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Bülent KARAKAŞ * ve Suat EVİRGEN ** “Anket Yöntemiyle Liderlik Yönelimlerini Tespit Modellemesi (AYLİYÖNTEM)”;

ANKETİN UYGULANMAS

As estruturas mineralizadas presentes no depósito de Engenho d’Água consistem numa complexa rede de veios e vênulas de quartzo. A observação microscópica detalhada destas descontinuidades estruturais revela ser possível o estabelecimento de critérios texturais e mineralógicos que permitem atribuir o seu desenvolvimento a três estágios evolutivos diferentes, e que têm importância para a compreensão do processo mineralizador, para além de um estágio pré-mineralização representado pelo desenvolvimento de veios precoces de quartzo. A observação dos vários tipos de precipitados hidrotermais que selam as diferentes estruturas revela que as diferentes gerações de quartzo se fazem acompanhar por quantidades variáveis de carbonato e, localmente, agregados de sericita, clorita e sulfetos. Estes últimos desenvolvem bolsões irregulares com grãos de dimensões milimétricas e associação mineral constituída por pirita (py) + arsenopirita (apy) + pirrotita (po) ± esfalerita (sp) contendo quantidades menores e variáveis de calcopirita (ccp), sulfossais (bertierita (brt), jamesonita (jms), ulmanita (ulm), boulangerita (blg), electrum, ouro-estibinita (Au-Sb) e antimônio nativo (Sb).

As gerações precoces de quartzo (qtz0), correspondentes ao estágio pré-mineralização preenchem veios centimétricos concordantes com a foliação principal Sn preservada nas rochas vulcanoclásticas. Este quartzo precede e acompanha em parte a deposição de carbonato (carb0) de composição calcítica (Figura 3.4A e B), plagioclásio (pl0 - Figura 3.4C) e agregados finos e intercrescidos (Figura 3.4B e D) de sericita (sct0) e clorita (chl0) de composição predominantemente férrica. O qtz0 mostra claras evidências de deformação intracristalina, exibindo extinção ondulante pronunciada, suturação intergranular e, localmente, subgranulação intergranular (Figura 3.3C). Localmente, como resultado da progressão heterogênea da deformação intracristalina (intensificação dos processos de recuperação relativamente aos de endurecimento), a maior intensidade da recristalização dinâmica conduz à formação de grãos de qtz0 com menores dimensões e contatos regulares. O carb0 encontra-se em equilíbrio textural com qtz0, exibindo também evidências de deformação intracristalina.

Os exemplares de filito carbonoso preservam também evidências para um evento pré- mineralização, caracterizado por várias microestruturas com desenvolvimento anterior às que marcam os estádios mineralizadores. Grãos grossos sub-euédricos a euédricos de pirita (py0) se encontram em sombras de pressão com qtz0 + carb0’ recristalizados, exibindo estes últimos franjas adjacentes aos cristais de py0 (Figura 3.4G e H). Segundo Cox et al. (1981), pirita que se encontre nestas condições pode ter estado sujeita a temperaturas elevadas (> 470ºC), permitindo assim justificar o seu comportamento dúctil. Em equilíbrio com py0, ocorre tetraedrita (td0 – Figura 3.4G e H) e calcopirita (ccp0).

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A geração de quartzo I (qtz I) associa-se a carbonato I (carb I), fazendo-se acompanhar localmente por agregados de moscovita I (ms I – Figura 3.5A) ou clorita I (chl I) + sericita I (sct I) (Figura 3.5D). A quantidade de carbonato, sercita e clorita pode variar, podendo ser bastante significativa em alguns veios mineralizados. Esta geração de quartzo mostra evidências para cedência dúctil-frágil notória e cimenta preferencialmente agregados grossos de uma associação sulfetada principal constituída por py I + apy I + po I ± sp I ± ccp I ± brt I. Os sulfetos são grossos e manifestam fraturação intensa (Figura 3.5C), assim como o carbonato (Figura 3.5B) e o quartzo, apresentando este último claras fraturas intra- e intergranulares.

Figura 3.4 (à direita) - (A) Veio de qtz com calcita (cal) deformado, exibindo traços de clivagem curvos (#EA-1(8);

LTNC); (B) Agregados finos intercrescidos de sct e chl (#EA-1(8); LTNC); (C) Grãos de pl hidrotermal (EA-1(8); LTNC); (D) Grãos de qtz deformados, exibindo extinção ondulante e contactos irregulares (EA-1(8); LTNC); (E) Cristais de turmalina (tur) dobrados associados a sct (EA-1(8); LTNP); (F) Cristais disseminados de po com exsoluções de pentalndita (pn) em veio de qtz + carb precoce (EA-4; LRNP); (G e H) Filito carbonoso com py0 em

sombras de pressão com qtz0 e carb0 recristalizados e cristais acessórios de td0 (#EA-27; LTNC; F - LRNP). # -

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Figura 3.5 (à direita) - (A) Agregados grossos de ms I (#EA-82N; LTNC); (B) Agregados grossos de sulfetos

fraturados (# EA-86N; LRNP); (C) Veios de qtz I com abundante sct I e chl (#EA-58; LTNC); (D) Carbonato fraturado (#EA-86A; LTNC); (E) Amostra de veio de quartzo tipo 1 e 2 com agregados grossos de sulfetos (#EA-82); (F) Subgranulação intergranular de veio de qtz do tipo 1 (#EA-82N; LTNC); (G) Cristais de brt I’ e py I’ em veio de qtz do tipo 1 (#EA-82N; LRNP); (H) Vênulas de qtz I + ms I + py I (#EA-47; LTNC; LRNP). # - Referência da amostra; LTNC - Luz transmitida nicóis cruzados; LRNP - Luz refletida nicóis paralelos.

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Episódios polifásicos de abertura de veios são comuns. O veio 1 (Figura 3.5E) é constituído pela geração de qtz I’ com forte extinção ondulante e subgranulação intra- e intergranular significativa (Figura 3.5F), apresentando baixa taxa de recristalização dinâmica; os sulfetos são raros e integram a associação py I’ + brt I’ + carb I’ (Figura 3.5G). O veio 2, resultado da abertura do veio 1, compreende agregados finos variavelmente recristalizados de qtz I, algum carbonato (carb I), abundantes sulfetos (py + apy + po), agregados grossos de moscovita e escasso plagioclásio. Alguns destes veios apresentam abundante carbonato, sericita e clorita, contendo grãos médios a grossos sub-euédricos a euédricos de pirita e arsenopirita, pouco fraturados. Do mesmo estágio mineralizador I fazem parte vênulas de quartzo + sulfetos e abundante moscovita grossa (Figura 3.5H). O quartzo não apresenta extinção ondulante e os contatos entre os grãos são regulares. Os sulfetos são constituídos por pirita sub-euédrica a anédrica muito fraturada, com ouro incluso e em fraturas (Figura 3.6D), pouca quantidade de arsenopirita e esfalerita formando inclusões ou dispondo-se ao longo dos bordos da pirita. Outro tipo de vênulas de quartzo da mesma família são constituídas por pirita sub-euédrica fraturada, plagioclásio, alguma moscovita e abundante carbonato (Figura 3.6A). Neste estágio são ainda identificados bolsões de quartzo poligonizado e sem extinção ondulante, acompanhado de carbonato, moscovita e sulfetos. A geração de quartzo II (qtz II) preenche uma rede de vênulas e fraturas tardias, fazendo-se acompanhar por uma quantidade significativa de sulfetos de antimônio (Figura 3.2A, B e C e Figura 3.7A e B) ). Vênulas de qtz II com extinção ondulante e pouco poligonizado, coexiste com uma associação sulfetada constituída por py II + po II + brt II + jms II + ulm II + sb II (Figura 3.7B). Vênulas de quartzo poligonizado e extinção ondulante, carbonato II (carb II) e moscovita II (ms II) contêm py II + apy II (Figura 3.7A). A geração de quartzo III (qtz III) dispõe-se em vênulas tardias sem evidências óticas de deformação/recristalização, sendo acompanhado por carbonato tardio (carb III), py III e Au (Figura 3.6H).

A pirita ocorre em contextos texturais distintos e desenvolve microestruturas específicas que, em conjunto, permitem colocar em evidência a presença de quatro gerações deste sulfeto. Os grãos da geração 0 associam-se a qtz0 + carb0, como já referido anteriormente, dispondo-se em sombras de pressão e em equilíbrio com td0 e ccp0 de dimensões reduzidas (Figura 3.4H e G). A pirita I’ ocorre disseminada em veios de qtz I’ do tipo 1 sob a forma de cristais anédricos a sub-euédricos, associando-se à brt I’ e carb I’ (Figura 3.5E e G). A pirita do tipo I ocorre nos veios do tipo 2 sob a forma de cristais grossos anédricos a sub-euédricos (em média entre 0.5 e 5 mm), formando agregados muito fraturados que se associam com frequência à apy I e po I, assim como a qtz I ± carb I ± ms I (Figura 3.6B). A geração py I também compreende grãos sub-euédricos muito fraturados em vênulas contemporâneas ou tardias do primeiro estágio mineralizador (Figura 3.6C e D), para além de grãos euédricos em fraturas discretas tardias,

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fazendo-se neste caso acompanhar por apy I e chl I (Figura 3.6G e Figura 3.7D). O efeito do primeiro evento mineralizador também se faz sentir pela disseminação de grãos anédricos finos de py I na matriz das rochas encaixantes vulcanoclásticas (Figura 3.6F). A pirita do tipo II compreende grãos fraturados anédricos a sub-euédricos com dimensão média de 0.5 mm, dispostos em vênulas e fraturas, fazendo parte da associação mineral qtz II + carb II + apy II + brt II + ms II (Figura 3.7A) e qtz II + po II + brt II + jms II + ulm II + sb II (Figura 3.7B) A geração mais tardia de pirita (py III) compreende grãos finos anédricos dispostos em vênulas de quartzo + carbonato tardio (designados qtz III e carb III – Figura 3.6H e Figura 3.9G e H) e Au.

No conjunto das amostras estudado, a arsenopirita ocorre sob a forma de duas gerações principais que se desenvolvem em contextos mineralógicos e texturais semelhantes. A primeira geração (apy I) compreende cristais fraturados euédricos a anédricos com dimensão média de 0.5 mm que coexistem com qtz I, carb I, ms I, chl I, py I e po I (Figura 3.6B). A segunda geração (apy II) é constituída por grãos anédricos a euédricos fraturados, também dimensão ≈ 0.5 mm, que coexistem com qtz II + carb II + ms II + py II e brt II (Figura 3.7A e B). A cristalização da apy I e II é posterior à py I e II, respectivamente, e tal como acontece com a py I a primeira geração de arsenopirita também se pode encontrar sob a forma de cristais euédricos em fraturas tardias que podem conter chl I (Figura 3.7C e D).

A pirrotita ocorre em três gerações distintas. A geração 0 compreende grãos disseminados sub-euédricos a anédricos que apresentam exsoluções de pentlandita e coexistem com qtz 0 (Figura 3.4F). A segunda geração (po I) é constituída por grãos anédricos fraturados (em média > 0.5 mm) que coexistem com a associação mineral qtz I + py I + apy I + ulm I ± carb I ± ms I (Figura 3.6B e Figura 3.7H). Na sequência de cristalização dos sulfetos no estágio mineralizador I, a po I é posterior à py I e apy I, ocorrendo nos bordos e em fraturas intra- e intergranulares nesses mesmos minerais (Figura 3.7E, F e G). A geração mais tardia de po (po II) ocorre como grãos anédricos fraturados (em média > 0.5 mm) dispostos em vênulas e fraturas, fazendo parte da associação qtz II + py II + brt II + jms II + ulm II + sb II (Figura 3.7B).

Os sulfetos de antimônio ocorrem em ambos os estágios de mineralização I e II, com especial incidência no segundo. No primeiro estágio mineralizador, em estreita associação com os agregados de carb I’ presentes nos veios de qtz I’, desenvolvem-se escassos grãos anédricos disseminados de brt I’ (Figura 3.8A).

Figura 3.6 (à direita) - (A) Vênulas de qtz I + pl I + carb I + py I (#EA-47; LTNC); (B) Py I + apy I + po I em veio de

qtz 1 (#EA86N(4); LRNP); (C) Vênulas de qtz I + ms I + py I (#EA47; LTNC); (D) Au em fraturas na py I (#EA47; LRNP); (E) Fraturas discretas preenchidas por py I euédrica (#EA55; LRNP); (F) Grãos de py I disseminados em matriz de rocha vulcanoclástica (#EA51(3); LRNP); (G, G1) Fraturas discretas com qtz I + chl I + py I (#EA24; LTNC; LRNP); (H) Vênulas de qtz III + carb III + py III + Au (#EA16; LTNC). # - Referência da amostra; LTNC - Luz transmitida nicóis cruzados; LRNP - Lus refletida nicóis paralelos.

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Figura 3.7 (à direita) - (A) Py II em vênulas de qtz II + apy II + brt II (#EA72; LRNP); (B) Py II em vênulas de qtz II +

brt II + jms I + sb II + po II (#EA72); LRNP); (C) Apy I euédrica em fraturas discretas com rutilo (rt) e py (#EA83(3); LRNP); (D) (H, H1) Apy I euédrica em fraturas discretas com chl I + qtz I (#EA24; LT vs. NC; LRNP); (E) Po I em fraturas intergranulares na py I (#EA49; LRNP); (F) Po I em fraturas intragranulares na Py I (#EA49; LRNP); (G) Po I em fraturas intragranulares na apy I (#EA49; LRNP); (H) Po I com ulm I no bordo (#EA75/EA86A; LRNP). # - Referência da amostra; LTNC – Luz transmitida nicóis cruzados; LRNP – Luz refletida nicóis paralelos.

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Nos veios de qtz I, os grãos de brt I, ainda em pouca abundância, ocorrem na forma de palhetas que frequentemente se associam a sb I (Figura 3.8A). A ulm I desenvolve-se de forma significativa neste estágio, estando invariavelmente associada à po I, ocorrendo nos bordos (Figura 3.7H) desta última e exibindo texturas de intercrescimento (Figura 3.8B). A jms I ocorre associada à po I e brt I. A td ocorre em cristais anédricos no bordo da po I (Figura 3.8F), associada à apy I e ccp I (Figura 3.8G) e disseminada. A boulangerita (blg I) ocorre na forma de cristais anédricos associados à po e py (Figura 3.8E). No segundo estágio de mineralização assiste-se ao maior desenvolvimento dos sulfetos de antimônio, traduzido pela maior abundância em bertierita, ulmanita, antimônio nativo e, jamesonita II (jms II). A brt II ocorre sob a forma de cristais anédricos fraturados preenchendo vênulas e fraturas; associa-se a py II em vênulas de quartzo poligonizado com carb II, ms II, e apy II (Figura 3.7A), bem como a vênulas de qtz II com extinção ondulante e pouco poligonizado que contêm py II + po II + jms II + ulm II + sb II (Figura 3.8C e D). A jms II ocorre na forma de cristais anédricos fraturados, associando- se tanto à brt II como a po II + sb II . O sb II ocorre tipicamente associado à brt II e po II e, localmente à jms II.

A esfalerita (sp) é um mineral presente em todos os estágios mineralizadores, dispondo- se em cristais anédricos de pequena dimensão nomeadamente inclusos ou nos bordos da pirita (Figura 3.8E) ou nos bordos da pirrotita e calcopirita. A calcopirita ocorre em todos os estágios mineralizadores, para além do evento pré-mineralização, associando-se preferencialmente à pirrotita. O rutilo desenvolve-se preferencialmente no primeiro estágio de mineralização, ocorrendo disseminado na matriz (Figura 3.8H).

A maior abundância de ouro relaciona-se com o primeiro estágio de mineralização, conduzindo à formação de partículas de Au-Ag (electrum) disseminadas na matriz quartzosa ou ao longo de fraturas discretas, para além de inclusões ou preenchimentos de fraturas intragranulares na py (Figura 3.9F) e apy (Figuras 3.9D) ou disposições ao longo dos bordos da apy (Figura 3.9B) e po. Ligas de Au-Sb (ouro-estibinita) são raras e associam-se ao electrum ou formam disseminações na matriz quartzosa (Figura 3.9A). Deste modo, o principal período de deposição de Au é correlativo das etapas tardias do processo mineralizador que antecede o evento responsável pela deformação das estruturas mineralizadas da primeira geração, pois no segundo estágio de mineralização são raras as ocorrências do mesmo. O último estágio mineralizador é caracterizado pela ocorrência de Au tardio associado a carb III + py III (Figura 3.9G e H).

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