BULGULAR VE YORUMLAR
3.2. Araştırmanın İş Tatmini Ölçeği Değişkenine Bağlı Olarak Gerçekleştirilen Hipotez Testlerine İlişkin Bulgular ve Yorumlar
3.2.7. Araştırmanın İş Tatmini İle Mezun Olunan Öğretmen Yetiştirme Kurumu Değişkeni Arasındaki İlişki İçin Gerçekleştirilen Hipotez Testlerine
Como mencionado, a teoria baseia-se no método da redução eidética desenvolvido por Husserl, corresponde à redução à essência, ao eidos. Paulo de Barros Carvalho cria a Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT que consiste no mínimo irredutível de manifestação do deôntico, privilegiando o aspecto sintático.
Enquanto fórmula, ela ajuda o intérprete na compreensão do Direito, ordenando e articulando as porções, possibilita o foco nos aspectos de maior importância.
Sua aplicação representa a conexão entre a teoria e a prática, atualmente são inúmeros os livros e artigos científicos que possuem em seu título o nome “regra-matriz de incidência”, seu vigor analítico aprofunda e auxilia a compreender a complexa incidência tributária. Os tribunais superiores frequentemente a ela fazem referência.
O esquema lógico-semântico da regra-matriz pode ser concebido como um método, ao aplicá-lo encontraremos rigor formal, além de auxiliar na investigação do campo semântico e pragmático.
Primeiramente, adota-se a premissa Kelseniana bastante difundida, de que as normas jurídicas apresentam-se na estrutura hipotético-condicional, chamada também de antecedente e consequente, suposto e mandamento, hipótese e tese, prótase e apódose, pressuposto e estatuição, descritor e prescritor. O esquema lógico-semântico então composto pela hipótese - critérios material, espacial e temporal -, é ligada por implicação deôntica não modalizada ao consequente - critérios pessoal, composto pelos sujeitos ativo e passivo, além do quantitativo, base de cálculo e alíquota.
Instrumento fundamental para o presente estudo, a regra-matriz pode ser utilizada em todas as áreas do direito e tem aplicabilidade incontestável, funcionando, tanto para delimitar o âmbito de incidência normativa, como para controlar a
127 constitucionalidade e legalidade da sua produção.189 É nesse caminho que Lucas Galvão
de Britto expõe:
“A Regra-Matriz de Incidência Tributária - afigura-se como uma das principais contribuições de Paulo de Barros Carvalho ao estudo do Direito Tributário. Trata-se de expediente que simplifica a aproximação do sujeito cognoscente com o seu objeto de estudos e permite-lhe conhecer melhor as variáveis envolvidas no fenômeno da incidência tributária e relações que existem entre elas. É uma fórmula que auxilia a compreender todo e qualquer tributo, justamente porque trabalha com aquilo que é sua parte eidética: a estrutura, que permanecem a mesma, ainda que mudem os dados da experiência jurídica.” 190
Nessa toada, preceitua:
“A construção da regra-matriz de incidência, como instrumento metódico que organiza o texto bruto do direito positivo, propondo a compreensão da mensagem legislada num contexto comunicacional bem concebido e racionalmente estruturado, é um subproduto da teoria da norma jurídica, o que significa reconhecer tratar-se de contribuição efetiva da Teoria Geral e da Filosofia do Direito, expandindo fronteiras do território científico.” 191
A regra-matriz tributária corresponde ao núcleo do tributo, no corpo do direito positivo encontram-se enunciados esparsos, nessa tessitura de linguagem
189 CARVALHO, Aurora Tomazini. Curso de Teoria Geral do Direito. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2010. p. 412
190 BRITTO, Lucas Galvão. Notas sobre a Regra-Matriz de Incidência Tributária. In VIII Congresso
Nacional de Estudos Tributários. Vários autores, coord. Priscila de Souza. São Paulo: Noeses, 2011. p. 743
191 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 4. ed. São Paulo: Noeses, 2011. p. 146
128 conturbada e não científica o interprete tem o trabalho de organizar as proposições construindo e compondo o arquétipo normativo dos tributos, a norma jurídica tributária deonticamente organizada forma-se no juízo.
Paulo de Barros Carvalho aduz: norma jurídica “é a expressão mínima e irredutível (com o perdão do pleonasmo) de manifestação do deôntico, com sentido completo”192 A ênfase nos termos “mínimo” e “irredutível” é para reiterar a condição
mais enxuta da regra de incidência, não podem faltar nenhum dos elementos, “manifestação do deôntico” alude ao conectivo condicional, a como a hipótese e a consequência normativa estão ligadas, justamente pela imputação deôntica posta por um ato de autoridade.
Com efeito, a regra-matriz de incidência tributária também é a norma jurídica em sentido estrito. As normas jurídicas possuem todas elas a mesma estrutura proposta por Kelsen (H → C), hipótese ligada ao consequente por um dever-ser não modalizado, as variações se dão no plano semântico e pragmático.
Assim, Paulo de Barros Carvalho evita o engrandecimento exacerbado da hipótese normativa em detrimento do consequente, ressalta o respeito à estrutura da norma que no antecedente traz a previsão de um fato ligado a uma prescrição de uma relação jurídica. Colocar toda a importância no suposto normativo como pregavam Geraldo Ataliba, Amílcar de Araújo Falcão e Ruy Barbosa Nogueira, não lhe pareceu a alternativa mais adequada.
A hipótese em seu sentir funciona para identificação de um evento, já no consequente há a previsão da relação jurídico tributária, com o envolvimento dos sujeitos ativo e passivo, direitos e deveres, bem como o objeto da obrigação de cunho patrimonial.
Cumpre destacar as características inerentes à relação jurídica que tratamos. Não compactuamos, por exemplo, com o ideal de que é possível relacionar-se consigo
192 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 4. ed. São Paulo: Noeses, 2011.
129 mesmo. Paulo de Barros Carvalho, consubstanciado nas preciosas lições de Lourival Vilanova dispõe sobre as características da relação jurídica: retomando pelo prisma lógico, a relação que une os sujeitos (S' e S") é uma relação irreflexiva, pois representaria um sem-sentido deôntico conceber que S' está facultado, obrigado ou proibido perante si mesmo. Além disso, é assimétrica, quer dizer, S' R S" implica sempre S" Rc S'. Rc; é a relação conversa de R: se R interpreta-se como ter o direito a, seu converso é ter a obrigação de. O ensinamento, extraído das preciosas lições de Lourival Vilanova, é fundamental para a compreensão das relações jurídicas, que mantêm equivalência implicacional, da mesma forma que o enunciado X > Y (X é maior do que Y) equivale a Y < X (Y é menor do que X).193
No direito positivo os componentes da relação jurídica tributária encontram- se espalhados, o legislador frequentemente emprega apenas alguns dos seus elementos para referir-se ao todo.
Na tarefa de classificar as relações jurídicas tributárias vamos eleger o critério de ter ou não seu objeto susceptibilidade de mensuração econômica. Assim, as relações em que o objeto possua caráter econômico será ela chamada de obrigação, ao passo em que aquelas destituídas desse atributo, mas que instituam apenas deveres jurídicos titularemos de deveres instrumentais. Estes são frequentemente considerados como sendo “obrigações acessórias”, mas para depurar a linguagem, preferimos chamar as obrigações tributárias – como, por exemplo, as decorrentes das regras-matrizes – apenas aquelas relações que possuem caráter patrimonial, por sua vez, as “obrigações acessórias” que não são obrigações por carecerem de equação econômica, nos referiremos por deveres instrumentais ou formais, que consistem em mandamentos de fazer ou não fazer. Abordando o assunto esclarece Paulo de Barros Carvalho:
“Relações jurídicas tributárias. No conjunto de prescrições normativas que interessam ao Direito Tributário, vamos encontrar dois tipos de relações: as de substância patrimonial e os vínculos que fazem irromper meros deveres administrativos. As primeiras, previstas no núcleo da norma que define o fenômeno da
193 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 4. ed. São Paulo: Noeses, 2011. p. 618
130 incidência – regra matriz- e as outras, circumpostas a ela, para tornar possível a operatividade da instituição tributária: são os deveres instrumentais ou formais”194
O artigo 113 do CTN ao dispor que a obrigação tributária é principal ou acessória insurge no equívoco de considerar um dever instrumental como obrigação. Dando continuidade o referido artigo em seu § 1º ainda há a seguinte menção: “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente”, analisando o referido parágrafo com a devida acuidade perceberemos a sua afronta ao próprio dispositivo legal do qual faz parte, mais especificamente o artigo 3º do CTN dispõe sobre o conceito de tributo afirmando que de sua previsão não se constitui uma prestação pecuniária oriunda de sanção ou ato ilícito.
Dessa forma, fica evidente que a utilização do termo “tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária” não está consoante com o conceito de tributo, uma vez que estaríamos considerando que a obrigação tributária poderia ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária ou multa. Essa distinção será vista com maior cautela no capítulo seguinte.
Por fim, em relação ao §1° do artigo 113 cabe salientar que a expressão “e extingue-se juntamente com o crédito tributário dela decorrente” passa a falsa percepção de que há separação entre obrigação e crédito tributário. Ora, não há que se cogitar de obrigação sem crédito ou de crédito sem obrigação. Expondo melhor a profundidade do tema o Paulo de Barros Carvalho traz a seguinte reflexão:
“Soa mal, portanto, quando declara o legislador, ingenuamente, que a obrigação nasce com a realização do fato gerador, mas o crédito tributário se constitui pelo lançamento. Seria o momento de indagar: que obrigação é essa que desabrocha no mundo jurídico, sem que haja, para o sujeito pretensor, o direito subjetivo
131 de exigir a prestação? E que liame obrigacional será esse, em que o sujeito passivo não está compelido a prestar o objeto?195
Em seu § 2º o referido artigo discorre: “a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”. Conforme exposto em linhas anteriores, levando-se em consideração a linha de raciocínio adotada, não é adequado nomearmos “obrigação acessória”, uma vez que desprovidas do caráter da patrimonialidade inerente as obrigações tributárias, chamaremos de deveres instrumentais.
Por fim, o §3º tem o seguinte teor: “a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária”. Diante das colocações exaradas é incabível considerar que uma “obrigação acessória” transmude-se para uma principal, haja vista, a natureza diversa de cada uma.
“Assim, recolhendo o vocábulo obrigação como sinônimo de relação jurídica de índole economicamente apreciável, podemos defini-lo como o vínculo abstrato, que surge pela imputação normativa, e consoante o qual uma pessoa, chamada de sujeito ativo, credor ou pretensor, tem o direito subjetivo de exigir de outra, denominada sujeito passivo ou devedor, o cumprimento de uma prestação de cunho patrimonial.” 196
Consoante a natureza tributária ou de dever instrumental, haverá uma sanção de natureza tributária em caso de descumprimento. Ademais, a desobediência também poderá ensejar crime contra a ordem tributária.
195 Carvalho. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Ed. 21º. Saraiva. Pág. 328 196 Carvalho. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Ed. 21º. Saraiva. Pág. 321 – 322.
132 Ora, como restou demonstrado, o poder investigativo da Regra-Matriz de Incidência é estupendo. Trata-se de uma revolução no Direito Tributário brasileiro ante o aprofundamento teórico e a aplicabilidade pragmática que representa.
Não é possível lidar com tributos de modo rigoroso no Brasil sem estudar o método da Regra-Matriz de Incidência criado por Paulo de Barros Carvalho.
A teoria da Regra-Matriz de Incidência Tributária já ultrapassa as fronteiras nacionais e vem ajudando a melhorar o estudo da tributação ao redor do mundo.
Operar com a Regra-Matriz de Incidência é fantástico, simplesmente porque depurar o direito positivo em um país onde o ordenamento jurídico tributário é da mais alta complexidade, e são: União, vinte e sete Estados e mais de cinco mil e quinhentos Municípios legislando sobre tributos.
Isto representa centenas de milhares de atos legais e infralegais enunciados diariamente. Desvencilhar-se das normas periféricas e focar na essência permite identificar problemas materiais e formais de modo rápido.
Diante de instrumental tão poderoso, nos propusemos a pensar na Regra- Matriz de Incidência da Sanções Tributárias. Nesse sentido, quais critérios se assemelham e quais devem ser acrescentados. Em seguida, mostramos na prática o que isto representa, criticando comparativamente como a incidência das Normas Sancionatórias Tributárias deve melhorar.
Ou seja, dominando tal utensílio, compreendendo que é uma fórmula e, portanto, não o confundindo com o fenômeno da incidência, pretendemos construir a Regra-Matriz Sancionadora e identificar onde o sistema positivo precisa de reparo.197
197 Sobre o tema da Regra-Matriz, é imperioso ressaltar as notas feitas por Lucas Galvão de Britto, em artigo publicado no VIII Congresso Nacional de Estudos Tributários. No que tange, à Regra-Matriz Punitiva, encontraremos substrato num dos poucos trabalhos sobre o assunto, o livro da professora Aurora Tomazini de Carvalho: “Direito Penal Tributário (uma análise lógica, semântica e jurisprudencial)”.
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