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BÖLÜM I: GİRİŞ

1.5. Araştırmanın Önemi

A dualidade liberdade-igualdade, numa simbiose semântica, representa a aspiração máxima dum Estado – como no Brasil dessa primeira década secular – que conquistada a liberdade dos indivíduos perante o Estado – a liberdade pela cidadania -, vem a ser requisitado para, no plano da solidariedade, efetivar as garantias sociais constitucionalmente postuladas, com índole humanista(dignidade da pessoa humana/“cidadã”). Assim, a liberdade antes de ser um passo à igualdade plena – festejada a solidariedade – é condição primeira ao empoderamento450 da vida pelo cidadão, que mais do que um ir e vir, bem como de não ser restringida de forma ilegal sua liberdade em hipótese alguma, compreende a sua inclusão plena no plexo normativo-constitucional, dos direitos umbilicais Às ordens econômica e social. Nas palavras iluminadas de Maria GARCIA451, numa leitura nossa, a liberdade constitui-se poder de autodeterminação da

448 FARIAS, ob citada, p. 195 449 Id ibidem, p. 276

450 Para Romeu K. SASSAKI: “Empoderamento significa “o processo pelo qual uma pessoa, ou um grupo de

pessoas, usa o seu poder pessoas inerente À sua condição – p.ex.: deficiência, gênero, idade, cor – para fazer escolhas e tomar decisões, assumindo assim o controle de sua vida.””. (“Inclusão, construindo uma sociedade para todos”., p. 37.

451 GARCIA, Maria. “Desobediência civil: direito fundamental”. 2ªed. rev., atual. E ampl., São Paulo. Editora

própria conduta como direito – o direito à liberdade -, configurando o seu equacionamento jurídico as liberdades públicas – poderes de autodeterminação assegurados pelo direito positivo. Desde a Declaração de 1789, no art. 4º, postula-se que: a liberdade de cada um só tem limite na dos demais e só a lei determina esses limites.

Na sociedade capitalista que se vê nesses dias, ao indivíduo é obrigada a inserção/atuação nos diversos campos sociais. Essa atuação se dá de acordo com a bagagem social do indivíduo, utilizando-se como parâmetros específicos os direitos sociais, na medida em que se garante a justiça social pela inclusão do indivíduo naquele campo em que se constate factualmente a exclusão, no sentido de que se comporá a inclusão social plena pela inclusão (específica) em cada campo social – político, econômico, cultural etc. Nessa toada, considera-se que como diz-se sobre o desenvolvimento – inter-relação entre os vetores constitutivos do desenvolvimento social(como ocorre, v.g., com o “triplo critério” do IDH452(índice de desenvolvimento humano) -, feita a inclusão do indivíduo em um campo social(especificamente), como a educação por exemplo, estar-se-á corroborando à inclusão social(gênero).

Não há como se garantir a igualdade entre os membros componentes da sociedade, sem a garantia a liberdade de cada um, seja em consideração à sociedade e outros indivíduos, seja em relação à atuação estatal. Ademais, nas iluminadas palavras de AYRES BRITTO453: “o bolo da riqueza nacional tem uma lógica peculiar que o faz

crescer, continuamente, à medida que é mais compassiva ou solidariamente dividido. E quanto maior o número de contingente de pessoas aproximadamente iguais, numa mesma sociedade, maior a cota de liberdade concreta de cada qual desses contingentes.” E com GALBRAITH conclui o ministro454: “(...)nada mais restringe a liberdade, no sistema

capitalista, do que a falta de dinheiro.”.

452 No lugar da concepção monista de desenvolvimento restrita à faceta econômica, como se vê na obra de

Amartya SEN, o IDH considera a saúde, a educação e a distribuição de renda, a comporem o índice.

453 AYRES BRITTO, Carlos. “Teoria da Constituição”. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 83 454 Id ibidem

Adstrita à dignidade da pessoa humana e à solidariedade, não se pode admitir a liberdade sem a igualdade material (OLIVEIRA)455.

A vista caolha às desigualdades sociais continua a combater a violência com mais violência, declarada a guerra civil ipso facto, não se buscando a Justiça Social pela Justiça enquanto valor máximo do Direito, não buscando curar as causas da violência, da falta de liberdade de qualquer espécie(inclusive política), mas sim entorpecendo a Sociedade cada vez mais com medidas paliativamente analgésicas, amortecendo-a de dignidade, liberdade e cidadania, que se dirá de direitos sociais. Essa realidade corrobora a situação dos multi-mundos, do pluralismo social refletor das desigualdades sociais; várias sociedades no mesmo mundo; várias comunidades competindo intra e inter classes pela participação na repartição do “bolo”.

Apresenta CORTELLA456, uma visita de dois caciques xavantes à São Paulo, na década de 1970. Descreve a visita de reconhecimento da “floresta” de prédios, nos chamando a atenção para um menino de 10 anos de idade, negro, pobre, que no chão catava verduras e frutas amassadas, estragadas e sujas. Após indagar sobre a situação do infante, fala o cacique: “Não entendi. Por que o menino está pegando aquela comida podre se tem tanta coisa boa nas pilhas e caixas?”, e respondem a ele: “Por que para pegar nas pilhas precisa ter dinheiro. Mas insiste o xavante: “E por que ele não tem dinheiro?”, por que nem ele nem o pai dele tem dinheiro, aqui uns tem dinheiro outros não tem, aqui é assim.

Porém, de acordo com CORTELLA457: “a ruptura do “porque aqui é assim” principia a recusa à ditadura dos fatos consumados e à ditadura fatalista de um presente que se aparenta ser invencível, tamanhos são os obstáculos’. Ainda nas palavras de

455 OLIVEIRA, Flávio Luís de., “O papel do poder judiciário na concretização dos direitos fundamentais

sociais”. In: Revista do Instituto dos advogados de São Paulo - nova série, ano 9, nº18, julho-dezembro, 2006, p.99

456 CORTELLA, Mario Sergio. “A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos”. 9ªed..

São Paulo. Cortez. Instituto Paulo Freire, 2005, p. 155-156.

CORTELLA458: “Se alguém não for livre da fome, ninguém é livre da fome. Se algum

homem ou mulher não for livre de discriminação, ninguém é livre da discriminação. Se alguma criança não for livre da falta de escola, família, de lazer, ninguém é livre.”.

Não há como se falar assim em liberdade sem igualdade, mesmo nas sociedades ocidentais complexas de hoje, em que não as redes sociais de relacionamentos não correspondem àquelas simples – como uma tribo indígena. A relação entre liberdade e igualdade capitalista demanda uma concepção proporcionalmente mais complexa de justiça social, mas que pode ser observada – a nosso ver - na simplicidade tribal. À medida que as comunidades aumentam e se diversificam, sua correspondente organicização demanda maior aparelhamento burocrático-hierárquico, bem como multiplicam-se os campos sociais, e se distribuem os capitais sociais. Dessa maneira, transpondo e atualizando para estes tempos de Estado Democrático de Direito(e Social), a fraternidade/solidariedade redimensiona a igualdade e a liberdade.

4. Os frutos de uma nova dimensão de Estado de Direito do século XXI: perspectiva