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Anlatıcı, Bakış Açısı ve Anlatım Teknikler

2. VEDAT ÖRFİ BENGÜ’NÜN ROMANCILIĞI VE ROMANLARI 1 ROMANCILIĞI VE ROMAN ANLAYIŞ

2.3. ROMANLARIN YAPI VE ANLATIM ÖZELLİKLERİNİN MUKAYESELİ OLARAK DEĞERLENDİRİLMESİ

2.3.2. Anlatıcı, Bakış Açısı ve Anlatım Teknikler

No bloco da área Biomédica, identificamos os Programas de Ciências da

Saúde e Enfermagem. A Enfermagem se estabelece como campo de atuação na

área da saúde trabalhador, atuando de forma especializada nas equipes de segurança do trabalho e serviços médicos no interior das empresas, desempenhando, fundamentalmente, a função de enfermeiro do trabalho.

18; 60% 8; 27% 4; 13% Trabalhos Analisados Biomédica Exatas Sociais e Humanas

Na Enfermagem os trabalhos analisados situam, basicamente, suas pesquisas na análise das práticas dos trabalhadores, procurando entender se suas ações estão em conformidade com as normas de segurança e medicina do trabalho, principalmente as que são padronizadas e formalizadas para cada atividade produtiva específica.

Assim, fazem referência aos espaços sócio-ocupacionais e funções de trabalho específicas e analisam, também, os tipos característicos de agravos, levantando os fatores que determinam seu acometimento. Os objetivos principais dos estudos pautam-se em constatações, verificações e compreensão dos

significados das ações de controle e diminuição dos riscos do trabalho. Observa-se

claramente nessa área uma atenção maior aos riscos biológicos.

Em alguns casos, até passam por uma análise mais criteriosa sobre essas práticas, inclusive com a identificação da existência de riscos nos ambientes de trabalho e da necessidade de serviços e ações nesse campo, mas, mesmo destacando a atenção à saúde dos trabalhadores como essencial ao cumprimento de uma política maior, têm como única referência as prescrições normativas e legais, bem como a implementação dessa normatividade de condutas, observadas a partir de análises comparativas de espaços sócio-ocupacionais distinguidos por áreas (educação, saúde, etc), por vínculos empregatícios (privado/celetista, público/estatutário), dentre outros fatores.

Identificam, também, fatores como pressão, tensão e sobrecarga de trabalho como principais responsáveis para o comprometimento da saúde psíquica dos trabalhadores e consequente comprometimento da sua qualidade de vida.

Considera-se conceitualmente as formas de adoecimento como “processo saúde- doença” não como relação, ou seja, tratam o adoecer no trabalho como uma

expressão imediata e mecânica de causa-efeito, como consequência natural da vida laboral. Dessa maneira, não relacionam os diversos e contraditórios aspectos que concorrem para a degradação da saúde dos trabalhadores que, em geral, vivem em condições materiais de existência extra-fabris bastantes precárias.

Há preponderância de estudos relacionados a avaliações de sintomatologia de fatores pautados na dor e nexos causais56 de agravos relacionados ao trabalho,

considerando a grande interferência da dor na vida dos trabalhadores, e ainda

56 Condição adquirida através de laudo médico-pericial, realizado pelo Médico do Trabalho (campo

avaliações relacionadas à “qualidade de vida”, muitos deles direcionados ao profissionais da saúde. Levantam como agravos a sobrecarga e intensificação das

jornadas de trabalho, que interferem no nível de tensão e ansiedade dos

profissionais e que poderá desencadear sofrimento psíquico.

Os estudos seguem protocolos de ponderação para a avaliação da qualidade de vida através das propriedades físico, psicológico, social e meio ambiente nos quais pretendem conhecer as representações sociais sobre o risco

ocupacional construídas por trabalhadores. Valem-se do uso de metodologias como

o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de LIPP (ISSL) e o Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG), direcionados à avaliação dos níveis de estresse baseados em análises estatísticas, como um recurso capaz de mensurar quantitativamente o que passa de subjetivo para os sujeitos.

As produções estão fundamentadas no referencial teórico da Teoria das Representações Sociais57, indicando condições de trabalho desfavoráveis com

desgaste físico e mental ao trabalhador, e, patologias pouco reconhecidas como ocupacionais em sua origem. Segundo os autores da área, pode-se observar que as representações sociais construídas pelos trabalhadores da saúde revelam algum nível de conscientização desses trabalhadores referente às consequências do ambiente de trabalho para sua saúde, referindo-se ao processo de trabalho hospitalar, em sua dimensão tecnológica e em seus aspectos físicos, psíquicos e cognitivos.

Nos resultados e considerações conclusivas dos estudos, é recorrente a

identificação da necessidade de maior mobilização e sensibilização dos trabalhadores, a partir de ações de educação permanente dos trabalhadores quanto

à importância de práticas seguras, como caminho para proteger os trabalhadores desses riscos.

Ainda que os estudos, em menor ou maior grau, teçam algumas considerações acerca das práticas atinentes à saúde pública, em geral, voltadas para vacinações e campanhas preventivas, não identificamos qualquer relação da

57Baseada em concepções teóricas presentes no campo da Sociologia e da Antropologia, mas hoje

com forte tendência na Psicologia Social, que propõem pensar a realidade a partir das experiências individuais e cognitivas dos sujeitos em relação ao seu meio de vida, pensando a realidade como um conjunto social, a partir de um estudo de conteúdos e significados. Articula elementos afetivos, mentais e sociais, e integrando, ao lado da cognição, da linguagem e da comunicação, as relações sociais que afetam as representações e a realidade material, social e ideal – no campo das idéias (ARRUDA, 2004).

questão específica da saúde do trabalhador com as políticas de saúde pública. Os

atendimentos aos trabalhadores acidentados e adoecidos pelo trabalho estão diretamente relacionados ao âmbito de atendimento no interior das empresas, através dos serviços de segurança e medicina do trabalho disponibilizados nas empresas, ou seja, circunscrevem-se aos marcos estreitos das políticas sociais

privadas.

As análises se mostram muito relacionadas aos hábitos de vida dos

indivíduos, com apreciações dirigidas ao espaço da vida privada dos trabalhadores.

Em muitos trabalhos, ganham identificação como principais fatores de risco no trabalho: o tabagismo, o etilismo, o sobrepeso e sedentarismo, numa apreensão desses como fatores geradores de agravos como hipertensão, diabetes, mas principalmente como “comprometedor do potencial físico do homem para o trabalho”. Analisam como fatores de risco as funções que exercem e os hábitos de vida “inadequados” que possuem.

São recorrentes nos resultados das pesquisas, considerações nas as quais os trabalhadores apresentam um “comportamento de risco”, com baixa adesão às ações preventivas e trabalhos de sensibilização de prevenção de acidentes e doenças. Para tal “problema”, sugerem maiores intervenções educativas, com vistas à melhoria da “qualidade de vida no trabalho”.

Do mesmo modo, é pautada uma discussão de grande importância, mas, ainda, de pouco destaque nas produções científicas: a violência no trabalho ou “violência ocupacional”, como também é denominada. Identifica-se essa forma de violência como um tipo de agravo à saúde dos trabalhadores, colocando suas consequências no hall dos agravos psicológicos, das “doenças invisíveis”. Um desses estudos58, realizado em um complexo hospitalar, revelou que, em um ano, 73,06% dos profissionais desse campo sofreram violência no trabalho, cujas formas mais verificadas foram a agressão verbal e o assédio moral. Segundo o mesmo estudo, a violência no trabalho inclui a agressão verbal e física, o assédio moral e o assédio sexual, que resultam em alto nível de estresse e adoecimento mental, cujas sequelas estão para além dos espaços de trabalho.

58

CARVALHO, G. R. P. Sofrimento psíquico: representações sociais dos enfermeiros em ambiente hospitalar . (Dissertação de Mestrado), UFRN, 2008.

Mesmo assim, os fatores de risco continuam centrados nos indivíduos e na educação como uma das ações mais eficazes para evitar ou minimizar a ocorrência desses eventos, numa superestimação dos processos educativos, idealizando-os.

Há ainda, iniciativas de avaliação da capacidade para o trabalho, considerando-a como resultado de um processo dinâmico entre “recursos do indivíduo” em relação ao seu trabalho. Considerando que a interferência na capacidade para o trabalho parte, principalmente, de fatores sociodemográficos, estilo de vida, processos de envelhecimento e exigências do trabalho.

Segue, assim, o estabelecimento de um Índice de Capacidade para o Trabalho – ICT, que parte de bases meramente estatísticas e variáveis quantitativas com ênfase na idade e na capacidade atual e total de doenças, que qualificam a capacidade dos trabalhadores em: baixa, moderada, boa e ótima. Sugere, ainda, como medidas a restauração da capacidade para o trabalho, através de estratégia específicas para cada ICT; e a recomendação para que o ICT seja aplicado nas demais instituições, a fim de realizar um “diagnostico real”, como condição necessária à recuperação e promoção da saúde dos “colaboradores”.

No processo de pesquisa tudo que destoa das tendências dominantes merece uma atenção especial, assim identificamos um único trabalho em especial que analisa os fatores que desencadeiam violência pela banalização dos problemas e das questões da saúde dos trabalhadores, pensadas a partir das transformações no mundo do trabalho, com seus determinantes políticos, sociais e econômicos e sua relação com a saúde do trabalhador. Assim, aborda a violência no ambiente de trabalho e suas implicações na saúde do trabalhador, enfocando a banalização dos problemas enfrentados por esses trabalhadores como uma forma de violência no trabalho. Apresenta como categorias de análise o cotidiano no ambiente de trabalho e sua influência na vida dos trabalhadores; a violência presente no ambiente de trabalho e suas consequências na vida e na saúde dos trabalhadores; a banalização da injustiça social, a propósito da violência contra o trabalhador e sonhos divisados.

Os resultados revelam que o cotidiano de trabalho desses trabalhadores, apresentam condição ambiental e organizacional insalubres, caracterizada pela insegurança física e técnica; falta e desqualificação de recursos instrumentais e humanos; sobrecarga e complexidade do serviço; má distribuição das tarefas e pressão por prazo e produtividade, gerando tensão, conflito e ansiedade relacionados com os usuários, colegas, superiores, e com a tarefa. No ambiente de

trabalho foram identificadas a violência externa, o sofrimento psíquico, o assédio moral, o assédio psicológico e a violência estrutural ocupacional. Essas formas de violência trazem consequências à vida, explicitadas por fatores de ordem profissional, econômica e moral e à saúde, por fatores de ordem biológica, mental e emocional. A banalização da injustiça social no cotidiano de trabalho foi discutida nos aspectos da banalização dos problemas e das condições de trabalho, da banalização da saúde e da qualificação e valorização profissional. As expectativas dos trabalhadores apontaram para a necessidade de: condições de trabalho seguras; treinamentos e assistência técnica; política de atenção a saúde física, mental e social para os trabalhadores, extensiva à família.

Conclui-se que as condições ambientais e organizacionais não oferecem segurança física e técnica de que os trabalhadores necessitam para a execução de suas atividades, nem oferecem conforto e bem-estar físico e psíquico. A política que vem sendo utilizada pela instituição, aponta para a desvalorização e desumanização destes, acarretando sentimento de insatisfação, frustração e indignação com respeito à instituição e ao trabalho, acarretando sofrimento e adoecimento físico e mental.

Mesmo esse único estudo avançando na análise, não há qualquer

identificação desses elementos como intrínsecos ao modo de produção capitalista.

Constatou-se que a forma mais cruel de violência presente no ambiente de trabalho é a banalização da injustiça social diante dos problemas e saúde desses trabalhadores, gerando padecimento lento e morte simbólica de seus sonhos e de suas vidas. Com a proposição, mais uma vez, da necessidade de implementação de uma política que promova segurança, saúde, educação integral, valorização e humanização desses trabalhadores.

De uma forma mais ampla o que permanece visível nas produções da área Biomédica é a insatisfação advinda da falta de crença nas possibilidades de mudança do contexto contemporâneo que originam dificuldades para a realização profissional resultando no sofrimento psíquico do profissional