Tabela 11
Análise dos decis do ICMS Pob. Cresc.
Ext.
pobr. Densid. Idade60
Idade 0 a
14 Analfab. Renda PIB ICMS
0-10 27138 4,93 29,72 62 10,79 29,82 28,27 296 5.237 480 10-20 24929 3,09 24,75 89 11,45 28,07 25,70 327 6.030 506 20-30 37228 2,90 20,57 144 11,47 27,49 22,18 395 7.613 553 30-40 36190 3,70 14,35 136 11,81 26,04 17,43 487 9.857 620 40-50 53761 3,05 10,44 116 12,01 25,03 14,30 566 12.248 648 50-60 39981 3,06 8,30 122 12,09 24,38 12,10 616 14.375 688 60-70 30157 2,86 6,64 101 12,62 23,21 10,53 662 16.682 741 70-80 51818 3,37 5,37 152 13,10 22,55 9,74 707 19.567 786 80-90 27347 2,99 4,74 104 12,90 22,48 9,20 731 23.724 897 90-100 19181 4,35 4,34 89 13,35 21,98 8,62 784 37.668 1.185 Tabela 12
Modelos M1 e M2 de regressão para ICMS
ICMS (M1) ICMS (M2) Cresc. 22.554 -0.370 (80.804) (0.185)*** Ext. pobr. -3.142 -0.134 (0.636)** (0.018)** Densid. -0.043 -0.130 (0.008)** (0.006)** Idade60 21.994 0.070 (2.559)** (0.036) Idade 0 a 14 8.393 -0.389 (2.044)** (0.061)** Analfab. -4.067 -0.031 (0.824)** (0.022) Renda -0.045 -0.165 (0.063) (0.033)** PIB 0.018 0.732 (0.002)** (0.017)** _cons -236.976 0.810
38 (89.160)** (0.158)** R2 0.56 0.72 N 5,190 5,190 *** p<0.05; ** p<0.01 População
Não é possível perceber um padrão claro de relação entre a população do município e a transferência de ICMS per capita. Contudo, vale destacar que o decil 90-100% apresentou a menor população média. Este resultado mostra que há um conjunto de municípios que não têm tamanho populacional necessariamente elevado, contudo, apresentam elevadas receitas de transferências per capita de ICMS. Estes municípios também são beneficiados, em algum grau, pelo FPM, que distribui valores maiores, em termos per capita, para municípios de pequeno porte.
Crescimento populacional
Na análise dos decis da tabela 11 não é possível identificar uma relação clara entre crescimento populacional e os recursos per capita recebidos, contudo, o decil com maior crescimento populacional médio correspondeu aos 10% menos beneficiados pela transferência. Complementarmente, a tabela 12 apresenta os resultados dos modelos de regressão M1 e M2, considerando a transferência de ICMS per capita como variável dependente. O coeficiente negativo e significante para a variável "cresc." no modelo loglinear, por sua vez, mostra que, controladas as demais variáveis explicativas incluídas no modelo, os municípios que mais cresceram receberam valores menores para a cota-parte de ICMS per capita.
População em situação de extrema pobreza
Os resultados descritos na tabela 11 mostram que o percentual de população em situação de extrema pobreza diminui à medida que cresce a receita per capita da cota parte de ICMS. Na perspectiva multivariada, presente nos resultados das regressões da tabela 12, os coeficientes negativos e significantes, em ambos os modelos, para a variável "ext. pobr.", revela que os municípios com os piores indicadores neste quesito são justamente aqueles menos beneficiados pelas transferências.
39 Densidade
Não há um padrão nítido na relação entre a densidade populacional e os decis da cota- parte per capita de ICMS, apresentada na tabela 11. Contudo, os resultados de ambos os modelos da regressão, conforme é apresentado na tabela 12, revelam que, controladas as demais variáveis explicativas, maiores densidades populacionais estão associadas a menores receitas de ICMS.
População com idade superior a 60 anos
A análise da tabela 11 indica que os municípios mais beneficiados pelas transferências de ICMS, em termos per capita, também apresentam um maior percentual de população de 0 a 60 anos. Os modelos de regressão, por sua vez, corroboram este resultado, apresentando coeficientes positivos e significantes para a variável "idade60".
População com idade entre 0 e 14 anos
Na análise de decis, apresentada na tabela 11, os dados indicam que os municípios mais beneficiados por esta transferência também são aqueles com percentual de população entre 0 a 14 maior. Já os modelos de regressão apresentam resultados opostos, ou seja, indicando que a presença de um coeficiente positivo ou negativo para a variável “idade 0 a 14”, a depender da especificação funcional do modelo.
Analfabetismo
Na análise apresentada na tabela 11, os resultados mostram que, sem controlar os demais critérios, os municípios com menor índice de analfabetismo também são os que recebem mais recursos em termos per capita. Os resultados dos modelos de regressão confirmam a perspectiva preliminar fornecida pela análise dos decis, pois o coeficiente da variável “analfab.” foi negativo em ambos os modelos, e significante ao nível de 1% no modelo linear.
40 Rendimento domiciliar
Os resultados demonstrados na tabela 11 indicam uma relação positiva entre a receita da cota-parte de ICMS e a renda domiciliar, considerando ambas variáveis em termos per capita. Esta relação, contudo, é rejeitada quando se controla as demais necessidades fiscais e a capacidade fiscal expressa pelo PIB. Neste caso, os coeficientes da variável “renda” assume valores negativos em ambos os modelos.
PIB
Os valores médios do PIB per capita em cada decil da cota-parte de ICMS per capita mostram que PIBs mais elevados estão associados a maiores valores recebidos à título desta transferência. Ambos modelos de regressão, conforme apresentado na tabela 12, corroboram a análise dos decis, revelando coeficientes positivos e significantes. Estes resultados provavelmente são uma consequência imediata do critério de distribuição do ICMS, que, segundo a Constituição Federal, deve ter no mínimo 75% de seu valor repassado conforme o Valor Adicionado Fiscal (VAF). O VAF, por sua vez, representa a base tributária do ICMS e tem relação estreita com o PIB.
4.2.5. Transferências voluntárias
Tabela 13
Análise dos decis das transferências voluntárias
Pob. Cresc. Ext. pobr. Densid. Idade60
Idade 0 a
14 Analfab. Renda PIB Volunt.
0-10 33532 3,95 16,93 157 11,45 26,41 19,17 491 12.889 3,20 10-20 58263 4,30 12,95 219 11,47 25,24 15,16 583 16.649 22,63 20-30 94867 3,55 13,39 198 12,14 25,01 16,35 567 15.155 43,18 30-40 48654 4,00 13,42 173 12,01 25,14 15,91 569 15.797 63,72 40-50 33887 3,97 13,54 150 11,70 25,67 15,90 547 14.841 88,72 50-60 26162 3,23 13,21 52 12,07 25,20 16,15 544 14.265 118,71 60-70 19530 3,19 12,49 71 12,27 25,04 15,36 559 15.479 156,01 70-80 16033 3,08 11,82 40 12,48 24,77 15,31 551 14.845 205,78 80-90 10442 2,73 11,24 34 12,61 24,66 14,81 559 15.325 286,65 90-100 6349 2,28 10,23 23 13,40 23,94 13,92 598 17.252 586,06
41
Tabela 14
Modelos M1 e M2 de regressão para transferências voluntárias
Volunt. (M1) Volunt. (M2) Cresc. -81.972 -0.246 (49.021) (0.543) Ext. pobr. -2.299 -0.018 (0.572)** (0.054) Densid. -0.022 -0.216 (0.003)** (0.016)** Idade60 13.073 0.436 (1.813)** (0.110)** Idade 0 a 14 8.660 0.025 (1.662)** (0.202) Analfab. -1.332 -0.072 (0.855) (0.066) Renda -0.019 0.111 (0.027) (0.085) PIB 0.000 0.116 (0.000)*** (0.042)** _cons -160.071 1.147 (66.182)*** (0.473)*** R2 0.03 0.06 N 5,190 5,190 *** p<0.05; ** p<0.01 População
No caso dos convênios, a população média cresce ao longo dos decis até a faixa 20- 30%, com valor máximo, e depois se reduz até atingir o valor mínimo, na faixa dos 10% que mais recebem transferências de convênio per capita. Percebe-se, portanto, que no quadro geral, o valor recebido per capita tende a aumentar com o decréscimo da população.
Crescimento populacional
A análise dos decis não revela um padrão nítido na relação entre crescimento populacional e total de convênios recebidos per capita, porém, aparentemente os municípios que mais se beneficiam da transferência cresceram menos entre 2007 e 2010. A análise das regressões, contudo, não apresenta coeficientes significantemente diferentes de zero para o crescimento, não permitindo fazer inferências seguras sobre o padrão de distribuição dessa transferência segundo este critério demográfico.
42 População em situação de extrema pobreza
As transferências de convênios recebidas pelos municipíos, em termos per capita, são menores entre os municípios em que o percentual de população em situação de extrema pobreza é maior. A análise de regressão, por sua vez, apresentou valor significante e negativo para esta proxy de necessidade fiscal, no modelo linear, indo ao encontro da análise preliminar dos decis da variável dependente.
Densidade populacional
A análise de decis, demonstrada na tabela 13, aponta que municípios que recebem maior volume de convênios per capita apresentam população mais esparsa. Os coeficientes negativos e significantes obtidos nos modelos de regressão corroboram a análise dos decis, mostrando que controlando as demais variáveis, os municípios que recebem mais são menos densos populacionalmente.
População com idade com mais de 60 anos
O percentual de população com de 60 anos de idade cresce na mesma direção do volume total de convênios per capita na análise de decis expressa na tabela 13. O modelos de regressão corroboram estes resultados, uma vez que os coeficientes deste indicador apresentaram coeficientes positivos e significantes.
População com idade entre 0 e 14 anos
Já em relação ao percentual da população com idade entre 0 e 14 anos, percebe-se que este indicador diminui com o aumento do volume total de convênios per capita. Contudo, controlando as demais variáveis a relação se inverte, conforme pode ser percebido na análise de regressão expressa na tabela 14. A variável de "Idade 0 a 14" apresentou coeficiente significante no modelo B1, cujo valor positivo expressa que, dadas demais variáveis incluídas no modelo constantes, municípios com maior percentual da população entre 0 a 14 recebem mais recursos, em média.
43 Analfabetismo
O analfabetismo decresce à medida que aumentam os recursos per capita recebidos de convênios. Já na análise dos modelos de regressão não se pode extrair maiores resultados pois os coeficientes das variáveis de interesse não foram significantemente diferentes de zero. Aparentemente, se as transferências de convênio não equalizam a necessidade fiscal relacionada ao analfabetismo, por outro lado, também não prejudicam os municípios com maiores necessidades, ou seja, a transferência assume um papel neutro neste quesito.
Rendimento domiciliar
Na análise dos decis, não é possível notar um padrão nítido no crescimento ou decrescimento da renda domiciliar per capita média ao longo dos decis, contudo, o decil 90- 100% obteve a maior renda média per capita, enquanto o decil 0-10% apresentou o menor valor para este indicador. Na análise multivariada, também não se percebe uma associação entre o rendimento e o valor das transferências, pois os coeficientes não foram significantes. Aparentemente, a presença dos convênios não interfere na equalização fiscal da capacidade fiscal mensurada pelo rendimento domiciliar, contudo, nos intervalos extremos, conforme indicam o valor médio do rendimento nos decis 0-10% e 90-100%, a transferência voluntária parece ter um efeito prejudicial no âmbito da equalização, favorecendo municípios que já possuem maior capacidade de gerar arrecadação tributária.
PIB
Os resultados apresentados na tabela 13 mostram que os municípios com maior PIB foram beneficiados pelas transferências de convênios. Os modelos de regressão reforçam esta conclusão, uma vez que que os coeficientes beta para o PIB foram positivos e significantes. Estes resultados apontam que os recursos de convênios favoreceram municípios com maior capacidade fiscal, representando um efeito negativo na equalização fiscal.
44 4.2.6. FUNDEB
Tabela 15
Análise dos decis das transferências do FUNDEB Pop. Cresc.
Ext.
pobr. Densid. Idade60
Idade 0 a
14 Analfab. Renda PIB
FUNDE B 0-10 76.739 2,23 6,25 292 13,84 21,92 10,98 687 15.850 144,22 10-20 40.351 2,58 6,20 107 13,32 22,52 10,97 666 16.381 212,63 20-30 38.306 3,09 5,86 109 13,08 22,64 10,76 681 17.843 245,40 30-40 60.453 3,30 7,75 124 12,76 23,38 12,02 647 16.986 277,31 40-50 32.419 3,72 10,44 135 12,36 24,26 14,51 588 16.370 310,59 50-60 22.122 3,86 12,75 76 12,16 25,17 16,23 544 14.890 348,05 60-70 23.584 4,02 15,46 111 11,67 26,09 17,78 505 15.922 388,75 70-80 19.302 4,02 18,70 61 11,26 27,19 20,38 438 12.099 437,79 80-90 18.741 3,78 22,05 48 10,90 28,15 22,19 410 13.143 499,50 90-100 15.618 3,77 24,54 49 10,16 30,01 22,84 391 12.768 629,38 Tabela 16
Modelos M1 e M2 de regressão para transferências do FUNDEB
Variáveis explicativas FUNDEB (M1) FUNDEB (M2)
Cresc. -4.960 0.664 (28.026) (0.247)** Ext. pobr. 2.788 -0.022 (0.325)** (0.025) Densid. -0.012 0.011 (0.002)** (0.007) Idade60 -1.317 0.048 (1.045) (0.051) Idade 0 a 14 8.557 0.409 (1.040)** (0.084)** Analfab. 2.196 -0.015 (0.385)** (0.031) Renda 0.046 -0.347 (0.019)*** (0.037)** PIB 0.001 0.129 (0.000)** (0.021)** _cons 34.807 2.172 (41.940) (0.201)** R2 0.30 0.10 N 5,190 5,190 *** p<0.05; ** p<0.01
45 População
A análise de decis mostra que os municípios que recebem mais transferências de FUNDEB per capita também são aqueles com maior população. Por este motivo, de maneira geral, municípios menores são mais beneficiados pelas transferências.
Crescimento populacional
Os valores médios de crescimento populacional dos decis crescem junto com a transferência, desde o decil 0-10% até o 70-80%. A partir deste decil, há um suave decrescimento até alcançar o decil 90-100%. Nesta mesma direção, os resultados da regressão M2 apontam um coeficiente da variável crescimento positivo e significante, mostrando que quanto maior o valor médio desta necessidade fiscal, maior é o valor per capita recebido da transferência do FUNDEB.
Densidade
De uma maneia geral, parece haver uma tendência de decrescimento da densidade populacional à medida que se desloca das faixas com menor transferência até aquelas com maior volume de recursos recebidos. Este resultado é corroborado pelo modelo M1, que mostra um coeficiente negativo e significante para a variável densidade.
População com idade superior a 60
A análise de decis sugere uma relação negativa entre este indicador de necessidade fiscal e a transferência per capita de Fundeb recebida. Contudo, controlando as demais variáveis não se pode rejeitar a hipótese nula do coeficiente deste item ser igual a zero, conforme os resultados do modelo M1 e M2.
Idade entre 0 e 14 anos
O percentual de população com idade entre 0 e 14 anos aparentemente cresce junto com a transferência per capita de Fundeb. Os modelos de regressão confirmam esta hipótese ao apresentar coeficientes positivos e significantes para esta variável. Este fato parece uma
46
consequência direta dos critérios de distribuição deste recurso, que considera o número de alunos matrículados na rede pública de ensino sob responsabilidade do governo municipal.
Analfabetismo
O percentual de analfabetismo entre pessoas acima de 15 anos parece guardar uma relação positiva com a transferência per capita de Fundeb, conforme a análise de decis apresentadas na tabela 15. Os resultados do modelo de regressão M1 seguem na mesma direção, mostrando que, controlando as demais variáveis, municípios com maior indicador de analfabetismo recebem maiores volumes per capita desta transferência.
Rendimento
A análise de decis indica que a renda domiciliar per capita diminui à medida que aumenta o volume da transferência per capita de Fundeb. No entanto, os modelos de regressão divergem e revelam direções opostas desta relação, a depender da forma funcional especificada no modelo. Enquanto M1 apresentou um coeficiente positivo e significante para a variável “renda”, o modelo M2 apresentou para este mesmo coeficiente um valor negativo e significante.
PIB
Os valores médios do PIB per capita nos decis contruídos a partir das transferências per capita de Fundeb parecem decrescer à medida que aumentam os valores recebidos desta transferência. No entanto, quando a renda per capita e as proxies das diversas necessidades fiscais incluídas no modelo são controladas, o sinal da relação se inverte, uma vez que tanto no modelo M1 quanto no modelo M2, os coeficientes da variável PIB foi significante e positivo.
47 4.2.7. SUS
Tabela 17
Análise dos decis das transferências do SUS
Pob. Cresc.
Ext.
pobr. Densid. Idade60
Idade 0
a 14 Analfab. Renda PIB SUS
0-10 33.809 4,25 6,24 140 12,66 22,89 10,10 706 19.270 35,77 10-20 31.468 4,77 6,65 112 12,54 23,18 10,29 668 18.176 76,20 20-30 20.023 4,60 9,08 84 12,42 24,09 12,61 617 18.431 94,34 30-40 18.342 3,62 10,87 82 12,69 24,32 14,04 578 15.327 107,61 40-50 37.162 3,42 12,62 65 12,56 24,94 15,73 545 15.162 120,41 50-60 22.249 2,54 15,67 108 12,39 25,62 18,37 492 13.276 132,57 60-70 20.248 3,11 17,98 103 11,95 26,36 20,32 454 11.958 146,10 70-80 26.049 2,05 18,41 86 11,71 26,75 20,40 459 12.113 162,66 80-90 40.388 2,49 18,11 111 11,49 27,05 20,15 461 13.316 187,78 90-100 97.979 3,54 14,23 224 11,09 26,09 16,49 581 15.205 279,05 Tabela 18
Modelos M1 e M2 de regressão para transferências do SUS
Variáveis explicativas SUS (M1) SUS (M2)
Cresc. -78.913 -0.391 (13.101)** (0.307) Ext. pobr. 0.409 0.208 (0.171)*** (0.034)** Densid. 0.005 0.009 (0.002)*** (0.011) Idade60 -2.372 -0.100 (0.602)** (0.055) Idade 0 a 14 0.797 -0.070 (0.586) (0.101) Analfab. 1.770 0.090 (0.199)** (0.042)*** Renda 0.059 0.166 (0.010)** (0.063)** PIB -0.000 0.015 (0.000) (0.026) _cons 80.069 1.528 (23.523)** (0.266)** R2 0.07 0.03 N 5,190 5,190 *** p<0.05; ** p<0.01
48 População
A análise dos decis mostrou que a população é maior entre os municípios dos decis 80-90% e 90-100%, contudo, não existe um padrão homogêneo de crescimento da população ao longo dos decis.
Crescimento populacional
A análise de decis não aponta um padrão nítido na relação entre o crescimento populacional e transferência do SUS per capita. Já nos modelos de regressão, o coeficiente significante e negativo da variável “cresc.” no modelo linear mostra que municípios com maior crescimento populacional recebem menos transferências.
População em situação de extrema pobreza
Os resultados da análise de decis revelam um padrão de crescimento do percentual de população em extrema pobreza à medida que aumenta a transferencia per capita do SUS. Os coeficientes positivos e significantes, em ambos os modelos, da variável “ext. pobr.”, vai ao encontro da análise de decis, mostrando que, controladas as demais variáveis, municípios com maior necessidade fiscal neste quesito recebem maiores volumes de transferência do SUS.
Densidade
Quando ao indicador de necessidade fiscal associado à densidade populacional, não se pode identificar, na análise de decis, uma relação clara entre esta variável e as transferências per capita do SUS. No entanto, o modelo de regressão M1 indicou a presença de uma relação positiva e significante, controladas as demais variáveis incluídas.
População com idade entre 0 e 14
Na análise de decis, aparentemente há uma relação positiva entre o percentual da população com idade entre 0 e 14 e a transferência per capita de SUS. No entanto, os modelos de regressão M1 e M2 foram incapazes de identificar um coeficiente significante para este indicador.
49 População com idade superior a 60
Pode-se observar, na análise de decis da tabela 17, que os municípios com maior percentual de população com idade superior a 60 anos receberam menos recursos do SUS, em termos per capita. Já nos modelos de regressão, o coeficiente da variável Idade60 em M2 foi não significante, enquanto no M1 foi negativo e significante. Desta forma, a regressão com dados não transformados corrobora a análise decis, apontando um efeito inequalizador desta transferência no que diz respeito à necessidade fiscal associada à proporção da população em idade mais avançada.
Analfabetismo
De modo geral, parece haver uma relação positiva entre a transferência per capita de SUS e o indicador de analfabetismo, conforme pode ser visto na tabela 17. Neste mesmo sentido, os modelos de regressão M1 e M2 identificaram coeficientes positivos e significantes para o indicador de analfabetismo.
Renda
Sem controlar outras variáveis, a relação bivariada entre a transferência do SUS e a renda domiciliar, em termos per capita, parece ser positiva. Contudo, os modelos de regressão M1 e M2 indicam o oposto, ou seja, com as demais variáveis controlas, municípios com renda domiciliar maior recebem, em média, valores maiores da transferência do SUS.
PIB
No caso do PIB, assim como na renda, a análise de decis apresentada na tabela 17 sugere uma relação bivariada negativa entre este indicador de capaciedade fiscal e o valor recebido à título de transferência do SUS. Os modelos M1 e M2, por sua vez, não apresentaram coeficientes significantemente diferentes de zero para a variável PIB.
50 4.2.8. Compensação financeira
Tabela 19
Análise dos decis das transferências da compensação financeira Pob. Cresc.
Ext.
pobr. Densid. Idade60
Idade 0 a
14 Analfab. Renda PIB
Comp. financ. 0-10 148.362 5,92 10,21 494 10,56 25,23 11,56 700 18.859 2,63 10-20 44.589 6,87 15,79 119 10,39 27,11 16,63 529 14.457 5,69 20-30 21.981 4,71 15,52 55 11,63 26,00 17,80 519 12.578 7,09 30-40 16.579 2,56 15,98 48 12,34 25,51 18,50 495 12.259 8,24 40-50 20.275 2,05 16,72 66 12,23 25,88 18,99 479 11.645 9,59 50-60 12.707 2,06 15,75 48 12,50 25,57 18,66 494 12.836 11,91 60-70 13.062 1,88 13,26 42 12,50 25,24 16,74 516 13.455 15,74 70-80 15.994 1,91 10,08 43 13,56 23,65 14,40 579 16.259 22,09 80-90 28.381 1,81 8,44 104 13,71 23,06 13,18 623 17.089 38,63 90-100 25.567 4,57 8,06 97 12,06 24,04 12,00 625 22.894 361,77 Tabela 20
Modelos M1 e M2 de regressão para transferências da compensação financeira
Comp. financ. (M1) Comp. financ. (M2)
Cresc. 170.588 0.773 (80.123)*** (0.439) Ext. pobr. -0.567 0.043 (0.364) (0.043) Densid. -0.006 -0.119 (0.002)** (0.014)** Idade60 0.286 0.359 (1.259) (0.076)** Idade 0 a 14 -2.646 -0.484 (1.286)*** (0.123)** Analfab. -0.918 0.231 (0.491) (0.051)** Renda -0.175 -0.230 (0.070)*** (0.061)** PIB 0.004 0.485 (0.002)** (0.044)** _cons 163.370 -0.197 (56.775)** (0.314) R2 0.05 0.09 N 5,190 5,190 *** p<0.05; ** p<0.01 População
Os municípios que recebem maiores valores per capita de transferência da compensação financeira tendem a ter população menor, conforme a tabela 19. O padrão de
51
crescimento ao longo dos decis se rompe nos últimos dois decis, mais elevados, em que a população média é ligeiramente superior aos anteriores.
Crescimento população
Em geral, há uma tendência de redução dessa variável ao longo dos decis, ou seja, municípios que recebem maior compensação financeira per capita tendem a ter um crescimento menor. Uma exceção à regra, contudo, consiste no último decil, que apresentou crescimento elevado em relação aos demais. O modelo de regressão, por sua vez, no caso das variáveis não transformadas (M1), aponta um coeficiente positivo e significante.
População em situação de extrema pobreza
Não existe um padrão claro na análise de decis, contudo, os 20% de municípios com maior transferência per capita tem um percentual de população de situação de extrema pobreza bastante reduzido em relação aos demais. Estes dados mostram que os 20% de municípios mais beneficiados por esta transferência mantêm este indicador de pobreza em níveis baixos. Os modelos de regressão, no entanto, não foram bem sucedidos em conseguir captar alguma relação significantemente diferente de zero entre este indicador e a transferência per capita.
Densidade
Os dados indicam que a densidade tende a diminuir ao longo dos decis, quando se caminha em direção aos grupos de municípios com maior volume per capita de transferência. Contudo, novamente os 20% de municípios com maior transferência per capita apresentam um comportamento distinto dos demais, apresentando densidade populacional bastante elevada. Os modelos de regressão M1 e M2, por sua vez, revelam coeficientes negativos e significantes, mostrando que, controlando as demais variáveis incluídas na regressão, municípios com maior densidade recebem menos transferência per capita de compensação financeira.
52 População com idade superior a 60
Os resultados dos decis de transferência sugerem uma relação positiva entre o valor recebido, per capita, de compensação financeira e o percentual da população com idade superior a 60. O modelo M2 corrobora esta observação, mostrando que mesmo após controlar as demais variáveis incluídas na regressão, o coeficiente deste indicador de necessidade fiscal é positivo e significativo.
Idade entre 0 e 14 anos
Na análise dos decis não é possível identificar uma diferença significativa entre as médias dos decis nem um padrão de formação entre o decil e o indicador de idade entre 0 e 14 anos. Contudo, controlando as demais necessidades fiscais, bem como os indicadores de capacidade fiscal, a presença dos coeficientes negativos e significantes nos modelos M1 e M2 mostram que os municípios com a porção da população em idade escolar mais elevada recebem menores valores per capita da transferência de compensação financeira.
Analfabetismo
Não há uma relação nítida entre o analfabetismo e a transferência per capita, no entanto, os decis de receita mais elevada, como os decis 70-80%, 80-90%, 90-100% apresentam analfabetismo mais baixo do que os demais, com exceção do primeiro decil (0- 10%). Já nos modelos de regressão, o único valor significante da variável analfab. aparece no modelo M2, indicando que municípios que recebem mais, controladas as demais variáveis incluídas no modelo, apresentam valores médios de analfabetismo maiores.
Renda domiciliar per capita
A análise dos decis não revela uma relação nítida entre a renda e a transferência per capita de compensação financeira, mas os modelos M1 e M2 apresentam coeficientes negativos e significantes para a variável Renda. Portanto, os resultados indicam um papel equalizador da compensação financeira no que diz respeito à renda domiciliar per capita.
PIB per capita
53
municipal e a transferência, apesar de que os maiores valores médios de PIB foram obtidos nos decis 0-10%, 70-80%, 80-90%, 90-100%. Os resultados dos modelos M1 e M2, por sua vez, revelam valores positivos e significantes para os coeficientes para o PIB per capita.
4.2.9. Bolsa Família
Tabela 21
Análise dos decis das transferências do Bolsa Família Pob. Cresc.
Ext.
pobr. Densid. Idade60
Idade 0
a 14 Analfab. Renda PIB
Bolsa Fam. 0-10 81079 5,44 1,40 216 13,65 20,00 5,34 946 27854 24 10-20 60796 4,83 2,38 281 12,97 21,51 7,20 796 23705 44 20-30 34453 4,26 3,35 160 12,86 22,27 8,27 728 22844 61 30-40 41078 3,22 4,49 109 12,76 22,93 9,51 670 17952 81 40-50 34729 2,83 6,53 105 12,50 23,99 11,53 600 15984 107 50-60 23560 3,21 10,98 79 11,62 25,89 14,42 509 15257 140 60-70 21698 4,65 18,29 51 10,89 28,15 19,91 393 9212 178 70-80 18996 3,41 22,64 47 11,36 28,33 24,53 333 7240 206 80-90 16900 2,52 27,57 39 11,55 28,69 27,81 298 6128 232 90-100 14336 -0,21 33,05 29 11,26 29,86 30,68 267 5432 266 Tabela 22
Modelos M1 e M2 de regressão para transferências do Bolsa Família
Bolsa Fam. (M1) Bolsa Fam. (M2)
Cresc. -100.200 -1.338 (7.514)** (0.125)** Ext. pobr. 1.823 0.376 (0.088)** (0.016)** Densid. 0.004 0.008 (0.001)** (0.004)*** Idade60 -0.631 0.114 (0.255)*** (0.041)** Idade 0 a 14 0.101 0.539 (0.283) (0.092)** Analfab. 2.943 0.479 (0.104)** (0.021)** Renda -0.105 0.154 (0.006)** (0.020)** PIB -0.000 -0.059 (0.000) (0.010)** _cons 130.205 0.463 (11.546)** (0.189)*** R2 0.88 0.83 N 5,190 5,190 *** p<0.05; ** p<0.01
54 População