objetivos. Estes recursos contêm:
· Conhecimento sobre o processo, a organização do trabalho e a distribuição dos papéis;
· Competências relacionais, como as várias formas de trabalho colaborativo (trabalho em equipe, que trabalham em modo de projeto...);
· Habilidades interpessoais (escutar, empatia, habilidades de escrita...); · Habilidades tecnológicas de comunicação;
· Competências linguísticas, fluência em línguas profissionais, científicas e técnicas.
Estes recursos são essenciais para se trabalhar com metodologias de projeto, ou contribuir para o funcionamento de uma rede, participando ativamente de uma equipe de projeto, o que requer a disponibilidade de recursos para trabalhar eficazmente com os outros.
e) Recursos para Avançar
São recursos que permitem o evoluir, o adaptar-se e evitar a repetição de erros. Construir sobre o que funcionou bem, para adquirir novos conhecimentos. Inclui:
- Habilidades de aprendizagem;
- A capacidade de pensar criticamente; - A capacidade de imaginação;
- A experiência em criatividade;
- Práticas de intercâmbio de know-how e de partilha.
O chamado "cognitivo" (habilidades de pensamento para distinguir o essencial do acessório, de análise e síntese de competências...). Os recursos podem ser considerados como recursos que formatam o cérebro, vão permitir a aquisição de outras informações e transformá-la em conhecimento.
f) Guia de Recursos
Estes são os recursos que norteiam as práticas e recursos combinatórios, contendo: Guia de Recursos emocionais; Orientação cognitiva de Recursos; Recursos de orientação profissional; e Orientação ética de Recursos.
• Guia de Recursos emocionais
Os recursos emocionais são - de forma errada - muitas vezes esquecido, diz Le Boterf (2008). Para ele, se as emoções são muitas vezes consideradas fator de risco,
deve-se insistir no fato de que elas podem ser o suporte para a ação fundamentada, contribuindo para agir de forma adequada. Segundo este autor, a Intuição - ou insight - encontra o seu lugar neste tipo de recurso. Assim como o controle das emoções,
o medo sob controle pode ajudar a manter o estado de alerta. [...] É importante para um cirurgião para controlar as emoções durante a conclusão da transação e não se deixar levar por emoções e imaginação que não digam respeito à operação a ser executada (LE BOTERF, 2008, p. 72).
• Orientação cognitiva de Recursos
No que concerne à orientação cognitiva de recursos, são particularmente relevantes:
- a capacidade de construir representações de situações operacionais a lidar. - aprender em meio a uma situação problemática ou mal definida, desenvolvendo soluções alternativas e escolhendo a parte mais relevante;
- controle de raciocínio no campo em questão: o raciocínio clínico, o raciocínio experimental, o raciocínio estratégico ou raciocínio científico, são exemplos;
- padrões operacionais que orientam a prática profissional e a destinação de recursos a serem mobilizados;
• Recursos de orientação profissional
Estas são as regras de conduta do trabalho coletivo do profissional. Estes podem ser considerados como uma parte significativa de uma cultura profissional local propício para o desenvolvimento de práticas profissionais individuais e coletivas implementadas com relevância e competência. Elas expressam apoio à criação de condições de relações de confiança.
No entanto, de acordo com Le Boterf (2008), estas regras nem sempre são positivas. Pode, por exemplo, o grupo de trabalho está em um estado de defesa contra um ambiente ameaçador para as regras implícitas de desconfiança crescer e causar pausas de solidariedade. Cada um por si pode reinar e comprometer a relação de cooperação que deve existir. Os recém-chegados em tais equipes, em seguida, encontra muitas vezes um clima de desconfiança que pode rapidamente tornar-se fator de desmotivação e perdas no desempenho;
• Orientação ética de Recursos
Estes contêm os “valores de arte”, os charters éticos, a capacidade de reflexão ética para implementar as ações em situações problemáticas.