BULGULAR VE YORUMLAR
3.2. Araştırmanın İş Tatmini Ölçeği Değişkenine Bağlı Olarak Gerçekleştirilen Hipotez Testlerine İlişkin Bulgular ve Yorumlar
3.2.3. Araştırmanın İş Tatmini İle Öğrenim Durumu Değişkeni Arasındaki İlişki İçin Gerçekleştirilen Hipotez Testlerine İlişkin Bulgular ve Yorumlar
É interessante investigar o esquema que Paulo de Barros Carvalho151 adota
para separar os subsistemas de manifestação do direito e a estrutura da norma jurídica, tudo de acordo com os conceitos acima mencionados. Assim, o intérprete partindo da leitura dos enunciados prescritivos S1, articula as significações (proposições) S2 e compõe a norma jurídica S3, também denominada “expressão irredutível de manifestação do deôntico” (juízo hipotético-condicional), depois surge S4 o plano das significações normativas sistematicamente consideradas.
Ou seja, ao examinar a incidência de normas jurídicas e o processos de produção normativa é de suma relevância repisar o esquema que Paulo de Barros Carvalho152 adota para separar os subsistemas de manifestação do direito positivo e a
149 Citado por: CARVALHO, Aurora Tomazini. Curso de Teoria Geral do Direito. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2010. p. 223
150 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 23. ed. São Paulo, Saraiva, 2011. p.40 151 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 8. ed. Saraiva, São Paulo, 2010.
152 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 8. ed. Saraiva, São Paulo, 2010.
104 estrutura da norma jurídica. De acordo com os conceitos mencionados anteriormente, o intérprete partindo da leitura dos enunciados prescritivos (S1), articula as significações ou proposições (S2) e compõe a norma jurídica (S3), também denominada “expressão irredutível de manifestação do deôntico” (juízo hipotético-condicional), depois surge (S4) o plano das significações normativas sistematicamente consideradas.
Assim, para que se possa falar em norma jurídica é preciso que hajam enunciados válidos no direito positivo que ao serem interpretados produzam na mente do intérprete o juízo hipotético-condicional direcionado à regulação de condutas humanas (dado o fato f, deve ser a relação R).
Eurico de Santi reforça a afirmação de que a validade pode ser atribuída a todos os planos de manifestação do Direito (S1, S2, S3 e S4). É possível falar em validade do texto, validade do sentido ou da significação e validade das normas jurídicas. Tárek Moussalem explica:
“A validade do enunciado prescritivo é condição suficiente e necessária para a validade das proposições isoladas e das normas jurídicas. Pode haver validade do enunciado sem que haja validade das proposições isoladas e das normas jurídicas, mas não pode haver validade destas ultimas sem a validade do primeiro.” 153
Paulo de Barros Carvalho154 é claro ao explicar que se por um lado o
processo de interpretação não tem limites, por outro, o ato de interpretar está aprisionado a dois axiomas, quais sejam: a intertextualidade e a inesgotabilidade. O primeiro corresponde à intensa conversação que os textos mantêm entre si, o segundo o de que a interpretação é infinita, não possuindo restrição no campo semântico.
153 MOUSSALLEM, Tárek Moysés. A revogação em matéria tributária. 2ª ed. São Paulo: Noeses, 2011. p.144
154 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 4. ed. São Paulo: Noeses, 2011. p. 196
105 Dito isto, não há diferença entre a interpretação feita pelo cientista do Direito e a interpretação realizada pelo aplicador do direito. Ambas ocorrem do mesmo modo, com a construção da norma jurídica pelo intérprete. O que existem são os sentidos válidos, que Kelsen chamou de “interpretação autentica”, positivados pelos aplicadores do direito, por exemplo, quando os tribunais e juízes produzem ou enunciam uma norma individual e concreta.
Aurora Tomazini155 explica que sob esta perspectiva, não existem
interpretações jurídicas certas ou erradas, pois “certo/errado” não passa de mais uma valoração e a quem competiria dizê-lo? Podemos falar em interpretações mais aceitas, menos aceitas, justificadas, não justificadas, positivadas e não positivadas.
Apesar de termos a expectativa da certeza e da segurança, da existência de uma única significação correta, isso é um mito, não há um único método hermenêutico a indicar o sentido adequado.
O conceito de um vocábulo não depende da relação com a coisa, mas da relação entre palavras. Aurora Tomazini156 expõe o conceito enquanto conotação, onde
ele cria uma classe de uso da palavra (x) e com ela a classe do seu não uso (-x), denominada seu contraconceito. Todo conceito, desse modo, tem função seletiva, a linguagem não reproduz o empírico, é impossível quando trabalha-se no plano das ideias (conteúdos de consciência). Mais adiante ensina: “definir é pôr em palavras o conceito” 157 . Definir é demarcar, é explicar o conceito, pô-lo em palavras, apontado a
forma e o uso. Conceituar representa algo universal, é descrever características. Por sua vez, definir é por limites, é delimitar.
Paulo de Barros Carvalho exprime: “definir é operação lógica demarcatória dos limites, das fronteiras, dos lindes que isolam o campo de irradiação semântica de
155 CARVALHO, Aurora Tomazini. Curso de Teoria Geral do Direito. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2010. p. 232
156 CARVALHO, Aurora Tomazini. Curso de Teoria Geral do Direito. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2010. p. 56
157 CARVALHO, Aurora Tomazini. Curso de Teoria Geral do Direito. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2010. p. 59
106 uma ideia, noção ou conceito. Com a definição, outorgamos à ideia sua identidade, que há de ser respeitada do inicio ao fim do discurso.”158
Conceituar ou definir são atividades intrínsecas ao cientista do Direito, sua linguagem é descritiva. Não existem “conceitos jurídicos indeterminados” e “conceitos jurídicos determinados”, o que há é a ideia que cada um tem do termo, por vezes alguns suscitam maiores discussões, sua zona de penumbra é maior.
O que prevalece para dotar o sistema de certa segurança e certeza é a decisão judicial transitada em julgado, que visa a instituir a interpretação que terá validade (em alguns casos relativizada ou combatida com o ajuizamento de ação rescisória). A origem do sentido fruto da interpretação que convenceu e motivou a decisão do juiz é por demais complexa, e depende de inúmeras variantes, seja por sua justificação, retórica, valores, interesses. Posto isso, não significa que aquele é o sentido mais certo, é apenas o válido, ou seja, caso haja conflito de interesses o sentido produzido pelo judiciário é o que prevalece, vez que possuidor do poder de “dizer” o direito. Dai poderíamos pensar em uma “autoridade da coisa interpretada” assim como na “autoridade da coisa julgada”.
Problemas comuns a quase todos os termos da linguagem são a ambiguidade e a vaguidade. Sem dúvidas que isto acarreta em alguns casos incerteza e insegurança jurídica. Para solucionar tais problemas Rudolf Carnap sugeriu filtrarmos os termos numa técnica chamada “processo de elucidação”. No entanto, é impossível expurgá-los definitivamente, nesse sentido o professor Tárek Moysés Moussalem afirma:
“funciona da seguinte forma: já que não conseguimos vencer nosso inimigo (ambiguidade, vaguidade e carga emotiva), procuramos conviver com ele pacificamente, caso contrário,
107 viver (em um mundo linguístico), habitar uma linguagem, tornar-se-ia, insuportável.”159
Com efeito, a súmula vinculante, por exemplo, é uma tentativa de solucionar divergências interpretativas por meio da positivação de novo enunciado prescritivo com aplicação vinculante. Mesmo assim, apesar de buscar elucidar alguma controvérsia e entregar maior segurança jurídica, a própria súmula ainda será alvo de interpretação. Assim, no mundo jurídico fica ainda mais fácil e evidente afirmar que o Direito é linguagem, por isso Castanheira Neves160 afirma: o universo jurídico deve ser
compreendido como um universo linguístico.
Nesse sentido, nos próximos capítulos analisaremos o teor e a extensão dos efeitos da Súmula Vinculante nº 24 do Supremo Tribunal Federal.