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1.2. TTK’DA SERMAYE ġĠRKETLERĠ

1.2.3. Sermaye ġirketleri

1.2.3.1. Anonim ġirketler

1.2.3.1.4. Anonim ġirket Organları

32 “Do Princípio da Distinção de todos os Objetos em geral em phaenomena e noumena” (CRP, A

própria experiência, exatamente como a delimitação de uma ilha que é cercada necessariamente pelo oceano33. Já sabemos que esse “externo à experiência” só podem ser as idéias da razão, e sabemos também o tipo de uso legítimo que Kant concede a estas idéias. Mas, com respeito à determinação dos limites da razão Kant é muito mais claro nos Prolegômenos do que na própria Crítica. É nos Prolegômenos que Kant trata da “conclusão da determinação dos limites da razão pura”, diferenciando barreiras (que são meras negações) de limites (nos quais há algo de positivo). A questão é saber o que há de positivo nos limites da razão se as idéias transcendentais não autorizam qualquer conhecimento de objetos que transcendem a experiência possível; se, pelo contrário, elas são responsáveis mesmo pela delimitação do campo do conhecimento à mera experiência. Com efeito, no § 57, encontramos uma síntese de todo o empreendimento crítico em termos de Analítica do Entendimento e, conseqüentemente, de determinação dos limites da razão e das conseqüências da determinação destes limites. Kant inicia este parágrafo afirmando que

seria absurdo esperar conhecer mais de um objeto do que o que pertence à experiência possível dos mesmos, ou de uma coisa qualquer, da qual admitimos não ser ela um objeto de uma experiência possível, a fim de determinar como é em si mesma, segundo sua constituição [...].

Mas, de outro lado, seria absurdo ainda maior não admitir nenhuma coisa em si mesma ou pretender que nossa experiência seja o único modo possível de conhecer as coisas, por conseguinte, que nossa intuição do espaço e do tempo seja a única intuição possível, que nosso entendimento discursivo seja o protótipo do todo entendimento possível, por conseguinte, que os princípios da possibilidade da experiência sejam as condições universais das coisas em si mesmas.

O segundo parágrafo desta citação soa um tanto dogmático. Mas este aspecto pode ser de certo modo ignorado ou, pelo menos, relevado, se considerarmos as diferenças entre a Primeira e a Segunda Edição da Crítica no que diz respeito à concepção kantiana dos noumena. Aqui Kant está muito próximo da versão da Primeira Edição da Crítica, na qual ele define os noumena como “objetos de uma intuição não-sensível”. Mas, em 1787, Kant introduz algumas alterações no capítulo sobre “O Princípio da distinção dos objetos em geral em phaenomena e noumena” e a definição de noumena que aí prevalece é de uma

33 Para uma análise mais pormenorizada deste contexto, ver o artigo de Christian Hamm, “Sobre o

coisa “na medida em que não é objeto da nossa intuição-sensível”. A distinção é bastante sutil, mas importante para a coerência do pensamento crítico. Na versão mais madura de sua concepção dos noumena, Kant já não fala mais de “intuição não-sensível”, ou de outro “entendimento possível” (expressão usada nos Prolegômenos), ou seja, não se refere mais a elementos que comprometem sua determinação dos limites da razão pura. Podemos, então, desconsiderar um possível “resquício dogmático” em vista das considerações posteriores de Kant sobre os noumena.

Seja como for, encontramos nos Prolegômenos uma abordagem não mais metafórica, e muito direta, dos limites da razão. Kant define “limites” e os considera em relação à razão:

Limites (em entes extensos) pressupõem sempre um espaço, que é encontrado fora de um lugar determinado e o compreende; barreiras não necessitam disso, mas são meras negações que afetam uma grandeza, enquanto ela não possuir inteireza absoluta. Nossa razão vê, entretanto, da mesma forma, ao redor de si, um espaço para o conhecimento das coisas em si mesmas, se bem que nunca possa ter delas conceitos determinados e se limite apenas a fenômenos (Proleg., § 57).

Este espaço (vazio) que a razão “vê ao redor de si” é o “espaço” constituído pelas idéias transcendentais. Pois, a razão não satisfaz seu interesse e necessidade simplesmente com a ciência da natureza (física), e conceitos de “objetos” supra- sensíveis se impõem, naturalmente, à razão humana sem que esta possa apresentar qualquer explicação ou determinação de objetos que correspondam a tais conceitos a partir de seu uso empírico-constitutivo.

Mas, nem por isso Kant considera tais conceitos destituídos de um uso legítimo; “[...] e as idéias transcendentais, justamente por não se poder chegar até elas, pois não se deixam realizar, servem não só para nos mostrar realmente os limites do uso da razão pura, mas também a maneira de determiná-los, e estes são também o fim e a utilidade desta disposição natural de nossa razão que gerou a metafísica [...]” (Proleg., § 57). E embora “as idéias transcendentais nos fazem ir necessariamente até elas”, elas só nos levaram até ao contato do espaço pleno (da experiência com o vazio do qual nada podemos saber, dos noumenis), e assim Kant determina com tais idéias os limites da razão. De acordo com a definição kantiana de “limites”, nos limites da razão há algo de positivo. Com efeito, “em todos os limites há algo de positivo (por exemplo, a superfície é o limite do espaço corpóreo, no

entanto, também ela é um espaço, que é o limite da superfície, o ponto é o limite da linha, mas sempre um lugar no espaço), ao passo que as barreiras só contêm negações” (§ 57). Por isso, com respeito à razão pura, podemos dizer que ela possui, no seu limite, como legítimos, tanto um uso empírico-constitutivo quanto um uso especulativo-regulativo. Este limite da razão é bem ilustrado na seguinte passagem do § 57 dos Prolegômenos:

Se conectarmos ao preceito de evitar todos os juízos transcendentes da razão pura o preceito, contrário na aparência, de remontar aos conceitos que estão fora do campo do uso imanente (empírico), veremos que os dois podem coexistir ao mesmo tempo,mas justamente até o limite de todo o uso legítimo da razão; pois esta pertence tanto ao campo da experiência como ao dos entes do pensamento, e somos ensinados deste modo, como tais idéias notáveis servem para apenas determinar o limite da razão humana, a saber, para de um lado não estender ilimitadamente o conhecimento da experiência, de maneira que nada nos restasse para conhecer senão o mundo, por outro lado não sair dos limites da experiência e querer julgar coisas fora dela como coisas em si mesmas.

É interessante notar que Kant apóia-se “neste limite” para formar juízos sobre a “relação que o mundo pode ter com um ente, cujo próprio conceito está além de todo conhecimento de que somos capazes dentro do mundo” (§ 57, negrito acrescentado). E esta é uma informação valiosa para compreendermos o tipo de relação que se estabelece entre a liberdade e nossas ações morais.

2 A FUNDAMENTAÇÃO DE UMA METAFÍSICA DOS COSTUMES E O “LIMITE