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6. SONUÇ VE ÖNERİLER

6.2. ÖNERİLER

6.2.2. Araştırmacılara Yönelik Öneriler

Apesar de o nosso foco ser no aluno e sua relação com atividades de alfabetização propostas no laboratório de informática, na escolha do(a) professor(a) foi importante pensar em um profissional que, independentemente do suporte utilizado (lápis, papel ou computador), estivesse disposto(a) a lidar com a influência da presença de uma nova tecnologia de escrita no contexto da sala de aula.

A palavra-chave em relação ao docente parece ser “disposição”; visto que os docentes com os quais estabelecemos os primeiros contatos na escola pública não tiveram em sua formação inicial conhecimento sobre o uso do computador no

contexto da sala de aula, no entanto, demonstraram ter “disposição” em buscar tal conhecimento.

A reflexão presente caminhará no sentido de estabelecer uma relação entre saber plural (TARDIF, 2002, grifo do autor) do docente e a apropriação do conhecimento sobre as novas tecnologias no contexto escolar.

Nesse sentido, Tardif (2002, p. 36-40, grifo do autor), ao definir o saber docente como um saber plural, estabelece quatro vertentes de onde tais saberes se originariam: saberes da formação profissional, saberes disciplinares, saberes curriculares e saberes experienciais.

Em relação à pesquisa que desenvolvemos na área do letramento digital, ficaram algumas questões a partir da explicitação da descrição de cada uma dessas vertentes. A primeira delas diz respeito ao saber em relação à nova tecnologia de escrita, o computador. Em qual vertente de saberes, esse conhecimento se encaixa? Ficamos entre os saberes da formação docente e da experiência. Temos, nesse caso, dois grupos de professores: os que estão se formando recentemente na graduação e que, em alguns centros universitários, tiveram a oportunidade de cursar uma disciplina sobre o uso das novas tecnologias na educação (saberes da formação docente) e um outro grupo de professores que não tiveram a oportunidade de estudar sobre esse assunto através da faculdade, mas que buscaram tal conhecimento através de outros meios (saberes experienciais).

Essa talvez possa parecer uma pergunta simples, mas não é, se pensarmos que a forma de incorporação desse saber (novas tecnologias) irá influir na relação que o docente estabeleceu com o mesmo e com outros saberes. Essa relação do docente com o saber é algo explorado por Tardif (2002, p. 42):

Saber socialmente estratégico e ao mesmo tempo desvalorizado, prática erudita e ao mesmo tempo aparentemente desprovida de um saber específico baseado na atividade dos professores e por ela produzido, a relação dos professores com os saberes parece, no mínimo, ambígua. Como explicar essa situação?

O docente que em sua formação tem a oportunidade de conhecer as novas tecnologias, entender por que e como integrá-las a sua prática pedagógica, leva consigo uma experiência diferente daquele docente que, pressionado por

questões exteriores, tenta articular um conhecimento sobre as novas tecnologias sem muito domínio; sem contar aqueles docentes que se recusam a lidar com tal suporte de escrita por puro estranhamento ou preconceito em relação a esse saber.

Quando estávamos realizando a pesquisa de mestrado, fomos informados de que algumas escolas públicas estaduais em Belo Horizonte que receberam laboratório de informática mantinham suas salas fechadas e as máquinas de computador acumulando poeira. Mesmo que não tenhamos dados formais que comprovem os laboratórios fechados e empoeirados, não desmerecemos essa informação, pois reforça a discussão de que a falta de uso do computador como suporte de texto na escola é deficiente, muitas vezes, da formação dos docentes para lidar com tal tecnologia.

Certamente, a questão é mais complexa que isso, mas entendemos que para que o fenômeno da inclusão digital aconteça na escola é preciso, dentre outros aspectos, que se invista na formação do professor. Não a formação que o Proinfo23 oferece em que o professor faz o curso fora da escola, tornando-se um “multiplicador” e depois repassa seus conhecimentos para o grupo de professores na escola; afinal, já sabemos que esse tipo de formação não funciona na educação.

A questão sobre o lugar que ocupa o saber sobre as novas tecnologias na formação do docente remete-nos a outros questionamentos sobre a relação do saber científico e prático sobre o computador e experimentado pelos docentes em sua formação na atualidade.

Silva (2005), ao refletir sobre a formação do habitus professoral a partir da análise dos lugares da teoria e da prática na formação e atuação docente, lembra uma frase muito presente no discurso de professores, de alunos e de pessoas que nunca exerceram a profissão docente no Brasil: “É na prática que se aprende a ser professor ou professora.” A pesquisadora supõe que:

23 ProInfo é o Programa Nacional de Informática na Educação desenvolvido pela Secretaria de

Educação a Distância (SEED), por meio do Departamento de Infraestrutura Tecnológica (DITEC), em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais. O programa funciona de forma descentralizada, sendo que em cada Unidade da Federação existe uma Coordenação Estadual do ProInfo, cuja atribuição principal é a de introduzir o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas da rede pública, além de articular as atividades desenvolvidas sob sua jurisdição, em especial as ações dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE).

Talvez isso ocorra porque o fazer docente, aos olhos do observador, é um fazer do campo prático da vida. O que também remete à noção de habitus como teoria explicativa do ato de ensinar realizado nas instituições escolares, obrigando a pensar o lugar do aprendizado da teoria e da prática na referida formação (SILVA, 2005, p. 157).

No caso do saber sobre as novas tecnologias, verifica-se que a formação desse habitus em relação à prática docente não tem sido muito cultivada; os docentes, de um modo geral, têm se mostrado muito resistentes (ora por estranhamento ora por preconceito) a esse novo saber, exatamente por ser novo e exigir dos mesmos um período para incorporá-lo a sua prática.

Em relação à apropriação dos saberes e de forma mais ampla, Tardif (2002, p. 35) indica:

Todo saber implica um processo de aprendizagem e de formação; e, quanto mais desenvolvido, formalizado e sistematizado é um saber, como acontece com as ciências e os saberes contemporâneos, mais longo e complexo se torna o processo de aprendizagem, o qual, por sua vez, exige uma formalização e uma sistematização adequadas.

Sabemos que há uma longa caminhada no processo de incorporação desse saber sobre as novas tecnologias por parte do docente. E esse processo pressupõe o entendimento da reatualização do conhecimento antigo. Conforme Tardif (2002, p. 36):

[...] o novo surge e pode surgir do antigo exatamente porque o antigo é reatualizado constantemente por meio dos processos de aprendizagem. Formação com base nos saberes e produção de saberes constituem, por conseguinte, dois pólos complementares e inseparáveis.

Tratando sobre essa dicotomia existente entre o conhecimento construído na prática e o construído pela academia, Tardif observa o privilégio (status) que se dá ao saber produzido na universidade em detrimento do saber do cotidiano escolar. Daí surgem:

Os dois pólos da divisão do trabalho intelectual e profissional estabelecida entre os corpos de formadores das escolas normais e das universidades, os quais monopolizam o pólo de produção e legitimação dos saberes científicos e pedagógicos, e o corpo docente, destinado às tarefas de execução e de aplicação dos saberes (TARDIF, 2002, p. 44).

Os estudos de Fiorentini (1998, apud NUNES, 2001, p. 35), partindo do eixo da relação teoria/prática, concluem que a articulação da teoria com a prática poderá contribuir na formação do professor/pesquisador de forma contínua e coletiva, utilizando a prática pedagógica como instância de problematização, de significação e de exploração dos conteúdos da formação teórica. E isso traz indicações sobre como podemos lidar, em termos de formação docente, da relação dos professores com os saberes do mundo digital e tecnológico.

Ressaltamos, com isso, que essa aproximação do pólo da prática com o da pesquisa para a construção de um saber sobre o uso das novas tecnologias na escola é benéfica para os dois campos de produção de conhecimento. Além disso, o processo de escolarização das novas tecnologias implica uma nova forma de ensino-aprendizagem que interessa tanto a quem está dentro ou fora da sala de aula e também tanto ao professor quanto ao aluno.

Ressaltamos que o caráter de intervenção presente na pesquisa, assim como a participação da professora em todas as atividades, não deixou de produzir, para a professora, condições de exercitar o trabalho com novas tecnologias e de apurar seu olhar sobre o desempenho das crianças no contato com as tarefas propostas do lado de fora de sua sala de aula.

1.2.2.1 A professora

A professora F se mostrou, desde o nosso primeiro contato com ela, uma pessoa muito acolhedora em relação à pesquisa e disposta a cooperar para que tudo corresse positivamente no decorrer de todo o trabalho.

Ela é formada em Pedagogia pela UFMG com especialização em supervisão e magistério. Possui 20 anos de magistério, todos dedicados à alfabetização e tem 17 anos de experiência com a escola pública, na rede municipal

de Belo Horizonte. Além disso, já recebeu outras pesquisadoras em sala de aula e isso facilita a compreensão que tem de pesquisa e faz com que também se torne observadora da relação da criança com a escrita no laboratório e fora dele.

Desde o início, contamos com suas preciosas observações a respeito do desenvolvimento da atividade de alfabetização no laboratório de informática, sobre a contribuição da atividade para o ensino-aprendizado dos alunos, sobre o comportamento dos mesmos ao cumprir a tarefa no computador, dentre outros.

Pudemos contar com ela também no planejamento das atividades, sempre apontando aquilo que seria mais significativo ser ministrado, a fim de que a atividade pudesse acrescentar no processo de aprendizagem da escrita dos alunos.

Enfim, encontramos nessa professora a parceria necessária para que a pesquisa transcorresse de forma tranquila e produtiva. Com sua ajuda, coletamos dados relevantes que serão por nós analisados e avaliados.

Benzer Belgeler