ANAYASA ŞİKAYETİNİN TÜRKİYE’DEKİ GELİŞİMİ VE İLGİLİ MEVZUAT
A. Anayasa Şikâyeti Hakkının Tarafları ve Konusu
1. Anayasa şikayetinin tarafları
O exame das Listas de Qualificação de Carapina, freguesia rural da capital, permitiu delinear o perfil dos votantes ali residentes. Importante ressaltar que apenas com a Lei n.387 de agosto de 1846, as listas passaram a conter maior número de informações acerca dos cidadãos registrados. Agora organizados por quarteirão, os cidadãos eram inscritos por ordem alfabética e em frente ao nome de cada um eram inseridos a idade, profissão e estado. Para essa investigação, optou-se por analisar o total dos registros contabilizados na fonte (2.388). No Gráfico 1 é possível acompanhar o número de votantes arrolados anualmente e a variação entre os anos.
194 Na listagem enviada ao Presidente da Província em 1844 foram listados 326 cidadãos ativos,
contudo o estado de conservação da fonte não permitiu identificar em qual categoria (votante ou eleitor) 82 cidadãos foram qualificados. Assim, optou-se por incluir na investigação os dados referentes aos 244 registros legíveis (APEES. Lista de fogos dos cidadãos ativos da Paróquia da Vila da Serra. 1844. Série Accioli. Livro 41).
GRÁFICO 1. NÚMERO ANUAL DE VOTANTES QUALIFICADOS NA FREGUESIA DE CARAPINA (1849-1864)
Fonte: AMV. Atas de formação da Mesa Eleitoral de Qualificação de Carapina.1849-1864.
Os dados apontam a constância do número de cidadãos com direito ao voto na maioria dos anos, apresentando pico de inclusão no período entre 1852 e 1856 e redução em 1864. Sobre o assunto, Francisco Belisário de Souza (1979, p. 25-26) destacou a importância decisiva do alistamento para bons resultados eleitorais na época. Refeita a cada ano, a confecção da lista tornava-se em si um “negócio”, em que a parcialidades políticas intervinham no sentido de garantir a inserção de seus aliados. Assim, em suas palavras “[...] Numa freguesia de mil ou mil e tantos votantes, as novas inclusões e exclusões contam-se por centenas, de modo que a alteração da lista dos qualificados excede às vezes a mais da metade do número total dos votantes” (SOUZA, 1979, p. 26).
Em Carapina, entretanto, as bruscas alterações numéricas foram constatadas em apenas cinco listagens.195 Os anos com maior incidência de votantes merecem
195 Os registros de qualificação são utilizados nesta seção com o objetivo de mostrar o perfil dos
votantes. Além do nome, os registros da Serra e da Barra de São Matheus não fornecem informações acerca dos homens com direito ao voto, fator que impede de utilizá-los com esse propósito. Assim, pelas listas de qualificação de Carapina não serão abordadas questões referentes à prática política
atenção por manifestar algumas especificidades na faixa etária dos cidadãos. Nos registros entre 1853 e 1856 apurou-se a expressiva participação de homens com idade entre 25 e 29 anos. Em 1853, eles chegaram a representar 38,8% do eleitorado. Outro detalhe relevante é o percentual de qualificados entre 21 e 24 anos. No ano de 1856, 11,3% dos cidadãos concentraram-se nessa faixa. Embora a qualificação de 1857 tenha apresentado números similares às demais, nela também foi constatada a presença acentuada de menores de 25 anos: 13,4%. As porcentagens anuais de acordo com a faixa de idade podem ser observadas na amostragem a seguir.
GRÁFICO 2. DISTRIBUIÇÃO ANUAL DOS VOTANTES POR FAIXA ETÁRIA (1850- 1858)
Fonte: AMV. Atas de formação da Mesa Eleitoral de Qualificação de Carapina.1849-1864
Se em alguns momentos a participação dos indivíduos entre 21 e 24 anos foi expressiva, a investigação conjunta de todos os registros indica, porém, que eles representaram parcela mínima dos votantes no período considerado. No Gráfico 3
dos alistamentos eleitorais, visto que a produção da fonte ultrapassa o recorte temporal da pesquisa e exigiria estudo detido sobre as disputas eleitorais do período posterior ao proposto pelo trabalho.
evidencia-se a base do eleitorado, formada, sobretudo, por cidadãos nas faixas de 25 a 29 anos (28,6%) e 30 a 34 anos (20,1%). Outro dado interessante refere-se à idade média dos votantes: 37 anos. Mais uma vez a comparação é útil por dimensionar as informações sobre a freguesia em tela. Para o período compreendido entre 1870 e 1889, a idade média para votar em Campos variou entre 41 e 42 anos, área urbana e rural respectivamente (NUNES, 2003, p. 321). Em relação a São Paulo, também se notou diferença. De acordo com Herbert Klein (1995, p. 457), a idade média dos homens urbanos e rurais qualificados para votar era de 40 anos.
GRÁFICO 3. FAIXA DE IDADE DA POPULAÇÃO VOTANTE DE CARAPINA (1849-1864)
Fonte: AMV. Atas de formação da Mesa Eleitoral de Qualificação de Carapina.1849-1864
Em relação ao estado, a maioria dos votantes de Carapina era casada (53,6%). As freguesias de São Paulo apresentaram perfil diverso e distinto da região analisada. Na área rural, os casados representavam 76,7% dos votantes, enquanto os solteiros 16,7%. Na região urbana, entretanto, o eleitorado era predominantemente formado por viúvos (59,7%) e casados (32,9%).
TABELA 12. ESTADO DOS VOTANTES DE CARAPINA (1849-1864) Estado Votantes N. % Solteiro 957 40,1 Casado 1281 53,6 Viúvo 134 5,6 Não informado 16 0,7 Total 2388 100
Fonte: AMV. Atas de formação da Mesa Eleitoral de Qualificação de Carapina.1849-1864
A característica rural da freguesia é revelada no perfil ocupacional dos votantes. Como se observa no gráfico abaixo, 93% dos cidadãos qualificados dedicava-se à colheita da terra. Deve-se atentar, contudo, para a diferença entre as categorias de lavrador e lavoura. Pelas informações do documento, pode-se inferir que lavoura caracterizava a posse de considerável extensão de terra. O exemplo do juiz de paz eleito em 1837, Justiniano Martins Meireles, auxilia no esclarecimento do assunto. Qualificado no item lavoura,196 Justiniano destacava-se na freguesia pelas propriedades vultosas. Por ocasião da sua morte, em 1868, Basílio Carvalho Daemon (1879, p. 442) registrou em suas memórias tratar-se de “importante fazendeiro da freguesia de Carapina, no lugar denominado Jacuí. Deixou o finado boa fortuna em dinheiro, prédios, terras e escravos”. O termo lavrador, por sua vez, provavelmente fazia referência aos pequenos proprietários, sitiantes e arrendatários da região e, como se vê, eles representavam 83% do eleitorado. Embora a freguesia de Carapina estivesse situada na região rural da capital, Fabíola Martins Bastos (2009, p. 116-118) alertou em seu estudo sobre as sociabilidades em Vitória para a existência de pequeno comércio local naquela localidade. Fato também perceptível nas Listas de Qualificação visto o pequeno número de votantes dedicados a outras atividades, tais como negócios, sapateiro, agências, marceneiro, etc.
GRÁFICO 4. OCUPAÇÃO DOS VOTANTES DA FREGUESIA DE CARAPINA (1849-1864)
Fonte: AMV. Atas de formação da Mesa Eleitoral de Qualificação de Carapina.1849-1864
Outra informação importante ressaltada por Bastos (2009, p. 116) refere-se à proximidade geográfica entre as freguesias de Vitória, fator que contribuiu por tornar a cidade “um misto de cenários urbanizados e rurais”. Investigações baseadas em inventários post-mortem sugerem a circulação dos residentes entre as freguesias ao apontar que inventariantes da região central também possuíam imóveis nas freguesias rurais, quase sempre destinados a criação de animais ou cultivo de plantações.197
Como dito anteriormente, o corpo documental utilizado na amostragem do perfil dos votantes ultrapassa o recorte temporal da pesquisa. Entretanto as Listas de Qualificação de Carapina constituem as únicas fontes disponíveis que permitem
197 As pesquisas utilizam inventários post-mortem datados de dois períodos, 1790 - 1822/ 1850-1872.
alguma aproximação dessa parcela de cidadãos ativos da Província do Espírito Santo.