2.1. Şiirlerin Yapı, Şekil ve Muhteva Bakımından İncelenmesi
2.1.1. Muhteva
2.1.1.2. Sevgi
2.1.1.2.1. Anne Sevgisi
Os signos da aparência estão relacionados ao aspecto físico artificial de B (do personagem), como o uso de peruca, roupa, maquiagem, próteses, etc; e ao aspecto físico natural de A (da atriz ou do ator), como o formato do seu rosto, a cor da sua pele, o seu porte físico, etc.
Nas rubricas do texto dramático Vau da Sarapalha não há nenhuma indicação relacionada ao aspecto físico dos personagens. Dessa forma, todos os signos referentes à aparência dos personagens são analisados nessa pesquisa a partir dos elementos fornecidos
pela encenação. No que diz respeito ao aspecto físico artificial, no espetáculo Vau da Sarapalha o recurso mais usado para criar a aparência dos personagens é a vestimenta e o penteado, havendo pouco uso do recurso da maquiagem.
Os personagens dos primos Ribeiro e Argemiro usam roupas bem parecidas: calça e camisa. Mas, há uma diferenciação no que diz respeito à cor das roupas. O primo Ribeiro veste calça e camisa de gola e de mangas compridas, de um branco encardido, já envelhecido e desgastado pelo tempo, como se a roupa tivesse envelhecido junto com esse personagem. A roupa dele também aparenta falta de cuidado e de vaidade. Ele usa, também, uma bolsa tipo sacola à tiracolo. O penteado usado por esse personagem confirma essa aparência descuidada, com os cabelos muito despenteados, grandes, mal cuidados e brancos, somados à uma barba grisalha. De acordo com Kowzan (1977, p. 71): “O poder semiológico do penteado não está somente no estilo, mas também no estado mais ou menos tratado em que se encontra”. Ribeiro também é meio careca e possui rugas na testa. É muito magro, também. Logo, o seu aspecto físico nos remete a alguém que está muito doente.
Já a roupa do primo Argemiro tem uma cor mais alegre. Ele usa uma camisa azul e uma calça com listras finas. Parece ser uma roupa mais nova do que a do primo Ribeiro. Fisicamente, é um pouco mais baixo que o primo Ribeiro. Tem os cabelos bem pretos e de tamanho médio, com um penteado repartido de lado. Seus cabelos, embora um pouco longos, estão mais cuidados do que os do seu primo, pois são bem penteados. Tem a barba feita e está vez ou outra ajeitando os cabelos, o que denota que ainda existe, por parte desse personagem, um cuidado com a aparência física, o que não acontece com Ribeiro. De acordo com Kowzan (1987, p. 109): “(...) não se deve esquecer o papel semiológico que a barba e o bigode podem ter, como complementos indispensáveis do penteado ou como elementos autônomos”. Como um todo, o seu aspecto físico lembra o de alguém doente, mas em um estado de saúde melhor do que o de Ribeiro o que faz com que aparente ser mais jovem, também.
Um outro aspecto da aparência de Argemiro, relacionado ao aspecto físico artificial, que chama atenção são os seus olhos vesgos, fazendo com que não se saiba exatamente para onde ele está olhando. Dessa forma, pode-se traçar um paralelo entre o fato de não se saber qual a direção do olhar de Argemiro e qual a direção dos seus sentimentos, visto que este personagem esconde o amor que nutre por Luísa, mulher do seu primo Ribeiro.
Segundo Fischer-Lichte (1999), no que se refere à aparência externa, a roupa que o personagem usa é o elemento mais importante, pois permite de forma mais imediata a sua identificação. Ela traz como exemplos o manto de um rei, o hábito do monge, a armadura do cavaleiro e o traje de losangos do Arlequim. Sendo o figurino tão importante para a identificação do personagem, é importante que se reflita sobre que identificação é essa. Através da roupa que o personagem usa podemos identificar a sua idade, sua condição social, em que época e em que lugar vive, sua profissão, traços de sua personalidade, o clima da situação, etc. O figurino dos personagens de Vau da Sarapalha mostra que a história se passa em um ambiente rural e em uma época não muito distante. Diz que os personagens dos primos são doentes, mostrando-se semelhantes em alguns aspectos e que diferem dos demais personagens que não sofrem de malária, como de Ceição, que usa um vestido simples, mas bem cuidado. No caso de Ceição, o uso do avental também indica que é alguém que cuida da casa, que é atarefada com afazeres domésticos e que, dessa maneira, necessita do uso desse acessório sobre a sua roupa como uma proteção para as possíveis sujeiras que essas ações domésticas poderiam causar. O figurino do cachorro é da mesma cor dos primos, o que indica que também pode estar sofrendo de alguma doença, o que é reforçado pelo seu porte magro. O que chama a atenção na caracterização do cachorro é que ele usa apenas um pano, amarrado mais ou menos como uma fralda em seu corpo. Observando o vestuário desse personagem, como também o penteado e a maquiagem, nada há nele que sugira que se trata de um cachorro. Todos os signos que indicam que ali se encontra um cachorro são construídos a partir da interpretação do ator Servílio de Holanda. Essa caracterização do cachorro Jiló, interpretado por um ser humano e com um vestuário de cor semelhante aquelas usadas pelos primos, indica que há uma linha muito tênue que, em Vau da Sarapalha separa o animal do ser humano, como veremos em outras sessões do presente estudo.
O personagem do Capeta é outro que tem a aparência caracterizada de forma bastante simples, usando apenas uma bermuda vermelha. O uso dessa cor no figurino do Capeta coincide com a cor da iluminação que sempre é usada no espetáculo para ambientar as suas aparições. Esta cor lembra o fogo, que é um elemento muito presente no espetáculo e que pode representar no imaginário cristão o inferno. De acordo com Chevalier e Gheerbrant (2009), o vermelho é uma cor considerada em todo o universo como símbolo
essencial da origem da vida. Porém, o vermelho possui simbologias diversas, conforme seja claro ou escuro. Segundo esses autores:
O vermelho-claro, brilhante, centrífugo, é diurno, macho, tônico, incitando à ação, lançando, como um sol, seu brilho sobre todas as coisas, com uma força imensa e irredutível (KANC). O vermelho-escuro, bem ao contrário, é noturno, fêmeo, secreto e, em última análise, centrípeto; representa não a expressão, mas o mistério da vida (CHEVALIER; GHEERBRANT, 1999, p. 944).
Enquanto o vermelho claro é encorajador e sedutor, o vermelho escuro proíbe, causando alerta e temor. O vermelho-escuro, que é o vermelho da roupa do Capeta em Vau da Sarapalha, é um vermelho sagrado e secreto e ao mesmo tempo representa o mistério vital que se esconde no fundo das trevas e dos oceanos primordiais.
No que diz respeito aos aspectos físicos naturais, por meio dos quais o ator passa a se utilizar de sua figura para concretizar a figura do personagem, em Vau da Sarapalha, de forma bastante perceptível está o caso do primo Ribeiro. O ator Everaldo Pontes é um homem de cabelos brancos, calvo, aparentando se encontrar já na terceira idade. Tais aspectos da aparência favorecem a caracterização física do personagem. A magreza do ator Everaldo Pontes também é aproveitada para caracterizar os sintomas da malária sofrida pelo personagem Ribeiro. Dessa forma, o caráter denotativo do figurino acomodado às aparências físicas do ator oferece alguns alicerces primeiros de concretização das relações que a interpretação do ator irá oferecer.
O conjunto intricado de aspectos naturais e artificiais da aparência é percebido ao mesmo tempo. Todo o corpo do ator (cabelo, cor dos olhos, vestuário, altura, tom da pele, peso, tamanho, etc) atua como variante no processo de constituição de identidade do personagem. Roupas e acessórios são elementos que integram a identidade do personagem. Segundo Kowzan (1977), até um penteado pode trazer informações sobre idade, gênero, classe social, nacionalidade, profissão, época, religião, posição política e comportamento. Todos os aspectos que podem ser observados no corpo do ator, como as variações de maquiagem, roupas, adereços e unhas, por exemplo, trazem informações relacionadas ao personagem que ele interpreta. A identidade do personagem é constituída, dessa forma, pela atribuição dessas características, por um lado, e da aceitação dessas atribuições, por outro. Por isso, a importância do código cultural utilizado no processo de constituição de sentido.