4. BULGULAR
4.5. Araştırma Modelinin YEM Analizi ile Test Edilmesi
Os recursos turísticos tornam-se destinos através dos discursos, expressos pelas estratégias de comunicação e de marketing turístico. E essa tem sido, para este autor, a estratégia melhor conduzida pelos autores do Projeto Estrada Real.
A própria construção do Projeto, por si só, foi uma estratégia de marketing. Nasce na Federação das Indústrias de Minas Gerais, entidade com acesso fácil aos meios de comunicação, influência junto a políticos e empresários, que funda uma organização civil, o Instituto Estrada Real. Quase imediatamente recebe o apoio estatal e torna-se programa de governo.
O discurso do Projeto, num balanço inicial realizado pelo Instituto Estrada Real é o seguinte:
Ao longo desses quase sete anos, desde sua fundação em 1999, [o Instituto] desenvolveu e executou dezenas de projetos para diagnosticar os potencias de cada região, melhorar a infraestrutura turística, sensibilizar as comunidades e atrair turistas, conduzindo as ações sempre atento ao correto aproveitamento do imenso potencial histórico, cultural e natural. A seriedade do trabalho transformou o projeto em Programa Estrada Real apoiado pelo Ministério do Turismo e escolhido como um dos projetos estruturantes do Governo do Estado de Minas Gerais. O caráter social e de responsabilidade com o ser humano atraiu grandes agentes da iniciativa privada que se tornaram parceiros do Instituto Estrada Real, ajudando a viabilizar ainda mais o caminho e gerando divisas para a implantação de projetos fundamentais, como a sinalização turística do eixo principal da Estrada Real e das rodovias de acesso, programas de qualificação e o Projeto de Produção Associado ao Turismo (INSTITUTO ESTRADA REAL, 2005)
Em termos de divulgação e presença na mídia, o Projeto Estrada Real contabilizou, apenas nos anos iniciais de 1999 a 2005, de acordo com Instituto Estrada Real:
- 2.097.000 acessos ao seu portal (www.estradareal.org.br), só no ano de 2005; - 310.000 cm2 em anúncios e notícias de jornais e revistas de grande circulação nacional, no ano de 2004;
-participação em eventos, feiras, congressos, nos quais 799.881 pessoas tiveram contato com o Projeto Estrada Real;
-Associação com grandes empresas para o lançamento de produtos com a marca Estrada Real, tais como: lançamento do carro Fiat Doblô Adventure Estrada Real, pela Fiat Automóveis do Brasil; Projeto Oi de celulares para a Estrada Real; Lançamento de
coleção de selos alusivos à Estrada Real, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (MODELO, 2005, p.8-9)
No ano de 2004 a Estrada Real, dentro da estratégia dos autores do Projeto de comunicar o produto turístico, foi o tema do desfile de carnaval da Escola de Samba Mangueira, que desfilou com o enredo Mangueira redescobre a Estrada Real...e desse
eldorado faz seu carnaval, garantindo ainda mais visibilidade ao Projeto. Falando à imprensa
do camarote da FIEMG no Sambódromo, o Governador Aécio Neves disse:
Nós todos mineiros temos muito que agradecer a oportunidade que a Mangueira está dando ao Brasil e outras partes do mundo conhecerem melhor as riquezas de Minas Gerais. Eu tenho muita fé que nós estamos abrindo as portas daquilo que vai se transformar no maior e mais importante circuito turístico da América do Sul. Nós estamos preparando a Estrada Real com muito profissionalismo e com parcerias enormes com o setor privado para ser o nosso Caminho de Santiago. Eu acho, inclusive, que nós temos aqui do ponto de vista de história e patrimônio cultural muito mais riquezas do que o próprio Caminho de Santiago (MANGUEIRA, 2010).
O discurso do Projeto Estrada Real está sempre se renovando, à medida que novos produtos precisam se converter em destinos turísticos. A ampliação da fronteira inicial do Projeto, das três rotas originais, para qualquer caminho dos séculos XVII, XVIII e XIX, como estabelece a Lei Estadual 13173, faz com que, dependendo dos interesses políticos e econômicos envolvidos, novas localidades passem a integrar o Projeto e, com isto, serem submetidos às suas regras.
Uma das formas permanentes de discurso e, também de geração de lucros para o Projeto tem sido a comercialização da marca Estrada Real, através de franquias. Produtos diversos tais como canetas, isqueiros, bolsas, artigos de cutelaria, camisas, camisetas e bonés são comercializados na loja eletrônica do Instituto Estrada Real ou em vários pontos de venda. Além disto, doces, pães, bolos, geléias, mel, dentre outros produtos com a marca Estrada
Real, são facilmente encontrados nas lojas, padarias, supermercados de Minas Gerais e das
capitais brasileiras.
Outra forma de comercialização dos produtos com a marca Estrada Real são os
Roteiros Planilhados da Estrada Real, que podem ser acessados no sítio do Instituto Estrada
Real: www.estradareal.tur.br. Ali o turista encontra roteiros detalhados de viagens, nas três rotas do caminho, com mapas, descrição dos atrativos, fotos, relatos de turistas, hospedagem e
percursos, planilhas para cicloturismo, grau de dificuldade para caminhadas a pé, entre outras informações.
Dentro do Caminho dos Diamantes, o turista encontra à disposição 18 roteiros planilhados. Em dois deles situam-se os Distritos de Milho Verde e São Gonçalo, os roteiros Diamantina-São Gonçalo do Rio das Pedras, cuja página eletrônica é apresentada na Figura 11, e o outro, São Gonçalo do Rio das Pedras – Serro.
Figura 11 - Roteiro planilhado Diamantina – São Gonçalo do Rio das Pedras
Fonte: Instituto Estrada Real
Das discussões empreendidas neste capítulo verificou-se que o Projeto Estrada Real tem sido, até o presente, apenas peça de retórica que se apropria dos recursos turísticos dos territórios sem promover qualquer ação de qualificação e melhoria dos atrativos, comercializando-os pelos discursos. Com a adesão do Estado, através do Governo de Minas Gerais e Governo Federal, promoveu-se e disseminou-se um discurso de que o Projeto seria capaz de melhorar as condições econômicas e a qualidade de vida das populações locais,
conseguindo, assim, que as administrações municipais e as comunidades o vissem como uma alternativa para o quadro de estagnação econômica em que vivem seus territórios.
O Instituto Estrada Real cuidou de comercializar os produtos turísticos, desde atrativos naturais, patrimônio cultural, até produtos agrícolas e artesanais, como se fosse uma grande franquia. Para aumentar seus lucros, amplia constantemente as fronteiras dos seus territórios, incluindo novos, mesmo que estejam fora dos antigos caminhos reais.
Se o Projeto Estrada Real configura-se como um discurso, quais seriam, então, as conseqüências deste discurso nas paisagens? Se há um único discurso, como ele é recepcionado em diferentes paisagens? Que forças agem na implantação deste discurso e que forças reagem a ele? Estas e outras questões, que tratam de verificar a recepção do Projeto Estrada Real nas paisagens de Milho Verde e São Gonçalo, foram tratadas no próximo capítulo.