4. TARTIŞMA
4.1. Araştırma grubunun psikolojik düzeyi ve psikolojik düzeyinin çocuklarının beslenme
É indubitável o fato de serem os institutos de ensino sujeitos responsáveis pela intangibilidade física e mental dos alunos durante o tempo em que sobre eles exercerem autoridade. O aprendizado reclama acompanhamento rigoroso dos estudantes, incumbindo à equipe pedagógica fiscalização efetiva e permanente, realizada nas salas de aula pelo corpo docente e, nas demais dependências do estabelecimento, pelos funcionários indicados para esse fim.
Não se pense, todavia, que o dever de supervisão em relevo encontra exato limite nos muros dos educandários. Em casos excepcionais, é reconhecida a itinerância da obrigação de zelar pela integridade dos pupilos, como nos casos de excursão organizada pela escola, ou mesmo nas hipóteses de ser o transporte escolar fornecido pela instituição.
Assim, explica Venosa de que forma incide a obrigação de proporcionar segurança aos escolares:
Enquanto o aluno se encontra no estabelecimento de ensino e sob sua responsabilidade, este é o responsável não somente pela incolumidade física do educando, como também pelos atos ilícitos praticados por este a terceiros. Há um dever de vigilância e incolumidade inerente ao estabelecimento de educação [...] Se o agente sofre prejuízo físico ou moral decorrente da atividade no interior do estabelecimento ou em razão dele, este é responsável. Responde, portanto, se o aluno vem a ser agredido por outro colega em seu interior ou vem a acidentar-se em seu interior.34
Daí se infere que o colégio responde não só por danos causados pelos educandos, mas também por danos sofridos pelos estes. Logo, nas situações de
bullying escolar, a desídia é qualificada: há falha tanto por não se detectar ou coibir a
agressividade contínua do valentão como também por não se prestar os devidos cuidados ao aluno maltratado.
É de bom alvitre acentuarmos que a fórmula de proteção acima transcrita é geral, pois não se refere apenas à inteireza corpórea, englobando, outrossim, a guarda da saúde emocional. Tal abrangência tem perfeita aplicabilidade aos casos de bullying, não sendo necessário chegar-se ao ponto de a vítima ver-se maculada em sua conformação física para que se configure ausência de vigilância.
Há mais uma faceta digna de realce, desta vez concernente em se cogitar sobre o alcance do dever de vigilância dos educadores em nível universitário. Segundo Maria Helena Diniz, ao mestre do ensino superior compete tão-somente a missão de
34 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: responsabilidade civil. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2003, v. 4, p.
instruir, “porque ele não tem o dever de vigilância sobre os estudantes, que, por serem maiores, não precisam ser vigiados, sendo senhores de seus atos e de seus direitos”.35
No entanto, contrariamente ao pensamento da maioria, somos da opinião de que não cessa o dever de vigilância no meio acadêmico. Nessa exata vertente, decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, reproduzindo manifestação do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que condenou universidade federal a indenizar aluna do curso de odontologia por danos morais e materiais, em razão de acidente ocorrido durante aula prática, ocasionando à autora perda da função visual:
É evidente a imaturidade inerente à condição de estudante, ainda que universitário. Notadamente em face da faixa etária, é bastante comum que não tenha a exata noção acerca de determinados riscos. Era imperioso que o professor, também nas aulas práticas, checasse se a conduta da acadêmica estava de acordo com o recomendável. Houve, iniludivelmente, a omissão da Universidade e de seus agentes, sem a qual não teria ocorrido o lamentável acidente. A referência ao uso dos óculos, no início do semestre letivo, é insuficiente, já que, como é público e notório, o conhecimento é transmitido através da repetição, razão pela qual, a cada aula, deveria o Mestre insistir na indispensabilidade do emprego dos equipamentos de segurança.36
A par disso, o dever de segurança fixado pelo Código de Defesa do Consumidor engloba qualquer tipo de fornecedor, do que se denota a obrigação imposta aos estabelecimentos de ensino pertencentes a todos os graus de formação, no sentido de colocar a salvo seus estudantes dos gravames gerados por violência escolar. Veja-se, a propósito, decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, concernente a um episódio de trote ocorrido em faculdade particular:
Responsabilidade civil. Relação de consumo. Trote. Queimaduras decorrentes da utilização de substância cáustica. Dano moral. Configurado.
A relação entretida entre aluno e instituição de ensino particular é de consumo, pelo que a responsabilidade civil da ré é objetiva. Uma vez que restou comprovado que o “trote” ocorreu nas dependências da universidade, estando a coordenação do curso ciente do evento, inafastável a responsabilidade civil da demandada frente às queimaduras suportadas por calouro em virtude da
35 DINIZ, MARIA HELENA. Curso de Direito Civil Brasileiro: responsabilidade civil. 19ª ed rev. e atual.
de acordo com o Novo Código Civil (Lei nº. 10.406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2005, v. 7, p. 539.
36 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº. 637.246 - CE (2003/0234104-8). Relator:
utilização de substância cáustica. Dano moral configurado e devidamente comprovado.37
Avulta destacarmos, ainda, que não se encontram excluídas de tal regramento consumerista as universidades públicas, tendo em vista o art. 22 do mesmo
codex, que assim prescreve, consoante grifamos: “os órgãos públicos, por si ou suas
empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.”
Citemos, novamente, o aresto do Supremo Tribunal Federal voltado ao deslinde do feito envolvendo determinado município e aluno da rede oficial que veio a perder o globo ocular por ato lesivo de um colega; cujas razões corroboram com o que foi dito acima:
O Poder Público, ao receber o estudante em qualquer dos estabelecimentos da rede oficial de ensino, assume o grave compromisso de velar pela preservação de sua integridade física, devendo empregar todos os meios necessários ao integral desempenho desse encargo jurídico, sob pena de incidir em responsabilidade civil pelos eventos lesivos ocasionados ao aluno.
A obrigação governamental de preservar a intangibilidade física dos alunos, enquanto estes se encontrarem no recinto do estabelecimento escolar, constitui encargo indissociável do dever que incumbe ao Estado de dispensar proteção efetiva a todos os estudantes que se acharem sob a guarda imediata do Poder Público nos estabelecimentos oficiais de ensino. Descumprida essa obrigação, e vulnerada a integridade corporal do aluno, emerge a responsabilidade civil do Poder Público pelos danos causados a quem, no momento do fato lesivo, se achava sob a guarda, vigilância e proteção das autoridades e dos funcionários escolares, ressalvadas as situações que descaracterizam o nexo de causalidade material entre o evento danoso e a atividade estatal imputável aos agentes públicos.38
De sorte que, mesmo sendo patente a precariedade dos serviços públicos educacionais, inclusive pela deficiência quantitativa de funcionários face ao elevado número de usuários, impõe-se ao ente estatal a efetiva vigilância sobre os seus educandos durante o horário escolar.
37 BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação Cível nº 70021301767. Relator:
Desembargador Paulo Sergio Scarparo. 5ª Câmara Cível. Julgado em 03 out. 2007, DJE de 09 out. 2007.
38 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 109.615-RJ. Relator: Ministro Celso
Antônio Bandeira de Mello. 1ª Turma. Julgado em 28 mai. 1996, DJU de 02 ago. 1996. In: VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: responsabilidade civil. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2003, v. 4, p. 72-73.
Em arremate, o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu art. 245, chancela o dever de vigilância próprio dos educadores, prevendo como reprimenda administrativa multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência, nas hipóteses em que o professor ou responsável por estabelecimento de ensino fundamental, pré-escola ou creche, deixar de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente.
4.2 Teses sustentáveis acerca da responsabilização das escolas por bullying