1.2.4.3.3.1 ANTİOKSİDANLAR
2. GEREÇ VE YÖNTEM
2.6. Araştırma başladıktan sonra çıkarılma kriteri:
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou que o total de eleitores menores de 18 anos diminuiu na eleição de 2010 em comparação com aquele total al- cançado no processo eleitoral de 2008.5 Se por um lado vários fatores podem
ser apontados para essa redução, a imprensa não tardou a sugerir que esse fato poderia ser explicado pela crescente “desilusão com a política, diante dos recen- tes escândalos de corrupção”.6
O quadro de juventude alienada, pouco interessada com os rumos do país, contrasta com uma utilização cada vez mais acentuada de diversos recursos tí- picos da Internet para efeitos de mobilização política. O sucesso obtido pela campanha “Ficha Limpa”, que se utilizou da rede para colher as assinaturas e apoio para a propositura de lei que impedisse a candidatura de políticos com condenação judicial, é um exemplo desse tipo de mobilização.7
No dia 09 de junho de 2010, o Google introduziu uma nova funcionali- dade na rede social mais popular no Brasil, o Orkut. A implementação permi- tia aos usuários um controle diferenciado sobre os seus recados: seria possível distingui -los entre recados privados (uma conversa particular entre duas pesso- as) ou públicos (visíveis por qualquer pessoa com uma conta no Orkut). 1 O presente artigo é uma versão atualizada e expandida de texto originalmente publicado em Comitê
Gestor da Internet no Brasil. TIC Domicílios e Empresas 2010 — Pesquisa sobre o uso das tecnologias de
informação e comunicação no Brasil. São Paulo: CGI, 2011. pp. 65 -70.
2 Doutor em Direito Civil pela UERJ. Vice -coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Funda- ção Getulio Vargas do Rio de Janeiro. Professor da FGV DIREITO RIO.
3 Mestre em Integração Latino -americana pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Líder de projetos no Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. 4 Mestrando em Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisador do Centro de
Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro.
5 Segundo informação do TSE, a eleição de 2008 contou com 2.923.591 eleitores menores de 18 anos, enquanto o processo de 2010 contou com 2.391.352 eleitores nessa mesma faixa etária (www.tse.gov.br, acessado em 20/11/2011).
6 Site do jornal O Globo, edição de 20/07/2010 (www.oglobo.com.br). 7 Fonte: www.fi chalimpa.org.br, acessado em 15/11/2011.
A mudança não agradou à maioria dos usuários do Orkut, que imediata- mente iniciaram um protesto contra o novo sistema de recados. Várias comuni- dades, muitas delas com milhares de membros, foram criadas com o intuito de realizar um abaixo -assinado contra a funcionalidade. Opiniões qualifi cadas de diversos usuários argumentavam que o sistema implementado não protegia a privacidade. O Google, empresa que administra o Orkut, rapidamente atendeu às reclamações e desativou o recurso por tempo indeterminado, alegando que a equipe técnica iria incorporar parte das contribuições feitas pelos usuários que criticaram a ferramenta.
Esses casos ilustram duas importantes características da Internet e dos seus atores: a capacidade de mobilização e colaboração entre os usuários, bem como a noção que estes possuem do que pode ser bom ou prejudicial à rede.
Em 2007, após ter um fi lme que a retratava mantendo relações sexuais com seu namorado em uma praia, a modelo Daniela Ciccarelli obteve uma decisão judicial que obrigava o site de vídeos YouTube a impedir que tal vídeo fosse exibido, sob pena de ser bloqueado no Brasil. Ao se constatar que o vídeo, por mais que se procurasse impedir, ainda poderia ser visto no referido site, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ordenou o seu efetivo bloqueio.8
Depois de muito alarde na imprensa nacional e estrangeira, o bloqueio foi suspenso. Todavia, o dano já havia sido causado e os usuários da Internet pron- tamente perceberam que a lesão ao direito de uma pessoa, sem parâmetros que pudessem guiar o magistrado, poderia prejudicar o acesso de todos os demais aos serviços mais populares e relevantes da rede mundial.
Em 2010, no mesmo site de vídeos, a gravação de uma conversa íntima entre duas mulheres envolvendo a traição de uma com o marido da outra al- cançou grande repercussão na imprensa e audiência na Internet no Brasil.9 Em
meio aos comentários que procuravam devassar ainda mais a vida dos envol- vidos, parece cristalina a impressão de que as fronteiras entre o permitido e o proibido, o privado e o público, vão se tornando cada vez mais difusas.
Se a realidade da Internet é assim tão complexa, qualquer tentativa de se propor uma regulação para esse cenário não poderia partir de outra fonte que não a própria Internet. Foi com essa realidade em mente que o Marco Civil da Internet no Brasil foi criado.
O Marco Civil representou uma iniciativa que deu aos usuários a possibi- lidade de ter a primeira palavra sobre como, e com quais parâmetros, deveria a rede ser regulada. Em tempos nos quais tanto se comenta sobre a web 2.0, 8 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21325.shtml, acessado em 21/11/2011. 9 Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/...video.../n1237709428359.html, acessado em 21/11/2011.
MARCO CIVIL NA INTERNET: UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIO 117
ou seja, a chamada Internet colaborativa, seria um verdadeiro contrassenso não se utilizar dessa principal característica da rede: a sua imensa possibilidade de construção colaborativa de conteúdo.
Para isso formou -se uma parceria entre a Secretaria de Assuntos Legislati- vos, do Ministério da Justiça (SAL/MJ), e o Centro de Tecnologia e Sociedade, da FGV DIREITO RIO (CTS/FGV), para refl etir sobre o processo e gerir a plataforma através da qual o Marco Civil seria construído.
O texto a seguir narra as escolhas e os desafi os de se criar um projeto de lei a partir de um fórum aberto na Internet. A experiência inovadora não apenas inseriu o Brasil em posição de destaque no cenário internacional de regulação da rede, como também, para um centro de pesquisa localizado em uma facul- dade de direito, representou oportunidade única para aplicar a expertise de in- vestigação acadêmica na produção de evidentes impactos concretos na realidade frequentemente estudada.
O Marco Civil, hoje encaminhado ao Congresso Nacional como Projeto de Lei nº 2126/2011, reforçou ainda uma importante tendência na formação do pesquisador e do estudante de direito, que cada vez mais percebem a neces- sidade de voltar o olhar para o processo de criação das leis, não se preocupando apenas com os textos já aprovados e as eventuais controvérsias de sua aplicação.
É justamente nesse momento de criação da norma que as mais diferentes contribuições podem ser somadas para construir uma lei adequada às demandas sociais e econômicas, com atenção ao ordenamento em vigor e ao desenvol- vimento tecnológico. A tarefa não é nada simples, mas a sua difi culdade não deve ser motivo para não reconhecê -la como um dos campos de atuação mais interessantes da pesquisa jurídica contemporânea.