Conselho de Turismo do Pólo Costa das Dunas:
Esta questão só deixou de ser comentada por um dos entrevistados, haja vista se tratar de item cuja resposta foi opcional. Algumas colocações foram de caráter genérico e não contribuíram para o que se pretendia apurar em termos da percepção quanto à ocorrência da participação cidadã no âmbito do Conselho. Entretanto, procurou-se identificar alguns pontos-chave, sem preocupações com consenso, os quais caracterizam essa percepção, ora como constatação, ora como recomendação:
a) existe realmente participação cidadã no Conselho;
b) a participação cidadã ocorre mediante a representatividade e reuniões abertas; c) a participação efetiva não acontece porque o cidadão é acomodado;
d) a participação ainda é restrita;
e) o Conselho concentra vários formadores de opinião no segmento do turismo; f) o Conselho é aberto ao público, mas sem direito a voto;
g) há representatividade significativa; h) houve queda na representatividade; i) a participação dos alunos é algo positivo;
j) a participação do terceiro setor tem que ser sentida e mais articulada; k) atualmente a pauta define as presenças;
l) os participantes devem usar seus conselheiros para fazer "lobby" positivo; m) os conselheiros devem ter consciência sobre seu papel de representante; n) a publicidade das ações é algo necessário às comunidades locais; o) é preciso saber se o seu representante está atuando;
p) o Conselho é um momento democrático para todas instituições; q) o Conselho é um espaço para defender interesses;
r) algumas associações comunitárias não têm comparecido às reuniões como antes; e s) o “pinga-fogo” tem dado a atenção que a sociedade civil deseja?
(v) Pesquisa E - Entrevista com o Superintendente do BNB para o Rio Grande do Norte
A pesquisa E buscou levantar impressões do principal executivo do Banco do Nordeste, atuante no Estado do Rio Grande do Norte, e também um dos principais responsáveis pelo processo de estruturação, implantação e condução do Conselho de Turismo do Pólo Costa das Dunas, quanto aos seguintes blocos de assuntos: (a) a atuação do Conselho do Pólo Costa das Dunas; (b) o papel do BNB enquanto órgão de controle e acompanhamento sistemático do Prodetur/NE-II; (c) a inserção da sociedade civil no planejamento, na discussão e no acompanhamento do Prodetur/NE-II e (d) a atuação dos Conselheiros do Terceiro Setor.
Em face aos inúmeros compromissos do referido executivo à época da aplicação da pesquisa de campo em Natal (RN), optou-se pela coleta dos dados mediante a remessa, via correio eletrônico, em 20/08/2008, de um questionário composto por 16 (dezesseis) questões, distribuídas nos 4 (quatro) blocos de assuntos acima comentados, as quais foram respondidas e devolvidas também por correio eletrônico, em 25/08/2008.
Neste sentido, apresentam-se a seguir, através de texto tópico, um resumo das principais impressões do referido executivo, de acordo com cada um dos 04 (quatro) blocos de investigação supra citados:
Bloco A - Sobre a atuação do Conselho do Pólo Costa das Dunas:
Por sua capacidade de mobilização e credibilidade junto à sociedade, o Conselho pode ser considerado como um modelo de gestão participativa no setor de turismo e o fórum mais importante para discussão do turismo no Rio Grande do Norte;
As sucessivas mudanças nos titulares da pasta da Secretaria Estadual do Turismo afetaram a condução dos trabalhos do Conselho;
A qualidade da frequência às reuniões pode ser considerada mediana;
A qualidade da participação dos Conselheiros poderia ser classificada como média; Os Grupos Temáticos já deram excelentes contribuições para o turismo, sofreram queda em participação, mas retomam de forma gradativa seu entusiasmo;
Seria importante o estabelecimento de uma avaliação sistemática do desempenho do Conselho; e
Com base em depoimentos de alguns conselheiros e participantes, o Conselho não manteria a mesma atuação sem a presença do BNB na sua Secretaria Executiva.
Bloco B - Sobre o papel do BNB como órgão de controle e acompanhamento sistemático do
Prodetur/NE-II:
Deveria exercer um acompanhamento mais sistemático do Programa junto aos órgãos dos governos dos estados, estabelecendo parcerias na tentativa de reduzir a burocracia existente no Prodetur.
Bloco C - Sobre a inserção da sociedade civil no planejamento, na discussão e no
acompanhamento do Prodetur/NE-II:
O Governo do Estado do RN tem se mostrado relativamente passivo à criação de mecanismos de transparência para a inclusão da sociedade civil, embora conviva harmoniosamente com o terceiro setor nas reuniões do Conselho do Pólo;
Os 18 municípios do Pólo têm atuação tímida quanto à inclusão da sociedade civil no contexto do Prodetur/NE;
A criação de instrumentos de participação da sociedade civil no Prodetur/NE-II foi iniciativa conjunta BID/BNB;
A participação da sociedade civil nas reuniões do Conselho apresenta um conceito que varia de regular a bom, devendo seus representantes ocupar de forma mais participava esse tipo de espaço privilegiado;
O Conselho conta com uma estrutura razoável, através da Secretaria Executiva (BNB) e a Coordenação dos Grupos (SETUR) para tratamento de demandas oriundas da sociedade civil da área do Pólo; e
A sociedade civil da maioria dos municípios do Pólo ainda não apresenta uma cultura consolidada de participação que lhe permite acompanhar as ações do Prodetur/RN II, em face ao nível educacional.
Bloco D – Sobre a Atuação dos Conselheiros do Terceiro Setor:
Há instituições conselheiras que ocupam de forma mais qualificada o espaço de que dispõem no Conselho para discutir os interesses das áreas que representam, enquanto outras se comportam de forma omissa;
A atuação dos conselheiros depende do grau de comprometimento das pessoas que representam as instituições, cabendo aos seus titulares o reconhecimento da importância do Conselho; e
Espera-se que as instituições conselheiras do terceiro setor possam contribuir, dentro de suas áreas de atuação, para que o turismo da área do Pólo ocorra na forma mais sustentável possível, procurando minimizar seus efeitos negativos.
4.6 RESULTADOS ALCANÇADOS
Para o cruzamento dos resultados da pesquisa de campo optou-se pela montagem do Quadro 4.4, na medida em que facilita a identificação dos resultados em conformidade com os quatro objetivos específicos que nortearam a busca dos dados. Deixou-se de incluir as respostas da entrevista com o executivo do Banco do Nordeste, em face de terem sido consideradas praticamente um resumo da análise.
Para melhor clareza no direcionamento conclusivo deste Capítulo, convém retomar a pergunta de partida que lançou em campo a pesquisa, dentro de uma preocupação com as influências do meio para a criação de uma identidade participativa: como é construída
a participação comunitária no Conselho de Turismo do Pólo Costa das Dunas e de que modo ela é influenciada pelos limites e potencialidades do Prodetur/NE, nesta sua segunda fase, para os projetos localizados no estado do Rio Grande do Norte?
Ao final do Quadro 4.4 são apresentadas as conclusões desta análise, à luz da hipótese lançada.
Quadro 4.4 – Cruzamento entre objetivos específicos e dados apurados na pesquisa.