As informações a seguir foram extraídas da pesquisa encomendada pela Fundação Casa, realizada em parceria com o Instituto Uniemp e publicada em maio de 200610
Número de jovens de acordo com a medida socioeducativa:
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- jovens em Liberdade Assistida (direta e conveniada) – 12.009;
- jovens em Prestação de Serviços à Comunidade (direta e conveniada) – 3.243;
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Disponível em: <http://www.promenino.org.br/Ferramentas/Conteudo/tabid/77/ConteudoId/ced8fa9e-7474- 45e9-92c6-b903b56a0190/Default.aspx>. Acesso em: 27 jan. 2010.
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Disponível em: <http://www.promenino.org.br/Ferramentas/Conteudo/tabid/77/ConteudoId/c77923d1-8adc- 4a32-b460-60492c5cdf6a/Default.aspx>. Acesso em: 27 jan.2010.
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- jovens em Semiliberdade (direta e conveniada) – 319; - jovens em Internação – 5.863;
-Total – 21.434. Tipo de infração:
- 14% – crime contra à vida: estupro, sequestro, homicídio, latrocínio; - 51% – roubo simples, qualificado e porte de arma;
- 19% – uso de drogas e tráfico de drogas; - 5% – furto;
- 9% – lesão corporal.
Considerando os adolescentes em medida socioeducativa Liberdade Assistida no estado de São Paulo, 87% eram meninos, 68% encontravam-se no Ensino Fundamental II, ou seja, apresentam histórico de fracasso escolar, com queixas de indisciplina, problemas de aprendizado, violência, repetência, transferência de escola, expulsão e evasão. Tendo como base a faixa etária, 28% tinham 18 anos ou mais, 56% encontravam-se entre 16 e 17 anos, 13% entre 14 e 15 anos e 3,1% entre 11 e 13 anos (FUNDAÇÃO CASA, 2006).
Tendo em vista os dados estatísticos da Fundação Casa, nota-se que a grande maioria pertence ao sexo masculino.
As medidas socioeducativas em meio aberto representam aproximadamente 70% dos jovens atendidos pela Fundação Casa. Como consequência, a busca pela reinserção escolar também cresce e, na mesma medida, a dificuldade para realizar esse processo, já que os adolescentes em sua maioria apresentam trajetória de fracasso escolar e as escolas estão em grande parte mergulhadas num contexto violentado e violento.
No estado de São Paulo, Roman (2006) verificou que grande parte dos adolescentes internos na Febem deixa a escola antes de ser internada e que esta aparece como espaço de humilhação, injustiça, reunião social com outros adolescentes e iniciação no consumo de drogas. A escola, que deveria ser espaço de cidadania, torna-se lugar de marginalização.
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Buscamos construir uma argumentação que tenta articular saberes produzidos em áreas como a Psicologia, o Direito, a Sociologia, Pedagogia e Antropologia para tentar compreender a trajetória escolar de adolescentes autores de atos infracionais no interior da
escola, o porquê desses atos terem sido interpretados como delitos e como os adolescentes em foco cumpriram as medidas socioeducativas em meio aberto.
Nosso objetivo é levantar questionamentos, hipóteses e produzir conhecimento a fim de contribuir com a compreensão dessa problemática e dos caminhos para superá-la.
2 APROXIMAÇÕES COM O OBJETO DE ESTUDO: ASPECTOS
METODOLÓGICOS
Lenoir (2006) elabora uma discussão sobre as relações entre pesquisa, prática e formação docente. Para isso, o autor resgata historicamente as críticas sofridas pela pesquisa em educação e distingue seus componentes estruturais, funções, método e metodologia. As considerações desse autor são interessantes para pensar o caminho que percorremos para a elaboração deste projeto de pesquisa, localizado numa área interdisciplinar, que inclui a educação. Neste projeto, não estudamos a formação docente, mas alguns aspectos de medidas socioeducativas e o resgate da trajetória escolar dos adolescentes e jovens em questão.
Este autor enfatiza que, em cada projeto, é a questão de pesquisa, o quadro conceitual e os objetivos que devem estar em primeiro lugar, em detrimento do método, pois este último corresponde ao caminho que será seguido para se atingir o objetivo fixado. No caso de pesquisas em educação, ele defende a complementaridade enriquecedora entre os procedimentos de coleta e de análise de dados qualitativos e quantitativos. Dados quantitativos podem levantar questões para serem estudadas qualitativamente, em menor escala e com maior profundidade, assim como questões qualitativas podem gerar hipóteses para estudos quantitativos em larga escala.
Tendo em vista o objeto de estudo, sua complexidade e o referencial teórico exposto, consideramos que seria relevante elaborar um mapeamento quantitativo do perfil dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa em meio aberto a fim de obter uma dimensão maior dos tipos de infração, medidas aplicadas, idade, escolaridade, situação socioeconômica, entre outras informações. A partir dessa contextualização, pretendemos compreender a história dos adolescentes que cometeram um ato de indisciplina na escola que foi compreendido como delito e culminou no cumprimento de medida socioeducativa. Dessa forma, o caminho planejado inicialmente nos levou a recorrer a um método em que se articulam dados quantitativos e qualitativos.
A investigação quantitativa constitui-se do mapeamento de pastas técnicas de adolescentes que cumpriram medida socioeducativa em meio aberto. Todo adolescente que cumpre medida socioeducativa com ou sem privação de liberdade tem uma pasta técnica que é montada. Segundo o Caderno de Gestão (FUNDAÇÃO CASA, 2007, p. 29):
Portanto, a pasta técnica é um instrumento utilizado da comunicação escrita e possibilita a sistematização das informações referentes ao acompanhamento dispensado ao jovem e família contemplando, entre outros, aspectos processuais (ofícios/sentença/termo), documentação pessoal inerente à condição de cidadão, documentação escolar, histórico individual, familiar, pedagógico e de saúde, registros de atendimento e das intervenções técnicas, avanços e retrocessos nas ações empreendidas, atendimento técnico, relatórios, estudo de caso, anexo dos instrumentos de apoio utilizados na ação pedagógica, relatórios técnicos, enfim, todos e quaisquer documentos e registros de ações direcionadas ao acompanhamento do adolescente e família.
A investigação qualitativa constitui-se da análise de parcela das pastas técnicas de adolescentes que cumpriram medida socioeducativa em meio aberto, cujos conteúdos referem- se às ações consideradas pela escola como delito. Entretanto, os critérios que escolhemos para selecionar a amostra a ser analisada nas duas etapas foram definidos após a inserção da pesquisadora no campo, a partir da exploração inicial do conjunto de pastas, seguida de todo o processo para obter a autorização junto à Fundação Casa para a realização da pesquisa e, por fim, o início da coleta de dados.
Para a etapa qualitativa, após a leitura do conjunto de pastas, escolhemos cinco delas, em que nos propusemos a analisar mais detalhadamente a trajetória do adolescente desde os motivos que o levaram a ser considerado como alguém que cometeu um delito na escola, até o cumprimento da medida socioeducativa em meio aberto. Para tanto, utilizamos o método de estudo de caso a partir dos objetivos e da perspectiva teórica que fundamenta esta pesquisa, pois permite levar em conta o contexto em que o objeto se situa, busca revelar a multiplicidade de dimensões presentes num determinado problema e possibilita representar os diferentes e conflitantes pontos de vista presentes em uma dada situação social (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).
Para Bogdan e Biklen (1994, p. 89), primeiramente os pesquisadores exploram o campo para definir melhor os objetivos, participantes, procedimentos, desenvolvem planos iniciais e podem acabar desenvolvendo outros à medida que conhecem melhor o tema de estudo, coletam dados, até que atingem um estágio em que podem partir para a análise dos dados.
No âmbito desta pesquisa, apresentaremos os objetivos estabelecidos, a trajetória percorrida tanto na etapa quantitativa, como na qualitativa no tocante à escolha de procedimentos e técnicas, local, participantes e análise de dados.